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Cresce,
no Brasil, o volume de peixes criados em sistemas de tanques-rede. E
a justificativa é muito simples: produtividade. Esse tipo de criação
permite ter o maior número de peixes no menor espaço possível, o que
reduz custos e aumenta a rentabilidade. "Se compararmos aos sistemas
convencionais, veremos que há considerável distância entre os resultados.
Enquanto nos tanques-rede a produtividade é de 200 kg de peixe por m3,
numa represa convencional esse número cai para apenas 2 kg por m3 ",
relata o engenheiro agrônomo especialista em piscicultura, Gustavo Luís
Bozano.
Há outros fatores comprovando a adequação desse sistema às condições
brasileiras, mas o custo certamente se destaca, podendo ser 40% inferior
ao dos sistemas convencionais. "Entre as diversas vantagens constatadas
no sistema, os peixes ficam em um lugar delimitado, permitindo a livre
e constante circulação de água, ou seja, é um sistema intensivo de renovação
contínua de água. Essa reciclagem mantém o oxigênio em níveis favoráveis
à criação", explica a também engenheira agrônoma, Luciene Conte.
Segundo a agrônoma, os tanques-rede são alternativas interessantes para
o aproveitamento correto de represas, lagos e outros meios. "No
Brasil, a criação em tanques-rede vem se desenvolvendo em ritmo acelerado,
graças aos nossos recursos naturais. Para se ter idéia da grandeza,
temos clima favorável à criação de peixes em alta escala, dimensões
continentais e grande potencial hidrográfico, estimado em 5,3 milhões
de hectares de água doce represada em grandes reservatórios naturais
e artificiais", ressalta.
E quem pode utilizar esse sistema? "Todos", responde Bozano.
Segundo o especialista, o baixo custo do sistema o torna acessível a
qualquer piscicultor, desde os pequenos até os grandes. "Além disso,
temos uma vasta área ainda a conquistar. De acordo com a FAO, o Brasil
é o país com o maior número de represas destinadas a piscicultura e
não podemos desperdiçar isso", enfatiza Bozano.
PROJETO E LEGALIZAÇÃO Para se iniciar um trabalho com
tanques-rede é preciso ter um projeto bem definido e legalizado. O primeiro
passo é avaliar o local para implantação dos tanques-rede. Aí entra
o importante auxilio de técnicos especializados, para direcionar a escolha
do lugar ideal. "Após levantamento dos dados sobre a área determinada,
define-se a tecnologia a ser implantada", explica Luciene Conte.
Os aparatos tecnológicos não são as únicas prioridades. Esse tipo de
criação de peixes necessita também da autorização dos órgãos federais.
De acordo com Luciene Conte, todo o processo de legalização do empreendimento
deve ser encaminhado a certos órgãos ligados ao setor, como Ministério
da Agricultura e Abastecimento, Marinha do Brasil, IBAMA, entre outros.
O motivo dessa burocracia é um incentivo à produção profissional e controlada.
"Todas essas medidas servem para evitar a criação clandestina e
predatória de peixes", confirma Luciene.
MANEJO ALIMENTAR - O sistema de tanque-rede favorece a produtividade,
mas os resultados não são obra do acaso. O produtor precisa estar ciente
da importância de cada fator relacionado à produção. A alimentação tem
lugar garantido nessa relação, com destaque para a qualidade das rações.
"Nos tanques-rede, os peixes não têm acesso ao meio ambiente e
a ração é a única fonte alimentar. Por esse motivo, o alimento deve
ser de excelente qualidade, com o devido balanceamento dos nutrientes
necessários ao desenvolvimento dos peixes", ressalta Gustavo Bozano.
Essa é, também, uma questão ecológica, pois as rações equilibradas não
só garantem a produtividade como evitam impactos ao meio ambiente. "A
utilização de rações balanceadas diminui a poluição ambiental e reduz
os riscos de um colapso do sistema", alerta Luciene Conte.
Entre os ingredientes das rações para criação em tanques-rede, as vitaminas
merecem atenção especial. "São os elementos que os peixes mais
necessitam quando não estão em seu ambiente natural. Por isso, as rações
devem apresentar níveis satisfatórios de vitaminas", explica Bozano.
Outro nutriente fundamental é a proteína. O nível protéico das rações
para criação em tanques-rede deve ficar entre 32% e 36%. "Rações
de maior nível protéico são mais caras, mas este custo se justifica,
pois a resposta será mais interessante, especialmente para peixes com
peso de 150g, ou um pouco mais", afirma Luciene Conte.
Vale lembrar que os gastos com alimentação nesse sistema situam-se entre
50% e 70% dos custos totais de produção. "Por ser o fator economicamente
mais importante, é imprescindível investir na dieta correta, pois a
resposta virá em produtividade e, conseqüentemente, em lucratividade",
conclui Bozano.
SISTEMAS
DE TANQUE-REDE
Vale a pena por que há...
- menor
variação dos parâmetros físico-químicos da água durante a criação;
- maior
facilidade de retirada dos peixes;
- possibilidade
do uso da água com máximo de economia;
- facilidade
de observação dos peixes melhorando o manejo;
- diminuição
dos custos com tratamento de doenças;
- possibilidade
de criação de diferentes espécies no mesmo ambiente;
- redução
do manejo dos peixes facilitando o controle de reprodução
Fique
atento com...
- necessidade
de fluxo constante de água por meio das redes, suficiente para manter
adequado o nível de oxigênio;
- risco
de rompimento da tela da gaiola e perda total da produção;
- possibilidade
de alteração do curso das correntes aumentando o assoreamento dos
reservatórios;
- possibilidade
de introdução de doenças no ambiente prejudicando a população natural.
menor
variação dos parâmetros físico-químicos da água durante a criação;
- maior
facilidade de retirada dos peixes;
- possibilidade
do uso da água com máximo de economia;
- facilidade
de observação dos peixes melhorando o manejo;
- diminuição
dos custos com tratamento de doenças;
- possibilidade
de criação de diferentes espécies no mesmo ambiente;
- redução
do manejo dos peixes facilitando o controle de reprodução
Fique
atento com...
- necessidade
de fluxo constante de água por meio das redes, suficiente para manter
adequado o nível de oxigênio;
- risco
de rompimento da tela da gaiola e perda total da produção;
- possibilidade
de alteração do curso das correntes aumentando o assoreamento dos
reservatórios;
- possibilidade
de introdução de doenças no ambiente prejudicando a população natural
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