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Retrospectiva dos 12 casos de Mielografia em eqüinos
(Por: Thiago S. Gomes, J.C. Canola e C.A. Rodrigues)*

     Tradicionalmente, o termo coletivo "wobbler" tem sido aplicado para todos os cavalos com sinais de ataxia, fraqueza e espasticidade. A malformação vertebral cervical (MVC) é uma das causas mais comuns de síndrome de Wobbler e pode ser subdividida em estenose estática cervical (EEC), que é o estreitamento permanente do canal vertebral, e em instabilidade vertebral cervical (IVC), na qual ocorre uma instabilidade dinâmica, comprimindo a medula espinhal, principalmente quando o pescoço é flexionado (ventro-flexão), acometendo respectivamente as porções caudal (CS-C6, C6-C7) e média (C3-C4,C4-C5) do pescoço. A patogenia da MVC é tida como multifatorial, na qual destacam-se: raças de crescimento rápido, desequilíbrio nutricional e ingestão excessiva de grãos; a exemplo do que ocorre com as doenças ortopédicas do desenvolvimento, com enfase especial à osteoconcrose, primariamente envolvida. Uma combinação desses fatores com a ação de forças biomecânicas excessivas e a imposição de traumatismos durante o desenvolvimento conduzem a deformidades nas metáfises e epífises vertebrais, placas epifiseais terminais, arcos vertebrais e processos articulares. A realização da mielografia tinha como principal objetivo localizar e confirmar um diagnóstico, especialmente se existisse a hipótese da cirurgia, estabelecendo a gravidade da compressão, envolvimento de proliferação de tecidos moles e a possibilidade de múltiplos locais envolvidos. Foram utilizados nesse trabalho 12 eqüinos (7 machos e 5 fêmeas) de várias raças e idades, atendidos no Hospital Veterinário Governador Laudo Natel – FCAV da Unesp/Jaboticabal, com sinais de incoordenação motora. Os animais foram submetidos a anestesia geral inalatória e posicionados em decúbito lateral. As radiografias, simples e contrastadas, foram realizadas nas posições neutra, flexionada e hiperestendida das porções cranial, média e caudal do pescoço. Foi utilizado, como contraste, 40 ml de uma solução de iopamidol {(Iopamiron 370–Berlimed) (370mg/ml)}, intratecal, através do forame magno, para evidenciar os pontos onde havia suspeita de estreitamento do canal. Somente eram considerados positivos os animais que apresentavam um estreitamento igual ou superior a 50% da coluna ventral e dorsal de contraste. De acordo com os achados radiográficos, simples e contrastados, somente um caso apresentou compressão estática da medula, que foi localizada entre C5-C6. Nos demais casos, as compressões foram observadas durante a flexão da coluna, principalmente entre C3-C4, evidenciando uma compressão dinâmica. Em dois casos, o processo de instabilidade dinâmica estava associado a fraturas. As MVCs verificadas nesses animais foram atribuídas, quase exclusivamente, ao manejo inadequado que ocorreu durante o adestramento dos animais. A mielografia apresentou-se como um meio bastante eficaz e seguro no diagnóstico da MVC. O domínio pleno dessa técnica reveste-se de importância para execução de estudos futuros para melhor compreender e tratar os mecanismos envolvidos no processo.

FONTE:
* Júlio Carlos Canola é professor do depto de clínica e cirurgia veterinária da Unesp/Jaboticabal (SP);
Thiago de Salles Gomes é Prof. Universitário e proprietário do Hospital de Eqüinos Prof. Salles Gomes, de Jundiaí (SP);
C.A. Rodrigues é veterinário da Unesp/Araçatuba (SP).
Trabalho apresentado durante o Congresso Brasileiro de Cirurgia e Anestesiologia Veterinária, Simpósio Brasileiro e I Encontro Latino-americano de Oftalmologia Veterinária, realizado em junho de 1996 em Ribeirão Preto (SP).

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