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ESTRUTIOCULTURA : EXPERIÊNCIAS EM
OUTROS PAÍSES E PERSPECTIVAS NO BRASIL

INTRODUÇÃO
A diversificação da pecuária tem sido uma alternativa para os produtores rurais, e dentre as opções, a criação de ratitas, tem sido sucesso nos Estados Unidos, Austrália, Israel e países africanos como Namíbia, Zimbábue e África do Sul, sendo este ultimo o primeiro país a implantar um criatório comercial há pouco mais de 130 anos. A comercialização de produtos de ratitas como ovos, carne, penas, pele, óleo, cílios e unhas têm criado uma cadeia de negócios com a implantação de fazendas de reprodução de aves cada vez mais tecnificadas, com o intuito de obter animais selecionados através de programas de melhoramento. Segundo MORO (1998), o Brasil tem demonstrado nos últimos anos, interesse pela exploração do comercio de emas e avestruzes e este fato tem provocado uma demanda crescente de informações sobre o setor, ainda carente de profissionais das diversas áreas preparados para esta atividade.

O AVESTRUZ
O avestruz Struthio camelus é a maior ave viva e, na natureza, atualmente se restringe ao leste e Sul da África. É a única ratita cuja distribuição natural estende-se ao Norte do Equador. Ao mesmo tempo em que é uma ave de planícies, prados abertos áridos e semi-áridos. Ela se adapta a uma grande variedade de climas em sua ampla distribuição geográfica, desde os invernos chuvosos e até com neve e também as condições extremamente quentes dos verões do deserto. A umidade ocasionalmente alta nas áreas chuvosas de verão também é bem tolerada. Seis de sete espécies fosseis de avestruz habitaram a Europa e a Ásia. Contudo, o maior deles era o S. oshanai, oriundo do período terciário superior ou pleistoceno inferior, do qual foram encontradas cascas de ovos na Namíbia. O avestruz possui dois dedos, enquanto todas as outras ratitas possuem três dedos, todos eles apontando para frente. Existem varias subespécies distintas de avestruz, com base na sua aparência e distribuição geográfica. Na África do Sul, onde a criação de avestruzes se iniciou em torno de 1863 com captura de aves selvagens das subespécies do sul, um longo processo de rigorosa seleção para a qualidade de plumas e a posterior introdução de aves importadas do Norte e Leste da África, no inicio do século XX, levou o estabelecimento de uma raça distinta ou domestica de avestruz (HUCHZERMEYER, 2000). Na descrição cientifica dos avestruzes , três diferentes estados devem ser reconhecidos:
• Selvagem - refere-se aos avestruzes em populações silvestres e naturais, sujeitas a predação e a outros fatores de mortalidade naturais.
• Cativo - refere-se aos avestruzes oriundos de populações selvagens e mantidos em zoológicos , parques de safári e coleções ornitológicas , assim como coleções particulares , sem objetivos de produção específicos , porem protegidos de predadores.
• Criado - refere-se ao avestruz domesticado ou em processo de domesticação , mantido e reproduzido em unidades de produção intensiva ou extensiva e sujeito aos objetivos de produção e seleção genética.

CARACTERÍSTICAS DO Struthio camelus
• Não possuem dentes nem papo
• Não possuem vesícula biliar (a circulação de bílis vem direto do lóbulo do fígado pelo ducto biliar) .
• Intestino delgado longo, cerca de 6,4 metros.
• Não possuem bexiga, o processo de excreção de urina e fezes são separados, diferindo de galinhas e outras aves.
• Dimorfismo sexual marcado - o macho adulto é preto com as pontas das asas brancas e a fêmea é cinza, mas tal diferença só aparece a partir de um ano e meio de idade.
• Temperatura corpórea 38-39ºC (a galinha tem temperatura corpórea em torno de 40-41°C)
• Inicio da vida reprodutiva com 2-3 anos.
• Animal corredor (até 60 Km/h)Ø Onívoro e possui apenas dois dedos em cada pé.
• Mede de 2,0 m a 2,7 m de altura, pesa de 100 kg a 160 kg, vivem até os 70 anos e se reproduz em média até os 30/40 anos.
• As fêmeas botam cerca de 40 ovos por temporada, gerando de 20 crias por ano, com uma incubação de 42 dias.
• Produzem cerca de 1,2 kg de plumas por ano e 35kg de carne limpa por animal.
Fonte: AGROV (2004)

SUBESPÉCIES EXPLORADAS COMERCIALMENTE
Existem cinco subespécies, das quais três são explorados comercialmente:Black Neck ou African Black - Ave domesticada, de pequeno porte, obtida através dos dois últimos séculos por uma seleção empírica realizada pelos sul-africanos. É dócil, sua postura inicia-se precocemente e se adapta a qualquer clima. Suas plumas são as mais bonitas e o seu couro, marcado com muitos pontos, é muito apreciado.Red Neck - Ave de maior porte, mais agressiva, chegando a atacar pessoas quando se sente ameaçada. Reproduz menos e o inicio da postura é mais tardio e gosta de clima árido. Ideal para exploração de couro, devido ao seu porte.Blue Neck - Ave de porte médio e relativamente agressivo, pois não gosta do convívio com pessoas nem com outras raças de avestruz. Inicia a reprodução com três anos e gosta de clima tropical. Excelente para o fornecimento de carne. Fonte: AVESTRUZ (2004)

PRODUTOS
O avestruz possui uma grande vantagem, pois tudo se aproveita , e com ótima aceitação no mercado. Tem como produtos e subprodutos as plumas, o couro, a carne, os ovos e outros.

Plumas

É um produto muito conhecido no Brasil, mas utilizado desde a Antigüidade. O maior produtor é a África do Sul, o mercado consumidor está na Europa, Ásia e Américas, sendo o Brasil um dos maiores consumidores, principalmente no carnaval (para adornos e fantasias) e para fazer espanadores. As plumas do avestruz são classificadas em vários tipos (as mais curtas são usadas nos espanadores, as mais bonitas e longas usadas nos adornos), com valor variando de USS 27 a USS 160/Kg. No Brasil temos um mercado seguro para as plumas, mas este não é o produto mais interessante do avestruz. Também são aproveitadas pelas empresas automobilísticas, por serem antiestáticas. Em média obtém-se 1 a 2kg de pluma/animal/ano. As plumas brancas são as mais procuradas porque tingem bem, embora as cinzas e as pretas possam ser alvejadas. De acordo com a Associação de Criadores de Avestruz do Brasil - ACAB (2003) o preço das plumas brancas de melhor qualidade é de US$ 80,00 a US$ 90,00/Kg para o produtor, e, as de qualidade secundária, US$40,00/Kg.

Couro

É outro produto muito interessante que vem encontrando grande aceitação no mercado internacional. Cada animal irá produzir de 1,2 a 1,5 m2 de couro de fácil extração e curtimento, que aceita bem várias colorações e é naturalmente decorado por causa dos orifícios dos cálamos. O valor europeu do couro é de cerca de USS 200 a USS 300 por peça de couro cru, e de USS 500 a USS 600 pelo couro tratado (AGROV, 2004).

Tabela 1 - Preços de couro
TAMANHO (dm2) 130
GRADUAÇÃO VALOR
I R$ 1.250,00
II R$ 970,00
III R$ 795,00
IV R$ 615,00
V R$450,00
REJEITADO R$300,00

Fonte: ACAB (2004)

Carne
É o produto que está dando maior impulso à criação comercial de avestruzes atualmente. Apesar de ter sido consumida e apreciada desde a Antigüidade, a carne hoje está sendo redescoberta por ser semelhante à carne de bovinos em termos de aspecto, sabor e textura, mas com a vantagem de ter baixos teores de colesterol e gorduras (tabela2). Esta característica da carne se deve à distribuição das gorduras no organismo do animal: estas se localizam em volta do estômago e sob a pele, propiciando cortes de carne magra e couro extremamente macio. Atualmente o maior mercado consumidor está nos Estados Unidos e Europa. A Suíça, por exemplo, importa 200-300 toneladas por ano de carne de avestruz. No Brasil existe um grande interesse por carnes exóticas, e a carne de avestruz inicialmente se introduziria neste setor (AGROV, 2004).

Tabela 2 - Quadro comparativo da qualidade da carne de avestruz com outras espécies
Qualidade da Carne (em 100g de carne)
Carne
Colesterol
Carboidratos
Calorias
Proteínas
Cálcio
Gordura
Avestruz
58
2,1
96,6
22
5,2
1,2
Boi
77
0
240
21
9
15
Frango
73
0
140
27
13
3
Porco
84
0
275
24
3
19
Peru
59
0
135
25
16
3

Fonte: PONTODOAVESTRUZ (2004)

Tabela 3 - Preços de cortes de carne
Filet Fan R$ 66,00
Top Loin R$ 66,00
Postas de Sobrecoxa R$ 66,00
Filét Oyster R$ 66,00
Tenderloin R$ 66,00
Filét Redondo R$ 66,00
Outside Strip R$ 66,00
Filet Tip R$ 66,00
Filet de Coxa Externo R$ 45,00
Filet de Coxa Interno R$ 45,00
Filet de Coxa Médio R$ 45,00
Pescoço R$ 30,00
Carpaccio e Hambúrguer R$ 55,00

Fonte: ACAB (2004)

Ovos e outros
Os ovos pesam aproximadamente de 1.200 a 1800g e o seu sabor é muito semelhante ao ovo de galinha. Hoje, não se consome porque fará nascer um pintinho que vale muito mais (AGROV, 2004). Já os ovos inférteis aproveita-se as cascas para o artesanato, decorações, artes contemporâneas e luminárias, gerando oportunidades extras de negócios. O conteúdo interno é utilizado para consumo humano ou para a indústria de alimentos (desde que os ovos não tenham sido incubados). Bico e unhas são utilizados na confecção de jóias, os cílios podem ser aproveitados para fabricar cílios postiços e pincéis de alta definição. A carcaça pode entrar na composição de rações e os tendões são utilizados em cirurgia de recuperação ou enxerto em humanos. A indústria internacional de cosméticos, sobretudo, na Inglaterra e na Austrália, defendem a utilização de óleo de avestruz, como matéria-prima para confecção de produtos de qualidade. São produzidos principalmente cremes e loções (usados no desaparecimento de rugas e na revitalização da beleza da pele), óleos (óleo de massagem), pomadas e produtos de beleza (brilho para os lábios e sabonete). Na medicina estão sendo estudados remédios para Mal de Alzeimer utilizando as enzimas do cérebro do avestruz e pesquisas sobre similaridade da córnea humana (ACAB ,2004).

SITUAÇÃO ATUAL E PERSPECTIVAS NO BRASIL E NO MUNDO
Histórico da criação comercial de avestruzes
O avestruz começou a ser criado na África do Sul, na metade do século passado, para produção de plumas. Era uma criação extensiva, os animais não eram abatidos, as plumas eram cortadas duas vezes por ano e exportadas para a Europa e para os Estados Unidos. O animal também foi introduzido na Austrália no século passado para exploração comercial. A criação foi abandonada no início deste século, os animais ficaram soltos e se tornaram selvagens. No início do século XX (com a I e II Guerras Mundiais e a quebra da Bolsa dos EUA) houve um colapso do mercado de plumas; por alguns anos a criação de avestruzes ficou desprovida de interesse econômico. Na década de 60 começou novamente a se desenvolver graças à valorização de outros produtos do animal: a carne e o couro. Atualmente a África do Sul tem o maior plantel no mundo, por ser o avestruz originário desta região e por ser este o país que primeiro iniciou a criação comercial há cerca de 100-150 anos. O segundo maior plantel está nos Estados Unidos, mas também Austrália, Israel, Canadá e outros países têm um número considerável de animais (AGROV, 2004). A China é um dos países em que mais cresce a estrutiocultura (PONTODOAVESTRUZ, 2004).
O aumento da estrutiocultura no Brasil teve um grande avanço, em relação à legislação pertinente, é a portaria nº 36, 15/03/02, onde o MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), classifica o avestruz no contexto de avicultura industrial, não sendo mais considerada, portanto, uma ave exótica, mas sim doméstica. Segundo PINHEIROS (2003), no Brasil a cadeia produtiva da estrutiocultura, ainda é incipiente, e necessita amparar-se em eficientes e objetivos mecanismos de gestão, que permitam a mesma atuar de forma sistêmica, interagindo entre os respectivos segmentos e, por conseqüência, provendo ações sintonizadas com os estrangulamentos detectados. Infelizmente o setor já apresenta uma certa desorganização operacional, traduzida, principalmente, pelo número de entidades representativas constituídas, as quais, muitas vezes, divergem em objetivos e se contrapõem em funções, dificultando a adoção de princípios técnicos de grande valor, como é o caso da normalização de processos e produtos. A tendência da estrutiocultura em se organizar em associações e cooperativas é cada vez maior, tornando-se evidente a tentativa impulsiva dos produtores e empresários em propor arranjos organizacionais diversos (entidades, cooperativas e associações), cujos objetivos convergem sempre para o mesmo fim, cooperação para a redução de custos e permuta de facilidades. No entanto, a pulverização destas iniciativas desaceleram o poder de crescimento do setor e, como conseqüência, sua afirmação tanto em nível nacional como internacional.

Rebanho nacional
O Brasil tem um alto potencial para a produção de avestruzes, a um custo menor do que em outros países e outro motivo da euforia é o ótimo desempenho da atividade no ano passado, o setor teve um crescimento em número de cabeças de aproximadamente 30%. Também houve uma elevação, da ordem de 20%, em relação ao número de criadores no País. Hoje, o Brasil conta com cerca de 1,5 mil criadores distribuídos em todo o território nacional, com destaque para o estado de São Paulo, que detém 40% de todo o rebanho (ACAB, 2003).

Tabela 4 - Distribuição geográfica do rebanho nacional
Principais Unidades da Federação Produtoras de Avestruzes Rebanho Atual * (em cabeças)
São Paulo 40.000
Pernambuco 5.000
Bahia 5.000
Sergipe 3.000
Ceará 5.000
Goiás 4.500
Minas Gerais 3.500
Mato Grosso do Sul 5.000
Mato Grosso 3.000
Paraná 5.000
Demais Estados do Brasil 21.000
Total do Rebanho Brasileiro Cerca de 100.000

Fonte: AVICULTURAINDUSTRIAL (2004)

Mas, antes de se aventurar na criação de avestruzes, é preciso ter em mente que a estrutiocultura é um investimento de longo prazo e que a comercialização de carne ainda é um pequeno nicho. Hoje, 70% da renda da estrutiocultora brasileira provém da venda de animais reprodutores, 25% vêm de insumos para a produção e apenas 5% da venda de carne. Para iniciar um criatório de avestruzes, o investimento é de aproximadamente R$ 20 mil. No cálculo, entra as despesas com a compra de cinco casais de filhotes - preço de mercado de cada filhote: R$ 800 -, instalação dos piquetes e ração para os animais. Cada ave consome o equivalente a R$ 400 anualmente. Leva-se em conta também que o rendimento por animal abatido é proporcionalmente baixo (30% do peso vivo) se comparado com o rendimento de bovinos (em torno de 55%), e a mortalidade na fase de cria (0-3 meses) está em torno de 30 a 100% (BORGES e FRANCIS, 2003). Apesar deste fato ser largamente compensado pela grande produção anual de filhotes, enquanto uma vaca produz um bezerro por ano, que vai para o abate com dois ou três anos, uma fêmea de avestruz produz em média 30 filhotes por ano, fornecendo de 800 a 1200 Kg de carne por fêmea/ano

Tabela 5 - Tabela comparativa da produção em bovinos e Avestruzes
Animal
Produção/Ano
Abate em 3 Anos
Carne / Animal
Carne Total
Couro
Avestruz
20
60
35 Kg
2.100 Kg
72 m2
Boi
1
1
250 Kg
250 Kg
5 m2

Fonte: PORTAL DO AVESTRUZ (2004)

Abate reduzido
Atualmente, os criadores nacionais limitam-se a comercializar os seus planteis com outros criadores. Limita-se a vender seus animais para terceiros. O abate ainda é feito em pequena escala. Essa é umas das razões para o preço da carne manter-se em níveis elevados. Em média, custa R$ 60 o quilo. Com o início da produção comercial, no entanto, o preço deverá cair para até R$ 25,a redução de custo vai permitir, portanto, a popularização da carne (PORTALDOAVESTRUZ, 2004).

Mercado competitivo
Além de atender ao mercado interno, a produção nacional poderá suprir a demanda de países da região do Mercosul, em especial Argentina e Uruguai. A tomada de outros países, contudo, será tarefa mais árdua, uma vez que grandes criadores como a África do Sul e Austrália já dominam o mercado europeu e americano (PORTALDOAVESTRUZ, 2004). Em 2003, mercado interno consumiu 14,9 milhões de toneladas de carnes diversas (Bovino, Frango, Suíno, Ovino, Caprino, Bubalino, e Outras exóticas). Deste total, o consumo de carnes exóticas (não habitual), foi de 186 mil toneladas e com a melhora da divulgação e distribuição, junto ao público consumidor, o mercado interno em 2008, estará absorvendo cerca de 250 mil toneladas, desses produtos exóticos. Dentro desse potencial de consumo, já existe espaço para a carne do avestruz ( PORTALDOAVESTRUZ, 2004). Entretanto, para lutar por uma fatia desse potencial de consumo, o estrutiocultor brasileiro precisará, o quanto antes, se organizar, aumentar e melhorar a sua produção, divulgar de forma eficiente a carne do avestruz e desenvolver toda a logística que envolve a colocação desse produto no mercado ( Quantidade, Qualidade, Abate Contínuo e Produto Disponível ). Hoje, o estrutiocultor brasileiro está perdendo essa fatia potencial de mercado, para outros produtos exóticos, inclusive os importados. O potencial de consumo da carne do avestruz no mercado interno brasileiro, em 2004, já corresponde a cerca de 7 mil toneladas, ou seja, o equivalente ao abate de 230 mil aves. Para o Brasil ainda é necessário alguns anos para que possa ter um numero suficiente de animais para começar a abater e vender seus produtos. Para ter uma comparação, os EUA demoraram 20 anos para começar a abater e na Itália se cria Avestruz desde 79 e ainda não há abatedouros (AGROV, 2004). Aqui enquanto não há abate suficiente se vende pintinhos de avestruz para reprodução. Países como África do Sul, EUA, Israel, Espanha, Austrália e países africanos estão à frente do Brasil em relação à tecnologia e população, que gira em torno de dois milhões de cabeças (ACAB, 2003). Os maiores produtores são a África do Sul e os EUA.

Tabela 6 - Tabela com estimativa de consumo de carne de avestruz
Estimativas de consumo de carne de avestruz para o mercado brasileiro, em diferentes cenários de participação na cadeia de carnes, para o próximo ano.
Ano
Quantidade total de carne consumida Per Capita / Ano
População
(em milhões de habitantes)
% de participação prevista para a carne de Avestruz
Número de aves abatidas por ano
(em mil cabeças)
2002*
70,5
165
0,01
38,5
2004
69,0
167,2
0,02
76,9
2006
67,5
170,6
0,04
153,5
2008
66,0
174,0
0,07
268
2010
64,5
177,5
0,10
381,6
* Ano hipotético previsto para início dos abates

Fonte: AVICULTURAINDUSTRIAL (2004)

Mas a situação de alguns destes países como os africanos e os EUA atualmente estão com problemas relacionados ao aparecimento da Influenza Aviaria e Newcastle, no qual a UE (União Européia) proibiu a importação de carnes avícolas in natura e outros produtos avícolas até o dia 15 de agosto de 2004 dos respectivos países - Tailândia, Camboja, Indonésia, Japão, Laos, Paquistão, China, Correia do Sul e Vietnã. Caso semelhante aos EUA, onde em 2002 a UE suspendeu as importações de produtos avícolas provenientes deste país devido o aparecimento de newcastle, e atualmente houve de surto desta mesma doença na Namíbia e Botsuana no final de 2003 onde a OIE - Organização Internacional de Sanidade Animal confirmou a positividade da doença (AVISITE, 2004). Estas situações só servem para melhorar as expectativas do produtor brasileiro, já que os países exportadores que apresentam estas enfermidades em seus planteis só perdem credibilidade no mercado internacional.

A INDÚSTRIA DE AVESTRUZES
Segundo (HUCHZERMEYER, 2000).
À medida que a industria de avestruzes expande-se por todo o mundo, certos problemas tornam-se aparentes. Dois dos três principais produtos da industria de avestruzes, o couro e as plumas, são orientados pela moda. Por isso, seus preços são afetados pela superprodução e pelas mudanças da moda. Até mesmo a carne é visada por um mercado consciente sobre qualidade e saúde. Com o aumento da produção de avestruzes para abate, a pressão sobre os preços da pele só pode aumentar. O mesmo também pode ser verdade para a carne de avestruz, se todos os países produtores continuarem a se concentrar no mercado europeu.Com resultado dessa competição localizada, os preços das mercadorias já estão mais baixos do que o esperado, e os produtores estão sobre crescente pressão econômica.
Sob estas condições, os custos de produção são muito altos. Eles são afetados pelo custo real da produção, contra a baixa produtividade. Os fatores envolvidos são os mesmos em todo o mundo:

• Alto custo de investimento para a infraestrutura e o rebanho
• Produção de ovos relativamente baixaØ Baixa porcentagem de eclodibilidade
• Alta mortalidade de filhotes
• Sistema de trabalho intensivo
• Alto custo de alimentação

Adicionalmente, parece que alguns aventureiros penetraram em vários setores da industria de avestruzes visando somente o lucro rápido, sem se preocupar com o compromisso de desenvolver uma industria sadia para um futuro a longo prazo. A procura de soluções para esses problemas deve envolver todos os setores da industria. Não existe uma solução única para todos os problemas.

O mercado de produtos de avestruzes engloba as seguintes atividades:

• Encontrar e desenvolver novos mercados para os produtos existentes
• Desenvolver novos produtos
• Enfatizar os métodos de produção conscientes sobre o bem-estar animal
• Enfatizar a alta qualidade dos produtos de avestruzes

Existem muitas formas de tentar aumentar a produtividade:
• Seleção: A maioria dos criadores estão apenas multiplicando avestruzes. A menos que se utilizem piquetes com um só casal, os mal reprodutores não podem ser detectados, impedindo uma seleção baseada na produtividade real.
• Incubação: Avestruzes não são e nem se parecem com galinhas. As tentativas de copiar algumas coisas da industria de frangos e tentar aplicá-las na produção de avestruzes, falharam. Só uma visão aberta e radicalmente nova para a incubação de ovos de avestruz terá chance de solucionar este problema.
• Criação: Ainda não foi desenvolvido nenhum sistema de criação intensivo para filhotes de avestruz, que fosse eficiente.
• Doenças de outras espécies: Os avestruzes podem adquirir doenças contagiosas e infecciosas de outras espécies, não somente de frangos mas de aves de estimação também. Não se devem manter avestruzes e frangos na mesma fazenda, nem mesmo galinhas de quintal.
• Rações de baixo custo: As rações atualmente disponíveis ainda são muito caras, não aproveitam a capacidade de ingestão das fibras destas aves.

A competição é um estimulo saudável e não deve ser evitada. Entretanto, a competição sufocante através de imposição de cotas de produção só pode perpetuar a ineficiência. A promoção da carne e seus subprodutos como alimentos saudáveis e de qualidade ajudará na sua popularização. Existe uma enorme necessidade de pesquisa nessa jovem indústria, havendo uma grande carência de financiamentos e também de interações com Universidades e laboratórios especializados.

CONCLUSÃO
Diante do exposto, fica evidente que a estrutiocultura brasileira contará com todas as ferramentas estratégicas necessárias ao desenvolvimento e firmamento de seu agronegócio, sendo primordial para tal, a identificação e caracterização de forma sistêmica, dos estrangulamentos da cadeia produtiva da estrutiocultura e, paralelamente, as ações emergenciais passíveis de serem incorporadas às estratégias operacionais da mesma. A cadeia do avestruz tem um grande potencial de crescimento dentro do País, uma vez que o Brasil apresenta as condições necessárias para o seu desenvolvimento e estabelecimento, devendo esta, estar organizada de forma a ter eficiência e competitividade necessárias.Comparada com a de outros países, a produção brasileira ainda é pequena, de cerca de 30 toneladas por ano. Para se ter uma idéia, a África do Sul líder mundial, que detém em torno de 70% do mercado internacional produz 30 toneladas por dia, quase 11 mil toneladas por ano.

REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS
ACAB, 2004. Disponível em www2.acab.org.br, Acesso em 17-18/04/2004.
AGROV, 2004. Disponível em www.agrov.com, Acesso em 17-18/04/2004.
AVESTRUZ, 2004. Disponível em www.avestruz.com.br, Acesso em 17-18/04/2004.
AVICULTURA INDUSTRIAL 2004, Disponível em www.aviculturaindustrial.com.br, Acesso em 17-18/04/2004.
AVISITE 2004, Disponível em www.avisite.com.br, Acesso em17-18/04/2004.
BORGES, N.I.R., FRANCIS, D.G. 2003. Doenças de filhotes de avestruzes e suas incidências em três criatorios brasileiros, em V Congresso Internacional de Zootecnia,11, 2003 Uberaba . Anais ... p. 160.
GOULART, C.E.S. As perspectivas da estrutiocultura no Brasil, Disponível em www.avisite.com.br, Acesso em 17/04/2004.
MORO, M.E.G. Manejo e Alimentação de Emas e Avestruzes, em Simpósio sobre Nutrição Animal da Produção de Rações, 21,1998 Campinas. Anais... 1998. p.1-7 .
HUCHZERMEYER, F.W. Doenças de avestruzes e outras ratitas / F.W.Huchzermyer.-Trad. Miriam Luz Giannoni , Adriana A. Novais - Jaboticabal : Funep, p.8-9. 2000.
PINHEIROS, em AVICULTURAINDUSTRIAL, Disponível em www.aviculturaindustrial.com.br , Acesso em 17-18/04/2004.
PONTO DO AVESTRUZ 2004, Disponível em www.pontodoavestruz.com.br, Acesso em 17-18/04/2004.
PORTALDOAVESTRUZ 2004, Disponível em www.portaldoavestruz.com.br , Acesso em 17-18/04/2004.

FONTE:
Thiago Vasconcelos Melo
Zootecnista-Mestrando em Produção animal -UENF

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