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O livro, Horses and Horsemanship, escrito por M.E.Esminger, professor da Universidade
Estatal de Wisconsin, E.U.A., diz que existem fósseis de uma família de eqüinos
que data da Era Terciária, ou seja, o cavalo existe acerca de 58 milhões de anos.
Isso me faz pensar que este animal é um vencedor porque,
sendo "predado", teve que desenvolver um sistema de auto-preservação
extremamente sofisticado para sobreviver até os nossos dias. Portanto, quando
empina, corcoveia, manoteia, empaca, escoiceia, morde, dispara, assusta-se com
os mais inusitados objetos, quer apenas salvar sua vida.
Muita gente pensa que, pelo fato de ele hoje, na maioria das vezes, ser criado
e manejado em haras e fazendas, a partir de técnicas específicas de criação profissional,
tenha perdido esse instinto de auto preservação, o que não é verdade; esse instinto
é uma demanda arquetípica. Penso que com as pessoas acontece de forma semelhante.
Historicamente, o cavalo faz parte da vida do homem há
5000 anos. Quando este o montou pela primeira vez, não havia ninguém para lhe
servir de modelo. Deve ter aprendido a partir das suas próprias observações; foi
lhe necessário estudá-lo, ou seja, perceber como ele operava física, mental e
emocionalmente. Não sei como se deu esse primeiro encontro. Talvez tenha encontrado
um potro cuja mãe tenha sido morta por algum predador e resolveu criá-lo. De qualquer
modo, ganhou sua confiança. Em seguida, pensou que pudesse montá-lo e, ao fazê-lo,
deve ter se sentido muito mais poderoso - o que certamente lhe provocou uma emoção
muito forte - uma vez que poderia saltar mais alto e correr mais rápido do que
fazia antes; deve ter sentido como se o cavalo fosse a sua própria extensão. Nesta
interação constatou que o cavalo foi seu primeiro professor, e assim é; o cavalo
é o nosso melhor professor. Xenofontes, um general grego,
escreveu há mais de 24 séculos um livro intitulado: "A ARTE DO HORSEMANSHIP".
Esta obra consta da maioria das bibliografias sobre estudos a respeito do manejo,
maneiras de montar e disciplinar cavalos. Todos os autores que o conhecem são
unânimes em dizer que o livro é de uma clareza ímpar no que se refere ao conhecimento
sobre cavalo. Sua postura implicava no respeito,
na segurança, no conforto e na compreensão do animal, quando em treinamento. Ele
diz: - "Nada forçado e sem compreensão pode ser belo". - "Os potros
devem ser treinados de tal maneira que não só gostem de seus cavaleiros, mas que
também estejam esperando ansiosamente por eles no dia seguinte". Não sei
o que aconteceu no curso da história para que essa postura tenha sido abandonada
e substituída por aquelas de confronto e intimidação, abusando do chicote e da
espora para discipliná-los . Em todos os meus artigos,
tenho falado insistentemente que a maioria das pessoas não observa que o cavalo
é um animal "predado" e, por isso, a necessidade do instinto de auto-
preservação. Portanto, quando se lida com esses animais, não levar em consideração
esse fato é trombar de frente com eles. O cavalo não responde
àquilo que estamos pedindo, por três razões básicas: por não compreender, por
estar confuso ou, ainda, por não ter lhe sido ensinado. Se não levarmos em conta
esses fatores, estaremos procurando briga e, com certeza, vamos encontrar, com
a agravante de que sempre vamos sair perdendo, pela razão mais óbvia: ele é mais
forte que nós. O que devemos fazer é lhe dar tempo para que possa aprender e compreender
o que estamos pedindo. Não há atalhos e a única mágica que existe somos nós e
o nosso cavalo, ajustando-nos a cada situação que aparece, procurando Sentir o
seu Timing a fim de que possamos ter uma relação mais Equilibrada, e com isso
conseguirmos uma posição mais adequada de onde ele possa começar melhor.
Nos meus 26 anos de atividade, tenho ouvido muitas pessoas
dizerem que, se não quebrarmos o Espírito do cavalo, ele vai ficar com o Pulo
escondido e que mais dia menos dia esse Pulo vai aparecer. A meu ver, o Espírito
talvez seja a parte mais importante do cavalo e o que mais quero é construir esse
Espírito, porque só assim vou poder utilizá-lo. O cavalo
tem uma psicologia própria que controla seu corpo, ou seja, suas pernas e seus
pés. Observo as pessoas lidando com eles, não levando em conta que essa necessidade
básica de auto-preservação faz parte de seu mundo, portanto, pensam, são sensíveis
e tomam decisões, assim como nós. Sinto que o problema
todo reside na necessidade de reconhecermos o antagonismo entre as duas naturezas.
Sendo o homem predador e o cavalo "predado", fica evidente que somos
biologicamente antagônicos. Nosso trabalho é garantir
a ele que pode conservar seu instinto de auto preservação e ainda responder ao
que lhe estamos pedindo. Isto será muito útil, tanto para nós como para o cavalo.
Minha maior preocupação, quando estou iniciando um potro,
é lhe deixar o mais claro possível que não precisa ter medo nem se proteger. Gosto
de dar-lhe tempo para compreender o que quero dele. Às vezes, ir devagar é o jeito
mais rápido de se chegar a algum lugar. Não quero, de maneira nenhuma, assustá-lo.
Se ele ficar com medo de mim, na próxima sessão estará também com medo, pois estará
esperando por isso, assim que me vir. Aplicar uma pressão
inadequada, quer dizer, apressar o programa de treinamento por qualquer razão,
obrigá-lo a trabalhar até o cansaço extremo, não lhe dando o Tempo necessário
para que possa compreender o que espero dele vai despertar seu instinto de autopreservação,
o que ele tem de mais forte, gerando confusão e, conseqüentemente, rebeldia.
O cavalo é um ser naturalmente liderado, portanto, nosso trabalho
é liderá-lo da mesma forma que um cavalo faz para controlar outro. Pensar que
com açúcar e cenoura vamos conseguir lhe colocar sela e fazê-lo trabalhar para
nós é pura ilusão Waltdisneyana. Ele vai nos testar em nível de nossa capacidade
de liderança, muitas vezes em situações realmente difíceis. Temos que provar que
não somos predadores, mas sim líderes, preparando-nos para as situações que ele
vai nos criar, antecipando-as, sem lhe causar susto, medo ou dor, situações que
lhe permitam tomar decisões corretas em relação a nós. Por exemplo, no trabalho
de redondel,a atitude é incorreta é quando ele pára com a cara virada para a cerca,
o que significa que vai trabalhar (galopar) mais. A atitude correta é quando pára
com a cara virada para o seu treinador; então, a pressão deve ser aliviada imediatamente,
permitindo que descanse e perceba que é isso que se espera dele. Assim, estaremos
trabalhando através da sua mente. Quando aprendemos a
fazer uma leitura do cavalo através da observação de suas expressões, crescem
nossas possibilidades de comunicação. O que dizem suas orelhas, seus olhos, sua
boca? Suas ações também vão nos dizer o que está acontecendo: quando está compreendendo
ou quando não está, quando está com medo ou quando está agressivo. Interpretar
o nível de aceitação representado por essas atitudes é o nosso Gol. Aprender a
ler o cavalo é aprender uma linguagem nova é a comunicação através da sensibilidade,
e isso só se consegue com a mente aberta. De nada adianta uma atitude arbitrária,
opressiva, como se fôssemos superior a ele. Temos
de permitir que ele aprenda. Por exemplo: quando quero ensinar meu cavalo a virar
a cabeça para a direita, encurto a rédea direita; assim que percebo a menor tentativa
de ele me dar a cabeça, alivio a pressão. Rapidamente ele compreenderá, porque
estará procurando por aquele ponto (alívio da pressão), e assim estarei dando-lhe
uma razão, um significado para fazer aquilo. Existem pessoas
que chamam esse procedimento de Doma Racional. Prefiro chama-lo "Doma"
"D inâmica O rganizada m ovimento a destrado". Tenho que ter muita Doma
para que possa pôr Doma no meu cavalo; a atitude "Doma" é responsabildade
mútua. Nunca sei o que vou fazer quando chego perto de
um cavalo pela primeira vez. É ele que vai me dizer o que fazer e como fazer.
Quero estar conectado com ele e poder dar-lhe o Tempo que precisar para que me
compreenda. Procuro um entendimento de parceria, não estou interessado em escravidão.
Quero a interação mais profunda possível naquilo que eu e ele estamos nos propondo
a fazer juntos. |