|
INTRODUÇÃO
A diversificação da pecuária tem sido uma alternativa
para os produtores rurais, e dentre as opções, a criação
de ratitas, tem sido sucesso nos Estados Unidos, Austrália, Israel
e países africanos como Namíbia, Zimbábue e África
do Sul, sendo este ultimo o primeiro país a implantar um criatório
comercial há pouco mais de 130 anos. A comercialização
de produtos de ratitas como ovos, carne, penas, pele, óleo, cílios
e unhas têm criado uma cadeia de negócios com a implantação
de fazendas de reprodução de aves cada vez mais tecnificadas,
com o intuito de obter animais selecionados através de programas
de melhoramento. Segundo MORO (1998), o Brasil tem demonstrado nos últimos
anos, interesse pela exploração do comercio de emas e avestruzes
e este fato tem provocado uma demanda crescente de informações
sobre o setor, ainda carente de profissionais das diversas áreas
preparados para esta atividade.
O
AVESTRUZ
O avestruz Struthio camelus é a maior ave viva e, na natureza,
atualmente se restringe ao leste e Sul da África. É a única
ratita cuja distribuição natural estende-se ao Norte do
Equador. Ao mesmo tempo em que é uma ave de planícies, prados
abertos áridos e semi-áridos. Ela se adapta a uma grande
variedade de climas em sua ampla distribuição geográfica,
desde os invernos chuvosos e até com neve e também as condições
extremamente quentes dos verões do deserto. A umidade ocasionalmente
alta nas áreas chuvosas de verão também é
bem tolerada. Seis de sete espécies fosseis de avestruz habitaram
a Europa e a Ásia. Contudo, o maior deles era o S. oshanai, oriundo
do período terciário superior ou pleistoceno inferior, do
qual foram encontradas cascas de ovos na Namíbia. O avestruz possui
dois dedos, enquanto todas as outras ratitas possuem três dedos,
todos eles apontando para frente. Existem varias subespécies distintas
de avestruz, com base na sua aparência e distribuição
geográfica. Na África do Sul, onde a criação
de avestruzes se iniciou em torno de 1863 com captura de aves selvagens
das subespécies do sul, um longo processo de rigorosa seleção
para a qualidade de plumas e a posterior introdução de aves
importadas do Norte e Leste da África, no inicio do século
XX, levou o estabelecimento de uma raça distinta ou domestica de
avestruz (HUCHZERMEYER, 2000). Na descrição cientifica dos
avestruzes , três diferentes estados devem ser reconhecidos:
Selvagem - refere-se aos avestruzes em populações
silvestres e naturais, sujeitas a predação e a outros fatores
de mortalidade naturais.
Cativo - refere-se aos avestruzes oriundos de populações
selvagens e mantidos em zoológicos , parques de safári e
coleções ornitológicas , assim como coleções
particulares , sem objetivos de produção específicos
, porem protegidos de predadores.
Criado - refere-se ao avestruz domesticado ou em processo de domesticação
, mantido e reproduzido em unidades de produção intensiva
ou extensiva e sujeito aos objetivos de produção e seleção
genética.
CARACTERÍSTICAS
DO Struthio camelus
Não possuem dentes nem papo
Não possuem vesícula biliar (a circulação
de bílis vem direto do lóbulo do fígado pelo ducto
biliar) .
Intestino delgado longo, cerca de 6,4 metros.
Não possuem bexiga, o processo de excreção
de urina e fezes são separados, diferindo de galinhas e outras
aves.
Dimorfismo sexual marcado - o macho adulto é preto com as
pontas das asas brancas e a fêmea é cinza, mas tal diferença
só aparece a partir de um ano e meio de idade.
Temperatura corpórea 38-39ºC (a galinha tem temperatura
corpórea em torno de 40-41°C)
Inicio da vida reprodutiva com 2-3 anos.
Animal corredor (até 60 Km/h)Ø Onívoro e possui
apenas dois dedos em cada pé.
Mede de 2,0 m a 2,7 m de altura, pesa de 100 kg a 160 kg, vivem
até os 70 anos e se reproduz em média até os 30/40
anos.
As fêmeas botam cerca de 40 ovos por temporada, gerando de
20 crias por ano, com uma incubação de 42 dias.
Produzem cerca de 1,2 kg de plumas por ano e 35kg de carne limpa
por animal.
Fonte: AGROV (2004)
SUBESPÉCIES
EXPLORADAS COMERCIALMENTE
Existem cinco subespécies, das quais três são explorados
comercialmente:Black Neck ou African Black - Ave domesticada, de pequeno
porte, obtida através dos dois últimos séculos por
uma seleção empírica realizada pelos sul-africanos.
É dócil, sua postura inicia-se precocemente e se adapta
a qualquer clima. Suas plumas são as mais bonitas e o seu couro,
marcado com muitos pontos, é muito apreciado.Red Neck - Ave de
maior porte, mais agressiva, chegando a atacar pessoas quando se sente
ameaçada. Reproduz menos e o inicio da postura é mais tardio
e gosta de clima árido. Ideal para exploração de
couro, devido ao seu porte.Blue Neck - Ave de porte médio e relativamente
agressivo, pois não gosta do convívio com pessoas nem com
outras raças de avestruz. Inicia a reprodução com
três anos e gosta de clima tropical. Excelente para o fornecimento
de carne. Fonte: AVESTRUZ (2004)
PRODUTOS
O avestruz possui uma grande vantagem, pois tudo se aproveita , e com
ótima aceitação no mercado. Tem como produtos e subprodutos
as plumas, o couro, a carne, os ovos e outros.
Plumas
É um produto muito conhecido no Brasil, mas utilizado desde a Antigüidade.
O maior produtor é a África do Sul, o mercado consumidor
está na Europa, Ásia e Américas, sendo o Brasil um
dos maiores consumidores, principalmente no carnaval (para adornos e fantasias)
e para fazer espanadores. As plumas do avestruz são classificadas
em vários tipos (as mais curtas são usadas nos espanadores,
as mais bonitas e longas usadas nos adornos), com valor variando de USS
27 a USS 160/Kg. No Brasil temos um mercado seguro para as plumas, mas
este não é o produto mais interessante do avestruz. Também
são aproveitadas pelas empresas automobilísticas, por serem
antiestáticas. Em média obtém-se 1 a 2kg de pluma/animal/ano.
As plumas brancas são as mais procuradas porque tingem bem, embora
as cinzas e as pretas possam ser alvejadas. De acordo com a Associação
de Criadores de Avestruz do Brasil - ACAB (2003) o preço das plumas
brancas de melhor qualidade é de US$ 80,00 a US$ 90,00/Kg para
o produtor, e, as de qualidade secundária, US$40,00/Kg.
Couro
É outro produto muito interessante que vem encontrando grande aceitação
no mercado internacional. Cada animal irá produzir de 1,2 a 1,5
m2 de couro de fácil extração e curtimento, que aceita
bem várias colorações e é naturalmente decorado
por causa dos orifícios dos cálamos. O valor europeu do
couro é de cerca de USS 200 a USS 300 por peça de couro
cru, e de USS 500 a USS 600 pelo couro tratado (AGROV, 2004).
|
Tabela
1 - Preços de couro
|
| TAMANHO
(dm2) |
130 |
| GRADUAÇÃO
VALOR |
| I
|
R$
1.250,00 |
| II |
R$
970,00 |
| III |
R$
795,00 |
| IV |
R$
615,00 |
| V |
R$450,00 |
| REJEITADO |
R$300,00 |
|
Fonte:
ACAB (2004)
Carne
É o produto que está dando maior impulso à criação
comercial de avestruzes atualmente. Apesar de ter sido consumida e apreciada
desde a Antigüidade, a carne hoje está sendo redescoberta
por ser semelhante à carne de bovinos em termos de aspecto, sabor
e textura, mas com a vantagem de ter baixos teores de colesterol e gorduras
(tabela2). Esta característica da carne se deve à distribuição
das gorduras no organismo do animal: estas se localizam em volta do estômago
e sob a pele, propiciando cortes de carne magra e couro extremamente macio.
Atualmente o maior mercado consumidor está nos Estados Unidos e
Europa. A Suíça, por exemplo, importa 200-300 toneladas
por ano de carne de avestruz. No Brasil existe um grande interesse por
carnes exóticas, e a carne de avestruz inicialmente se introduziria
neste setor (AGROV, 2004).
|
Tabela
2 - Quadro comparativo da qualidade da carne de avestruz com outras
espécies
|
| Qualidade
da Carne (em 100g de carne) |
|
Carne
|
Colesterol
|
Carboidratos
|
Calorias
|
Proteínas
|
Cálcio
|
Gordura
|
| Avestruz |
58
|
2,1
|
96,6
|
22
|
5,2
|
1,2
|
| Boi |
77
|
0
|
240
|
21
|
9
|
15
|
| Frango
|
73
|
0
|
140
|
27
|
13
|
3
|
| Porco
|
84
|
0
|
275
|
24
|
3
|
19
|
| Peru
|
59
|
0
|
135
|
25
|
16
|
3
|
|
Fonte: PONTODOAVESTRUZ (2004)
|
Tabela
3 - Preços de cortes de carne
|
| Filet
Fan |
R$
66,00 |
| Top
Loin |
R$
66,00 |
| Postas
de Sobrecoxa |
R$
66,00 |
| Filét
Oyster |
R$
66,00 |
| Tenderloin
|
R$
66,00 |
| Filét
Redondo |
R$
66,00 |
| Outside
Strip |
R$
66,00 |
| Filet
Tip |
R$
66,00 |
| Filet
de Coxa Externo |
R$
45,00 |
| Filet
de Coxa Interno |
R$
45,00 |
| Filet
de Coxa Médio |
R$
45,00 |
| Pescoço
|
R$
30,00 |
| Carpaccio
e Hambúrguer |
R$
55,00 |
|
Fonte:
ACAB (2004)
Ovos
e outros
Os ovos pesam aproximadamente de 1.200 a 1800g e o seu sabor é
muito semelhante ao ovo de galinha. Hoje, não se consome porque
fará nascer um pintinho que vale muito mais (AGROV, 2004). Já
os ovos inférteis aproveita-se as cascas para o artesanato, decorações,
artes contemporâneas e luminárias, gerando oportunidades
extras de negócios. O conteúdo interno é utilizado
para consumo humano ou para a indústria de alimentos (desde que
os ovos não tenham sido incubados). Bico e unhas são utilizados
na confecção de jóias, os cílios podem ser
aproveitados para fabricar cílios postiços e pincéis
de alta definição. A carcaça pode entrar na composição
de rações e os tendões são utilizados em cirurgia
de recuperação ou enxerto em humanos. A indústria
internacional de cosméticos, sobretudo, na Inglaterra e na Austrália,
defendem a utilização de óleo de avestruz, como matéria-prima
para confecção de produtos de qualidade. São produzidos
principalmente cremes e loções (usados no desaparecimento
de rugas e na revitalização da beleza da pele), óleos
(óleo de massagem), pomadas e produtos de beleza (brilho para os
lábios e sabonete). Na medicina estão sendo estudados remédios
para Mal de Alzeimer utilizando as enzimas do cérebro do avestruz
e pesquisas sobre similaridade da córnea humana (ACAB ,2004).
SITUAÇÃO
ATUAL E PERSPECTIVAS NO BRASIL E NO MUNDO
Histórico da criação comercial de avestruzes
O avestruz começou a ser criado na África do Sul, na metade
do século passado, para produção de plumas. Era uma
criação extensiva, os animais não eram abatidos,
as plumas eram cortadas duas vezes por ano e exportadas para a Europa
e para os Estados Unidos. O animal também foi introduzido na Austrália
no século passado para exploração comercial. A criação
foi abandonada no início deste século, os animais ficaram
soltos e se tornaram selvagens. No início do século XX (com
a I e II Guerras Mundiais e a quebra da Bolsa dos EUA) houve um colapso
do mercado de plumas; por alguns anos a criação de avestruzes
ficou desprovida de interesse econômico. Na década de 60
começou novamente a se desenvolver graças à valorização
de outros produtos do animal: a carne e o couro. Atualmente a África
do Sul tem o maior plantel no mundo, por ser o avestruz originário
desta região e por ser este o país que primeiro iniciou
a criação comercial há cerca de 100-150 anos. O segundo
maior plantel está nos Estados Unidos, mas também Austrália,
Israel, Canadá e outros países têm um número
considerável de animais (AGROV, 2004). A China é um dos
países em que mais cresce a estrutiocultura (PONTODOAVESTRUZ, 2004).O
aumento da estrutiocultura no Brasil teve um grande avanço, em
relação à legislação pertinente, é
a portaria nº 36, 15/03/02, onde o MAPA (Ministério da Agricultura,
Pecuária e Abastecimento), classifica o avestruz no contexto de
avicultura industrial, não sendo mais considerada, portanto, uma
ave exótica, mas sim doméstica. Segundo PINHEIROS (2003),
no Brasil a cadeia produtiva da estrutiocultura, ainda é incipiente,
e necessita amparar-se em eficientes e objetivos mecanismos de gestão,
que permitam a mesma atuar de forma sistêmica, interagindo entre
os respectivos segmentos e, por conseqüência, provendo ações
sintonizadas com os estrangulamentos detectados. Infelizmente o setor
já apresenta uma certa desorganização operacional,
traduzida, principalmente, pelo número de entidades representativas
constituídas, as quais, muitas vezes, divergem em objetivos e se
contrapõem em funções, dificultando a adoção
de princípios técnicos de grande valor, como é o
caso da normalização de processos e produtos. A tendência
da estrutiocultura em se organizar em associações e cooperativas
é cada vez maior, tornando-se evidente a tentativa impulsiva dos
produtores e empresários em propor arranjos organizacionais diversos
(entidades, cooperativas e associações), cujos objetivos
convergem sempre para o mesmo fim, cooperação para a redução
de custos e permuta de facilidades. No entanto, a pulverização
destas iniciativas desaceleram o poder de crescimento do setor e, como
conseqüência, sua afirmação tanto em nível
nacional como internacional.
Rebanho
nacional
O Brasil tem um alto potencial para a produção de avestruzes,
a um custo menor do que em outros países e outro motivo da euforia
é o ótimo desempenho da atividade no ano passado, o setor
teve um crescimento em número de cabeças de aproximadamente
30%. Também houve uma elevação, da ordem de 20%,
em relação ao número de criadores no País.
Hoje, o Brasil conta com cerca de 1,5 mil criadores distribuídos
em todo o território nacional, com destaque para o estado de São
Paulo, que detém 40% de todo o rebanho (ACAB, 2003).
|
Tabela
4 - Distribuição geográfica do rebanho nacional
|
| Principais
Unidades da Federação Produtoras de Avestruzes
|
Rebanho
Atual * (em cabeças) |
| São
Paulo |
40.000 |
| Pernambuco
|
5.000 |
| Bahia
|
5.000 |
| Sergipe
|
3.000 |
| Ceará
|
5.000 |
| Goiás
|
4.500 |
| Minas
Gerais |
3.500 |
| Mato
Grosso do Sul |
5.000 |
| Mato
Grosso |
3.000 |
| Paraná
|
5.000 |
| Demais
Estados do Brasil |
21.000 |
| Total
do Rebanho Brasileiro |
Cerca
de 100.000 |
|
Fonte:
AVICULTURAINDUSTRIAL (2004)
Mas,
antes de se aventurar na criação de avestruzes, é
preciso ter em mente que a estrutiocultura é um investimento de
longo prazo e que a comercialização de carne ainda é
um pequeno nicho. Hoje, 70% da renda da estrutiocultora brasileira provém
da venda de animais reprodutores, 25% vêm de insumos para a produção
e apenas 5% da venda de carne. Para iniciar um criatório de avestruzes,
o investimento é de aproximadamente R$ 20 mil. No cálculo,
entra as despesas com a compra de cinco casais de filhotes - preço
de mercado de cada filhote: R$ 800 -, instalação dos piquetes
e ração para os animais. Cada ave consome o equivalente
a R$ 400 anualmente. Leva-se em conta também que o rendimento por
animal abatido é proporcionalmente baixo (30% do peso vivo) se
comparado com o rendimento de bovinos (em torno de 55%), e a mortalidade
na fase de cria (0-3 meses) está em torno de 30 a 100% (BORGES
e FRANCIS, 2003). Apesar deste fato ser largamente compensado pela grande
produção anual de filhotes, enquanto uma vaca produz um
bezerro por ano, que vai para o abate com dois ou três anos, uma
fêmea de avestruz produz em média 30 filhotes por ano, fornecendo
de 800 a 1200 Kg de carne por fêmea/ano
|
Tabela
5 - Tabela comparativa da produção em bovinos e Avestruzes
|
|
Animal
|
Produção/Ano
|
Abate
em 3 Anos
|
Carne
/ Animal
|
Carne
Total
|
Couro
|
|
Avestruz
|
20
|
60
|
35
Kg
|
2.100
Kg
|
72
m2
|
|
Boi
|
1
|
1
|
250
Kg
|
250
Kg
|
5
m2
|
|
Fonte:
PORTAL DO AVESTRUZ (2004)
Abate
reduzido
Atualmente, os criadores nacionais limitam-se a comercializar os seus
planteis com outros criadores. Limita-se a vender seus animais para terceiros.
O abate ainda é feito em pequena escala. Essa é umas das
razões para o preço da carne manter-se em níveis
elevados. Em média, custa R$ 60 o quilo. Com o início da
produção comercial, no entanto, o preço deverá
cair para até R$ 25,a redução de custo vai permitir,
portanto, a popularização da carne (PORTALDOAVESTRUZ, 2004).
Mercado competitivo
Além de atender ao mercado interno, a produção nacional
poderá suprir a demanda de países da região do Mercosul,
em especial Argentina e Uruguai. A tomada de outros países, contudo,
será tarefa mais árdua, uma vez que grandes criadores como
a África do Sul e Austrália já dominam o mercado
europeu e americano (PORTALDOAVESTRUZ, 2004). Em 2003, mercado interno
consumiu 14,9 milhões de toneladas de carnes diversas (Bovino,
Frango, Suíno, Ovino, Caprino, Bubalino, e Outras exóticas).
Deste total, o consumo de carnes exóticas (não habitual),
foi de 186 mil toneladas e com a melhora da divulgação e
distribuição, junto ao público consumidor, o mercado
interno em 2008, estará absorvendo cerca de 250 mil toneladas,
desses produtos exóticos. Dentro desse potencial de consumo, já
existe espaço para a carne do avestruz ( PORTALDOAVESTRUZ, 2004).
Entretanto, para lutar por uma fatia desse potencial de consumo, o estrutiocultor
brasileiro precisará, o quanto antes, se organizar, aumentar e
melhorar a sua produção, divulgar de forma eficiente a carne
do avestruz e desenvolver toda a logística que envolve a colocação
desse produto no mercado ( Quantidade, Qualidade, Abate Contínuo
e Produto Disponível ). Hoje, o estrutiocultor brasileiro está
perdendo essa fatia potencial de mercado, para outros produtos exóticos,
inclusive os importados. O potencial de consumo da carne do avestruz no
mercado interno brasileiro, em 2004, já corresponde a cerca de
7 mil toneladas, ou seja, o equivalente ao abate de 230 mil aves. Para
o Brasil ainda é necessário alguns anos para que possa ter
um numero suficiente de animais para começar a abater e vender
seus produtos. Para ter uma comparação, os EUA demoraram
20 anos para começar a abater e na Itália se cria Avestruz
desde 79 e ainda não há abatedouros (AGROV, 2004). Aqui
enquanto não há abate suficiente se vende pintinhos de avestruz
para reprodução. Países como África do Sul,
EUA, Israel, Espanha, Austrália e países africanos estão
à frente do Brasil em relação à tecnologia
e população, que gira em torno de dois milhões de
cabeças (ACAB, 2003). Os maiores produtores são a África
do Sul e os EUA.
|
Tabela
6 - Tabela com estimativa de consumo de carne de avestruz
|
| Estimativas
de consumo de carne de avestruz para o mercado brasileiro, em
diferentes cenários de participação na
cadeia de carnes, para o próximo ano. |
|
Ano
|
Quantidade
total de carne consumida Per Capita / Ano
|
População
(em milhões de habitantes)
|
%
de participação prevista para a carne de Avestruz
|
Número
de aves abatidas por ano
(em mil cabeças)
|
|
2002*
|
70,5
|
165
|
0,01
|
38,5
|
|
2004
|
69,0
|
167,2
|
0,02
|
76,9
|
|
2006
|
67,5
|
170,6
|
0,04
|
153,5
|
|
2008
|
66,0
|
174,0
|
0,07
|
268
|
|
2010
|
64,5
|
177,5
|
0,10
|
381,6
|
|
*
Ano hipotético previsto para início dos abates
|
|
Fonte:
AVICULTURAINDUSTRIAL (2004)
Mas
a situação de alguns destes países como os africanos
e os EUA atualmente estão com problemas relacionados ao aparecimento
da Influenza Aviaria e Newcastle, no qual a UE (União Européia)
proibiu a importação de carnes avícolas in natura
e outros produtos avícolas até o dia 15 de agosto de 2004
dos respectivos países - Tailândia, Camboja, Indonésia,
Japão, Laos, Paquistão, China, Correia do Sul e Vietnã.
Caso semelhante aos EUA, onde em 2002 a UE suspendeu as importações
de produtos avícolas provenientes deste país devido o aparecimento
de newcastle, e atualmente houve de surto desta mesma doença na
Namíbia e Botsuana no final de 2003 onde a OIE - Organização
Internacional de Sanidade Animal confirmou a positividade da doença
(AVISITE, 2004). Estas situações só servem para melhorar
as expectativas do produtor brasileiro, já que os países
exportadores que apresentam estas enfermidades em seus planteis só
perdem credibilidade no mercado internacional.
A
INDÚSTRIA DE AVESTRUZES
Segundo (HUCHZERMEYER, 2000).
À medida que a industria de avestruzes expande-se por todo o mundo,
certos problemas tornam-se aparentes. Dois dos três principais produtos
da industria de avestruzes, o couro e as plumas, são orientados
pela moda. Por isso, seus preços são afetados pela superprodução
e pelas mudanças da moda. Até mesmo a carne é visada
por um mercado consciente sobre qualidade e saúde. Com o aumento
da produção de avestruzes para abate, a pressão sobre
os preços da pele só pode aumentar. O mesmo também
pode ser verdade para a carne de avestruz, se todos os países produtores
continuarem a se concentrar no mercado europeu.Com resultado dessa competição
localizada, os preços das mercadorias já estão mais
baixos do que o esperado, e os produtores estão sobre crescente
pressão econômica.
Sob estas condições, os custos de produção
são muito altos. Eles são afetados pelo custo real da produção,
contra a baixa produtividade. Os fatores envolvidos são os mesmos
em todo o mundo:
Alto custo de investimento para a infraestrutura e o rebanho
Produção de ovos relativamente baixaØ Baixa
porcentagem de eclodibilidade
Alta mortalidade de filhotes
Sistema de trabalho intensivo
Alto custo de alimentação
Adicionalmente, parece que alguns aventureiros penetraram em vários
setores da industria de avestruzes visando somente o lucro rápido,
sem se preocupar com o compromisso de desenvolver uma industria sadia
para um futuro a longo prazo. A procura de soluções para
esses problemas deve envolver todos os setores da industria. Não
existe uma solução única para todos os problemas.
O mercado de produtos de avestruzes engloba as seguintes atividades:
Encontrar e desenvolver novos mercados para os produtos existentes
Desenvolver novos produtos
Enfatizar os métodos de produção conscientes
sobre o bem-estar animal
Enfatizar a alta qualidade dos produtos de avestruzes
Existem muitas formas de tentar aumentar a produtividade:
Seleção: A maioria dos criadores estão apenas
multiplicando avestruzes. A menos que se utilizem piquetes com um só
casal, os mal reprodutores não podem ser detectados, impedindo
uma seleção baseada na produtividade real.
Incubação: Avestruzes não são e nem
se parecem com galinhas. As tentativas de copiar algumas coisas da industria
de frangos e tentar aplicá-las na produção de avestruzes,
falharam. Só uma visão aberta e radicalmente nova para a
incubação de ovos de avestruz terá chance de solucionar
este problema.
Criação: Ainda não foi desenvolvido nenhum
sistema de criação intensivo para filhotes de avestruz,
que fosse eficiente.
Doenças de outras espécies: Os avestruzes podem adquirir
doenças contagiosas e infecciosas de outras espécies, não
somente de frangos mas de aves de estimação também.
Não se devem manter avestruzes e frangos na mesma fazenda, nem
mesmo galinhas de quintal.
Rações de baixo custo: As rações atualmente
disponíveis ainda são muito caras, não aproveitam
a capacidade de ingestão das fibras destas aves.
A competição é um estimulo saudável e não
deve ser evitada. Entretanto, a competição sufocante através
de imposição de cotas de produção só
pode perpetuar a ineficiência. A promoção da carne
e seus subprodutos como alimentos saudáveis e de qualidade ajudará
na sua popularização. Existe uma enorme necessidade de pesquisa
nessa jovem indústria, havendo uma grande carência de financiamentos
e também de interações com Universidades e laboratórios
especializados.
CONCLUSÃO
Diante do exposto, fica evidente que a estrutiocultura brasileira contará
com todas as ferramentas estratégicas necessárias ao desenvolvimento
e firmamento de seu agronegócio, sendo primordial para tal, a identificação
e caracterização de forma sistêmica, dos estrangulamentos
da cadeia produtiva da estrutiocultura e, paralelamente, as ações
emergenciais passíveis de serem incorporadas às estratégias
operacionais da mesma. A cadeia do avestruz tem um grande potencial de
crescimento dentro do País, uma vez que o Brasil apresenta as condições
necessárias para o seu desenvolvimento e estabelecimento, devendo
esta, estar organizada de forma a ter eficiência e competitividade
necessárias.Comparada com a de outros países, a produção
brasileira ainda é pequena, de cerca de 30 toneladas por ano. Para
se ter uma idéia, a África do Sul líder mundial,
que detém em torno de 70% do mercado internacional produz 30 toneladas
por dia, quase 11 mil toneladas por ano.
REFERENCIAS
BIBLIOGRAFICAS
ACAB, 2004. Disponível em www2.acab.org.br, Acesso em 17-18/04/2004.
AGROV, 2004. Disponível em www.agrov.com, Acesso em 17-18/04/2004.
AVESTRUZ, 2004. Disponível em www.avestruz.com.br, Acesso em 17-18/04/2004.
AVICULTURA INDUSTRIAL 2004, Disponível em www.aviculturaindustrial.com.br,
Acesso em 17-18/04/2004.
AVISITE 2004, Disponível em www.avisite.com.br, Acesso em17-18/04/2004.
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