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Às vezes encontramos cavalos que são bem alimentados e dispõem de cocheiras e
pastos, mas não tem uma saúde estável, sofrendo constantemente alterações na pele
e nos cascos. Muitas destas alterações são provocadas por cuidados higiênicos
precários, por serem inadequados ou incompletos. Essa distinção é necessária porque
muitas vezes existe boa vontade e capricho para se limpar os cavalos e as instalações,
mas isto é feito de maneira tecnicamente incorreta; outras vezes a pressa impede
que um método correto seja completamente realizado.
Quando iniciei meu estágio, como estudante de medicina veterinária, no Jockey
Club de São Paulo, havia um escovador de nome Juan, um uruguaio radicado no Brasil
há muitos anos que trabalhava para um treinador J.J Gonzalez. Este escovador mantinha
os três cavalos que estavam ao seus cuidados com uma limpeza impecável, cavalos
com as respectivas cocheiras e todo material utilizado: ligas de descanso, capas
de corpo e de cabeça, raspadeiras, escovas finas e grossas, pano de cabeça, pano
de cauda, limpa-cascos, cabrestos, manta de galope, bridões e saco de material.
Tudo era periodicamente lavado e engraxado, as escovas
eram periodicamente desinfetadas e trocadas quando estavam gastas e não serviam
para o propósito destinado. Cada cavalo tinha seu conjunto de material e os três
conjuntos ficavam em um baú de madeira também impecavelmente asseado. O próprio
Juan era um exemplo de cuidados pessoais sempre de banho tomado e roupas limpas.
Ficamos amigos e, embora não nos vejamos há muito tempo, tenho certeza que somos
ainda amigos, esteja este meu companheiro onde estiver.
Juan é uns trinta anos mais velho do que eu, naquela época já contava com seus
cinqüenta anos. Desde criança tinha lidado com cavalos e iniciamos nossa amizade
porque eu o fiz lembrar de sua mocidade, uma vez que, assim como ele, passava
meus momentos de folga, que não eram muitos, olhando os cavalos que caminhavam
puxados pelo cabresto nas ruas do Jockey. Faculdade em tempo integral, estágio
e emprego de propagandista de produtos farmacêuticos!
Olhava os cavalos e procurava aprender como eles andavam e, claro, tentava ver
o que diferenciava o craque do cavalo comum. Eu e Juan conversávamos durante as
refeições no bandejão do Jockey e quando ele passava pela clínica de meu pai puxando
um cavalo, e eu lhe dava um café. Um dia tomei coragem e perguntei a este meu
amigo recente porque ele se esforçava tanto para manter os cavalos nas melhores
condições de limpeza a ponto de não aceitar mais nenhum cavalo, o que poderia
aumentar seus ganhos mensais. Ele me respondeu: "Porque
os cavalos gostam e ficam felizes assim". E depois pensando um pouco mais:
"Desde moço eu os tratei assim e, agora, que tudo que eu tenho na vida devo
ao meu trabalho com estes bichinhos, eu tenho certeza que só pode ser desta forma".
Esta deve ser provavelmente a principal recomendação para quem tem ponderado sobre
como deve agir para melhorar as condições de higiene de seus animais: os cavalos
precisam de cuidados higiênicos porque, bem tratados, ficarão felizes e se sentirão
bem. Será mais difícil que fiquem doentes e será
melhor a nossa convivência com eles. Em resumo, a higiene de nossos animais não
pode ser feita por obrigação, assim como ninguém toma um bom banho por obrigação.
Em nossos próximos artigos, tentaremos abordar cada passo destes procedimentos
higiênicos e as diferentes técnicas preconizadas. |