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Gato
de desenho animado só gosta de peixe e leite. Os felinos domésticos
de verdade realmente apreciam esses alimentos, mas sua dieta tem de
ser muito mais rica e devidamente balanceada. Os gatos são naturalmente
carnívoros e selecionam bastante o que comem. O problema é que essa
seleção é feita pelo paladar, e não de acordo com suas necessidades
nutricionais. A indústria de alimentação animal está atenta a essas
características, pois oferecem produtos completos e de qualidade comprovada
para atender as exigências alimentares reforçados por atrativos como
sabor e aroma. O equilíbrio é fundamental na nutrição. Gatos necessitam
de suplementação de nutrientes específicos, que não são necessários
ao cão e outros animais domésticos. Destacam-se a taurina, um aminoácido,
e o ácido aracdônico, um lipídio estrutural. Além disso, suas necessidades
protéicas são muito maiores que a dos cães, necessitando no mínimo de
30% de proteína para crescimento e reprodução e 24% para manutenção
dos adultos. Outro ponto importante é o sistema digestivo mais delicado,
necessitando de alimentos de maior digestibilidade e pelo menos 8% de
gordura em suas dietas.
Resumidamente, os principais fatores que tornam os gatos animais especiais
sob o ponto de vista nutricional são:
Vitamina A : Gatos não convertem o beta-caroteno, presente
nas plantas, em vitamina A, necessitando dela pré-formada em sua dieta.
Na prática, significa que cenoura cozida, para gatos, não tem valor
nutritivo!
Niacina: Gatos não convertem o aminoácido triptofano em
niacina, uma vitamina do complexo B. Suas necessidades de niacina são
4 vezes maiores que a dos cães. Sua deficiência causa perda de peso
e apetite e úlceras na cavidade oral e língua.
Taurina: É um aminoácido que não é incorporado à cadeia
protéica, sendo essencial para o funcionamento do miocárdio (músculo
do coração) e da retina. Diferentemente dos demais mamíferos domésticos,
o gato não a sintetiza em quantidades suficientes, devendo esta estar
presente em suas dietas. Sua deficiência leva a degeneração da retina,
cegueira e doença cardíaca.
Proteína: A dieta natural dos gatos, rica em proteína
e pobre em carboidratos, levou a adaptação dos sistemas enzimáticos
do fígado. Estes apresentam uma alta conversão de aminoácidos em glicose,
fazendo com que a necessidade protéica dos gatos seja maior que a dos
cães em 50% para o crescimento e seja o dobro para manutenção de adultos.
Piridoxina: Também conhecida como vitamina B6, participa
do metabolismo das proteínas. A necessidade de piridoxina nos gatos
é quatro vezes maior do que em cães, devido ao alto metabolismo protéico
dos felinos. A deficiência desta vitamina leva a anemia, parada do crescimento,
lesões renais irreversíveis e convulsões.
Ácido aracdônico: Este ácido graxo é um dos constituintes
da membrana celular. Sua deficiência leva a problemas reprodutivos,
dermatite, pele hiperplásica, paraqueratose, hemorragia subcutânea,
etc. Diferentes dos cães, os gatos não convertem o ácido linoleico em
ácido aracdônico, devendo suas dietas apresentar este ácido graxo pré-formado.
Na prática significa que rações para gatos devem apresentar proteína
e gordura animal em sua composição.
Um nutriente bastante estudado e discutido nas rações para gatos é o
magnésio, mineral que promove o correto funcionamento muscular. A principal
preocupação, nesse caso, é com o exagero. Os fabricantes de alimentos
para gatos tem procurado reduzir ao máximo o nível de magnésio nas rações,
pois este foi incriminado na formação de cristais no aparelho urinário.
A espécie sofre mais com esse tipo de problema, pois a uretra dos gatos
é extremamente fina e sinuosa e a existência de cálculos no aparelho
urinário pode obstruir o canal. Se não houver tratamento em tempo hábil,
a conseqüência pode ser fatal.
No entanto houve certo exagero quanto à importância real das rações
e do magnésio na Doença do Trato Urinário Inferior dos Felinos (DTUIF).
Em estudo sobre o assunto, OSBORNE et al (1989) verificaram em
132 casos da doença a presença de plugs uretrais em 32 (22,37%), urolitíase
sem infecção urinária em 32 (22,37%), 2 casos de infecção do trato urinário
(1,4%), 2 casos de infecção mais urolitíase (1,4%) e 77 casos sem causa
determinada (53,8%). Dados mais recentes demonstram que os casos sem
causa determinada chegam a atingir valores acima de 70%, demonstrando
que os cristais parecem não ser tão importantes assim na doença. Por
outro lado, o pH urinário é fundamental e as rações devem conferir um
pH ácido, fisiológico da urina dos gatos. Isto pode ser conseguido fornecendo-se
proteína animal e acidificantes naturais, o que ajuda muito na prevenção
da doença.
IDADE
A necessidade alimentar dos gatos muda de acordo com sua
idade. O animal mais jovem requer maior proporção de vitaminas, minerais
e proteínas, pois seu crescimento é mais acelerado. O balanceamento
entre cálcio e fósforo é outro fator importante, pois tem influência
direta na formação dos dentes e do esqueleto, em especial até os dez
meses de idade e suas rações devem apresentar pelo menos 1,0% de cálcio
e 0,8% de fósforo.
Após estes dez meses de vida, os gatos atingem a maioridade e suas necessidades
nutricionais também mudam. O cálcio é importante nesse período, no entanto,
em proporção menor (no mínimo 0,6% da ração) é exigida pelos gatos mais
novos.
MANEJO Alimentar bem o gato não se restringe a escolher
o melhor alimento. A maneira como este é oferecido também é importante.
É fundamental que o dono conheça bem seu animal, suas manias, suas características
etc. Há gatos com maior propensão a problemas urinários, devido a particularidades
de seu organismo ou mesmo sua forma de vida. Após as refeições segue-se
fisiologicamente uma onda alcalina, que ocasiona elevação do pH urinário.
Quando o animal apresenta várias refeições por dia, esta onda é quebrada
em ondas menores, acarretando menor interferência na urina. Desta forma,
o animal apresentar varias refeições ao dia favorece a prevenção da
DTUIF.
A ingestão de líquidos e o volume urinário também colaboram para evitar
a formação de cristais na uretra. É preciso, então, estimular a ingestão
de água, colocando-a de forma a estimular seu consumo, sempre fresca
e em um local que o gato goste. Antes de adotar um bichano, o dono deve
conhecer um pouco sobre o temperamento e os costumes desses felinos
domésticos, seus hábitos alimentares e cuidados básicos, para que possa
oferecer as condições necessárias de desenvolvimento e saúde do animal.
Desta forma a relação entre os dois será sempre mais estimulante e interessante.
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