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Introdução: Nunca se falou tanto em ecologia. Neste final de milênio,
é evidente a preocupação com o meio em que vivemos. Em todos os cantos do planeta,
a humanidade discute sobre o futuro do meio ambiente, buscando a melhor forma
de protegê-lo. Nesta segunda metade do Século XX, a civilização percebeu que está
colocando em risco a sua própria permanência sobre o planeta Terra. Desde
a bomba atômica, o ser humano vem tomando consciência que, para manter sua própria
segurança, não basta proteger e reforçar as fronteiras entre as nações. Na verdade
é preciso garantir a sobrevivência das gerações futuras, e permitir que elas vivam
com dignidade. Para isso é preciso proteger o planeta como um todo, mantendo a
viabilidade do solo, dos rios, dos mares, da atmosfera, assim como a fauna e a
flora em toda a sua diversidade. A natureza que nos criou não pode ser destruída
por nós mesmos, ou então estaremos falando de suicídio. O Médico Veterinário
tem um papel muito amplo na proteção ambiental. Ele é, por exemplo, diretamente
responsável pela qualidade do alimento de origem animal que consumimos. É o responsável
pela saúde dos animais que nos servem, quer seja com sua carne, com seu leite
ou sua pele, quer seja com seu trabalho, com sua companhia e com sua beleza. É
o profissional que previne a transmissão de doenças dos animais para os humanos
(estas doenças são chamadas de zoonoses). O Médico Veterinário conhece e zela
pela fauna silvestre, integrante de um ecossistema, sem a qual não viveríamos.
Ele contribui para a educação da sociedade sobre o ponto de vista ambiental. Enfim,
é um cidadão apto a opinar em qualquer discussão sobre proteção ambiental.
O que é Ecologia: A palavra ecologia é de origem grega (eco +
log(o) + ia), de onde temos: · eco- [oîkos]: Elemento de composição que significa
casa, domicílio ou habitat; · -log(o)- [lógos]: Elemento de composição que
significa palavra, tratado, estudo, ciência, que estuda ou que trata; · -ia.
[ía]: Sufixo nominativo que identifica qualidade, estado, propriedade 1.
Ao consultarmos o dicionário, encontramos no verbete "ecologia" as seguintes definições:
1. "Parte da Biologia que estuda as relações entre os seres vivos e o meio
ambiente em que vivem, bem como as recíprocas influências; Mesologia". 2.
"Ramo das ciências humanas que estuda o desenvolvimento e a estrutura das comunidades
humanas em suas relações com o meio ambiente e sua conseqüente adaptação a ele,
assim como novos aspectos que os processos tecnológicos ou os sistemas de organização
social possam acarretar para as condições de vida do Homem". Meio ambiente
é a somatória de fatores (físicos, químicos, energéticos, ou qualquer outro) que
interferem sobre os seres vivos 2. Assim, um meio ambiente é formado por uma mistura
de substâncias em equilíbrio dinâmico, sujeitas a variações de temperatura, pressão,
luminosidade, força gravitacional, etc. Cada organismo também é um fator integrante
do meio ambiente, uma vez que sua presença interfere sobre os demais seres vivos,
em relações que podem assumir as mais variadas formas possíveis. Todos estes fatores
estão sujeitos a mudanças cuja periodicidade varia, dos mais breves instantes
até milênios, ou além do que nossa imaginação possa alcançar. A cada mudança de
um fator, por mais sutil que seja, todos os outros fatores do meio ambiente se
ajustam, formando um novo equilíbrio. Portanto, o meio ambiente não é estático,
mas dinâmico, estando em constante mutação. A totalidade do espaço ocupada
pela vida é chamada de biosfera 2. Compreende todas as partes da atmosfera e da
crosta terrestre onde a vida se mantém. A biosfera é sempre vista como um conjunto,
como a totalidade, onde todos os seres vivos interagem uns com os outros. Não
há ser vivo que viva sozinho, isolado de outros seres vivos. Sempre são necessárias
interações entre indivíduos para que a vida como um todo possa existir. Como exemplos,
temos o tubarão se alimentando de peixes menores, ou o coelho se alimentando de
vegetais, ou ainda a planta tendo sua flor polinizada por um inseto. Didaticamente,
assim como o corpo humano é dividido em órgãos e tecidos, a biosfera é dividida
em ecossistemas e habitats (porém todos estão interligados!). Um exemplo de ecossistema
seria um lago. O solo do fundo do lago é um exemplo de habitat. O verme que vive
no fundo do lago, seguindo nosso raciocínio didático, poderia ser comparado a
uma célula do corpo humano, o indivíduo, a unidade. Da mesma forma que, um rim
não funcionaria se o sangue não fosse bombeado pelo coração, o lago não existiria
sem a água proveniente de um outro ecossistema como o rio. Cada ecossistema tem
seu funcionamento próprio, mas não é independente dos outros ecossistemas. O mesmo
raciocínio pode ser aplicado aos habitats, às comunidades que neles vivem, e aos
indivíduos que as compõem. Cada indivíduo mantém com o meio ambiente uma
relação de ação e reação. Ao conjunto de relações de uma espécie com o meio ambiente
denomina-se nicho ecológico 2. Este demonstra o modo como determinada espécie
ocupa sua posição dentro da comunidade (conjunto de espécies de um mesmo habitat).
Nicho ecológico é a maneira como a espécie vive, com seu comportamento, suas adaptações
estruturais, seus ajustamentos fisiológicos, de modo a aproveitar todas as suas
potencialidades. Cada espécie tem seu nicho ecológico próprio, sendo que duas
ou mais espécies não podem ocupar o mesmo nicho ecológico. Não é a mesma coisa
que duas espécies viverem no mesmo local, já que cada uma se relaciona com o meio
ambiente de uma forma e, portanto, ocupa um nicho ecológico diferente. Todo
indivíduo necessita de energia para crescer, se desenvolver e reproduzir, cumprindo
assim com seus mais elevados fins existenciais. A nutrição é a forma de obtenção
de energia de qualquer ser vivo. As plantas utilizam a energia luminosa proveniente
do Sol para sintetizar as substâncias das quais são feitas (processo de fotossíntese),
a partir de outras substâncias que jazem no solo, água e atmosfera. Os animais
herbívoros alimentam-se destas plantas, absorvendo sua energia para utilizarem
em seus processos metabólicos, além de utilizarem-se também da água e do ar para
se desenvolverem. Já os animais carnívoros alimentam-se da carne dos animais herbívoros,
absorvendo sua energia, e também da água e do ar. Por fim, existem na natureza
os microorganismos decompositores, seres que vão se alimentar e consumir a energia
de plantas e animais mortos, produzindo calor e substâncias nutrientes do solo,
que por sua vez serão utilizadas pelas plantas em sua nutrição. É fantástico como
na natureza toda a matéria prima se recicla após sua utilização, transformando-se
em novas formas, com novas utilidades. Pode-se perceber então, como toda forma
de energia utilizada pelos seres vivos tem sua origem na luz solar, e como toda
substância utilizada pelos seres vivos em seu metabolismo tem sua origem na água
ou no solo. À forma como energia e matéria se transferem de um ser vivo para
outro chamamos de cadeia alimentar 2. Cada tipo de ser vivo representa um papel
na cadeia alimentar. Todas as plantas e algas verdes, além de alguns microorganismos
que também realizam fotossíntese, são capazes de converter a energia luminosa
do Sol em energia química dos alimentos, sendo então chamados de seres produtores.
Todos os demais seres vivos, que consomem essa energia química sob a forma de
alimento, são chamados de consumidores. Os animais estritamente herbívoros alimentam-se
exclusivamente de seres produtores, sendo então chamados de consumidores primários.
Outros animais são predadores e caçam, alimentando-se de seres consumidores primários,
por isso são chamados de consumidores secundários. Às vezes um predador pode fazer
o papel de consumidor terciário. Já os microorganismos responsáveis pela putrefação
dos corpos de animais e vegetais mortos são denominados consumidores decompositores.
Os animais onívoros alimentam-se tanto de vegetais como de animais. Muitos dos
predadores consomem também seres produtores. Assim, a cadeia alimentar algumas
vezes é encurtada, em outras alongada, ou ainda pode sofrer desvios, não sendo
portanto uma estrutura rígida. Ecologia, como pôde ser visto, é uma ciência
bastante complexa, não cabendo ao objetivo deste texto discutir maiores detalhes.
A Política do Ecologicamente Correto: Se o meio ambiente
está constantemente se modificando e se reequilibrando, o que podemos então, fazer
para protegê-lo? Como podemos tornar estável algo que é dinâmico? Será que devemos
(se pudermos) estancá-lo, impedindo que se modifique em seu curso natural? O que
vem a ser então proteger o meio ambiente? Proteger o meio ambiente não é impedir
que ele se modifique, mas sim adotar uma política ecologicamente correta em relação
a ele. Deveríamos permitir que o meio ambiente se alterasse em seu curso natural,
sem que interferíssemos em seu complexo mecanismo de equilíbrio dinâmico.
Acontece que somos um elo do meio ambiente, e portanto, com ele mantemos uma relação
de ação e reação. Se existimos num meio ambiente, não há como não interferirmos
nele, nem escapar de suas influências. Somos uma espécie ocupando um nicho ecológico
dentro de um ecossistema. Somos parte integrante da biosfera. Nascemos, crescemos
e nos reproduzimos, como qualquer outro ser vivo, a fim de cumprirmos nossa necessidade
existencial. Mas como todas as outras formas de vida, precisamos garantir a perpetuação
da nossa espécie, nosso comportamento deve ser o de proteger a nós mesmos, aos
nossos filhos e a todos os nossos descendentes. Só que, ao que parece, não temos
nos lembrado muito disso ultimamente. Pouco a pouco, a atual civilização vai destruindo
a sua própria condição de sobrevivência. A poluição do solo, das águas e da atmosfera
agride o meio ambiente, e este apenas se reequilibra -- como se fora um organismo
tentando se livrar de uma moléstia, em seu momento febril -- nos impondo suas
enchentes, erosões, pestes, doenças contagiosas, aquecimento global da superfície
do planeta, etc. Adotar uma política ecologicamente correta significa dosar
o impacto de qualquer atitude nossa frente ao meio ambiente, de forma que a reação
deste à nossa atitude seja para nós saudável, e não de forma a nos trazer mais
transtornos no futuro. Qualquer interferência no meio ambiente, por menor que
seja, reflete uma alteração de nossa qualidade de vida, e, da mesma forma, modifica
a qualidade de vida de todas as outras espécies que compartilham o meio ambiente
conosco. É uma questão de nos defendermos dos possíveis efeitos de nossas próprias
atitudes. Para podermos ilustrar melhor quais atitudes são consideradas ecologicamente
corretas, vamos mencionar primeiramente algumas atitudes já tomadas pelo homem
que sabidamente foram ecologicamente incorretas. Certa vez, a população de
uma ave de caça (Lagopus lagopus) da Noruega começou a diminuir. Sabia-se que
essa população sofria epidemias periódicas de coccidiose, que ocorriam sempre
que a população se tornava muito densa. As aves de rapina então capturavam as
aves doentes, mantendo em baixos níveis a proporção entre aves doentes e aves
sadias. O Homem então passou a perseguir as aves de rapina, inimigas naturais
do L. lagopus. Ocorreu então que a proporção de aves doentes em relação as saudáveis
aumentou muito, ficando o ambiente fortemente contaminado com os esporos do protozoário
causador da coccidiose. A população da ave atingida então quase se extinguiu,
um resultado catastrófico da intervenção humana 3. Outro exemplo ocorreu
em 1906, no Arizona (EUA), onde agentes do governo, a fim de proteger uma população
local de cervos, abateu sistematicamente outros animais predadores do cervo. Então
a população de cervos aumentou muito o seu tamanho, e como habitava uma região
isolada, que impedia a migração, a densidade populacional também se elevou muito.
Os cervos devoraram todas as folhas e plantas disponíveis, e em pouco tempo já
não havia mais alimento disponível para a numerosa população. Em 1923 o estado
de desnutrição dos cervos era tal que, vertiginosamente, em dois anos, a população
reduziu-se a 40%. Só em 1940 a caça ao cervo foi novamente permitida, e a população
de cervos estabilizou-se em nível satisfatório 3. O uso de inseticidas na
agricultura, a princípio parece lógico, já que livra a cultura de suas pragas,
aumentando a produção de alimentos. Só que a poluição do solo e das águas que
seu uso causa, e cujo efeito só é percebido em longo prazo, não compensa o benefício
trazido de imediato. O DDT, por exemplo, é lavado das folhas pela chuva e pela
irrigação, e através dos rios chega aos oceanos. Estes pesticidas acumulam-se
ao longo da cadeia alimentar, já que não são degradados pelos organismos, e pouco
a pouco vão atingindo níveis tóxicos, causando grandes mortalidades de numerosas
espécies diferentes. Não há ser marinho que não esteja contaminado pelo DDT. O
nosso próprio alimento está ficando cada vez mais contaminado pelo que outrora
fora criado para nos proteger. Da mesma forma, o uso de metais pesados como o
chumbo e o mercúrio, ou de radiações como as emanadas das usinas nucleares, poluem
o ambiente de forma cumulativa, e mais cedo ou mais tarde voltam-se contra nós
mesmos. É muito difícil adotar atitudes extremamente corretas do ponto de
vista ambiental. Uma idéia que hoje parece ser boa, amanhã poderá demonstrar efeitos
terríveis. De qualquer forma, devemos aprender com nossos erros, pois só assim
pode haver evolução. Não adianta ficar insistindo em atitudes sabidamente incorretas.
A ganância momentânea só poderá acarretar em prejuízo no futuro. A melhor
saída para uma política ecologicamente correta parece ser adotar os recursos já
oferecidos pela própria Natureza. Por exemplo, na agricultura podemos adotar o
manejo integrado de pragas ao invés dos habituais pesticidas, onde as pragas são
mantidas em populações mínimas com a introdução na lavoura de seus inimigos naturais.
A adubação orgânica, produzida a partir dos resíduos do nosso próprio lixo doméstico,
pode tranqüilamente substituir os fertilizantes industriais que agridem o solo
e poluem as águas. Papel e madeira podem ser reciclados para que florestas inteiras
não continuem sendo desmatadas para sua produção. Plásticos, metais, vidros, e
muitos outros materiais também podem ser reciclados. Ao invés de represarmos os
rios ou construirmos usinas nucleares para obtermos energia elétrica, poderíamos
utilizar a energia luminosa do Sol ou a energia eólica dos ventos. A utilização
do petróleo e da madeira para obter energia térmica pode tranqüilamente ser substituída
pela energia térmica oferecida pela oxidação do hidrogênio, elemento tão abundante
em nosso planeta, e que não polui a atmosfera, pois resulta em vapor d'água.
Estas e muitas outras soluções criativas que podem ser encontradas na natureza,
ainda hoje são taxadas de "alternativas", e permanecem marginalizadas por uma
civilização que se recusa a olhar para o futuro ao mesmo tempo em que é incapaz
de se desvincular dos apegos errôneos do passado. Espera-se, porém que estas soluções
deixem de ser alternativas para se tornarem de uso preferencial. A
Medicina Veterinária Ecologicamente Correta: Ao Médico Veterinário cabe
grande responsabilidade nesta sociedade que aos poucos vai tomando consciência
da importância da preservação ambiental. Em todas as suas formas de atuação, o
profissional da saúde animal deve atentar para os possíveis impactos ambientais
decorrentes do seu trabalho. Cabe ainda ao Médico Veterinário o papel de educador,
ensinando uma política ecologicamente correta, quer seja aos cidadãos diretamente
relacionados ao seu trabalho (produtores rurais, funcionários de fazendas, proprietários
de animais de estimação, profissionais das indústrias alimentícia e farmacêutica,
entre muitos outros), quer seja à sociedade como um todo (participando de debates
públicos, palestras, etc.). O profissional que trabalha com rebanhos deve
observar o impacto causado ao ambiente pelo manejo sanitário empregado. Para isso,
todos os detalhes devem ser verificados. A qualidade do alimento oferecido influencia
diretamente os resultados obtidos. Qual a origem do alimento? São utilizados inseticidas
e fertilizantes nas lavouras e pastagens relacionadas? São utilizados antibióticos
ou produtores de crescimento na ração? Sabemos que muitas substâncias se acumulam
nos organismos e são potencialmente tóxicas, aumentando o perigo conforme a concentração
vai aumentando. Terão os veterinários certeza do período de carência dos produtos
utilizados no organismo dos animais? E se eles são eliminados, não estariam poluindo
o solo e as águas? Aliás, a origem da água que serve o rebanho, assim como o destino
de seus dejetos devem ser cuidadosamente avaliados. Grande cuidado deve ser dado
ao destino de animais doentes ou mortos, evitando-se riscos de contaminação do
próprio rabanho ou de outras espécies, quer seja uma contaminação imediata, quer
seja futura (botulismo, por exemplo). O uso constante de carrapaticidas, antibióticos,
anti-helmínticos, etc. não proporciona resistência dos parasitas a esses produtos?
Seria melhor manter o rebanho em constante contato com o parasita, o que torna
o rebanho resistente, e os níveis de infestação se mantém baixos, do que estar
sempre aplicando produtos nos animais. É muito mais fácil, prevenir uma mastite
com higiene adequada, do que tratá-la com antibióticos. Mesmo depois de doente,
o antibiótico nem sempre é uma boa saída. Um antibiótico, por exemplo, controlaria
uma infecção intestinal por salmonela, ao mesmo tempo em que exterminaria bactérias
da flora gástrica e intestinal benéficas aos processos digestivos. Um animal constantemente
tratado com carrapaticida nunca entrará em contato com um carrapato, e muito menos
com os protozoários por eles transmitidos, não adquirindo imunidade contra as
doenças que causam. Então, ao menor descuido, o animal contrai estas doenças.
Por falar em imunidade, mesmo a vacinação, considerada o método de prevenção mais
eficiente após a boa higiene, deve ser avaliado com cuidado quanto ao impacto
ambiental, pois vírus e bactérias que são atenuados ou inativados (e portanto
incapazes de causarem doença clínica no animal em que foi inoculado), são eliminados
nas secreções fisiológicas e excreções para o meio ambiente, e poderão causar
doenças em outros animais que ainda sejam susceptíveis à cepa vacinal. O
Médico Veterinário que cuida da saúde dos pequenos animais de estimação deve ter
preocupações muito semelhantes as do seu colega que trata os rebanhos, no que
concerne ao impacto ambiental. Assim como os animais destinados à produção de
alimentos, os animais de estimação também fazem parte do meio ambiente, e não
raro ocupam o mesmo habitat que o Homem, competindo diretamente com este por sua
sobrevivência. Muitas vezes, num mesmo ambiente doméstico são encontradas várias
espécies fazendo companhia para o Homem (cães, gatos, aves, peixes, entre outros),
e mesmo espécies muitas vezes indesejáveis (ratos, lagartixas, aranhas, insetos,
etc.), mas todos eles têm sua função ambiental, pois cada um ocupa um nicho ecológico
diferente. O Médico Veterinário deve contribuir para que o equilíbrio entre estas
espécies seja mantido, usando de todos os recursos que estão à sua disposição.
O controle de roedores e insetos, a castração dos animais reprodutivamente ativos,
o cruzamento de indivíduos, o trânsito de animais, e muitas outras interferências
possíveis devem sempre ser feitas com critério, observando-se o impacto sobre
o meio ambiente, e nunca feitas por conveniência (onde uma necessidade imediata
é satisfeita, mas acarretará em prejuízos futuros). Cães, por exemplo, são animais
selecionados geneticamente pelo Homem para proporcionar os atributos próprios
de cada raça. O cruzamento feito sem critério, com a finalidade única de gerar
filhotes, acaba por selecionar também genes indesejáveis, e portanto gerarão indivíduos
com características diferentes das esperadas para aquela raça. Os proprietários
dos animais devem ser orientados sobre todos os aspectos da convivência com eles.
Devem ser verificados os riscos de transmissão de zoonoses (doenças que são transmitidas
dos animais para o homem), de antropozoonoses (doenças transmitidas do homem para
os animais), de doenças que se transmitem entre animais de espécies diferentes,
e finalmente, de doenças que se transmitem entre indivíduos de uma mesma espécie,
quer seja verticalmente (transmitidas entre gerações, dos pais para os filhos)
ou horizontalmente (entre indivíduos em contato direto ou mesmo à distância).
Os zoológicos algumas vezes são criticados por manterem os animais em um cativeiro,
o que para alguns seria uma crueldade. Um zoológico, quando bem estruturado e
cumprindo seu papel, é um elo importante na preservação ambiental. É graças a
ele que algumas espécies ainda não desapareceram da face da Terra. Os zoológicos
têm importância fundamental na educação da sociedade, principalmente as crianças,
perante a questão ambiental. Cabe ao Médico Veterinário que trabalha com os animais
silvestres e exóticos nos zoológicos e criatórios, proporcionar-lhes um ambiente
semelhante ao máximo em seu habitat natural, de modo que possam viver confortavelmente,
reproduzindo-se e cumprindo sua função existencial. Assim como seus colegas que
tratam os animais domésticos, deve se preocupar com as patologias e com as terapêuticas
empregadas perante sua interferência ambiental. O bom Médico Veterinário,
em qualquer que seja sua especialidade, é sempre aquele que adota uma postura
ecologicamente correta, preocupando-se com o ambiente e sua manutenção.
O que é Homeopatia: Para explicarmos o que é Homeopatia, vamos primeiramente
falar um pouco da história de seu criador, Christian Friederich Samuel Hahnemann4.
Filho de artesãos, Hahnemann nasceu na cidade de Meissen, Alemanha, em 10 de Abril
de 1755. Neste local, o comércio de porcelanas era, na época, uma atividade bastante
promissora. Por esse motivo, seus pais o incentivaram a estudar línguas estrangeiras,
fato que, mais tarde, viria a proporcionar a oportunidade de um fantástico acúmulo
de conhecimentos. Com apenas 12 anos de idade, Hahnemann já ensinava grego a seus
colegas de escola. Sempre muito prodigioso nos estudos, em 1775 entra para a Universidade
de Leipzig. Para poder manter seus estudos, dava aulas particulares de francês
e alemão, além de fazer traduções de livros do inglês para o alemão. Na época,
o ensino prático nas faculdades de Medicina era desprezado, por isso, em 1777
vai continuar seus estudos em Viena, no Grande Hospital de Leopoldstadt "Irmãos
da Caridade", onde teve oportunidade de manter contato direto com os enfermos,
tratando-os e ouvindo-os em suas queixas. Após nove meses, e esgotadas as suas
economias, vai para Hermanstadt trabalhar como médico da família do Governador
da Transilvânia, Slenburger, indicado por seu orientador no hospital de Viena,
Quarin, médico da família Real. Slenburger era possuidor de vasta biblioteca,
e nomeou Hahnemann o responsável por ela. Em 1779 já dominava fluentemente, além
do alemão, mais dez línguas, e no começo deste ano vai para Erlangen, onde a 10
de Agosto doutora-se em Medicina, defendendo sua tese de título "Considerações
Sobre as Causas e a Terapêutica das Afecções Espasmódicas". Em 1782 casa-se com
Johana Henrietta Kuchler, com quem teve onze filhos. No início de sua carreira,
mudou diversas vezes de emprego e cidade, até que, em 1787, em seu consultório
em Dresden, após o falecimento de um amigo pelo qual nada mais pôde fazer, abandona
a clínica médica. Irrompe a sala de espera de seu consultório e diz para seus
pacientes ser incapaz de curá-los e aliviá-los de seus males, não querendo mais
lhes roubar o dinheiro.Hahnemann, desenganado pela medicina de sua época escreveu:
"Em torno de mim só encontro trevas e desertos, nenhum conforto para meu coração
oprimido. Oito anos de prática exercida com escrúpulo e cuidado fizeram-me conhecer
a ausência do valor dos métodos curativos ordinários. Não sei, em virtude de minha
tristeza e experiência, o que se pode esperar dos conceitos dos grandes mestres".
Voltou então a viver de suas traduções, e enquanto estudava, ia realizando suas
próprias experimentações. Em 1790 traduziu obra de Willian Cüllen, que citava
o emprego da quina (China officinalis) para o tratamento da malária. Fascinado,
e ao mesmo tempo intrigado com tal citação, provou a quina em si mesmo, e constatou
que os efeitos produzidos pela intoxicação com tal substância eram muito similares
aos encontrados nos enfermos de malária. Foi então que obteve o insight precursor
da filosofia homeopática, pois já conhecia dos aforismos de Hipócrates a máxima
"similia similibus curantur", cujo significado é "os semelhantes se curam pelos
semelhantes". Ainda segundo Hipócrates: "A doença é produzida pelos semelhantes,
e pelos semelhantes que fizeram com que ela fosse contraída, o doente passará
da doença à saúde. O que produz a estrangúria, cura a estrangúria; o que causa
o vômito, cura o vômito; o que dá febre, cura a febre". Hahnemann segue com suas
experiências e em 1796 publica seu primeiro trabalho relacionado com a nova doutrina:
"Ensaio Sobre o Novo Princípio para Descobrir as Virtudes Curativas das Substâncias
Medicinais, Seguido de Alguns Comentários sobre os Princípios Admitidos até os
Nossos Dias". Passo a passo, Hahnemann, com seu senso observador e livre de preconceitos,
através de suas inúmeras experiências, foi erguendo os pilares da Homeopatia.
Apesar do sucesso clínico de sua nova doutrina, Hahnemann é fortemente criticado
por seus colegas médicos não homeopatas. Em 1810 publica o Organon da Arte de
Curar, onde expõe sua doutrina detalhadamente. Entre várias outras obras, finalmente
em 1828 publica Tratado das Doenças Crônicas, peça fundamental de sua obra, onde
faz o lapidamento final da doutrina. Sua esposa Johana Leopoldina falece em 1830.
Em 1835 casa-se com Melaine De Hervilly Gohier, de 38 anos. Ainda em 1835 começa
a escrever a sexta edição de Organon da Arte de Curar, mas não chega a publicá-la,
por vir a falecer, aos 88 anos de idade em 2 de julho de 1843. Para compreender
o pensamento homeopático é preciso, antes de qualquer coisa, entender o princípio
do vitalismo e o mecanismo de estabelecimento da doença. Qualquer ser vivo é animado
por um princípio vital, fenômeno imaterial (energético), e que o diferencia de
um ser inanimado. Desde o mais primitivo organismo até o ser mais evoluído, não
importando, pois, a complexidade, é a energia vital que os mantém vivos e em harmonia,
consigo mesmos e com o ambiente em que vivem. A energia vital é facilmente notada,
pois é marcante a diferença entre um ser vivo e um ser morto ou inanimado, sem
vitalidade. A harmonia mantida pela força vital está sujeita a desequilibrar-se
por influências maléficas (noxas) vindas do meio exterior ao indivíduo. Quando
a noxa consegue quebrar a harmonia do organismo, este fica desequilibrado. A doença
é a manifestação deste desequilíbrio da energia vital. O organismo é constantemente
agredido por noxas diversas, e a cada agressão, a energia vital volta a equilibrar-se.
Mas, se as noxas são muito intensas, ocasionam um desgaste da energia vital, e
por fim, ocorre o desequilíbrio, manifestado como doença. O indivíduo então, precisa
ser afastado dos agentes nocivos que o agridem, e receber condições para que sua
energia vital volte a equilibrar-se, para poder manifestar a saúde plena. Do ponto
de vista homeopata, para curar, é preciso eliminar a causa da doença, e não simplesmente
combater os sintomas manifestados (o que é chamado de supressão dos sintomas).
O indivíduo é o único capaz de manter suas energias em equilíbrio, e portanto
de curar-se. A cura se dá por um trabalho do próprio organismo. O Médico Homeopata
apenas identifica a causa da doença que aflige o paciente e lhe dá um suporte
energético adequado para que volta a se equilibrar. Se não houver uma resposta
do próprio organismo, a energia fornecida pela medicação, por si só, não é capaz
de promover a cura. Um outro conceito importante é o da constituição. Cada
organismo tem a sua própria constituição, não havendo dois indivíduos com a mesma
constituição. A constituição é dada basicamente pela hereditariedade (aspectos
genéticos herdados dos pais) somada às influências ambientais a que o organismo
está sujeito. É a manifestação fenotípica do indivíduo (Fenótipo = Genótipo +
Ambiente). Note que a constituição não é rígida, podendo ser modificada pelo ambiente.
Cada indivíduo é susceptível a um determinado conjunto de noxas, de acordo com
sua constituição própria. Portanto, as noxas que desequilibram determinado indivíduo,
não são necessariamente as mesmas que desequilibram um outro indivíduo. Todos
os organismos estão sujeitos à agressão pelas mesmas noxas (afinal são fatores
ambientais), porém, alguns indivíduos serão susceptíveis, enquanto que outros
serão resistentes às mesmas noxas. O alicerce da doutrina homeopática é sustentado
por quatro grandes pilares, quer sejam: A lei de similitude (similia similibus
curantur); a experimentação no homem são; o princípio das doses mínimas (medicamento
dinamizado); e, por fim, o uso de medicamento único 5. Hipócrates (Grécia,
Século V a.C.) e Paracelso (França, Século XVI) já conheciam muito bem o princípio
da similitude. A doença pode ser curada por um agente capaz de produzir um mal
semelhante à enfermidade. Esse fenômeno pode ser observado quando, durante a evolução
de uma doença, uma outra moléstia semelhante se instala, curando o organismo da
primeira afecção. Um mesmo organismo nunca sofre de duas patologias semelhantes
ao mesmo tempo. O enfermo de malária, ao ingerir a quina, cura-se da malária,
pois os sintomas da malária são muito parecidos com os sintomas da intoxicação
pela quina. Os sintomas produzidos pela intoxicação com a planta Arnica montana
incluem a dor e o edema, mas se usada em casos de contusões, estas são aliviadas.
O chá da planta Chrysanthemum chamomilla quando ingerido causa ansiedade e inquietude,
mas se usado em pessoas muito agitadas é capaz de acalmá-las. O tratamento homeopático
é empregado seguindo-se o princípio da similitude. O medicamento a ser utilizado
é sempre aquele capaz de despertar sintomas semelhantes ao processo mórbido que
se está tratando. Os homeopatas chamam de similimum ao medicamento, único, capaz
de atuar, por similitude, em todos os sintomas e aspectos do paciente, e portanto
de promover a cura. Se o medicamento homeopático não é capaz de cobrir, por similitude,
todos os sintomas do paciente, mas uma boa parte deles, é então chamado de similar,
sendo também capaz de proporcionar a cura, mas esta não é tão rápida, eficiente
e duradoura quanto a cura despertada pelo similimum. Outro princípio seguido
pela doutrina homeopática é o da experimentação no homem são. Para que se conheçam
os possíveis sintomas capazes de serem despertados por um medicamento, é preciso
que este medicamento seja testado, experimentado. Como não é possível distinguir
os efeitos de um medicamento em teste dos possíveis sintomas causados pelas diversas
enfermidades, é preciso que os experimentadores sejam pessoas sadias. Entende-se
por homem são aquele que não apresenta nenhuma patologia considerável, que venha
a por em risco sua integridade física e até sua própria vida. São as pessoas com
um grau razoável de saúde. É que se fôssemos levar ao pé da letra, não encontraríamos
experimentadores em número suficiente para os diversos medicamentos, já que é
muito difícil encontrar uma pessoa que esteja completamente saudável. Para se
testar as características de determinado medicamento homeopático, formam-se dois
grupos de pessoas, sem que estas saibam a qual grupo pertence. As pessoas de um
grupo tomarão o medicamento em teste nas doses e horários recomendados. Os membros
do outro grupo tomarão, com a mesma freqüência, um placebo (substância inerte,
comprovadamente sem efeito). Apenas a pessoa que dirige a experimentação sabe
qual experimentador tomou o medicamento. Os elementos dos dois grupos relatam
ao diretor todos os sintomas que se apresentaram após o uso do medicamento. O
diretor analisa e compara as respostas a fim de poder identificar o perfil do
medicamento. Apenas alguns membros do grupo que tomou o medicamento apresentarão
os sintomas do medicamento, pois somente esses experimentadores é que são susceptíveis
(apresentam similitude) ao medicamento. O diretor então localiza quais são os
experimentadores susceptíveis e, comparando seus relatórios com os dos demais
experimentadores (inclusive com os do grupo placebo), finalmente saberá quais
são os sintomas peculiares do medicamento testado. O terceiro pilar da Homeopatia
sustenta o princípio das doses mínimas. Para que o medicamento possa apresentar
um mínimo de reações adversas (efeitos indesejáveis), é necessário que a dose
empregada seja a menor possível. Acontece que se simplesmente formos diminuindo
a dose, chegaremos a um limite onde o medicamento não mais faz efeito. É por isso
que a Homeopatia utiliza-se de medicamentos dinamizados. Os medicamentos homeopáticos
são utilizados em doses infinitesimais, mas não são simplesmente diluições. A
cada etapa de diluição, os medicamentos homeopáticos sofrem um processo de sucussão
(o frasco contendo o medicamento é vigorosamente agitado, batendo-se diversas
vezes contra um anteparo, ritmicamente), o que permite liberar a energia medicamentosa
da solução. É por isso que se diz que o medicamento homeopático é um medicamento
energético. A energia química contida no fármaco, em suas moléculas, de natureza
material, mensurável, somada à energia cinética das repetidas dinamizações (diluições
seguidas de sucussões), é convertida em energia medicamentosa dinâmica, de natureza
subatômica, imaterial, imponderável. Quanto maior o grau de dinamização de um
medicamento, maior será a sua energia a sua energia medicamentosa. Somente um
medicamento de característica dinâmica, imaterial, possui capacidade de intervir
diretamente com a energia vital do paciente, também de caráter imaterial. O medicamento
homeopático, em similitude com o paciente, induz o campo de energia vital a vibrar
em ressonância com a freqüência energética medicamentosa, e este é o estímulo
para que a força vital se equilibre e o organismo se cure de seus males.
Por fim, o quarto princípio básico da homeopatia refere-se ao uso de medicamento
único. O indivíduo deve ser respeitado e compreendido como um todo, uma unidade
indivisível. É a visão holística que o bom médico deve ter de seu paciente. Há
um, e somente um, medicamento que se adapte completamente a cada paciente em todos
os seus aspectos, ou seja, o seu similimum. Outros medicamentos similares serão
também capazes de induzir a cura, mas não serão tão eficientes como o verdadeiro
similimum. Mesmo se o Médico Homeopata não tiver certeza se o medicamento é o
similimum de seu paciente, não há motivo para usar mais de um medicamento de cada
vez, pois se isso for feito, não será possível dizer a qual medicamento pertence
os efeitos observados durante o tratamento. É possível que com o decorrer do tratamento,
o melhor medicamento para o paciente venha a ser mudado. Nenhum organismo é estático,
mas sempre dinâmico, assim, para cada instante na vida de um paciente haverá um
medicamento ideal em uma dinamização adequada (sua maior potência). Tratar
pela Homeopatia é proporcionar a cura de maneira rápida, segura e duradoura. Mas
para que a cura ocorra, o organismo precisa se reorganizar. Os caminhos da cura,
segundo Hering, se dão de cima para baixo, de dentro para fora, do órgão vital
para o menos importante, e na ordem inversa a que os sintomas apareceram. Canguilhem
nos diz: "A doença não é somente desequilíbrio ou desarmonia, é também, e talvez
principalmente, esforço da natureza no homem para obter um novo equilíbrio". Segundo
Hipócrates, "Numa pessoa que sofre de angina de peito, a aparição de uma tumefação
ou de um eritema na altura do peito é um bom sinal, pois mostra que a doença se
desloca para a periferia. A aparição de varizes ou hemorróidas em doentes sofrendo
de mania, assinala que a mania está curada. Se uma erisipela se desloca da periferia
para o interior, é um mau sinal, mas se desloca do interior para a periferia é
um bom sinal". Assim, durante o tratamento homeopático, e principalmente nos casos
de doenças crônicas, pode surgir um agravamento inicial. Se esse agravamento segue
os caminhos de cura, é considerado benéfico, chamado de boa agravação, pois apenas
representa uma resposta do organismo que está se reequilibrando. A
Homeopatia como medicina ecologicamente correta: Os homeopatas tratam
da causa das doenças, um desequilíbrio do princípio vital, e não procuram simplesmente
aliviar os sintomas que incomodam o paciente. Hahnemann nos alerta que "curar
é restabelecer a saúde das pessoas enfermas. Tratar o aparente não é curar, pelo
contrário, pois pode trazer conseqüências indesejáveis após". Hahnemann demonstrou
exemplos de pacientes que, "curados" (suprimidos) de seus problemas dermatológicos,
evoluíram para a epilepsia. Segundo a medicina convencional de nossos dias, o
surgimento da epilepsia seria casual, e não teria relação alguma com o desaparecimento
das dermatoses. Acontece que a energia vital desses pacientes, com a simples supressão
dos sintomas dérmicos, continua abalada, e não podendo mais se manifestar como
uma simples doença de pele, vai buscar um caminho mais perigoso, manifestando-se
através de um órgão mais vital, sob a forma de epilepsia. Quando um organismo
tem a sua energia vital abalada por uma noxa, ele pede socorro manifestando uma
doença. Se o pedido de socorro não é ouvido, o organismo terá de manifestar uma
doença mais grave. Suprimir a manifestação dos sintomas de uma doença é ignorar
a sua causa que, persistindo, deverá novamente se manifestar na forma de recidiva
ou agravamento. A maneira correta de propiciar a cura ao paciente é, portanto,
identificar e corrigir a causa primordial de seus males, atitude que os médicos
com uma visão holística, como os homeopatas, são capazes de executar muito bem.
A febre é uma reação de defesa do organismo frente à presença de um agente
invasor, quer seja um microorganismo, quer seja um corpo estranho. O aumento da
temperatura, no estado febril, estimula a produção de anticorpos e inibe a proliferação
dos microorganismos. Suprimir a febre, com o uso dos antitérmicos corriqueiros,
ou simplesmente pelo uso de compressas frias, pode até trazer um alívio imediato,
mas prolonga a duração da doença e do período de convalescença, aumentando o risco
de ocorrerem complicações. E a manutenção do estado febril, que riscos pode trazer?
As únicas complicações possíveis em decorrência da febre são as convulsões e a
desidratação. As convulsões podem ser muito desconfortáveis e desagradáveis de
se presenciar, mas quando ocorrem esporadicamente, com curta duração, são totalmente
inofensivas. Além disso, apenas uma pequenina fração da população está sujeita
a apresentar convulsões febris 6. Quanto à desidratação, esta é facilmente controlável
pela ingestão de líquidos e eletrólitos nas proporções adequadas. Não é mais vantajoso,
e portanto ecologicamente correto, permitir ao organismo manifestar a febre?
Outro sintoma freqüentemente suprimido na medicina ortodoxa é a dor. Da mesma
forma que a febre, é uma manifestação do organismo com o objetivo de alertar para
algo que não vai bem, e de que forma alguma deve ser suprimida. Podemos citar
como exemplo, um animal mancando de uma pata por estar sentindo dor em uma das
articulações. Algo não vai bem com esta articulação, e mancando, ele poupa a pata
de maior esforço, até que o problema seja resolvido. Se for fornecido um antiinflamatório
para este indivíduo, a dor cessa e o animal para de mancar, o que proporciona
um desgaste da articulação afetada, só agravando o problema. Além disso, bloqueando-se
a reação inflamatória, impede-se ou atrasa a restauração dos tecidos afetados.
O tratamento homeopático jamais visa a supressão dos sintomas, e trabalha sempre
a partir da causa, poupando o paciente de sofrimentos posteriores, o que é tão
comum com os tratamentos convencionais errôneos. Tratar pela homeopatia é
respeitar o meio ambiente e seus elementos. O medicamento homeopático é energético
e não polui, não deixando resíduos que se acumulem no organismo, nem que sejam
excretados ou secretados. Não é tóxico nem perigoso ao manuseio. O tratamento
homeopático não mata os parasitas do paciente, mas sim, ao reequilibrar o indivíduo,
aumenta sua resistência orgânica e suas defesas imunológicas, dando-lhe condições
de enfrentar por si mesmo seus hóspedes inoportunos. Portanto, não se corre o
risco de provocar mecanismos de resistência dos parasitas ao medicamento, como
pode ocorrer, por exemplo, com o uso de antibióticos e inseticidas. Também não
há risco de eliminar organismos que são desejáveis, e às vezes essenciais, como
as bactérias componentes da flora intestinal normal, ou como no caso dos mais
variados insetos não parasitas. Do ponto de vista da indústria farmacêutica,
o medicamento homeopático também ganha no quesito ecologia frente aos medicamentos
convencionais. Há duas formas básicas de se obter os princípios ativos que compõem
os medicamentos comuns: Uma delas é a sintetização nos laboratórios, a partir
de reações químicas entre as matérias primas; A outra é a extração a partir de
substâncias encontradas na natureza, seguida de concentração. O princípio ativo
então é misturado com um veículo inerte (como o amido, glicerina, etc.), embalado
e está pronto para o consumo. Da mesma forma que os medicamentos comuns, os medicamentos
homeopáticos são obtidos a partir de substâncias naturais (vegetais, animais ou
minerais) ou de produtos de reações em laboratório (como por exemplo Causticum
e X-ray), em seguida misturados a substâncias inertes (etanol ou grânulos de sacarose
e lactose, por exemplo), embalados e consumidos. A diferença está justamente no
processo de dinamização que sofre o medicamento homeopático, de forma que a matéria
prima original sofre diluição, tornando-se atóxica. Proporcionalmente, a
quantidade de matéria prima necessária para se fazer um medicamento homeopático
é infinitamente menor que para um medicamento convencional. Por exemplo, a atropina,
fármaco vastamente utilizado na medicina ortodoxa, é o princípio ativo encontrado
na planta Atropa belladonna. Belladonna é o medicamento homeopático originado
da mesma planta. A planta contém em média 4% do princípio ativo 7. Com 1 kg da
planta obtém-se cerca de 40 g de sulfato de atropina, a forma mais comumente utilizada.
A dose utilizada, em medicação pré-anestésica de cães, é de 0,044 mg/kg de peso
vivo 8. Assim, com 1 kg de matéria prima, são produzidas cerca de 100.000 doses
de medicamento para cães de 10 kg de peso. Partindo-se da mesma quantidade de
matéria prima, pode-se observar a maior rentabilidade do medicamento homeopático.
1 kg de Atropa belladonna produz 10 litros de tintura mãe, que após 1 etapa de
dinamização (diluição a 1% seguida de 100 sucussões, método hahnemanniano), resultam
em 1000 litros do medicamento Belladonna 1CH, ou 2 milhões de doses de 10 gotas
(a dose não depende do tamanho do paciente). Com duas etapas de dinamização, a
mesma quantidade de matéria prima produz 200 milhões de doses de Belladonna 2CH.
É bom lembrar que, quanto mais dinamizado for o medicamento homeopático, maior
é a quantidade de energia medicamentosa disponível. Percebe-se então a superioridade
do medicamento homeopático frente ao convencional, do ponto de vista de rendimento
da matéria prima extraída da natureza (ou mesmo sintetizada), e conseqüentemente
perante o impacto ambiental gerado pela produção dos medicamentos. Note-se que
este exemplo só serve para a comparação em termos volumétricos, uma vez que os
usos terapêuticos de atropina e Belladonna definitivamente não são os mesmos.
Os animais domésticos são criados pelo homem para produzir e servir-lhe de
alimento, ou ainda para servir-lhe com seu trabalho, companhia e beleza. Estes
animais estão sujeitos a condições fortemente estressantes, permanentemente, pois
o homem quer tirar o maior proveito possível ao explorar suas vidas. O stress
constante a que são submetidos desequilibra seus organismos, o que se reflete
em doenças, e portanto diminui a produção. Só por isso já se nota uma contradição,
pois a exploração "máxima" da produção é uma política ecologicamente incorreta,
uma vez que leva a um decréscimo na produção. Por outro lado, mantendo-se
os animais domésticos equilibrados energeticamente, o stress torna-se uma noxa
suportável, e as doenças não se manifestam. Os problemas de fertilidade diminuem
bastante, aumentando a taxa de concepção. O alimento ingerido é aproveitado com
eficiência. O organismo como um todo funciona melhor. A carne, o leite, e os ovos
são muito mais saudáveis para o consumo. Os animais ficam mais bonitos, mais dóceis,
mais fáceis de se lidar. O aumento na produtividade é evidente. Mas a fim de se
manter o equilíbrio energético destes animais, é necessário proporcionar-lhes
um manejo adequado. As instalações devem ser confortáveis, evitando-se superlotação.
O alimento deve ser de boa qualidade, sem aditivos de efeito duvidoso. Deve-se
observar se as condições higiênico-sanitárias são corretas. O manejo deve respeitar
as características naturais de cada espécie, não sobrecarregando a atividade dos
reprodutores. Deve-se evitar a desmama precoce. É conveniente verticalizar a produção
em uma só propriedade, a fim de se poupar os animais do stress das viagens constantes.
Os animais descartados ou em final de produção devem ter um destino respeitoso.
Finalmente, o abate deve ser humanizado, sem violência excessiva. Em qualquer
sinal de desequilíbrio, do rebanho ou de indivíduos isolados, em decorrência de
uma noxa que não pode ser controlada, deve-se lhes proporcionar o manejo energético
adequado, através de uma terapêutica holística, como o é a homeopatia. Os
pequenos animais de companhia, como o cão e o gato, também estão sujeitos a sofrerem
desequilíbrios energéticos em decorrência da convivência com a rotina estressante
do homem moderno. O Médico Veterinário vem percebendo que seus pequenos pacientes
têm sofrido cada vez mais de distúrbios psicológicos. É comum encontrar animais
sofrendo de ansiedade, ciúmes, manias, e até mesmo desvios comportamentais mais
graves. Os homeopatas sabem que o primeiro sinal de um desequilíbrio energético
é uma manifestação no nível da esfera mental. Quando os distúrbios psíquicos não
são tratados, a energia vital continua a se desequilibrar, surgindo então os primeiros
sintomas físicos. A este fenômeno denomina-se somatização. Esta progressão para
a doença física, ocorre ainda mais rapidamente se os sintomas mentais forem suprimidos
com o uso de tranqüilizantes, sedativos, antidepressivos, etc. A Medicina Ortodoxa
já reconhece que a origem de algumas doenças é psicossomática, como por exemplo
a gastrite nervosa, ou ainda uma enxaqueca devido a uma preocupação. Porém, para
o médico que tem uma visão holística do paciente, a grande maioria das doenças
(se não todas) iniciam-se com uma manifestação mental, e em seguida evoluem para
a somatização. Nossos companheiros de pêlo e pena merecem que o Médico Veterinário
zele por sua saúde, respeitando-os como indivíduos, pois eles também sentem as
mais diversas emoções. São capazes de se alegrar, de entristecer, sentem medo,
raiva, amam e se sentem amados, vivem com o homem numa relação de igual para igual,
e também ficam indignados se sua individualidade e seus direitos não são respeitados.
Quando homeopatizados, os animais controlam melhor suas emoções, diminuem seus
medos, ficam mais tranqüilos, mais dóceis, sua pelagem fica mais bonita, o organismo
funciona com precisão, enfim, ficam em seu equilíbrio perfeito, alegrando a seus
proprietários e a todos os que com eles convivem. O indivíduo equilibrado, que
está em harmonia consigo mesmo, também está em equilíbrio com o ambiente, podendo
cumprir sua função existencial com toda a desenvoltura. Conclusões:
O planeta Terra existe a 4,6 bilhões de anos. Há cerca de 35 mil anos
tornou-se contaminado por um parasita que habita sua crosta, chamado homem. Os
pequenos focos de hominídeos, nos últimos cinco mil anos, começaram a se organizar
em grandes colônias, fenômeno chamado de civilização. A partir de então o planeta
Terra ficou enfermo, sofrendo com essa terrível doença, a hominite. No começo
era só uma coceira, formadora de escaras, causada pela devastação das florestas
e das águas da crosta terrestre, promovidas pelo parasitismo do homem. Hoje, esta
praga se alastrou tanto, que é mais que uma simples coceira. A saúde do planeta
como um todo está em risco. A poluição atmosférica está provocando o efeito estufa,
que é o aquecimento global da superfície do planeta e pode levar ao derretimento
das calotas polares. A elevação do nível dos oceanos seria apenas uma das possíveis
conseqüências. Uma outra possibilidade, bem mais assustadora, seria o derretimento
polar levando a um desequilíbrio na massa terrestre, e consequentemente desviando
o eixo de rotação do planeta, e quem sabe até desviando-o de sua órbita. Estamos
à beira de um cataclismo que poderá extinguir a espécie humana, como numa reação
inflamatória, febril, do planeta frente à chaga que o atormenta. Todos nós
devemos nos preocupar com as condições futuras para nossa sobrevivência. É dever
de todos zelar pelo meio ambiente, refletindo sobre as conseqüências de nossos
gestos e verificando se nossas atitudes são ecologicamente corretas. Boa parte
dos enganos que cometemos no passado ainda pode ser compensada. Mas, quanto mais
tempo levarmos para corrigir nossos erros, mais irreversível se torna a situação.
O Médico Veterinário Homeopata tem uma visão holística de seu paciente, e
consequentemente percebe sua relação com o meio ambiente. Ele sabe o quanto uma
interferência não ecológica pode trazer transtornos futuros a seu paciente. Atuando
com consciência do ponto de vista holístico (e também do ponto de vista ecológico),
o Médico Veterinário estará tratando da saúde não apenas do seu paciente, mas
do meio ambiente como um todo. Ainda devemos nos lembrar que, além da Homeopatia,
existem outras formas de terapêutica que fazem uma abordagem holística do paciente,
e que também podem ser consideradas como ecologicamente corretas, sendo portanto
saudáveis ao meio ambiente. A Medicina Tradicional Chinesa é fundamentada por
princípios filosóficos puros, baseados na observação atenta da natureza, sendo
que, uma de suas vertentes mais conhecidas e praticadas no mundo ocidental é a
Acupuntura. Entre muitas outras formas de tratamento holístico, podemos ainda
incluir a Terapia Floral e a Medicina Ortomolecular. Iridologia é um método holístico
de diagnóstico, baseado nas alterações dinâmicas da íris. Psicossomática é uma
forma holística de se entender a patogênese das doenças. Como nos dizia Paracelso,
no Século XVI: "Há alguns que aprendem tanto, que tudo o que estudaram o fazem
perder o bom senso; e há outros que cuidam muito mais do seu lucro do que da saúde
de seus pacientes. O médico deve ser um servidor da natureza, e não seu inimigo;
deve saber guiá-los e dirigi-los em sua luta pela vida, e não colocar, por sua
influência irracional, novos obstáculos no caminho da recuperação 9".
Referências bibliográficas: 1. Ferreira, A. B. H.: Novo Dicionário da Língua
Portuguesa. 2a. ed. 1986. 2. Storer, T. I.; et al: Zoologia Geral. Editora
Nacional. São Paulo, 1984. 3. Enciclopédia Mirador Internacional vol. VII:
Encyclopædia Britannica do Brasil, 1982. 4. Lamaudie, R.: La Vida Sobrehumana
de Samuel Hahnemann. Publicaciones Homeopatía Científica. Puebla, México, 1943.
5. Brunini, C.; Sampaio, C.: Homeopatia: Princípios, Doutrina e Farmácia - IBEHE.
2a. ed. Mythos Editora. São Paulo, 1993. 6. Choffat, F.: Homeopatia e Medicina:
Um Novo Debate. Edições Loyola. São Paulo, 1996. 7. Freitas, P. C. D.; et
al: Fitoterapia e Fitoterápicos. Coordenadoria Executiva de Cooperação Universitária
e de Atividades Especiais - CECEA - USP. São Paulo,1996. 8. Massone, F.:
Anestesiologia Veterinária: Farmacologia e Técnicas. Editora Guanabara Koogan.
Rio de Janeiro, 1988. 9. Meneghello, J. L.: Holismo e a Medicina Veterinária.
Curso Extensivo de Veterinária Holística. São Paulo, 1995. |