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Uma égua faz uma excelente prova de enduro e um semana depois
tem cólica porque uma parte do seu intestino delgado, o íleo, não funciona direito.
Um cavalo, muito bem preparado, faz uma prova de velocidade
livre terminando entre os primeiros colocados e desenvolve uma grave doença muscular
chamada miosite e outra grave doença, já discutida aqui, o aguamento.
Por que alguns animais apresentam sinais de doença como a miosite ou o aguamento
às vezes dias depois de fazerem provas de enduro de velocidade livre de longas
distincias? Para informações em pormenores, seria preciso pedir orientação a um
veterinário familiarizado com as peculiaridades desta prática desportiva. Na maioria
dos casos trata-se de um desequilíbrio hidro-eletrolítico, ou seja, desidratação
e carência de cloreto de sódio e outros sais. Cloreto de sódio, diga-se de passagem,
é o sal de cozinha. Mas, me perguntam proprietários e cavaleiros, por que os cavalos
não conseguem repor espontaneamente estas perdas como aconteceria na natureza?
A pergunta tem bastante lógica, mas se a análise for mais aprofundada, perceberemos
que assim que chega do exercício, o animal bebe e repõe, parcialmente, as perdas
ocorridas durante o esforço. Se adicionarmos eletrólitos
a água fornecida, esta reposição será mais completa. Acontece que esta reposição
é parcial, uma vez que o desequilíbrio provocado pelo exercício pode ter provocado
alterações que não são, ainda, perceptíveis ao organismo. Haverá um acúmulo, nos
principais grupos musculares, de ácido láctico e pirúvico e outras substâncias
que são tóxicas ao organismo, se não forem rapidamente eliminadas durante o exercício.
Estas substâncias tóxicas não serão retirados a não ser com uma hidratação enérgica
que só conseguiríamos rapidamente com a administração de fluidos (soro fisiológico)
endovenosamente. As pessoas ligadas à esta modalidade
desportiva devem tentar entender que as provas de enduro correspondem, no atletismo,
a provas de longa distância chegando até os rigores da maratona. O enduro de regularidade
não provoca uma espoliação tão intensa e os atletas que passam desta modalidade
para a velocidade livre tem que se preparar para uma mudança qualitativa. O treinamento
deve ter uma orientação muito mais sofisticada com controles médico-veterinários
e laboratoriais periódicos, quando serão feitos exames clínicos em repouso e após
esforço e exames laboratoriais, tais como hemogramas, bioquímica de sangue e urina,
que deverão nos indicar a intensidade de treinamento que o animal poderá ser submetido
e os desequilíbrios provocados por este treinamento.
Mas você deve estar pensando que eu escrevi e escrevi e não expliquei porque a
égua do início do artigo teve a tal cólica. É simples: o intestino tem seus movimentos
feitos através da musculatura lisa que constitui um de seus componentes. E esta
musculatura depende, para bem funcionar, dos mesmos eletrólitos: Sódio, Cálcio,
Potássio, Cloretos; que são desequilibrados durante o exercício físico intenso.
E, portanto, se não ajudarmos os animais submetidos a uma sobrecarga de exercícios
físicos a restabelecer o equilíbrio da composição de seu organismo, ou seja, dos
componentes do sangue e dos outros fluidos e diversos tecidos do organismo, certamente,
por conseqüência, teremos uma série de afecções graves decorrentes destes desequilíbrios.
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