| Um
bom começo é um grande passo para um final bem sucedido. Na piscicultura brasileira,
a fórmula é esta. A criação adequada dos alevinos garante a formação saudável
de peixes e o abastecimento do mercado. Alevinos são os peixes que acabaram de
deixar a fase de larva, exatamente quando começam a se alimentar no ambiente externo.
Eles são bastante sensíveis e estão em pleno desenvolvimento, exigindo cuidados
especiais e constante acompanhamento, inclusive em relação ao manejo nutricional.
A evolução corporal exige que os alevinos estejam sempre se adaptando ao ambiente
da melhor maneira possível. "No estágio de larva, a mortalidade de peixes
poderá ser muito grande devido a falta de habilidade de algumas larvas em se adaptar
ao novo ambiente e aos novos costumes, como o alimentar por exemplo", explica
Sérgio Zimmermann, professor do Centro de Tecnologia da Universidade Luterana
do Brasil, Canoas (RS). É nessa fase que ocorre o ganho de peso
mais acelerado e a dieta dos animais merece atenção especial. "Na natureza,
esses animais, principalmente os de tamanho mais reduzido, se alimentam de zooplânctons.
Quando criados em viveiros, devem receber rações ricas em proteína e energia,
para agilizar o crescimento. Os carboidratos devem ser evitados, pois possuem
moléculas muito complexas e limitam a digestão dos alevinos", afirma Zimmermann.
Rações de alta digestibilidade são fundamentais na nutrição de alevinos. "É
nessa época que se inicia o desenvolvimento do estômago e cecos pilóricos, além
do aparecimento dos dentes em algumas espécies. Ração de boa digestibilidade não
impede o desenvolvimento desses órgãos, pelo contrário, só ajuda", ressalta
Zimmermann. Quanto ao tamanho do alimento mais adequado a este período da vida
dos peixes, ele recomenda: "É preciso observar o tamanho da boca, que muda
significativamente. Sendo assim, se o alimento for maior que a metade do tamanho
da boca, os animais não conseguirão ingeri-lo". Se o tamanho exagerado causa
problemas, o contrário não é diferente. Quando as partículas de alimento são muito
menores do que a boca, os peixes gastam mais energia para ingerir a quantidade
de alimento adequada para suprir suas necessidades nutricionais. "Além disso,
partículas muito pequenas tendem a poluir mais rapidamente a água, e também podem
prejudicar a respiração dos peixes caso haja aderência delas às branquias",
adverte Zimmermann. Como os alevinos possuem sistema digestivo
em desenvolvimento, o criador deve oferecer o alimento em pequenas porções e freqüência
elevada, deixando que os peixes comam à vontade. Essas medidas fazem com que os
animais possam ingerir, digerir e absorver o alimento de modo mais adequado.
RISCOS O leitor de Alimentação Animal sabe que qualidade é um
tema sempre em alta nas reportagens publicadas. Dessa vez não será diferente.
A qualidade do alimento oferecido aos alevinos é importantíssima. Os piscicultores
não devem, de forma alguma, seja qual for o motivo, descuidar desse fator. Como
já dissemos, os alevinos são seres muito sensíveis e em desenvolvimento. Uma dieta
de má qualidade compromete todos os resultados. Não há dúvidas de que reduzir
custos é fundamental, mas comprometer a produtividade é suicídio. "Alevinos
alimentados com rações deficientes poderão apresentar problemas no crescimento,
desenvolvimento retardado, transformações anatômicas e fisiológicas, canibalismo
os maiores se alimentando dos menores para atender suas necessidades nutricionais
, entre outros problemas", afirma Zimmermann. A saúde dos animais também
será afetada. As conseqüências da alimentação inadequada nessa fase são catastróficas:
a rápida mortalidade dos animais é o principal efeito, pois o poder de recuperação
dos alevinos fica limitado. "Todo metabolismo está direcionado ao crescimento
e ao desenvolvimento, restando pouco para as reservas", explica Sérgio Zimmermann.
Para evitar problemas, o criador pode recorrer a orientação de um técnico, seguir
as recomendações do fabricante da ração e não esquecer que nessa fase há grande
exigência por energia e proteína. PRODUÇÃO O Brasil
possui inúmeros criadores de alevinos espalhados por todo País. Esse grupo é bem
dividido. Há os que contam com avançados pacotes tecnológicos e infra-estrutura
sofisticada, e também aqueles mais simples que utilizam técnicas rudimentares
e antiquadas. "Isso acaba afetando a qualidade dos alevinos comercializados
em nosso País", afirma Sérgio Zimmermann. Além disso, muitas espécies de
peixes encontradas no Brasil ainda carecem de mais pesquisas científicas, sendo
que os alevinos comercializados poderão apresentar crescimento diferenciado. "Notamos,
com isso, altas taxas de canibalismo, fazendo com que o piscicultor passe a dar
preferência às espécies exóticas, como a tilápia do nilo, por exemplo", diz
o professor da Luterana. Certamente, a piscicultura brasileira se desenvolverá
com maior velocidade quando essa base de produção estiver menos heterogênea e
mais evoluída. Isso parece ser apenas uma questão de tempo e investimento. Qualquer
estudo que se faça no País mostrará a atividade em evolução. O quadro só intensifica
a necessidade de se cuidar bem dos alevinos. "Esses animais são a semente
da atividade, portanto é essencial que tenham uma boa genética, que sejam adequadamente
manejados num ambiente saudável e, naturalmente, que sejam bem alimentados",
conclui Zimmermann. |