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ÁGUA
NA NUTRIÇÃO ANIMAL
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ÁGUA
PROPRIEDADES E FUNÇÕES ·
É um constituinte ativo e estrutural e não meramente um
solvente das substancias presentes no corpo. METABOLISMO DA ÁGUA Do ponto de vista econômico, a água representa o nutriente de mais baixo custo, no entanto, fisiologicamente é essencial no metabolismo orgânico. A bioquímica nutricional da água é complexa, não é uma simples molécula HOH (Figura 2). Uma grande parte das moléculas de água estão interligadas por pontes de hidrogênio formando complexas macromoléculas, assim esta facilidade e rapidez com que ocorre a dissociação desta molécula (HOH ?H+ + OH-) é que caracteriza a sua participação nas reações do metabolismo.
a)
Octâmero (H2O)8 b) ((H2O)8)20 c) Estrutura icosaédrica DISTRIBUIÇÃO DA ÁGUA CORPÓREA A água está distribuída no corpo animal de forma heterogênea, de maneira a manter o equilíbrio dinâmico entre os compartimentos do organismo (Figura3). A água intracelular representa mais de 45% do peso vivo enquanto o conteúdo extra-celular aproximadamente 20%. O funcionamento normal do organismo se faz às custas de perdas ininterruptas de água que devem ser repostas constantemente através da água de bebida principalmente.
Fonte: Bertechini (1997) FIGURA 3: Distribuição dos líquidos do corpo em % do peso corporal FONTES DE ÁGUA Água
de bebida: é a principal fonte de água para os animais,
devendo ser limpa e livre de contaminações. Tabela
1: Produção de água metabólica
Fonte: Nunes (1998) SEDE Em
conjunto com o hormônio antidiurético, a sede exerce um papel
muito importante na homeostase da água. A sede tem sido definida
como um desejo consciente de beber e deve ser distinguida do ato de beber
em si, pois este pode ocorrer por outras razões que não
a sede - tais como hábitos sociais e associação com
as refeições. A função do mecanismo da sede
é assegurar que a água seja reposta prontamente, quando
ocorre uma deficiência. Outro aspecto de regulação
da sede é o da saciedade.
O aumento da temperatura ambiente leva a um incremento no consumo de água. As perdas de calor corporal pelos suínos e aves é um processo dificultoso, já que estes não possuem glândulas sudoríparas. Em clima quente há a necessidade de auxiliar a perda de calor destes animais através de ambientes adequados e água fresca. Com o aumento da temperatura estes animais podem dobrar o consumo de água. CONSUMO Um homem adulto, sedentário, necessita de 1 cm3 de água para cada kcal de energia metabolizável ingerida. Isto pode ser estendido aos animais de todas as espécies domésticas, numa dieta de mantença. Tomando-se como média que 1g de matéria seca de alimento contém 4 kcal de energia metabolizável, pode-se estabelecer que um animal necessita quatro vezes mais água do que alimento, peso a peso (Nunes, 1998).
Dos animais domésticos, a vaca leiteira é que mais sofre com uma deprivação de água, primariamente pela grande excreção no leite. O corpo contém, em média, de 55 a 65% de água. Em temperatura elevada recusam alimento a partir do quarto dia de deprivação e a perda de peso pode chegar a 16%. O aumento da temperatura ambiente eleva o consumo de água, sendo 27-30°C a faixa em que ocorre diferença marcante de consumo. O aumento da umidade ambiente reduz o consumo de água, porque reduz a evaporação corporal. Dietas com alto conteúdo de fibra indigestível promovem grandes perdas de água nas fezes, o que aumenta a ingestão de água (Nunes, 1998). Tabela
2 Consumo de água pelo gado leiteiro nas condições
do Brasil Central
Fonte: Nunes (1998)
Considerando-se bovinos de dois anos, a necessidade mínima é de 45 litros/cab/dia ou cerca de 8-9 litros/100 kg de peso vivo, em condições de manejo adequado. · OVINOS A ovelha gestante aumenta o consumo a partir do terceiro mês, dobra no quinto mês. A ovelha lactante tem o dobro do consumo que a não lactante. A deprivação de água é acompanhada por severa depressão no consumo de alimentos e predispõe as ovelhas a toxemia gravídica (ou doença da gestação). A adequada ingestão de água é essencial para a excreção de substancias tóxicas, tais como oxalatos, amônia e sais minerais. A água a zero grau suprime a atividade microbiana ruminal por 4 horas após a ingestão, diminuindo a taxa de produção (Nutrient, 1985 citado por Nunes 1998). Se mantidos em pastagens de qualidade média, o consumo em clima temperado chega a 4,0 litros/cab/dia, e 5-6 litros/cab/dia, em clima quente. (Silva, 1989 citado por Nunes, 1998) · EQUINOS De
30 a 45 litros para adultos ou 2-3 litros por Kg de matéria seca
consumida. Éguas em lactação, cerca de 57 litros/dia.
Existe estreita relação entre clima, exercício e
consumo de água. Assim, cavalos podem consumir entre 65 litros
de água, com temperatura entre 13-15°C e UR% de 72%, e 80 litros
quando temperatura de 21°C e UR de 58%. · CAPRINOS Dos animais domésticos, a cabra é dos mais eficientes no uso da água, aproximando-se do camelo quanto à reduzida taxa de reciclagem por unidade de peso corporal. É capaz de conservar água pela redução das perdas na urina e nas fezes. O consumo de água nos alimentos é alto, dado à seleção e ingestão de brotos. Segundo Silanikove (2000), as raças Black Bedouin e a Barmer, só bebem água na freqüência de uma vez a cada quatro dias. · SUÍNOS Segundo Brooks et al. (1984) citado por SUINO.COM (2002), o consumo de alimento diário é considerado o melhor preditor individual do consumo de água para suínos entre três e sete semanas de idade. A relação é descrita pela equação: Consumo de água (L/dia) = 0,149 + (3,053 x Consumo MS(kg)) Uma
combinação do consumo de alimentos com o peso corporal foi
descrita pela equação: A necessidade de água pelos suínos é bastante variada em função da idade, tipo e quantidade de ração ingerida e estado fisiológico. Tabela
3 Consumos de água pelos suínos em diferentes fases
Fonte: SUINO.COM (2003)
Consumo, em litros/cab/dia, segundo Andriguetto et al. (1986), coelhos adultos 0,25; fêmeas pouco antes do parto 1,00; fêmeas com oito láparos (3 semanas) 1,00 a 1,25; fêmeas com seis láparos 2,00 litros/cab/dia.
No início da vida a ave é muito sensível à desidratação. Só a deficiência de oxigênio é mais crítica que a falta de água. Basta lembrar que a perda de 10% de água em relação ao peso corporal leva o pintainho à perda de peso e induz à desidratação, e 20% de perda das reservas de água do organismo, leva a ave à morte. Daí a importância de, antes de iniciarmos a implantação de um projeto avícola, verificarmos a disponibilidade de água para atender à demanda do consumo. Importante também é prever o aumento de consumo em condições adversas, como no caso de stress pelo calor, quando o consumo de água praticamente dobra. Tabela
4 Quantidade de água necessária para o alojamento de frangos
de corte em 2 ambientes distintos
*
período - 1 à 49 dias de idade
ANDRIGUETTO,
J.M.; PERLY, L.; MINARDI, I. et. al. Nutrição animal. 3ed.
São Paulo:Nobel, 1986. v2, 335-352. |
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| FONTE: Thiago Vasconcelos Melo Zootecnista-Mestrando em Produção animal -UENF |
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