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Pouco
se sabe sobre os peixes carnívoros. Mesmo assim, eles são os mais requisitados
por pescadores e degustadores, profundos conhecedores do assunto.
Os peixes carnívoros, normalmente, tem um tamanho mais avantajado e
que, em seu habitat natural, se alimentam quase que exclusivamente de
pequenos peixes. Entre os mais conhecidos aparecem o tucunaré, surubim,
pintado, dourado, traíra, pirarucu, black bass, truta arco-íris, salmão
atlântico, bagre do canal e o stripped bass.
Esses peixes ainda não são difundidos comercialmente, pois há poucos
viveiros no País. No entanto, quem aposta na criação de peixes carnívoros
consegue bons resultados, principalmente no cultivo intensivo utilizando
rações comerciais.
O ponto principal para se obter sucesso com o cultivo de peixes comerciais
é oferecer rações com alto grau de palatabilidade. "A palatabilidade
da ração é fundamental no cultivo de peixes carnívoros. Algumas espécies
de peixes carnívoros aceitam prontamente alimentos secos inertes, mas
outras necessitam de um período de condicionamento ou treino alimentar
quando ainda são alevinos para aceitarem rações comerciais secas. A
palatabilidade das rações, principalmente quanto ao sabor, determina
a boa aceitação das mesmas e o adequado desempenho dos peixes carnívoros",
explica Fernando Kubitza, especialista em nutrição de peixes.
Entre as rações recomendadas para oferecer aos peixes carnívoros, o
especialista recomenda a farinha de origem animal (peixes, carne, ossos,
vísceras de frango entre outras), pois conferem boa palatabilidade às
rações. "Palatabilizantes naturais e sintéticos podem melhorar
a aceitação de rações preparadas a base de ingredientes de origem vegetal
também", afirma Kubitza.
Para as condições brasileiras (clima tropical e quente) uma boa ração,
que atenda todas as exigências nutricionais dos animais, deve ter um
ótimo balanceamento entre os ingredientes. Proteínas, aminoácidos, energia,
carboidratos, lipídeos, minerais e vitaminas devem compor um bom conjunto
para melhorar o desempenho desses peixes em águas brasileiras.
PRINCIPAIS
INGREDIENTES – No Brasil, os níveis de proteína bruta devem ficar
entre 38% e 42% e entre 8 e 10 kcal ED/g PB. "Esses níveis parecem
os mais adequados para as condições brasileiras, principalmente para
aqueles produtores que trabalham com as fases de recria e engorda",
revela Fernando Kubitza. Porém, o técnico informa que essa "medida"
não chega a ser regra, pois cada variedade de peixe carnívoro pode requerer
mais energia ou proteína que outra.
Em relação aos amidos (carboidratos), nunca devem exceder a 30% na ração
devido à baixa capacidade de produção de amilase. Caso contrário, o
aproveitamento do amido pelos peixes será bem baixo. No entanto, teor
mínimo de 20% pode ser necessário para garantir boa expansão e flutuabilidade
dos peletes. A gordura deve ter um teor mínimo de pelo menos 10%. Kubitza
explica melhor a utilização de gordura na ração dos peixes. "Parte
desta gordura (2% a 3%) é adicionada em cobertura após a extrusão. Gordura
de frango, óleo de soja ou de peixe deve ser utilizado para complementar
os níveis de gordura nas rações. Embora não se reconheça as exigências
específicas em ácidos graxos essenciais para peixes carnívoros tropicais,
acredito que estes sejam menos exigentes em ácidos graxos poliisaturadios
(família ômega 3)", aponta o especialista.
VITAMINAS
E MINERAIS – É uma questão que merece um capítulo à parte na nutrição
de peixes carnívoros. "As recomendações quanto a suplementação
vitamínica e mineral apresentadas nas tabelas da NRC (1993) devem ser
consideradas com bastante cautela", afirma Kubitza.
O técnico enumera cinco itens que considera importante sobre a suplementação
mineral e vitamínica para rações de peixes carnívoros:
·
A maioria dos experimentos que estabeleceram as exigências em minerais
e vitaminas para os peixes foi realizada com dietas purificadas, onde
a interação entre os nutrientes é mínima. Por exemplo: a exigência
de zinco determinada com dietas purificadas é de 30 mg/kg de ração.
No entanto, rações comercias podem conter entre 0,8 a 1,5% de filato
e níveis de cálcio acima de 1,5%. A suplementação com zinco nestas
condições deve exceder a 100 mg/kg.
· As perdas de vitaminas por oxidação geralmente são mínimas em dietas
experimentais purificadas. Em rações comerciais as perdas durante
o processo e armazenamento podem ser consideráveis.
· As exigências vitamínicas e minerais apresentadas pelo NRC foram
estabelecidas com base na máxima resposta em crescimento dos peixes.
Tais exigências são maiores quando considerarmos fatores como: boa
resposta imunológica; tolerância ao estresse de produção, de manejo
e transporte; adequado sucesso reprodutivo etc.
· Rações experimentais geralmente são processadas sob baixa temperatura
e armazenadas em condições ideais.
· As perdas de vitaminas por dissolução na água também devem ser consideradas
na definição do nível de enriquecimento vitamínico das rações extrusadas.
O processadmento adequado, visando reduzir a pososidade dos peletes,
a aplicação de um banho de óleo por cobertura ("spray on")
e um manejo alimentar correto minimizam estas perdas.
CONVERSÃO
ALIMENTAR - O maior mito que cerca os peixes carnívoros no Brasil
diz respeito a conversão alimentar desses animais. "Muitos piscicultores
associam o cultivo de peixes com altos índices de conversão alimentar
pois quando alimentados com peixes forrageiros abatidos é necessário
o consumo de 4 a 6 quilos de peixe para cada quilo de ganho de peso",
explica Kubitza.
Segundo o especialista, muitos produtores e técnicos esquecem de que
um peixe forrageiro etm apenas 25% de matéria seca em sua composição.
"Vale lembrar, que uma ração comercial de boa qualidade tem mais
de 92% de matéria seca e é bem mais aproveitada pelos peixes carnívoros",
conclui Fernando Kubitza.
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