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Cisto de pena
 (Por: Elisa Maria Greghi)*

    O Cisto de Pena ou "Caroço Hereditário" é um aumento de volume que ocorre na pele de algumas espécies de aves, caracterizando-se pelo desenvolvimento anormal do folículo, da haste e da pena, fazendo com que estas se curvem, assemelhando-se a um "caracol". Em alguns tipos de pássaros, a má formação da plumagem e o aparecimento de Cistos de Pena são decorrentes de traumas, bem como de má nutrição, processos virais, bacterianos ou infecções parasitárias. Esta disfunção manifesta-se em parte no folículo, ocasionando o crescimento irregular da pena, fazendo com que esta se enrole, assumindo uma forma assimétrica, frisada, impedindo a comunicação com a epiderme. Isso leva a um quadro de foliculite, cujas lesões podem romper-se liberando exsudato, constituído por penas "fracassadas", queratina e gordura produzida por glândulas sebáceas da pele.
    Nota-se que, ao redor do cisto, as penas não apresentam a padronagem normal, ficando desorganizadas, aparentando estar umedecidas ou mesmo engorduradas. Uma vez rompido o cisto, a vazão do exsudato de coloração ocre (bege), ali contido, exala um cheiro fétido, provocando um processo de dermatite ulcerativa.
    Raças suscetíveis - As aves nas quais se manifesta com mais freqüência esta anomalia são os canários, araras, periquitos australianos, e raramente os papagaios. Em canários das raças "Norwich", "Gloucester" e seus descendentes, o cisto de pena é mais comum, uma vez que estas raças foram geneticamente selecionadas para produzirem uma plumagem extra e acabaram sendo predispostas a esta síndrome.
    Remoção do cisto - O tratamento dos cistos pequenos pode ser realizado com a retirada manual do nódulo, ou com extrato de tireóide (pó), na dosagem de 1,5 mg por 20,0 g/peso/diariamente, misturado com a alimentação, que induzirá a uma nova muda.
    Nos casos de cistos grandes ou numerosos, é indicado o uso de anestesia inalatória, possibilitando assim a incisão, a curetagem e a cauterização com iodo povidine, fenol, ou nitrato de prata, para destruir o folículo. A total retirada cirúrgica é efetiva, mas deve-se ter muito cuidado com os outros folículos ou vasos sangüíneos que estão nas proximidades.
    No pós-operatório, as asas devem ser imobilizadas para prevenir movimentos, até que ocorra a cicatrização por segunda intenção. Os folículos próximos (ao redor), devem ser lavados com solução salina morna várias vezes ao dia, retirando-se delicadamente os detritos. Hemorragia, quando houver, pode ser controlada através de ligadura com fio inabsorvível 6-0, ou através de sutura simples contínua da pele, também com fio inabsorvível.
    Deve-se ressaltar que a possibilidade de recidiva é muito grande.

FONTE:
* (CRMV/SP N.7449)
Clinica Veterinária Sobre Patas
R do Orfanato, 667 – São Paulo-SP
Tel/fax: (11) 215-0901

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