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Versatilidade é fundamental nos aviários

Se a temperatura é baixa, sofrem mais as aves jovens. Se é muito alta, sofrem as adultas. Se faltar controle de ambiência nos galpões, sofre até o avicultor. A avicultura é uma atividade que depende muito do conforto, especialmente porque nos últimos anos as aves passaram por avançado melhoramento genético e apresentam elevado potencial produtivo. A otimização também passou pelo setor da nutrição, que mantém a elaboração de rações em constante atualização, intensificando ainda mais a resposta das aves. É preciso estrutura adequada para manter e dar continuidade a essa evolução. Estamos falando de manter as aves protegidas dos efeitos ambientais externos, e nesse ponto a versatilidade é fundamental, pois o aviário deve estar preparado para proporcionar o melhor conforto térmico nos dias quentes e impedir que o calor gerado no interior das instalações seja facilmente dissipado nos dias frios.
 
De acordo com trabalho realizado por Paulo Giovanni de Abreu e Valéria Maria Nascimento de Abreu, pesquisadores da Embrapa Suínos e Aves (Concórdia, SC), não há um modelo padrão de aviário para o Brasil. Por isso é importante, antes de se construir o aviário, fazer um estudo detalhado do clima da região e/ou local escolhido, definindo os limites de temperatura, umidade, direção e intensidade dos ventos. A falta de controle dos aviários pode trazer uma série de complicações à saúde das aves. Como exemplo, baixas temperaturas e acentuadas oscilações térmicas têm uma correlação muito forte com surtos de Síndrome Ascítica e Síndrome de Morte Súbita.

 
As aves são animais homeotérmicos, ou seja, têm habilidade para manter constante a temperatura de seus órgãos internos. Mas nem mesmo o mecanismo termorregulador garante a segurança das aves se não estiverem dentro de certos limites de temperatura. Além disso, este sistema natural não está totalmente pronto antes que os pintainhos completem 21 dias. Essa situação exige aquecimento artificial no aviário. Recomenda-se que os pintos sejam mantidos a uma temperatura ambiente de 32ºC na primeira semana de vida. Existem dois sistemas básicos: o central, que faz o aquecimento homogêneo de toda a instalação, e o local, direcionado ao ponto onde estão os pintainhos, que também precisam ter acesso imediato à água e à ração. Nas épocas mais frias, essas aves reduzem o consumo de água, o que reflete proporcionalmente no consumo de alimento.

 
A iluminação é outro fator de extrema importância no inverno. Programas de luz são utilizados para otimizar o ganho de peso, a eficiência alimentar, as características de carcaça e o estado sanitário do plantel.

 
Após os 21 dias de vida, as aves já têm seu sistema termorregulador definido e, também, criam condições de recuperar a temperatura perdida para o meio, pois há menor movimentação dentro do aviário, aumento do empenamento e de consumo de alimento. É aí que cresce a importância do manejo nutricional. Nessa fase, as aves necessitam de alimentos ricos em energia, que proporcionem maior produção de calor para manter a temperatura corporal e impulsionar o crescimento.

 
Se as condições dentro dos aviários não forem adequadas, a exigência das aves por energia, via ração, aumentará. As novas linhagens de frangos de corte, frutos de melhoramento genético que visa elevado potencial de crescimento e conversão alimentar, necessitam de uma dieta com níveis mais altos de energia e aminoácidos. "A ave necessita de alimento adicional para produção de calor. Além disso, tem de manter a taxa de crescimento e, em alguns casos, otimizá-la. Se a temperatura ambiente está fora dos padrões de conforto das aves, grande parte da energia ingerida na ração é desviada para a manutenção do sistema termorregulador. Assim a ave é considerada uma ‘bomba térmica’ e de baixa eficiência", explica Valéria Nascimento.

UMIDADE E QUALIDADE DO AR
 
Igualmente à temperatura, umidade e qualidade do ar têm de estar em níveis adequados para manter o bem estar das aves no aviário. "Entre 50% e 70%, a umidade relativa do ar é considerada ideal. É importante evitar que seja elevada, especialmente em épocas de precipitação de chuvas, pois pode causar o empastamento das camas, excesso de gases e problemas sanitários", alerta o engenheiro agrônomo Edgar Affonso. A elevada umidade relativa do ar pode, também, provocar a condensação, que é o fenômeno físico no qual o ar quente e úmido em contato com uma superfície fria se resfria e condensa, favorecendo o surgimento de fungos e bactérias que comprometem a saúde das aves. A qualidade do material utilizado na construção do aviário também influencia na manutenção do ambiente ideal.

 
Quanto à qualidade do ar, os problemas podem surgir de forma muito natural. Ao respirar, as aves eliminam gás carbônico e retiram o oxigênio do ar. Com os gases produzidos nas camas, como a amônia, a situação fica mais grave.

 
Um eficiente sistema de ventilação pode eliminar (ou reduzir) a ação dos gases e repor o oxigênio. A definição do melhor sistema a ser instalado na granja depende das características climáticas da região e das dimensões do galpão. Conheça dois modelos à disposição dos avicultores:

  • Ventilação positiva – Os ventiladores movimentam o ar no galpão inteiro evitando "zonas mortas", ou seja, sem ar, prejudiciais às aves. A eficiência do sistema dependerá da definição de quantidade, distribuição e posição dos ventiladores,.

  • Ventilação negativa – Trabalha com sucção de ar por meio de exaustores, formando uma pressão negativa no interior do galpão, obrigando o ar a entrar com velocidade mais uniforme. É fundamental o perfeito isolamento do galpão na cobertura, nas laterais e na posição dos extratores de ar.

A ventilação descontrolada também é prejudicial, pois pode tornar o ambiente seco provocando o excesso de pó.

LIMITE
 
Dentro do aviário deve-se sempre respeitar o limite físico das aves, que é apontado por diversos fatores. Entre eles, a idade de cada ave. Nos primeiros dias, é imprescindível uma boa fonte de calor, que mantenha a temperatura ambiente em torno de 32ºC. Com o passar do tempo, essa necessidade vai diminuindo. "A ave pequena requer mais calor. Na primeira semana de vida, a temperatura de conforto térmico fica entre 32 e 35ºC. À medida que a ave cresce, essa temperatura cai, em média, 3ºC por semana", afirma Paulo de Abreu. Confira na tabela abaixo, a temperatura ideal para cada idade:

     Tabela – Temperatura para o conforto térmico na criação de frangos de corte

Idade (dias) Temperatura (ºC)

01-07 32

08-14 29

15-21 26

22-28 23

29-35 20

Fonte: Sadia S.A (S.d)

VERÃO
 
Durante a época mais quente do ano, altas temperaturas e umidade elevada são os principais problemas, pois causam uma série de complicações, como o estresse calórico, por exemplo. Para minimizar os prejuízos, pode-se tomar algumas medidas preventivas. Confira:

  • Pintar o telhado do aviário de forma que reflita os raios solares;
  • Utilizar sistemas de ventilação, inclusive durante a noite para refrigerar o mais rápido possível proporcionando mais tempo para o ganho compensatório;
  • Utilizar sistemas de refrigeração (nebulizadores, painéis evaporativos). Não permitir o seu uso quando a umidade relativa ultrapassar 80%;
  • Reduzir a temperatura da água;
  • Estimular as aves a se alimentarem no início da noite.
FONTE:
Revista Alimentação Animal 
Sindicato Nacional da Indústria Alimentação Animal – SINDIRAÇÕES
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