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Estudos
recentes promovidos na área de nutrição eqüina apontam que a má nutrição
é um dos maiores responsáveis pela infertilidade da égua e o mais grave
é que sua importância vem sendo notadamente subestimada.
De acordo com as análises feitas pelos especialistas, entre as complicações
mais comuns acarretadas por uma nutrição deficitária se destacam problemas
na ovulação (cio não fértil), nudação (fixação do embrião no útero),
gestação e mesmo na viabilidade do feto. Quando a má nutrição é, ainda,
grave e extensa podem ocasionar problemas de aborto, que predispõem
a complicações infecciosas comprometendo a fertilidade ou, simplesmente,
o nascimento de prematuros ou pontos fracos, pouco resistentes sujeitos
à natimortalidade.
Segundo os técnicos, o ajuste na alimentação da égua em reprodução
pode evitar também o aparecimento de problemas como: redução das chances
de fecundação, retardo do ciclo normal nos anos subsequentes e baixo
número de potros nascidos no decorrer da vida reprodutiva da égua.
Para prevenir esta infertilidade de origem nutricional, a dificuldade
prática está na detecção do erro no arraçoamento, onde devem se adequar
os aportes protéicos, minerais e vitamínicos conforme as necessidades
do animal. “De um modo geral, a égua reprodutora é exposta a uma superalimentação
no final da gestação e uma subalimentação no início da lactação”, afirma
o veterinário, Paulo Borges, que presta atendimento a diversas propriedades
na região de Campinas.
NÍVEL
ALIMENTAR - Segundo os técnicos, se por um lado, a superalimentação
no final de gestação é freqüente (mesmo se o apetite for débil), por
outro, as necessidades energéticas da gestação são moderadas, pois a
égua se beneficia do “anabolismo da gestação”, que caracteriza-se por
uma melhora no rendimento alimentar graças às secreções hormonais, favoráveis
ao anabolismo.
Já a subalimentação no início da lactação surge a partir de um aumento
das necessidades energéticas relacionado à produção leiteira. Ou seja,
ela induz a um emagrecimento mais acentuado quanto mais gorda estiver
a égua no momento do parto e quanto mais ascendente for a produção de
leite. O déficit energético também pode provocar uma hipoglicemia que
origina uma inatividade ovariana.
GESTAÇÃO
- Durante a primeira fase de gestação (1o a 8o
mês), os técnicos recomendam que a égua mantenha seu peso ou engorde
se estiver muito magra. Neste período ocorre um crescimento de cerca
de 1/3 do tamanho do feto e as necessidades da mãe são ligeiramente
superiores às de manutenção. “Um volumoso de ótima qualidade, mineralização
adequada e um mínimo de concentrado de qualidade são suficientes para
suprir suas necessidades”, explica Borges.
Na segunda fase (9o a 11o mês), ao contrário do
que acontece no início da gestação, a alimentação fetal é prioritária
em relação à mãe. Nesta fase o aumento das necessidades nutricionais
da égua é muito grande e o crescimento do tamanho do feto é de 2/3,
quando se define todo o “futuro potencial” do potro, isto é, seu potencial
de crescimento.
Durante este período, a égua também deve adquirir uma reserva corpórea
para que não ocorram uma perda excessiva de peso devido às elevadas
necessidades energéticas desta fase. Esse ganho deve ser de aproximadamente
13% de seu peso durante a gestação (65 kg para uma égua de 500 kg) sendo
10% neste período. Porém, deve-se ter cuidado com uma suplementação
que pode causar problemas graves e importantes (veja o quadro abaixo)
devido ao excesso de gordura da mãe e do feto:
- dificuldades no parto (ruptura de artérias uterinas, bloqueio da saída
do feto devido ao seu tamanho) e diversas complicações associadas (retenção
de placenta, metrite)
- nascimento de um potro frágil que sofreu durante o parto (anóxia)
- limitação do aumento necessário do consumo voluntário de alimento
no início da lactação, que limita a produção leiteira e agrava a queda
do balanço energético.
Para os especialistas, o bom estado corporal da égua no momento do parto
é uma garantia do nascimento de um potro saudável e com ótimo desenvolvimento
pós-natal. Uma complementação concentrada adequada no final da gestação
também pode trazer vantagens como:
- compensar a queda de apetite momentos antes do parto, permitindo a
manutenção do bom estado corporal;
- estimular o desenvolvimento fetal, assegurando o nascimento de um
potro saudável com maturidade;
- ativar a produção de anticorpos para a produção de um colostro de
excelente qualidade, que comprova ótima proteção antiinfecciosa;
- promover alta produção leiteira favorável ao crescimento inicial do
potro.
LACTAÇÃO
- Em primeiro lugar é importante destacar que as necessidades energéticas
no início da lactação (1o ao 3o mês) são muito
superiores às do período de gestação. Elas praticamente dobram em um
ou dois meses, de acordo com os técnicos. Um bom arraçoamento quantitativo,
continuamente bem adaptado ao estado fisiológico e na produção de leite
é apontado como o principal fator que permite manter um peso corporal
próximo do ótimo, beneficiando ao mesmo tempo a secreção láctea da égua
e a sua fertilidade.
Paralelamente às necessidades quantitativas, é fundamental ainda considerar
as necessidades qualitativas em proteínas, minerais e vitaminas, uma
vez que as reservas são muito modestas e as carências mais freqüentes.
Nesta fase são utilizadas as reservas corpóreas do terço final da gestação.
Em geral, da alta produção leiteira vêm as elevadas necessidades energéticas
nesta fase. Diante disso, a suplementação com concentrados é necessário
pois, além de tudo, a égua pode estar prenhe neste período. Em resumo,
a fêmea tem tripla função: Manutenção, Lactação e Nova Gestação.
Já no final da lactação (4o ao 6o mês), as necessidades
da égua caem drasticamente, pouco acima das necessidades de manutenção.
Neste período a produção leiteira reduz-se quase que a metade do início
da lactação e o potro já está se alimentando de capim ou feno que suprem
parte de suas necessidades.
Vale lembrar que o fornecimento de minerais por todo o período de gestação/lactação
é fundamental para o bom crescimento do esqueleto do potro. Tais necessidades,
sempre acompanhadas de um aporte mineral e vitamínico adequado, somente
podem ser satisfeitas com uma complementação de concentrados, pois a
capacidade de ingestão de volumoso que a égua possui não supre de maneira
adequada as necessidades nestas fases de vida reprodutiva.
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