Às vezes vêm cavalos para serem examinados no hospital, que têm como queixa principal
uma manqueira leve, que aparece e desaparece, e que acomete o cavalo principalmente
em movimentos de precisão, como em um círculo fechado, ou ainda quando o eqüino
vai passar por cavaletes, os quais nada mais são que um conjunto de varas colocadas
no chão com mais ou menos um metro de intervalo entre uma e outra. O que chama
a atenção na inspeção destes cavalos (inspeção é o exame clínico feito por simples
visualização das partes examinadas) é uma escoliose.
Ou seja, a curvatura lateral da coluna vertebral para um dos lados, normalmente
o lado contrário para o qual o cavalo não consegue fazer o círculo sem mancar.
Estes animais apresentam também, quando ao trote em linha reta, interferência
entre os posteriores. Ou seja, um dos membros pélvicos colide com o outro provocando
contusões e feridas da pele. Além disso, podemos perceber no lado contrário da
escoliose uma tendência de levantamento da anca ao adiantar o membro pélvico para
a frente. Ou seja, a curvatura é de um lado e a manqueira é no pé do outro lado.
A escoliose nos seres humanos é uma deformidade anatômica
que envolve vértebras, músculos e ligamentos, é aquela afecção em que a pessoa
fica com um ombro mais alto do que o outro. Nos eqüinos, ela é comumente causada
por um espasmo nos músculos da coluna. Este espasmo ou contratura ocorre apenas
de um lado e, normalmente, acomete a coluna no segmento torácico, ou seja, na
porção da coluna vertebral que fica embaixo da sela. Com o tempo, a presença deste
espasmo poderá causar alterações degenerativas das vértebras e ligamentos envolvidos,
tornando-se irreversível. Os cavalos com escoliose
normalmente apresentam secundariamente doenças degenerativas das articulações
fêmur - tíbio - patelar e tíbio - tarso - társica metatársica, que são o joelho
anatômico e o curvilhão ou jarrete. Estas doenças poderão se caracterizar e apresentar
sinais de fixação da patela quando o animal fica com a perna "travada"
para trás ou de esparavão, quando a flexão do curvilhão fica dificultada ou diminuída.
Uma das características clínicas mais notáveis dos animais
com escoliose é que eles descansam muito mais um posterior do que outro ("descansar
o posterior" é quando o animal fica sem apoiar o membro referido). Este fato
faz que com muitas vezes façamos o diagnóstico de problemas secundários articulares
sem que verifiquemos a afecção primária na coluna vertebral. Daí um grande número
de tratamentos que só tem resultado por algum tempo, com a melhora dos sinais
secundários, e subseqüente agravamento da disfunção locomotora. Por isso que os
eqüinos tem que ter um veterinário que permanentemente os acompanhe. Diagnósticos
errados ou incompletos serão evitados, pois o veterinário que acompanha o animal
terá melhores condições de perceber a escoliose e tratar a contratura muscular
antes que ela cause seqüelas. Da mesma maneira, um veterinário que acompanha permanentemente
um eqüino não fará clínica de radiografias ou de ultra-som, e, sim, exames clínicos
do indivíduo. Se o veterinário conhece o animal,
e sabe que ele não demonstrava uma escoliose, assim que esta for verificada, ele
recomendará práticas de alongamentos dos músculos envolvidos, administração de
relaxantes musculares e exercícios próprios, que diminuirão o trauma a coluna
vertebral. UMA
DAS CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS MAIS NOTÁVEIS DOS ANIMAIS COM ESCOLIOSE É QUE ELES
DESCANSAM MUITO MAIS UM POSTERIOR DO QUE OUTRO. |