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Homeopatia Veterinária: Uma Medicina Veterinária Ecologicamente Correta
(Por: Alexandre Mazaia)*

Introdução:
Nunca se falou tanto em ecologia. Neste final de milênio, é evidente a preocupação com o meio em que vivemos. Em todos os cantos do planeta, a humanidade discute sobre o futuro do meio ambiente, buscando a melhor forma de protegê-lo. Nesta segunda metade do Século XX, a civilização percebeu que está colocando em risco a sua própria permanência sobre o planeta Terra.
Desde a bomba atômica, o ser humano vem tomando consciência que, para manter sua própria segurança, não basta proteger e reforçar as fronteiras entre as nações. Na verdade é preciso garantir a sobrevivência das gerações futuras, e permitir que elas vivam com dignidade. Para isso é preciso proteger o planeta como um todo, mantendo a viabilidade do solo, dos rios, dos mares, da atmosfera, assim como a fauna e a flora em toda a sua diversidade. A natureza que nos criou não pode ser destruída por nós mesmos, ou então estaremos falando de suicídio.
O Médico Veterinário tem um papel muito amplo na proteção ambiental. Ele é, por exemplo, diretamente responsável pela qualidade do alimento de origem animal que consumimos. É o responsável pela saúde dos animais que nos servem, quer seja com sua carne, com seu leite ou sua pele, quer seja com seu trabalho, com sua companhia e com sua beleza. É o profissional que previne a transmissão de doenças dos animais para os humanos (estas doenças são chamadas de zoonoses). O Médico Veterinário conhece e zela pela fauna silvestre, integrante de um ecossistema, sem a qual não viveríamos. Ele contribui para a educação da sociedade sobre o ponto de vista ambiental. Enfim, é um cidadão apto a opinar em qualquer discussão sobre proteção ambiental.

O que é Ecologia:

A palavra ecologia é de origem grega (eco + log(o) + ia), de onde temos:
· eco- [oîkos]: Elemento de composição que significa casa, domicílio ou habitat;
· -log(o)- [lógos]: Elemento de composição que significa palavra, tratado, estudo, ciência, que estuda ou que trata;
· -ia. [ía]: Sufixo nominativo que identifica qualidade, estado, propriedade 1.
Ao consultarmos o dicionário, encontramos no verbete "ecologia" as seguintes definições:
1. "Parte da Biologia que estuda as relações entre os seres vivos e o meio ambiente em que vivem, bem como as recíprocas influências; Mesologia".
2. "Ramo das ciências humanas que estuda o desenvolvimento e a estrutura das comunidades humanas em suas relações com o meio ambiente e sua conseqüente adaptação a ele, assim como novos aspectos que os processos tecnológicos ou os sistemas de organização social possam acarretar para as condições de vida do Homem".
Meio ambiente é a somatória de fatores (físicos, químicos, energéticos, ou qualquer outro) que interferem sobre os seres vivos 2. Assim, um meio ambiente é formado por uma mistura de substâncias em equilíbrio dinâmico, sujeitas a variações de temperatura, pressão, luminosidade, força gravitacional, etc. Cada organismo também é um fator integrante do meio ambiente, uma vez que sua presença interfere sobre os demais seres vivos, em relações que podem assumir as mais variadas formas possíveis. Todos estes fatores estão sujeitos a mudanças cuja periodicidade varia, dos mais breves instantes até milênios, ou além do que nossa imaginação possa alcançar. A cada mudança de um fator, por mais sutil que seja, todos os outros fatores do meio ambiente se ajustam, formando um novo equilíbrio. Portanto, o meio ambiente não é estático, mas dinâmico, estando em constante mutação.
A totalidade do espaço ocupada pela vida é chamada de biosfera 2. Compreende todas as partes da atmosfera e da crosta terrestre onde a vida se mantém. A biosfera é sempre vista como um conjunto, como a totalidade, onde todos os seres vivos interagem uns com os outros. Não há ser vivo que viva sozinho, isolado de outros seres vivos. Sempre são necessárias interações entre indivíduos para que a vida como um todo possa existir. Como exemplos, temos o tubarão se alimentando de peixes menores, ou o coelho se alimentando de vegetais, ou ainda a planta tendo sua flor polinizada por um inseto.
Didaticamente, assim como o corpo humano é dividido em órgãos e tecidos, a biosfera é dividida em ecossistemas e habitats (porém todos estão interligados!). Um exemplo de ecossistema seria um lago. O solo do fundo do lago é um exemplo de habitat. O verme que vive no fundo do lago, seguindo nosso raciocínio didático, poderia ser comparado a uma célula do corpo humano, o indivíduo, a unidade. Da mesma forma que, um rim não funcionaria se o sangue não fosse bombeado pelo coração, o lago não existiria sem a água proveniente de um outro ecossistema como o rio. Cada ecossistema tem seu funcionamento próprio, mas não é independente dos outros ecossistemas. O mesmo raciocínio pode ser aplicado aos habitats, às comunidades que neles vivem, e aos indivíduos que as compõem.
Cada indivíduo mantém com o meio ambiente uma relação de ação e reação. Ao conjunto de relações de uma espécie com o meio ambiente denomina-se nicho ecológico 2. Este demonstra o modo como determinada espécie ocupa sua posição dentro da comunidade (conjunto de espécies de um mesmo habitat). Nicho ecológico é a maneira como a espécie vive, com seu comportamento, suas adaptações estruturais, seus ajustamentos fisiológicos, de modo a aproveitar todas as suas potencialidades. Cada espécie tem seu nicho ecológico próprio, sendo que duas ou mais espécies não podem ocupar o mesmo nicho ecológico. Não é a mesma coisa que duas espécies viverem no mesmo local, já que cada uma se relaciona com o meio ambiente de uma forma e, portanto, ocupa um nicho ecológico diferente.
Todo indivíduo necessita de energia para crescer, se desenvolver e reproduzir, cumprindo assim com seus mais elevados fins existenciais. A nutrição é a forma de obtenção de energia de qualquer ser vivo. As plantas utilizam a energia luminosa proveniente do Sol para sintetizar as substâncias das quais são feitas (processo de fotossíntese), a partir de outras substâncias que jazem no solo, água e atmosfera. Os animais herbívoros alimentam-se destas plantas, absorvendo sua energia para utilizarem em seus processos metabólicos, além de utilizarem-se também da água e do ar para se desenvolverem. Já os animais carnívoros alimentam-se da carne dos animais herbívoros, absorvendo sua energia, e também da água e do ar. Por fim, existem na natureza os microorganismos decompositores, seres que vão se alimentar e consumir a energia de plantas e animais mortos, produzindo calor e substâncias nutrientes do solo, que por sua vez serão utilizadas pelas plantas em sua nutrição. É fantástico como na natureza toda a matéria prima se recicla após sua utilização, transformando-se em novas formas, com novas utilidades. Pode-se perceber então, como toda forma de energia utilizada pelos seres vivos tem sua origem na luz solar, e como toda substância utilizada pelos seres vivos em seu metabolismo tem sua origem na água ou no solo.
À forma como energia e matéria se transferem de um ser vivo para outro chamamos de cadeia alimentar 2. Cada tipo de ser vivo representa um papel na cadeia alimentar. Todas as plantas e algas verdes, além de alguns microorganismos que também realizam fotossíntese, são capazes de converter a energia luminosa do Sol em energia química dos alimentos, sendo então chamados de seres produtores. Todos os demais seres vivos, que consomem essa energia química sob a forma de alimento, são chamados de consumidores. Os animais estritamente herbívoros alimentam-se exclusivamente de seres produtores, sendo então chamados de consumidores primários. Outros animais são predadores e caçam, alimentando-se de seres consumidores primários, por isso são chamados de consumidores secundários. Às vezes um predador pode fazer o papel de consumidor terciário. Já os microorganismos responsáveis pela putrefação dos corpos de animais e vegetais mortos são denominados consumidores decompositores. Os animais onívoros alimentam-se tanto de vegetais como de animais. Muitos dos predadores consomem também seres produtores. Assim, a cadeia alimentar algumas vezes é encurtada, em outras alongada, ou ainda pode sofrer desvios, não sendo portanto uma estrutura rígida.
Ecologia, como pôde ser visto, é uma ciência bastante complexa, não cabendo ao objetivo deste texto discutir maiores detalhes.

A Política do Ecologicamente Correto:
Se o meio ambiente está constantemente se modificando e se reequilibrando, o que podemos então, fazer para protegê-lo? Como podemos tornar estável algo que é dinâmico? Será que devemos (se pudermos) estancá-lo, impedindo que se modifique em seu curso natural? O que vem a ser então proteger o meio ambiente? Proteger o meio ambiente não é impedir que ele se modifique, mas sim adotar uma política ecologicamente correta em relação a ele. Deveríamos permitir que o meio ambiente se alterasse em seu curso natural, sem que interferíssemos em seu complexo mecanismo de equilíbrio dinâmico.
Acontece que somos um elo do meio ambiente, e portanto, com ele mantemos uma relação de ação e reação. Se existimos num meio ambiente, não há como não interferirmos nele, nem escapar de suas influências. Somos uma espécie ocupando um nicho ecológico dentro de um ecossistema. Somos parte integrante da biosfera. Nascemos, crescemos e nos reproduzimos, como qualquer outro ser vivo, a fim de cumprirmos nossa necessidade existencial. Mas como todas as outras formas de vida, precisamos garantir a perpetuação da nossa espécie, nosso comportamento deve ser o de proteger a nós mesmos, aos nossos filhos e a todos os nossos descendentes. Só que, ao que parece, não temos nos lembrado muito disso ultimamente. Pouco a pouco, a atual civilização vai destruindo a sua própria condição de sobrevivência. A poluição do solo, das águas e da atmosfera agride o meio ambiente, e este apenas se reequilibra -- como se fora um organismo tentando se livrar de uma moléstia, em seu momento febril -- nos impondo suas enchentes, erosões, pestes, doenças contagiosas, aquecimento global da superfície do planeta, etc.
Adotar uma política ecologicamente correta significa dosar o impacto de qualquer atitude nossa frente ao meio ambiente, de forma que a reação deste à nossa atitude seja para nós saudável, e não de forma a nos trazer mais transtornos no futuro. Qualquer interferência no meio ambiente, por menor que seja, reflete uma alteração de nossa qualidade de vida, e, da mesma forma, modifica a qualidade de vida de todas as outras espécies que compartilham o meio ambiente conosco. É uma questão de nos defendermos dos possíveis efeitos de nossas próprias atitudes.
Para podermos ilustrar melhor quais atitudes são consideradas ecologicamente corretas, vamos mencionar primeiramente algumas atitudes já tomadas pelo homem que sabidamente foram ecologicamente incorretas.
Certa vez, a população de uma ave de caça (Lagopus lagopus) da Noruega começou a diminuir. Sabia-se que essa população sofria epidemias periódicas de coccidiose, que ocorriam sempre que a população se tornava muito densa. As aves de rapina então capturavam as aves doentes, mantendo em baixos níveis a proporção entre aves doentes e aves sadias. O Homem então passou a perseguir as aves de rapina, inimigas naturais do L. lagopus. Ocorreu então que a proporção de aves doentes em relação as saudáveis aumentou muito, ficando o ambiente fortemente contaminado com os esporos do protozoário causador da coccidiose. A população da ave atingida então quase se extinguiu, um resultado catastrófico da intervenção humana 3.
Outro exemplo ocorreu em 1906, no Arizona (EUA), onde agentes do governo, a fim de proteger uma população local de cervos, abateu sistematicamente outros animais predadores do cervo. Então a população de cervos aumentou muito o seu tamanho, e como habitava uma região isolada, que impedia a migração, a densidade populacional também se elevou muito. Os cervos devoraram todas as folhas e plantas disponíveis, e em pouco tempo já não havia mais alimento disponível para a numerosa população. Em 1923 o estado de desnutrição dos cervos era tal que, vertiginosamente, em dois anos, a população reduziu-se a 40%. Só em 1940 a caça ao cervo foi novamente permitida, e a população de cervos estabilizou-se em nível satisfatório 3.
O uso de inseticidas na agricultura, a princípio parece lógico, já que livra a cultura de suas pragas, aumentando a produção de alimentos. Só que a poluição do solo e das águas que seu uso causa, e cujo efeito só é percebido em longo prazo, não compensa o benefício trazido de imediato. O DDT, por exemplo, é lavado das folhas pela chuva e pela irrigação, e através dos rios chega aos oceanos. Estes pesticidas acumulam-se ao longo da cadeia alimentar, já que não são degradados pelos organismos, e pouco a pouco vão atingindo níveis tóxicos, causando grandes mortalidades de numerosas espécies diferentes. Não há ser marinho que não esteja contaminado pelo DDT. O nosso próprio alimento está ficando cada vez mais contaminado pelo que outrora fora criado para nos proteger. Da mesma forma, o uso de metais pesados como o chumbo e o mercúrio, ou de radiações como as emanadas das usinas nucleares, poluem o ambiente de forma cumulativa, e mais cedo ou mais tarde voltam-se contra nós mesmos.
É muito difícil adotar atitudes extremamente corretas do ponto de vista ambiental. Uma idéia que hoje parece ser boa, amanhã poderá demonstrar efeitos terríveis. De qualquer forma, devemos aprender com nossos erros, pois só assim pode haver evolução. Não adianta ficar insistindo em atitudes sabidamente incorretas. A ganância momentânea só poderá acarretar em prejuízo no futuro.
A melhor saída para uma política ecologicamente correta parece ser adotar os recursos já oferecidos pela própria Natureza. Por exemplo, na agricultura podemos adotar o manejo integrado de pragas ao invés dos habituais pesticidas, onde as pragas são mantidas em populações mínimas com a introdução na lavoura de seus inimigos naturais. A adubação orgânica, produzida a partir dos resíduos do nosso próprio lixo doméstico, pode tranqüilamente substituir os fertilizantes industriais que agridem o solo e poluem as águas. Papel e madeira podem ser reciclados para que florestas inteiras não continuem sendo desmatadas para sua produção. Plásticos, metais, vidros, e muitos outros materiais também podem ser reciclados. Ao invés de represarmos os rios ou construirmos usinas nucleares para obtermos energia elétrica, poderíamos utilizar a energia luminosa do Sol ou a energia eólica dos ventos. A utilização do petróleo e da madeira para obter energia térmica pode tranqüilamente ser substituída pela energia térmica oferecida pela oxidação do hidrogênio, elemento tão abundante em nosso planeta, e que não polui a atmosfera, pois resulta em vapor d'água.
Estas e muitas outras soluções criativas que podem ser encontradas na natureza, ainda hoje são taxadas de "alternativas", e permanecem marginalizadas por uma civilização que se recusa a olhar para o futuro ao mesmo tempo em que é incapaz de se desvincular dos apegos errôneos do passado. Espera-se, porém que estas soluções deixem de ser alternativas para se tornarem de uso preferencial.

A Medicina Veterinária Ecologicamente Correta:
Ao Médico Veterinário cabe grande responsabilidade nesta sociedade que aos poucos vai tomando consciência da importância da preservação ambiental. Em todas as suas formas de atuação, o profissional da saúde animal deve atentar para os possíveis impactos ambientais decorrentes do seu trabalho. Cabe ainda ao Médico Veterinário o papel de educador, ensinando uma política ecologicamente correta, quer seja aos cidadãos diretamente relacionados ao seu trabalho (produtores rurais, funcionários de fazendas, proprietários de animais de estimação, profissionais das indústrias alimentícia e farmacêutica, entre muitos outros), quer seja à sociedade como um todo (participando de debates públicos, palestras, etc.).
O profissional que trabalha com rebanhos deve observar o impacto causado ao ambiente pelo manejo sanitário empregado. Para isso, todos os detalhes devem ser verificados. A qualidade do alimento oferecido influencia diretamente os resultados obtidos. Qual a origem do alimento? São utilizados inseticidas e fertilizantes nas lavouras e pastagens relacionadas? São utilizados antibióticos ou produtores de crescimento na ração? Sabemos que muitas substâncias se acumulam nos organismos e são potencialmente tóxicas, aumentando o perigo conforme a concentração vai aumentando. Terão os veterinários certeza do período de carência dos produtos utilizados no organismo dos animais? E se eles são eliminados, não estariam poluindo o solo e as águas? Aliás, a origem da água que serve o rebanho, assim como o destino de seus dejetos devem ser cuidadosamente avaliados. Grande cuidado deve ser dado ao destino de animais doentes ou mortos, evitando-se riscos de contaminação do próprio rabanho ou de outras espécies, quer seja uma contaminação imediata, quer seja futura (botulismo, por exemplo). O uso constante de carrapaticidas, antibióticos, anti-helmínticos, etc. não proporciona resistência dos parasitas a esses produtos? Seria melhor manter o rebanho em constante contato com o parasita, o que torna o rebanho resistente, e os níveis de infestação se mantém baixos, do que estar sempre aplicando produtos nos animais. É muito mais fácil, prevenir uma mastite com higiene adequada, do que tratá-la com antibióticos. Mesmo depois de doente, o antibiótico nem sempre é uma boa saída. Um antibiótico, por exemplo, controlaria uma infecção intestinal por salmonela, ao mesmo tempo em que exterminaria bactérias da flora gástrica e intestinal benéficas aos processos digestivos. Um animal constantemente tratado com carrapaticida nunca entrará em contato com um carrapato, e muito menos com os protozoários por eles transmitidos, não adquirindo imunidade contra as doenças que causam. Então, ao menor descuido, o animal contrai estas doenças. Por falar em imunidade, mesmo a vacinação, considerada o método de prevenção mais eficiente após a boa higiene, deve ser avaliado com cuidado quanto ao impacto ambiental, pois vírus e bactérias que são atenuados ou inativados (e portanto incapazes de causarem doença clínica no animal em que foi inoculado), são eliminados nas secreções fisiológicas e excreções para o meio ambiente, e poderão causar doenças em outros animais que ainda sejam susceptíveis à cepa vacinal.
O Médico Veterinário que cuida da saúde dos pequenos animais de estimação deve ter preocupações muito semelhantes as do seu colega que trata os rebanhos, no que concerne ao impacto ambiental. Assim como os animais destinados à produção de alimentos, os animais de estimação também fazem parte do meio ambiente, e não raro ocupam o mesmo habitat que o Homem, competindo diretamente com este por sua sobrevivência. Muitas vezes, num mesmo ambiente doméstico são encontradas várias espécies fazendo companhia para o Homem (cães, gatos, aves, peixes, entre outros), e mesmo espécies muitas vezes indesejáveis (ratos, lagartixas, aranhas, insetos, etc.), mas todos eles têm sua função ambiental, pois cada um ocupa um nicho ecológico diferente. O Médico Veterinário deve contribuir para que o equilíbrio entre estas espécies seja mantido, usando de todos os recursos que estão à sua disposição. O controle de roedores e insetos, a castração dos animais reprodutivamente ativos, o cruzamento de indivíduos, o trânsito de animais, e muitas outras interferências possíveis devem sempre ser feitas com critério, observando-se o impacto sobre o meio ambiente, e nunca feitas por conveniência (onde uma necessidade imediata é satisfeita, mas acarretará em prejuízos futuros). Cães, por exemplo, são animais selecionados geneticamente pelo Homem para proporcionar os atributos próprios de cada raça. O cruzamento feito sem critério, com a finalidade única de gerar filhotes, acaba por selecionar também genes indesejáveis, e portanto gerarão indivíduos com características diferentes das esperadas para aquela raça. Os proprietários dos animais devem ser orientados sobre todos os aspectos da convivência com eles. Devem ser verificados os riscos de transmissão de zoonoses (doenças que são transmitidas dos animais para o homem), de antropozoonoses (doenças transmitidas do homem para os animais), de doenças que se transmitem entre animais de espécies diferentes, e finalmente, de doenças que se transmitem entre indivíduos de uma mesma espécie, quer seja verticalmente (transmitidas entre gerações, dos pais para os filhos) ou horizontalmente (entre indivíduos em contato direto ou mesmo à distância). Os zoológicos algumas vezes são criticados por manterem os animais em um cativeiro, o que para alguns seria uma crueldade. Um zoológico, quando bem estruturado e cumprindo seu papel, é um elo importante na preservação ambiental. É graças a ele que algumas espécies ainda não desapareceram da face da Terra.
Os zoológicos têm importância fundamental na educação da sociedade, principalmente as crianças, perante a questão ambiental. Cabe ao Médico Veterinário que trabalha com os animais silvestres e exóticos nos zoológicos e criatórios, proporcionar-lhes um ambiente semelhante ao máximo em seu habitat natural, de modo que possam viver confortavelmente, reproduzindo-se e cumprindo sua função existencial. Assim como seus colegas que tratam os animais domésticos, deve se preocupar com as patologias e com as terapêuticas empregadas perante sua interferência ambiental.
O bom Médico Veterinário, em qualquer que seja sua especialidade, é sempre aquele que adota uma postura ecologicamente correta, preocupando-se com o ambiente e sua manutenção.

O que é Homeopatia:
Para explicarmos o que é Homeopatia, vamos primeiramente falar um pouco da história de seu criador, Christian Friederich Samuel Hahnemann4. Filho de artesãos, Hahnemann nasceu na cidade de Meissen, Alemanha, em 10 de Abril de 1755. Neste local, o comércio de porcelanas era, na época, uma atividade bastante promissora. Por esse motivo, seus pais o incentivaram a estudar línguas estrangeiras, fato que, mais tarde, viria a proporcionar a oportunidade de um fantástico acúmulo de conhecimentos. Com apenas 12 anos de idade, Hahnemann já ensinava grego a seus colegas de escola. Sempre muito prodigioso nos estudos, em 1775 entra para a Universidade de Leipzig. Para poder manter seus estudos, dava aulas particulares de francês e alemão, além de fazer traduções de livros do inglês para o alemão. Na época, o ensino prático nas faculdades de Medicina era desprezado, por isso, em 1777 vai continuar seus estudos em Viena, no Grande Hospital de Leopoldstadt "Irmãos da Caridade", onde teve oportunidade de manter contato direto com os enfermos, tratando-os e ouvindo-os em suas queixas. Após nove meses, e esgotadas as suas economias, vai para Hermanstadt trabalhar como médico da família do Governador da Transilvânia, Slenburger, indicado por seu orientador no hospital de Viena, Quarin, médico da família Real. Slenburger era possuidor de vasta biblioteca, e nomeou Hahnemann o responsável por ela. Em 1779 já dominava fluentemente, além do alemão, mais dez línguas, e no começo deste ano vai para Erlangen, onde a 10 de Agosto doutora-se em Medicina, defendendo sua tese de título "Considerações Sobre as Causas e a Terapêutica das Afecções Espasmódicas". Em 1782 casa-se com Johana Henrietta Kuchler, com quem teve onze filhos. No início de sua carreira, mudou diversas vezes de emprego e cidade, até que, em 1787, em seu consultório em Dresden, após o falecimento de um amigo pelo qual nada mais pôde fazer, abandona a clínica médica. Irrompe a sala de espera de seu consultório e diz para seus pacientes ser incapaz de curá-los e aliviá-los de seus males, não querendo mais lhes roubar o dinheiro.Hahnemann, desenganado pela medicina de sua época escreveu: "Em torno de mim só encontro trevas e desertos, nenhum conforto para meu coração oprimido. Oito anos de prática exercida com escrúpulo e cuidado fizeram-me conhecer a ausência do valor dos métodos curativos ordinários. Não sei, em virtude de minha tristeza e experiência, o que se pode esperar dos conceitos dos grandes mestres". Voltou então a viver de suas traduções, e enquanto estudava, ia realizando suas próprias experimentações. Em 1790 traduziu obra de Willian Cüllen, que citava o emprego da quina (China officinalis) para o tratamento da malária. Fascinado, e ao mesmo tempo intrigado com tal citação, provou a quina em si mesmo, e constatou que os efeitos produzidos pela intoxicação com tal substância eram muito similares aos encontrados nos enfermos de malária. Foi então que obteve o insight precursor da filosofia homeopática, pois já conhecia dos aforismos de Hipócrates a máxima "similia similibus curantur", cujo significado é "os semelhantes se curam pelos semelhantes". Ainda segundo Hipócrates: "A doença é produzida pelos semelhantes, e pelos semelhantes que fizeram com que ela fosse contraída, o doente passará da doença à saúde. O que produz a estrangúria, cura a estrangúria; o que causa o vômito, cura o vômito; o que dá febre, cura a febre". Hahnemann segue com suas experiências e em 1796 publica seu primeiro trabalho relacionado com a nova doutrina: "Ensaio Sobre o Novo Princípio para Descobrir as Virtudes Curativas das Substâncias Medicinais, Seguido de Alguns Comentários sobre os Princípios Admitidos até os Nossos Dias". Passo a passo, Hahnemann, com seu senso observador e livre de preconceitos, através de suas inúmeras experiências, foi erguendo os pilares da Homeopatia. Apesar do sucesso clínico de sua nova doutrina, Hahnemann é fortemente criticado por seus colegas médicos não homeopatas. Em 1810 publica o Organon da Arte de Curar, onde expõe sua doutrina detalhadamente. Entre várias outras obras, finalmente em 1828 publica Tratado das Doenças Crônicas, peça fundamental de sua obra, onde faz o lapidamento final da doutrina. Sua esposa Johana Leopoldina falece em 1830. Em 1835 casa-se com Melaine De Hervilly Gohier, de 38 anos. Ainda em 1835 começa a escrever a sexta edição de Organon da Arte de Curar, mas não chega a publicá-la, por vir a falecer, aos 88 anos de idade em 2 de julho de 1843.
Para compreender o pensamento homeopático é preciso, antes de qualquer coisa, entender o princípio do vitalismo e o mecanismo de estabelecimento da doença. Qualquer ser vivo é animado por um princípio vital, fenômeno imaterial (energético), e que o diferencia de um ser inanimado. Desde o mais primitivo organismo até o ser mais evoluído, não importando, pois, a complexidade, é a energia vital que os mantém vivos e em harmonia, consigo mesmos e com o ambiente em que vivem. A energia vital é facilmente notada, pois é marcante a diferença entre um ser vivo e um ser morto ou inanimado, sem vitalidade. A harmonia mantida pela força vital está sujeita a desequilibrar-se por influências maléficas (noxas) vindas do meio exterior ao indivíduo. Quando a noxa consegue quebrar a harmonia do organismo, este fica desequilibrado. A doença é a manifestação deste desequilíbrio da energia vital. O organismo é constantemente agredido por noxas diversas, e a cada agressão, a energia vital volta a equilibrar-se. Mas, se as noxas são muito intensas, ocasionam um desgaste da energia vital, e por fim, ocorre o desequilíbrio, manifestado como doença. O indivíduo então, precisa ser afastado dos agentes nocivos que o agridem, e receber condições para que sua energia vital volte a equilibrar-se, para poder manifestar a saúde plena. Do ponto de vista homeopata, para curar, é preciso eliminar a causa da doença, e não simplesmente combater os sintomas manifestados (o que é chamado de supressão dos sintomas). O indivíduo é o único capaz de manter suas energias em equilíbrio, e portanto de curar-se. A cura se dá por um trabalho do próprio organismo. O Médico Homeopata apenas identifica a causa da doença que aflige o paciente e lhe dá um suporte energético adequado para que volta a se equilibrar. Se não houver uma resposta do próprio organismo, a energia fornecida pela medicação, por si só, não é capaz de promover a cura.
Um outro conceito importante é o da constituição. Cada organismo tem a sua própria constituição, não havendo dois indivíduos com a mesma constituição. A constituição é dada basicamente pela hereditariedade (aspectos genéticos herdados dos pais) somada às influências ambientais a que o organismo está sujeito. É a manifestação fenotípica do indivíduo (Fenótipo = Genótipo + Ambiente). Note que a constituição não é rígida, podendo ser modificada pelo ambiente. Cada indivíduo é susceptível a um determinado conjunto de noxas, de acordo com sua constituição própria. Portanto, as noxas que desequilibram determinado indivíduo, não são necessariamente as mesmas que desequilibram um outro indivíduo. Todos os organismos estão sujeitos à agressão pelas mesmas noxas (afinal são fatores ambientais), porém, alguns indivíduos serão susceptíveis, enquanto que outros serão resistentes às mesmas noxas.
O alicerce da doutrina homeopática é sustentado por quatro grandes pilares, quer sejam: A lei de similitude (similia similibus curantur); a experimentação no homem são; o princípio das doses mínimas (medicamento dinamizado); e, por fim, o uso de medicamento único 5.
Hipócrates (Grécia, Século V a.C.) e Paracelso (França, Século XVI) já conheciam muito bem o princípio da similitude. A doença pode ser curada por um agente capaz de produzir um mal semelhante à enfermidade. Esse fenômeno pode ser observado quando, durante a evolução de uma doença, uma outra moléstia semelhante se instala, curando o organismo da primeira afecção. Um mesmo organismo nunca sofre de duas patologias semelhantes ao mesmo tempo. O enfermo de malária, ao ingerir a quina, cura-se da malária, pois os sintomas da malária são muito parecidos com os sintomas da intoxicação pela quina. Os sintomas produzidos pela intoxicação com a planta Arnica montana incluem a dor e o edema, mas se usada em casos de contusões, estas são aliviadas. O chá da planta Chrysanthemum chamomilla quando ingerido causa ansiedade e inquietude, mas se usado em pessoas muito agitadas é capaz de acalmá-las. O tratamento homeopático é empregado seguindo-se o princípio da similitude. O medicamento a ser utilizado é sempre aquele capaz de despertar sintomas semelhantes ao processo mórbido que se está tratando. Os homeopatas chamam de similimum ao medicamento, único, capaz de atuar, por similitude, em todos os sintomas e aspectos do paciente, e portanto de promover a cura. Se o medicamento homeopático não é capaz de cobrir, por similitude, todos os sintomas do paciente, mas uma boa parte deles, é então chamado de similar, sendo também capaz de proporcionar a cura, mas esta não é tão rápida, eficiente e duradoura quanto a cura despertada pelo similimum.
Outro princípio seguido pela doutrina homeopática é o da experimentação no homem são. Para que se conheçam os possíveis sintomas capazes de serem despertados por um medicamento, é preciso que este medicamento seja testado, experimentado. Como não é possível distinguir os efeitos de um medicamento em teste dos possíveis sintomas causados pelas diversas enfermidades, é preciso que os experimentadores sejam pessoas sadias. Entende-se por homem são aquele que não apresenta nenhuma patologia considerável, que venha a por em risco sua integridade física e até sua própria vida. São as pessoas com um grau razoável de saúde. É que se fôssemos levar ao pé da letra, não encontraríamos experimentadores em número suficiente para os diversos medicamentos, já que é muito difícil encontrar uma pessoa que esteja completamente saudável. Para se testar as características de determinado medicamento homeopático, formam-se dois grupos de pessoas, sem que estas saibam a qual grupo pertence. As pessoas de um grupo tomarão o medicamento em teste nas doses e horários recomendados. Os membros do outro grupo tomarão, com a mesma freqüência, um placebo (substância inerte, comprovadamente sem efeito). Apenas a pessoa que dirige a experimentação sabe qual experimentador tomou o medicamento. Os elementos dos dois grupos relatam ao diretor todos os sintomas que se apresentaram após o uso do medicamento. O diretor analisa e compara as respostas a fim de poder identificar o perfil do medicamento. Apenas alguns membros do grupo que tomou o medicamento apresentarão os sintomas do medicamento, pois somente esses experimentadores é que são susceptíveis (apresentam similitude) ao medicamento. O diretor então localiza quais são os experimentadores susceptíveis e, comparando seus relatórios com os dos demais experimentadores (inclusive com os do grupo placebo), finalmente saberá quais são os sintomas peculiares do medicamento testado.
O terceiro pilar da Homeopatia sustenta o princípio das doses mínimas. Para que o medicamento possa apresentar um mínimo de reações adversas (efeitos indesejáveis), é necessário que a dose empregada seja a menor possível. Acontece que se simplesmente formos diminuindo a dose, chegaremos a um limite onde o medicamento não mais faz efeito. É por isso que a Homeopatia utiliza-se de medicamentos dinamizados. Os medicamentos homeopáticos são utilizados em doses infinitesimais, mas não são simplesmente diluições. A cada etapa de diluição, os medicamentos homeopáticos sofrem um processo de sucussão (o frasco contendo o medicamento é vigorosamente agitado, batendo-se diversas vezes contra um anteparo, ritmicamente), o que permite liberar a energia medicamentosa da solução. É por isso que se diz que o medicamento homeopático é um medicamento energético. A energia química contida no fármaco, em suas moléculas, de natureza material, mensurável, somada à energia cinética das repetidas dinamizações (diluições seguidas de sucussões), é convertida em energia medicamentosa dinâmica, de natureza subatômica, imaterial, imponderável. Quanto maior o grau de dinamização de um medicamento, maior será a sua energia a sua energia medicamentosa. Somente um medicamento de característica dinâmica, imaterial, possui capacidade de intervir diretamente com a energia vital do paciente, também de caráter imaterial. O medicamento homeopático, em similitude com o paciente, induz o campo de energia vital a vibrar em ressonância com a freqüência energética medicamentosa, e este é o estímulo para que a força vital se equilibre e o organismo se cure de seus males.
Por fim, o quarto princípio básico da homeopatia refere-se ao uso de medicamento único. O indivíduo deve ser respeitado e compreendido como um todo, uma unidade indivisível. É a visão holística que o bom médico deve ter de seu paciente. Há um, e somente um, medicamento que se adapte completamente a cada paciente em todos os seus aspectos, ou seja, o seu similimum. Outros medicamentos similares serão também capazes de induzir a cura, mas não serão tão eficientes como o verdadeiro similimum. Mesmo se o Médico Homeopata não tiver certeza se o medicamento é o similimum de seu paciente, não há motivo para usar mais de um medicamento de cada vez, pois se isso for feito, não será possível dizer a qual medicamento pertence os efeitos observados durante o tratamento. É possível que com o decorrer do tratamento, o melhor medicamento para o paciente venha a ser mudado. Nenhum organismo é estático, mas sempre dinâmico, assim, para cada instante na vida de um paciente haverá um medicamento ideal em uma dinamização adequada (sua maior potência).
Tratar pela Homeopatia é proporcionar a cura de maneira rápida, segura e duradoura. Mas para que a cura ocorra, o organismo precisa se reorganizar. Os caminhos da cura, segundo Hering, se dão de cima para baixo, de dentro para fora, do órgão vital para o menos importante, e na ordem inversa a que os sintomas apareceram. Canguilhem nos diz: "A doença não é somente desequilíbrio ou desarmonia, é também, e talvez principalmente, esforço da natureza no homem para obter um novo equilíbrio". Segundo Hipócrates, "Numa pessoa que sofre de angina de peito, a aparição de uma tumefação ou de um eritema na altura do peito é um bom sinal, pois mostra que a doença se desloca para a periferia. A aparição de varizes ou hemorróidas em doentes sofrendo de mania, assinala que a mania está curada. Se uma erisipela se desloca da periferia para o interior, é um mau sinal, mas se desloca do interior para a periferia é um bom sinal". Assim, durante o tratamento homeopático, e principalmente nos casos de doenças crônicas, pode surgir um agravamento inicial. Se esse agravamento segue os caminhos de cura, é considerado benéfico, chamado de boa agravação, pois apenas representa uma resposta do organismo que está se reequilibrando.

A Homeopatia como medicina ecologicamente correta:
Os homeopatas tratam da causa das doenças, um desequilíbrio do princípio vital, e não procuram simplesmente aliviar os sintomas que incomodam o paciente. Hahnemann nos alerta que "curar é restabelecer a saúde das pessoas enfermas. Tratar o aparente não é curar, pelo contrário, pois pode trazer conseqüências indesejáveis após". Hahnemann demonstrou exemplos de pacientes que, "curados" (suprimidos) de seus problemas dermatológicos, evoluíram para a epilepsia. Segundo a medicina convencional de nossos dias, o surgimento da epilepsia seria casual, e não teria relação alguma com o desaparecimento das dermatoses. Acontece que a energia vital desses pacientes, com a simples supressão dos sintomas dérmicos, continua abalada, e não podendo mais se manifestar como uma simples doença de pele, vai buscar um caminho mais perigoso, manifestando-se através de um órgão mais vital, sob a forma de epilepsia. Quando um organismo tem a sua energia vital abalada por uma noxa, ele pede socorro manifestando uma doença. Se o pedido de socorro não é ouvido, o organismo terá de manifestar uma doença mais grave. Suprimir a manifestação dos sintomas de uma doença é ignorar a sua causa que, persistindo, deverá novamente se manifestar na forma de recidiva ou agravamento. A maneira correta de propiciar a cura ao paciente é, portanto, identificar e corrigir a causa primordial de seus males, atitude que os médicos com uma visão holística, como os homeopatas, são capazes de executar muito bem.
A febre é uma reação de defesa do organismo frente à presença de um agente invasor, quer seja um microorganismo, quer seja um corpo estranho. O aumento da temperatura, no estado febril, estimula a produção de anticorpos e inibe a proliferação dos microorganismos. Suprimir a febre, com o uso dos antitérmicos corriqueiros, ou simplesmente pelo uso de compressas frias, pode até trazer um alívio imediato, mas prolonga a duração da doença e do período de convalescença, aumentando o risco de ocorrerem complicações. E a manutenção do estado febril, que riscos pode trazer? As únicas complicações possíveis em decorrência da febre são as convulsões e a desidratação. As convulsões podem ser muito desconfortáveis e desagradáveis de se presenciar, mas quando ocorrem esporadicamente, com curta duração, são totalmente inofensivas. Além disso, apenas uma pequenina fração da população está sujeita a apresentar convulsões febris 6. Quanto à desidratação, esta é facilmente controlável pela ingestão de líquidos e eletrólitos nas proporções adequadas. Não é mais vantajoso, e portanto ecologicamente correto, permitir ao organismo manifestar a febre?
Outro sintoma freqüentemente suprimido na medicina ortodoxa é a dor. Da mesma forma que a febre, é uma manifestação do organismo com o objetivo de alertar para algo que não vai bem, e de que forma alguma deve ser suprimida. Podemos citar como exemplo, um animal mancando de uma pata por estar sentindo dor em uma das articulações. Algo não vai bem com esta articulação, e mancando, ele poupa a pata de maior esforço, até que o problema seja resolvido. Se for fornecido um antiinflamatório para este indivíduo, a dor cessa e o animal para de mancar, o que proporciona um desgaste da articulação afetada, só agravando o problema. Além disso, bloqueando-se a reação inflamatória, impede-se ou atrasa a restauração dos tecidos afetados. O tratamento homeopático jamais visa a supressão dos sintomas, e trabalha sempre a partir da causa, poupando o paciente de sofrimentos posteriores, o que é tão comum com os tratamentos convencionais errôneos.
Tratar pela homeopatia é respeitar o meio ambiente e seus elementos. O medicamento homeopático é energético e não polui, não deixando resíduos que se acumulem no organismo, nem que sejam excretados ou secretados. Não é tóxico nem perigoso ao manuseio. O tratamento homeopático não mata os parasitas do paciente, mas sim, ao reequilibrar o indivíduo, aumenta sua resistência orgânica e suas defesas imunológicas, dando-lhe condições de enfrentar por si mesmo seus hóspedes inoportunos. Portanto, não se corre o risco de provocar mecanismos de resistência dos parasitas ao medicamento, como pode ocorrer, por exemplo, com o uso de antibióticos e inseticidas. Também não há risco de eliminar organismos que são desejáveis, e às vezes essenciais, como as bactérias componentes da flora intestinal normal, ou como no caso dos mais variados insetos não parasitas.
Do ponto de vista da indústria farmacêutica, o medicamento homeopático também ganha no quesito ecologia frente aos medicamentos convencionais. Há duas formas básicas de se obter os princípios ativos que compõem os medicamentos comuns: Uma delas é a sintetização nos laboratórios, a partir de reações químicas entre as matérias primas; A outra é a extração a partir de substâncias encontradas na natureza, seguida de concentração. O princípio ativo então é misturado com um veículo inerte (como o amido, glicerina, etc.), embalado e está pronto para o consumo. Da mesma forma que os medicamentos comuns, os medicamentos homeopáticos são obtidos a partir de substâncias naturais (vegetais, animais ou minerais) ou de produtos de reações em laboratório (como por exemplo Causticum e X-ray), em seguida misturados a substâncias inertes (etanol ou grânulos de sacarose e lactose, por exemplo), embalados e consumidos. A diferença está justamente no processo de dinamização que sofre o medicamento homeopático, de forma que a matéria prima original sofre diluição, tornando-se atóxica.
Proporcionalmente, a quantidade de matéria prima necessária para se fazer um medicamento homeopático é infinitamente menor que para um medicamento convencional. Por exemplo, a atropina, fármaco vastamente utilizado na medicina ortodoxa, é o princípio ativo encontrado na planta Atropa belladonna. Belladonna é o medicamento homeopático originado da mesma planta. A planta contém em média 4% do princípio ativo 7. Com 1 kg da planta obtém-se cerca de 40 g de sulfato de atropina, a forma mais comumente utilizada. A dose utilizada, em medicação pré-anestésica de cães, é de 0,044 mg/kg de peso vivo 8. Assim, com 1 kg de matéria prima, são produzidas cerca de 100.000 doses de medicamento para cães de 10 kg de peso. Partindo-se da mesma quantidade de matéria prima, pode-se observar a maior rentabilidade do medicamento homeopático. 1 kg de Atropa belladonna produz 10 litros de tintura mãe, que após 1 etapa de dinamização (diluição a 1% seguida de 100 sucussões, método hahnemanniano), resultam em 1000 litros do medicamento Belladonna 1CH, ou 2 milhões de doses de 10 gotas (a dose não depende do tamanho do paciente). Com duas etapas de dinamização, a mesma quantidade de matéria prima produz 200 milhões de doses de Belladonna 2CH. É bom lembrar que, quanto mais dinamizado for o medicamento homeopático, maior é a quantidade de energia medicamentosa disponível. Percebe-se então a superioridade do medicamento homeopático frente ao convencional, do ponto de vista de rendimento da matéria prima extraída da natureza (ou mesmo sintetizada), e conseqüentemente perante o impacto ambiental gerado pela produção dos medicamentos. Note-se que este exemplo só serve para a comparação em termos volumétricos, uma vez que os usos terapêuticos de atropina e Belladonna definitivamente não são os mesmos.
Os animais domésticos são criados pelo homem para produzir e servir-lhe de alimento, ou ainda para servir-lhe com seu trabalho, companhia e beleza. Estes animais estão sujeitos a condições fortemente estressantes, permanentemente, pois o homem quer tirar o maior proveito possível ao explorar suas vidas. O stress constante a que são submetidos desequilibra seus organismos, o que se reflete em doenças, e portanto diminui a produção. Só por isso já se nota uma contradição, pois a exploração "máxima" da produção é uma política ecologicamente incorreta, uma vez que leva a um decréscimo na produção.
Por outro lado, mantendo-se os animais domésticos equilibrados energeticamente, o stress torna-se uma noxa suportável, e as doenças não se manifestam. Os problemas de fertilidade diminuem bastante, aumentando a taxa de concepção. O alimento ingerido é aproveitado com eficiência. O organismo como um todo funciona melhor. A carne, o leite, e os ovos são muito mais saudáveis para o consumo. Os animais ficam mais bonitos, mais dóceis, mais fáceis de se lidar. O aumento na produtividade é evidente. Mas a fim de se manter o equilíbrio energético destes animais, é necessário proporcionar-lhes um manejo adequado. As instalações devem ser confortáveis, evitando-se superlotação. O alimento deve ser de boa qualidade, sem aditivos de efeito duvidoso. Deve-se observar se as condições higiênico-sanitárias são corretas. O manejo deve respeitar as características naturais de cada espécie, não sobrecarregando a atividade dos reprodutores. Deve-se evitar a desmama precoce. É conveniente verticalizar a produção em uma só propriedade, a fim de se poupar os animais do stress das viagens constantes. Os animais descartados ou em final de produção devem ter um destino respeitoso. Finalmente, o abate deve ser humanizado, sem violência excessiva. Em qualquer sinal de desequilíbrio, do rebanho ou de indivíduos isolados, em decorrência de uma noxa que não pode ser controlada, deve-se lhes proporcionar o manejo energético adequado, através de uma terapêutica holística, como o é a homeopatia.
Os pequenos animais de companhia, como o cão e o gato, também estão sujeitos a sofrerem desequilíbrios energéticos em decorrência da convivência com a rotina estressante do homem moderno. O Médico Veterinário vem percebendo que seus pequenos pacientes têm sofrido cada vez mais de distúrbios psicológicos. É comum encontrar animais sofrendo de ansiedade, ciúmes, manias, e até mesmo desvios comportamentais mais graves. Os homeopatas sabem que o primeiro sinal de um desequilíbrio energético é uma manifestação no nível da esfera mental. Quando os distúrbios psíquicos não são tratados, a energia vital continua a se desequilibrar, surgindo então os primeiros sintomas físicos. A este fenômeno denomina-se somatização. Esta progressão para a doença física, ocorre ainda mais rapidamente se os sintomas mentais forem suprimidos com o uso de tranqüilizantes, sedativos, antidepressivos, etc. A Medicina Ortodoxa já reconhece que a origem de algumas doenças é psicossomática, como por exemplo a gastrite nervosa, ou ainda uma enxaqueca devido a uma preocupação. Porém, para o médico que tem uma visão holística do paciente, a grande maioria das doenças (se não todas) iniciam-se com uma manifestação mental, e em seguida evoluem para a somatização.
Nossos companheiros de pêlo e pena merecem que o Médico Veterinário zele por sua saúde, respeitando-os como indivíduos, pois eles também sentem as mais diversas emoções. São capazes de se alegrar, de entristecer, sentem medo, raiva, amam e se sentem amados, vivem com o homem numa relação de igual para igual, e também ficam indignados se sua individualidade e seus direitos não são respeitados. Quando homeopatizados, os animais controlam melhor suas emoções, diminuem seus medos, ficam mais tranqüilos, mais dóceis, sua pelagem fica mais bonita, o organismo funciona com precisão, enfim, ficam em seu equilíbrio perfeito, alegrando a seus proprietários e a todos os que com eles convivem. O indivíduo equilibrado, que está em harmonia consigo mesmo, também está em equilíbrio com o ambiente, podendo cumprir sua função existencial com toda a desenvoltura.

Conclusões:
O planeta Terra existe a 4,6 bilhões de anos. Há cerca de 35 mil anos tornou-se contaminado por um parasita que habita sua crosta, chamado homem. Os pequenos focos de hominídeos, nos últimos cinco mil anos, começaram a se organizar em grandes colônias, fenômeno chamado de civilização. A partir de então o planeta Terra ficou enfermo, sofrendo com essa terrível doença, a hominite. No começo era só uma coceira, formadora de escaras, causada pela devastação das florestas e das águas da crosta terrestre, promovidas pelo parasitismo do homem. Hoje, esta praga se alastrou tanto, que é mais que uma simples coceira. A saúde do planeta como um todo está em risco. A poluição atmosférica está provocando o efeito estufa, que é o aquecimento global da superfície do planeta e pode levar ao derretimento das calotas polares. A elevação do nível dos oceanos seria apenas uma das possíveis conseqüências. Uma outra possibilidade, bem mais assustadora, seria o derretimento polar levando a um desequilíbrio na massa terrestre, e consequentemente desviando o eixo de rotação do planeta, e quem sabe até desviando-o de sua órbita. Estamos à beira de um cataclismo que poderá extinguir a espécie humana, como numa reação inflamatória, febril, do planeta frente à chaga que o atormenta.
Todos nós devemos nos preocupar com as condições futuras para nossa sobrevivência. É dever de todos zelar pelo meio ambiente, refletindo sobre as conseqüências de nossos gestos e verificando se nossas atitudes são ecologicamente corretas. Boa parte dos enganos que cometemos no passado ainda pode ser compensada. Mas, quanto mais tempo levarmos para corrigir nossos erros, mais irreversível se torna a situação.
O Médico Veterinário Homeopata tem uma visão holística de seu paciente, e consequentemente percebe sua relação com o meio ambiente. Ele sabe o quanto uma interferência não ecológica pode trazer transtornos futuros a seu paciente. Atuando com consciência do ponto de vista holístico (e também do ponto de vista ecológico), o Médico Veterinário estará tratando da saúde não apenas do seu paciente, mas do meio ambiente como um todo.
Ainda devemos nos lembrar que, além da Homeopatia, existem outras formas de terapêutica que fazem uma abordagem holística do paciente, e que também podem ser consideradas como ecologicamente corretas, sendo portanto saudáveis ao meio ambiente. A Medicina Tradicional Chinesa é fundamentada por princípios filosóficos puros, baseados na observação atenta da natureza, sendo que, uma de suas vertentes mais conhecidas e praticadas no mundo ocidental é a Acupuntura. Entre muitas outras formas de tratamento holístico, podemos ainda incluir a Terapia Floral e a Medicina Ortomolecular. Iridologia é um método holístico de diagnóstico, baseado nas alterações dinâmicas da íris. Psicossomática é uma forma holística de se entender a patogênese das doenças.
Como nos dizia Paracelso, no Século XVI: "Há alguns que aprendem tanto, que tudo o que estudaram o fazem perder o bom senso; e há outros que cuidam muito mais do seu lucro do que da saúde de seus pacientes. O médico deve ser um servidor da natureza, e não seu inimigo; deve saber guiá-los e dirigi-los em sua luta pela vida, e não colocar, por sua influência irracional, novos obstáculos no caminho da recuperação 9".

Referências bibliográficas:
1. Ferreira, A. B. H.: Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 2a. ed. 1986.
2. Storer, T. I.; et al: Zoologia Geral. Editora Nacional. São Paulo, 1984.
3. Enciclopédia Mirador Internacional vol. VII: Encyclopædia Britannica do Brasil, 1982.
4. Lamaudie, R.: La Vida Sobrehumana de Samuel Hahnemann. Publicaciones Homeopatía Científica. Puebla, México, 1943.
5. Brunini, C.; Sampaio, C.: Homeopatia: Princípios, Doutrina e Farmácia - IBEHE. 2a. ed. Mythos Editora. São Paulo, 1993.
6. Choffat, F.: Homeopatia e Medicina: Um Novo Debate. Edições Loyola. São Paulo, 1996.
7. Freitas, P. C. D.; et al: Fitoterapia e Fitoterápicos. Coordenadoria Executiva de Cooperação Universitária e de Atividades Especiais - CECEA - USP. São Paulo,1996.
8. Massone, F.: Anestesiologia Veterinária: Farmacologia e Técnicas. Editora Guanabara Koogan. Rio de Janeiro, 1988.
9. Meneghello, J. L.: Holismo e a Medicina Veterinária. Curso Extensivo de Veterinária Holística. São Paulo, 1995.

FONTE:
* Médico Veterinário Homeopata
trate.com@homeopatia.vet.br
www.homeopatia.vet.br

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