| 1)
Introdução As principais doenças dos cavalos estão
ligadas aos membros locomotores (Monfort 1967, McIlwraith 1996), as quais podem
advir de traumas ou de distúrbios ósseos, observados principalmente durante a
fase de crescimento. No estado de São Paulo, o desenvolvimento
das pastagens de características tropicais, as alterações sazonais e a tendência
à grande concentração de animais devido ao alto custo da terra, freqüentemente
resultam em uma alimentação deficiente em minerais e aparecimento de distrofias
ósseas que depreciam o valor econômico dos eqüinos e muitas vezes os inutilizam
para o trabalho (Haddad 1987, Cunha 1991). O diagnóstico
precoce dos desequilíbrios minerais assume grande importância na medida em que
os distúrbios ósseos podem ser reversíveis se a causa for corrigida rapidamente.
O método de diagnóstico deve ser sensível, precoce e aplicável em larga escala.
Um método bastante recomendado pela sua sensibilidade e precocidade é o clearance
fracional de fósforo (Joyce 1971 et al, Coffman 1981, Traver 1977, Balarin 1990).
Mais recentemente a dosagem de paratôrmonio pelo método de radioimunoensaio (Allen
et al 1987, Enbergs et al 1996) e de imunoradiometria de hormônio intacto (Warren
1991) foram validados para uso em eqüinos mas ainda não há estudos publicados
com o seu uso em larga escala. Finalmente, ainda está em fase de avaliação o uso
de marcadores ósseos como método de diagnóstico de osteopatias (Harris & Gray
1997). 2)
Considerações sobre o cálcio e o fósforo do ponto de vista nutricional em eqüinos:
Os cavalos são altamente suscetíveis a sofrer com dietas
contendo níveis inadequados de cálcio e/ou fósforo mais do que qualquer outro
mineral (Lewis 1982). Segundo a recomendação do
National Research Council (Anonymous 1989) e de diversos autores, a quantidade
de ração concentrada oferecida aos eqüinos nunca deveria ultrapassar 50% do total
da dieta . A outra metade deve se constituir de volumoso, mais freqüentemente
administrado na forma de pastejo. Os concentrados são ricos em energia e de maneira
geral os grãos são ricos em fósforo e pobres em cálcio. Segundo Lewis (1982),
o excesso de ingestão de concentrado é a principal causa de aparecimento de lesões
ósseas nos cavalos. As espécies vegetais mais recomendadas
pelos agrônomos para formar pastos para eqüinos no estado São Paulo são as de
crescimento estolonífero que se recuperam bem após o pastejo contínuo (Corsi 1984)
e se adaptam bem ao clima tropical e ao hábito de pastejo rasteiro dos eqüinos
(Haddad 1987). O Coast Cross é o mais popular, se
constitui num híbrido do capim Cynidom sp desenvolvido na Georgia.
É resistente ao frio e permanece verde o ano inteiro mas é exigente quanto à fertilidade
e responde bem à adubação (Haddad 1987). Recentemente o Tifton tem sido introduzido.
Suas propriedades nutritivas e de crescimento são semelhantes às do Coast Cross.
Para que a pastagem tenha uma maior capacidade de suporte
(número de animais por área), é necessário que se adote um bom manejo delas, seja
com uma alta produção que suporte um maior número de animais, ou com uma taxa
de lotação ajustada ao seu nível de produção. Pode-se conseguir uma maior produção
com uma boa adubação, baseada em análise de solo e adotando-se piquetes menores
com rotação, respeitando-se o ciclo de crescimento da planta. As pastagens que
não são submetidas a adubação sob uso constante além de não suportarem um grande
número de animais produzem plantas de pouco valor nutritivo obrigando ao consumo
de concentrados ou feno, como forma de complementar a dieta e manter o desenvolvimento
dos animais. Ainda que se adote os cuidados necessários
para uma máxima produção, as pastagens tropicais apresentam cerca de 80% da produção
total no período denominado "verão agrostológico" (setembro a abril)
e somente 20% no inverno. O seu valor nutritivotambém diminui no inverno. Os fatores
limitantes do crescimento são a temperatura e o fotoperíodo além da diminuição
pluviométrica. Assim, enquanto uma pastagem de 1 hectare bem manejada no verão
suporta facilmente 5 cavalos, no inverno ela pode não ser suficiente nem mesmo
para dois deles (Lewis,1982). As rações comercialmente
disponíveis para cavalos tem o milho como principal fonte de energia e a base
da alimentação dos eqüinos no nosso meio é com gramíneas. Nem os grãos nem as
gramíneas contém suficiente quantidade de cálcio para suprir as necessidades de
um cavalo em crescimento (Cunha 1991), especialmente se ela for de má qualidade
ou estiver muito madura. Desta forma, as necessidades diárias dos cavalos com
relação ao fósforo são satisfeitas ou estão em excesso enquanto que as de cálcio
estão bem aquém do necessário, devendo ser corrigidas através de suplementação
mineral e/ou fornecendo forragem a base de leguminosas. As leguminosas (alfafa,
trevo) possuem 3 a 6 vezes mais cálcio do que as gramíneas e a mesma quantidade
de fósforo mas em regiões tropicais o consorciamento de gramíneas/leguminosas
não é recomendado (Haddad 1987) de forma que os criadores são obrigados a administrar
feno de leguminosas (alfafa) se pretendem utilizar este alimento.
De uma forma geral o balanceamento das rações para eqüinos é feita com base na
idade/peso e tipo de trabalho que eles desenvolvem não levando em conta estas
variações sazonais ou a qualidade da forragem oferecida, embora isto seja da maior
importância, já que respeitando-se a proporção de fornecer 50% da ração em concentrado,
um cavalo em crescimento ingere aproximadamente 2 a 2,5% do seu peso vivo em forragens
por dia (National Research Council). 3-
O esqueleto eqüino, fisiologia do crescimento e patofisiologia
3.1 - Desenvolvimento normal dos ossos longos
Os ossos longos se desenvolvem a partir da cartilagem por um processo de ossificação
endocondral. No feto, a matriz dos ossos é composta somente de cartilagem. Os
centros de ossificação se desenvolvem no centro dos futuros ossos longos (diáfise)
e também nas extremidades (epífise). Com o início da ossificação, uma epífise
óssea se desenvolve a cada extremidade e uma diáfise óssea se desenvolve no centro.
Entre estes dois centros de ossificação está a placa
de crescimento metafisário (também chamada fise) que permite o alongamento do
osso que acompanha o crescimento após o nascimento. No momento oportuno, ocorre
a ossificação da fise. O fechamento da fise de cada osso se dá em momentos diferentes,
como regra geral pode-se dizer que os ossos distais fecham antes dos ossos proximais. 3.2
Mecanismos fisiológicos da homeostase de cálcio e fósforo
A manutenção da homeostasia do cálcio e do fosfato depende principalmente do trato
intestinal, do esqueleto e dos rins. Além disto uma contribuição essencial é dada
pela pele e fígado. O íon cálcio é de fundamental
importância para todos os sistemas biológicos e a sua concentração deve se situar
entre limites estreitos de tolerância fisiológica entre os diversos compartimentos.
O íon fosfato também é de importância crítica em todos os sistemas biológicos.
O nível normal de cálcio no plasma de eqüinos adultos
é de 10.2 a 14,3 mg/dl (Coffman 1981, Schryver et al 1971) e se mantém aproximadamente
nestes níveis durante toda a vida do animal. O de fosfato inorgânico é de 2.1
a 5,9 mg/dl, no entanto, da mesma forma como acontece em humanos (Portale 1990),
a fosfatemia em cavalos também varia com a idade (Bauer 1990, Enbergs et al 1996).
O
papel do intestino Vários fatores influenciam a absorção
do cálcio e do fósforo. Normalmente cerca de 50% do cálcio ingerido é absorvido
mas a eficiência da absorção nos eqüinos diminui na sobrecarga e aumenta quando
os níveis são deficientes na dieta (Schryver et al 1971). A eficiência da absorção
intestinal aumenta ainda durante períodos de maior intensidade na mineralização
óssea, como crescimento e prenhez e também na lactação. Com relação à absorção
de fosfato nos eqüinos, a porcentagem absorvida na dieta é relativamente constante
e depende principalmente da fonte. Basicamente os fosfatos solúveis são mais facilmente
absorvidos e podemos estimar a absorção de fósforo em 29-32% nos concentrados,
44-46% nas forragens e como média geral, 58% nos melhores suplementos minerais
(Lewis 1982). Fitatos e oxalatos se ligam aos cátions
diminuindo a sua absorção. As gramíneas de pastagens tropicais e subtropicais
podem apresentar alto nível de oxalato diminuindo a absorção de cálcio e podendo
causar o hiperparatireoidismo secundário nutricional (Walthall & McKenzie
1976). Os grãos de cereais são ricos em fitatos e o seu conteúdo aumenta com o
amadurecimento. O
papel do rim O rim filtra diariamente uma grande quantidade
de cálcio não ligado a proteínas mas cerca de 98% é reabsorvido. Reabsorve também
80 a 97% do fósforo filtrado. Quando o nível plasmático aumenta, aumenta a filtração
e também a reabsorção, no entanto, os mecanismos de reabsorção são rapidamente
saturados e a excreção, então, aumenta em proporção ao fosfato filtrado.
O
papel do esqueleto Tanto a formação e mineralização
do osso como a reabsorção dependem da concentração plasmática de cálcio e fósforo.
Por sua vez, o esqueleto é o grande reservatório de cálcio e de fósforo disponível
para a manutenção dos níveis normais destes minerais no sangue. O
papel dos hormônios Os principais hormônios controladores
da calcemia são o paratormônio, a calcitonina e a vitamina D, embora outros como
os corticóides da adrenal, estrógenos, tiroxina, somatotropina, glucagon, possam
também contribuir na homeostase do cálcio. A ação
mais evidente do paratormônio é mobilizar o cálcio das reservas do esqueleto e
jogá-lo no fluído extracelular, aumentando a concentração do cálcio plasmático.
Ele também aumenta a reabsorção do cálcio no rim e aumenta a excreção urinária
de fósforo. O único estímulo necessário para a liberação
do paratormônio é a variação na calcemia. A calcitonina
é produzida pelas células C da tireóide. O estímulo para a sua liberação é o aumento
da concentração do cálcio iônico no sangue. A ação da calcitonina é antagônica
à do paratormônio com relação à reabsorção óssea.
O terceiro importante hormônio envolvido na regulação do metabolismo do cálcio
e remodelação do esqueleto é o colecalciferol (vitamina D3), que pode
ser absorvido pelo intestino ou sintetizado na epiderme através de reação catalisada
pela radiação ultravioleta do sol. Em regiões tropicais a insolação abundante
garante excelente aporte de vitamina D3 (Capen 1980). 3.3
- Patofisiologia Em cavalos, o mais freqüente desequilíbrio
nutricional ligado aos minerais, é a ingestão excessiva de fósforo ou insuficiente
de cálcio (Capen 1993). A ingestão excessiva de fósforo resulta numa absorção
intestinal excessiva e hiperfosfatemia. A hiperfosfatemia estimula a paratireóide
indiretamente, levando a reabsorção óssea e aumento da fosfatúria. Da mesma forma,
a ingestão insuficiente de cálcio determina uma hipocalcemia que leva a estimulação
da paratireóide. A ingestão contínua de uma dieta
desbalanceada leva a um estado permanente de hiperparatireoidismo compensatório
e ao desenvolvimento progressivo de distúrbios metabólicos do osso por reabsorção
da matriz óssea decorrente da ação do paratormônio (Schryver et al 1974, 1975).
Os cavalos com este tipo de distúrbios geralmente se alimentam
de dietas ricas em grãos e com forragens de baixa qualidade. Este tipo de dieta
normalmente é palatável e nutritiva, exceto pelo desequilíbrio cálcio/fósforo,
de tal forma que o animal se desenvolve com peso e tamanho normais mas podendo
apresentar fragilidade óssea clínica ou subclínica.
Quando as lesões se tornam evidentes clinicamente, algumas das osteopatias mais
freqüentemente observadas são as seguintes: - Osteocondrose
- É um defeito da ossificação osteocondral que resulta em diversas manifestações
dependendo do local aonde ela se instala. Ela pode surgir na forma de lesões císticas
no osso ou como defeito na cartilagem articular. Freqüentemente estas lesões sãodolorosas
e muitas vezes somente diagnosticadas por exame radiológico ou quando há manifestação
de dor, mormente na intensificação do treinamento. O desequilíbrio nutricional
especialmente relacionado aos macrominerais é preponderante no aparecimento destas
lesões. - Deformidades angulares ou flexurais (figuras
1 e 2) - Quando associada ao desenvolvimento, uma das causas pode ser por desequilíbrio
mineral . - Epifisite - Quando a cartilagem de crescimento
não é substituída por osso e os vasos não conseguem penetrar na zona de crescimento,
o osso não se organiza, há necrose nesta área e podemos observar clinicamente
o alargamento no local da placa de crescimento distal do osso rádio ou do metacarpo
e metatarso distal em potros até dois anos. O local se mostra inflamado e em casos
mais graves pode haver manifestação dolorosa, acompanhada de manqueiras e também
são comuns as sinovites especialmente no tarso e no carpo (figura 3). O que se
observa rotineiramente são manifestações leves deste processo. Se estima que 73%
a 88% dos problemas de crescimento em potros são devido a deformidades de angulação
ou epifisite. - Distúrbios ósseos no cavalo em treinamento
- O cavalo em treinamento está sujeito a muitos tipos de lesão, como fraturas
ósseas, inflamação do periósteo, microfraturas, exostoses, etc. Muitas destas
patologias podem ter sua origem no desenvolvimento inadequado do osso. O papel
dos macrominerais é muito importante e altos níveis de fósforo na dieta produziram
lesões ósseas em potros jovens sem sinais clínicos de hiperparatireoidismo ( Schryver
et al 1971). Altos níveis de cálcio (3 vezes a recomendação do NRC) não produziram
lesões ósseas (Jordan et al 1975). -
Osteodistrofia
fibrosa - Em animais adultos com estágio avançado da doença, podemos observar
lesões severas especialmente o alargamento dos ossos da mandíbula e maxila, distúrbio
conhecido como "cara inchada" (figuras 5 e 6), e manqueira evidente.
Estes sinais aparecem em decorrência do aumento da atividade osteoclástica das
lamelas ósseas externas com ruptura das inserções dos tendões e das trabéculas
ósseas que dão suporte à cartilagem articular. Nos ossos da face há uma deposição
em excesso de tecido conjuntivo e osteóide por estímulo dos osteoblastos, daí
o alargamento progressivo dos ossos. 4
- Considerações sobre o diagnóstico O diagnóstico
precoce dos desequilíbrios minerais assume grande importância na medida em que
os distúrbios ósseos podem ser reversíveis se a causa for corrigida rapidamente.
O método de diagnóstico deve ser sensível, precoce e aplicável em larga escala.
A anamnese e o exame clínico são imprecisos já que a fragilidade óssea pode não
se manifestar clinicamente até que o esqueleto esteja comprometido irreversivelmente
(Adams 1987, Savaje et al 1992, McIlwraith 1993,1996,1997). Diversos autores já
demonstraram as limitações das dosagens sangüíneas de cálcio, fósforo e fosfatase
alcalina (Argenzio et al 1974, Coffman et al 1978, 1981, Capen et al 1983) bem
como da análise da ração (Caple et al 1982 a,b, Lewis 1982).
Um método bastante recomendado pela sua sensibilidade,
custo e precocidade é o clearance fracional de fósforo (Joyce et al 1971, Coffman
1981, Traver 1976, Lewis 1982, Balarin 1990). Mais recentemente a dosagem de paratôrmonio
pelo método de radioimunoensaio (Allen et al 1987, Enbergs et al 1996) e de imunoradiometria
de hormônio intacto (Warren 1991) foram validados para uso em eqüinos mas ainda
não há estudos publicados com o seu uso em larga escala. Finalmente, ainda está
em fase de avaliação o uso de marcadores ósseos como método de diagnóstico de
osteopatias (Harris & Gray 1997). 4.1
- Clearance fracional de fósforo Como descrito
acima, os desequilíbrios minerais mais observados no nosso meio, são a carência
absoluta de cálcio ou a sua deficiência relativa por excesso de ingestão de fósforo.
Isto leva a um aumento na atividade do paratormônio promovendo maior reabsorção
óssea e aumento na excreção renal de fósforo. Desta forma, o diagnóstico do aumento
do clearance fracional do fósforo pode indicar a ocorrência excessiva de reabsorção
e enfraquecimento do esqueleto. Para determinar
a perda renal de um eletrólito, classicamente seria necessário uma coleta de urina
durante 24 horas, por causa da variação na quantidade de água da urina. Neste
caso, a concentração do eletrólito multiplicado pelo volume urinário daria a excreção
urinária diária, no entanto, a coleta de urina durante 24 horas é muito difícil
na clínica de eqüinos.Uma alternativa seria comparar o clearance do fósforo com
o clearance da creatinina endógena e calcular o clearance fracional, eliminando
o volume dos cálculos. A creatinina é produzida continuamente pelo metabolismo
muscular e aproximadamente 90% dela é excretada quando comparada com clearance
da inulina (Knudsen 1959), refletindo, assim, o ritmo de filtração glomerular.
O clearance renal de uma determinada substância é representado
pela concentração do eletrólito na urina, dividida pela concentração no soro,
multiplicado pelo fluxo urinário. Por definição ele representa o volume de plasma
que a cada minuto fornecerá a quantidade da substância presente na urina (ml/min).
O procedimento para o cálculo do clearance se inicia com
a coleta de urina e sangue sem anticoagulante, os quais devem ser mantidos refrigerados.
O soro é separado por centrifugação e realiza-se a dosagem de fósforo por método
colorimétrico e de creatinina pelo método do picrato alcalino de Jaffe nas amostras
de sangue e de urina. Os valores encontrados são colocados na fórmula para cálculo
da excreção fracional ou clearance fracional : carga
excretada da substância (mg/min) carga filtrada
da substância (mg/min) onde :
Pi : Fósforo inorgânico
Carga excretada de Pi: Fluxo urinário ( ml/min ) X Conc.Pi na urina (mg/ml)
Carga filtrada de Pi: Ritmo de filtração glomerular (
ml/min ) X Conc.Pi filtrável no plasma (mg/ml) A
qual pode ser expressa da seguinte maneira: (Pi)u
(Cr)s X X 100 = Excreção fracional de fósforo
(Pi)s (Cr)u
Os valores normais de clearance fracional se mostram dentro de limites bem precisos
em cavalos sãos recebendo dieta balanceada e se situam entre 0 e 0,5% (Coffman
1978). Os valores aumentam bastante quando os animais são submetidos a dietas
ricas em fósforo ou pobres em cálcio. Desta maneira, valores acima de 0,5 são
indicativos de excreção renal excessiva de fósforo em decorrência do processo
de hiperparatireoidismo compensatório. Os valores
aumentados tem grande importância nos animais em crescimento e deve-se proceder
a uma análise cuidadosa da ração administrada e ao seu balanceamento. Após implantação
da dieta corrigida podemos observar um retorno progressivo aos níveis normais
de excreção de fósforo em aproximadamente 30 dias.
Em animais estabulados, os valores de clearance costumam se situar entre 0,5 e
2,5 mas podem aumentar em até 42% em cavalos estabulados clinicamente normais
(Caple et al 1982). Assim, o clearance fracional
de fósforo é uma técnica útil e aplicável em larga escala, indicando desequilíbrio
dos macrominerais cálcio e fósforo na dieta e enfraquecimento do esqueleto.
RESUMO
Algumas das principais doenças em eqüinos estão relacionadas
aos membros locomotores, as quais podem advir de traumas ou distúrbios ósseos
principalmente durante a fase de crescimento. No estado de São Paulo, o desenvolvimento
de pastagens com características tropicais, as alterações sazonais e a tendência
à grande concentração de animais em pequenas propriedades, resulta freqüentemente
no aparecimento de distrofias ósseas, muitas vezes subclínicas, que depreciam
o valor econômico dos eqüinos e limitam a sua capacidade de trabalho.
O diagnóstico precoce dos desequilíbrios minerais assume grande
importância na medida em que os distúrbios ósseos podem ser reversíveis se a causa
for corrigida rapidamente. O autor faz uma revisão
da fisiologia, da patofisiologia do osso, dos métodos de diagnóstico disponíveis
e sugere o uso da dosagem da excreção fracional de fósforo como uma técnica de
boa sensibilidade, precocidade, baixo custo e aplicabilidade para avaliar o nível
de reabsorção do cálcio e do fósforo do tecido ósseo.
Unitermos : Cálcio, fósforo, clearance, osso, eqüinos SUMMARY
Some of the main equine diseases are related to the musculoskeletal
system, mainly during the bone developing in young animals. In São Paulo state,
Brazil, the use of tropical grasses for grazing, the seasons and a general tendency
to concentrate a large number of horses in small areas, frequently results on
bone diseases, sometimes subtle, which depreciate the economic value of the horses
and decrease the chance of a maximum performance.
An early diagnosis of mineral imbalance play an important role once the bone diseases
can be reversible when corrected on time. The author
presents a review of physiology and pathophysiology of the bone. Also describe
the methods available for diagnostic and suggest the phosphorus clearance as a
sensitive, early, low cost and easy way to evaluate calcium and phosphorus mobilisation
from the bone. Uniterms : Calcium, phosphorus,
clearance, bone, equine Referências
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