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Hidroterapia em cães
(Por: Renato B. Miracca)*

    A especialização é uma das maiores mudanças ocorridas na Veterinária de pequenos animais, na última década. O desenvolvimento de novas técnicas, associado ao estreitamento da relação proprietário/animal cria novos desafios, e o clínico precisa oferecer alternativas distintas da eutanásia em casos onde a função e/ou sobrevida do animal estão ameaçados. Por isso, especialidades como geriatria, oncologia, cardiologia, fisioterapia, terapias alternativas, entre outras, têm recebido grande atenção.
    A hidroterapia é um tipo de fisioterapia, que utiliza exercícios na água para recuperar ou melhorar a performance de grupos musculares. É uma terapia bastante antiga, que nas últimas décadas sofreu um impulso maior devido a sua utilização sistemática, basicamente na recuperação de deficientes físicos, e em medicina esportiva. 
    Em animais é usada há algum tempo, principalmente no treinamento de cavalos de esporte. Nos cães, seu uso tem se intensificado nos últimos anos, inclusive com maior fundamento, baseando-se nos trabalhos realizados em humanos. É crescente, também , o número de profissionais que indicam este tipo de terapia. A literatura, entretanto, apresenta praticamente nenhum trabalho sobre a hidroterapia em cães . 
    É preconizada em quase todos os problemas em que se procura um condicionamento ou recuperação da musculatura sem o trauma resultante do impacto causado pela corrida na estrutura esquelética. Incluem-se as artroses, patologias da coluna, tratamentos pós-cirúrgicos em ortopedia, e, principalmente, displasia coxo-femural. Na maior parte desses problemas, a hidroterapia é utilizada conjuntamente com outras terapias, inclusive a medicamentosa, mas como fisioterapia é considerada a melhor opção.
    Em número de casos, a displasia coxo-femural é a patologia mais beneficiada pela hidroterapia. O aumento da musculatura da coxa, associado ao efeito anti-inflamatório causado pela vaso-dilatação devido à temperatura quente da água, melhoram a sintomatologia através do fortalecimento da articulação com diminuição sensível da dor e claudicação. Vale lembrar que não ocorre cura, e sim regressão apreciável dos sintomas pela estabilização articular e desaceleração do processo de artrose. Alguns animais apresentam grande melhora, com evidente correção de aprumos e total retorno às atividades físicas. O resultado do tratamento depende da idade, da compleição do cão e do grau de displasia. Animais jovens, com poucas lesões articulares e não obesos, obterão resultados mais rápidos e evidentes. 
    Deve ser salientado que o local onde os exercícios serão realizados é bastante importante. A piscina para hidroterapia precisa ser aquecida e coberta para permitir seu uso durante os períodos frios, em tratamentos longos ou crônicos. A água fria trará um efeito adverso ao esperado, e a friagem após o trabalho físico pode predispor a vários processos respiratórios, principalmente em animais recém-operados.
    Algumas raças apreciam muito os exercícios na água. Cockers, poodles, labradores, são exemplos de cães que não precisam de nenhum estímulo adicional, mas outras mostram-se um pouco receosas, e é necessário acostumá-las com a imersão na água antes de iniciar o tratamento propriamente dito. A duração, frequência e intensidade do tratamento são determinadas pelo animal, pelos tipo de lesão e pela recomendação do veterinário que acompanha o caso.

FONTE:
* Médico Veterinário
Pet Place Centro Veterinário
Tel: (11) 5181-6866

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