| Aconitum: caso clínico veterinário (Por: Maria do Carmo Arenales)* |
| Fora adquirida com 6 meses apresentando estes transtornos do comportamento. Consultando o Manual Merck de Veterinária, sexta edição, página 936,” .... a idade mais adequada para se desenvolver um forte relacionamento entre o cão e o seu dono é entre 4 a 12 semanas e deve ser levado para casa tão logo possível. Os filhotes criados em canis, muito distante do contato humano, tornam-se tímidos e se não forem socializados antes dos 4 meses, nunca mais serão capazes de adaptar-se a um relacionamento homem-cão.” Com esta hipótese Pituca estava condenada a sofrer de sua síndrome do pânico durante toda a sua vida. Sua condição física não era nada animadora. Com freqüência apresenta vômito bilioso, sua defecação é difícil, tenta defecar e seus esforços são ineficazes. O pânico agora é da proprietária pois tão pequena e frágil não pode deixar de se alimentar.O processo intestinal é acompanhado de um mau hálito ofensivo.Com freqüência arrasta o ânus para coçá-lo, espirra muito e apresenta uma otite com cerum negro no ouvido direito. Sua pelagem apesar de não ter lesões sempre está coberta por uma seborréia, como é toda negra faz um intenso contraste com a caspa branca. A proprietária a descreve como uma grande medrosa.Quando sai à rua imediatamente demonstra seus medos. Buzinas, estouros e brecadas rápidas não suporta. Se existem muitas pessoas na rua, para Pituca é uma multidão pois sendo tão pequena, cerca de 10 pessoas na calçada já a deixam em pavor. Passar por um saco de lixo, ou caixas grandes, nem pensar. Entra em pânico, que a proprietária relata como se tivesse a certeza que ela iria morrer subitamente pelos seus medos. Paralisa, treme, abre a boca, expõe a língua que para desespero maior torna-se azulada. Quando o pânico não a paralisa pede para voltar para casa. Em casa sim, é seu porto seguro, nada a transtorna e pode ficar tranqüila. É impressionante a diferença em seu comportamento quando estamos na rua. Pede para ficar no colo em casa e na rua se é levada no colo torna-se um pouco mais tranqüila.O pânico passa em alguns minutos após ser carregada no colo em direção à casa.Foi efetuada a seguinte repertorização: 1-
Transtorno por temor (corresponde a principal queixa na consulta, o medo
e a paralisia que causa uma dispnéia e cianose, os sinais sugerem ser síndrome
do pânico). 2-
Ansiedade ao ar livre (agorafobia, é o medo que tem da rua em ambiente aberto,
em casa é tranqüila). Sua dose inicial foi Aconitum CH200. Com 30 dias retornou sem o mau hálito, sem ter ocorrido o episódio do vômito e dificuldade intestinal. Soubemos que sempre tinha muitos gases abdominais, que eram percebidos pela proprietária por serem muito intensos. Estava sem nenhuma crise digestiva. Foi realizado um coproparasitológico anterior à dose e não havia presença de vermes, porém não apresentava o prurido apesar de não constar na matéria médica sua otite é reabsorvida e a seborréia desaparece, afinal a totalidade de Pituca é harmonizada. Seus espirros diminuíram, neste momento a proprietária relata sua sensibilidade à odores. Sintoma relatado na Matéria Médica descrita por Bernardo Vignovsky (Tomo I, página 27) e ausente do repertório . Maravilhas são percebidas pela proprietária na esfera mental de Pituca. Caminha pelas ruas, seu medo é discreto e principalmente não houve mais a síndrome do pânico. Contrariando a previsão da medicina oficial, estava sociabilizando-se também na rua. Volta a ter o transtorno digestivo e a síndrome do pânico 6 meses após. Sua medicação é Aconitum CH210 (dose única). Há 2 anos não recebe nenhuma dose do medicamento. Suas visitas à clínica são motivadas por acidentes como: comer farinha de osso do jardim, suspeita de corpo estranho intestinal, ingerir grama que saem pela narina e picada de inseto.Parece que Pituca gosta mesmo é de entrar em encrencas. Porém em 1994 esteve na clínica apenas para acompanhar sua nova companheira, Miucha, uma poodle toy que perto da Pituca parece gigante. |
| FONTE: * Especialista em Homeopatia Veterinária pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária R Tagipuru, 194 – CEP 01156-000 – São Paulo-SP Tel/fax: (11) 3662-9862 / 5789 E-mail: arenales@uol.com.br | |||
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