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Nutrição é melhor com granulometria correta

Entre os ingredientes utilizados nas rações para suínos, o milho representa a maior porcentagem (70%) e também é o elemento de maior susceptibilidade à granulometria. A qualidade da ração está diretamente ligada ao controle do processo de moagem do milho, pois a digestibilidade de todos nutrientes presentes nos grãos é proporcionada pela granulometria correta. "O resultado será o melhor desempenho produtivo dos animais", afirma Dirceu Luís Zanotto, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Concórdia (SC).
 
A granulometria refere-se às dimensões dos macroingredientes utilizados na fabricação das rações e também às medidas das próprias rações. Para Zanotto, inclusive, a granulometria da ração é "conseqüência da granulometria dos ingredientes que a compõem". A eficiência dos alimentos está diretamente ligada a granulometria, pois quando os ingredientes não atendem as especificações ou aos padrões determinados, uma série de problemas pode ser desencadeada, desde a má formação da ração até o mal aproveitamento por parte dos animais. Os suinocultores devem sempre estar atentos aos alimentos oferecidos aos animais em relação a granulometria.
 
O investimento das indústrias de rações em controle de qualidade também está direcionado a granulometria, exatamente por sua importância no resultado final do produto. O milho responde por grande parte dessa preocupação, já que é o principal macroingrediente de rações para suínos.
 
Entre os diversos procedimentos para se avaliar a granulometria do milho, a peneira é o mais tradicional, mas o diâmetro de seus furos não garante a precisão necessária para se obter o produto mais eficiente e seguro. "Devemos considerar que não existe padronização nos moinhos e o uso desse sistema já está mais restrito", afirma o pesquisador da Embrapa. De acordo com Zanotto, o parâmetro de maior precisão para avaliar a granulometria do milho é o que recomenda o tamanho exato dos granulos do produto moído. "Este é dado pelo Diâmetro Geométrico Médio (DGM) das partículas, que pode ser determinado em laboratório ou estimado por meio de aparelho específico", explica Zanotto.
 
Um outro método – Desvio Padrão Geométrico Médio (DGP) – está sendo avaliado. O sistema deve somar no que diz respeito à produção da melhor ração, mas é necessário aguardar sua aprovação. "Ainda não conhecemos resultados e efeitos de seu desempenho para suínos nem qual o tipo de processamento de moagem a ser utilizado para melhorar a uniformidade das partículas", diz Zanotto.
 
Enquanto não se tem essa segurança, o melhor é basear-se nos métodos já testados e aprovados, como os parâmetros do DGM, que indicam a especificação da matéria-prima. Segundo Dirceu Luís Zanotto, é recomendado o uso de milho com granulometria entre 500 e 650 micrômetros. "Essa medida visa a otimização da produção, garantindo melhor qualidade de digestibilidade para os animais. O milho moído em martelos pode apresentar DGM que varia, em geral, de 300 micrômetros (muito fina) até 1.200 micrômetros (excessivamente grossa). Esta variação pode influenciar alguns aspectos de importância técnica e econômica na produção de suínos".

VANTAGENS E PROBLEMAS – Em todos os segmentos da produção animal, deve-se sempre buscar soluções vantajosas para melhorar o desempenho produtivo. É o que acontece quando se lida com a granulometria correta para a fabricação de rações. Trabalhando com medidas adequadas e utilizando os índices recomendados, o produtor pode aumentar o valor energético do milho em até 5%. "O que corresponde a um aumento de até 170 calorias de energia metabolizável por quilo. Isso, se comparado a granulometrias maiores", afirma Zanotto. O animal também terá melhor desempenho, pois a resposta para conversão alimentar será maior. "A granulometria nos índices recomendados melhora a conversão alimentar em até 9%, mantendo o mesmo peso e idade para abate", explica.
 
Já os problemas mais comuns que podem ocorrer devido ao uso de milho com granulometria fora do recomendado são os seguintes:
 
Granulometria maior do que recomendada – Aumenta o consumo de ração sem aumentar o ganho de peso. "Esse excedente no consumo, não sendo convertido em ganho corporal, implica maior volume de dejetos, o que contrihui para o aumento da poluição ambiental", alerta Zanotto.
 
Granulometria menor do que a recomendada – A granulometria muito fina do milho, juntamente com a presença de fatores estressantes para o animal, pode agravar alguns tipos de problemas, como a úlcera. São considerados fatores estressantes: mistura de lotes de animais; superlotação na baia; temperatura muito elevada ou muito baixa; oscilações térmicas e altas concentrações de amônia.

INFORMAÇÃO – O suinocultor que deseja buscar dicas sobre a melhor granulometria deve sempre buscar orientações de técnicos que entendam do assunto. "Os técnicos podem ser encontrados em órgãos de assistência técnica, cooperativas, agroindústrias integradas, entre outras. O importante é não cometer erros e sempre buscar apoio", afirma Zanotto.
 
A granulometria do milho ainda é um assunto pouco difundido no País. Para se ter idéia, somente nos últimos quatro anos é que começaram a ser divulgados no Brasil os resultados de pesquisa envolvendo os conceitos mais modernos sobre o assunto. "Dentro desse enfoque, a metodologia de análise de granulometria e sua avaliação por meio do DGM das partículas está bem difundida. As relações entre o DGM das partículas de milho, com seu valor nutricional e com o desempenho dos suínos, já estão estabelecidas. Sendo assim, os produtores que se utilizam de produtos mais tecnificados já utilizam os conceitos mais modernos", conclui Dirceu Zanotto.

FONTE:
Revista Alimentação Animal – Número 14 - Mai/Jun/1999
Sindicato Nacional da Indústria Alimentação Animal – SINDIRAÇÕES
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