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Muda forçada! quando, como e porque?

 Ao contrário do que ocorre com as aves silvestres adultas, em que a troca de plumagem tem pouca relação com o ciclo de postura, nas aves domésticas selecionadas para alta produção de ovos a muda de penas na fase adulta ocorre, em condições normais, apenas após um longo período de produção e a completa troca de penas demora cerca de quatro meses. Este processo pode ser acelerado com um programa que induz a queda de penas, com posterior crescimento das plumas novas e rápido reinício da produção de ovos, a partir de um mecanismo conhecido como "muda forçada", que deve durar, no máximo, 6 a 8 semanas.
 
Os métodos de muda podem ser reunidos em três grupos: os farmacológicos, os nutricionais e os de manejo. O primeiro deles adiciona à ração determinadas drogas como o 2amino- 5nitrotiazol, a progesterona, um anovulatório (como o acetato de clormadinona) ou outros produtos que induzam as aves a efetuar muda de penas com cessação temporária da produção de ovos. A dificuldade do emprego destes métodos e a possibilidade de que as substâncias utilizadas tenham efeito colateral sobre a saúde humana excluíram seu uso comercial.
 
Modificar a concentração dietética de determinados íons com ação específica sobre a produção de ovos - como o cálcio e o fósforo, o sódio e o potássio, o iodo e o zinco – é a base dos métodos nutricionais. No início, receberam pouca atenção, mas, recentemente, aqueles que utilizam zinco são os mais aplicados na prática, principalmente nos EUA. Neste caso, a redução da produção de ovos e a indução à muda forçada se dá pelo aumento do nível de zinco dietético, que é de 50 mg/kg para a máxima produção de ovos.
 
Diversas pesquisas já demonstraram que a adição de 15 mil a 25 mil mg/kg de zinco à dieta, na forma de óxido de zinco, reduz a postura a zero e induz a muda de penas por promover uma intoxicação e tornar o alimento de péssimo paladar. Isso provoca a diminuição em seu consumo: no primeiro dia a ave absorve 25 a 30 g e nos dias seguintes de 7 a 15 g - um semi- jejum que induz a ave a paralisação da produção e à muda.
 
Na troca das penas pelo manejo, o produtor induz as aves a várias situações de estresse, provocando a rápida parada na produção de ovos. Em geral, ocorre redução do fotoperíodo a partir da retirada da iluminação artificial; ou retirada de ração por um período não superior a 14 dias; e algumas vezes o resultado é obtido com a retirada de água por um período de no máximo três dias. "É o método mais utilizado no Brasil, com grande variação e recomendações diferentes feitas pelos diversos centros de pesquisas", cita Edivaldo Antonio Garcia, professor do Departamento de Produção e Exploração Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia - UNESP (Campus Botucatu).
 
Garcia explica que existem dois modelos práticos utilizados: o método convencional, baseado no jejum alimentar e originário na Universidade da Califórnia; e o de muda rápida, que é semelhante ao convencional, porém elimina o período de alimentação com ração de baixo valor nutricional, ou seja, sem o período de repouso. No método convencional, o processo ocorre em dois períodos – pré-muda e muda.

Período pré-muda - Antes de iniciar a muda forçada, o produtor deve lembrar que a atividade no segundo ciclo é cerca de 7% a 10% menor que a do primeiro ciclo. Além disso, quanto mais jovem for o lote trabalhado, mais cedo as aves reiniciam a postura e atingem melhores níveis de produção. Segundo Garcia, a muda deve ser forçada antes das 70 semanas de idade do lote, respeitando-se os interesses comerciais e o cronograma de produção estabelecido para a entrada e saída de lotes na granja. Ainda no período pré-muda o granjeiro deve pesar e fazer a seleção do lote descartando aves com baixo peso, fora de produção e com estado físico insatisfatório. "Se necessário, deve-se fazer reagrupamento de aves de mesma idade; porém de galpões diferentes a fim de preencher todas as gaiolas dos galpões a sofrerem muda", ensina Garcia.
 
Já no período de muda, a partir do primeiro dia, o produtor deve retirar a iluminação artificial, deixando nos aviários clássicos apenas a iluminação natural e nos aviários de ambiente controlado, o fotoperíodo deve ser reduzido para 6 horas diárias. As aves devem ser mantidas em jejum alimentar por um período de 10 a 14 dias – para ocorrer a perda de peso de 25% a 30% do peso vivo. Garcia explica que nesta fase é possível administrar farinha de cascas de ostras por três a quatro dias no início do período de jejum.
 
Após o jejum, as aves devem retornar à alimentação, com fornecimento de ração de franga, milho ou sorgo moído. A readaptação das aves ao alimento deve ser feito com cuidado: no primeiro dia de retorno, o produtor deve fornecer apenas 30% da quantidade de ração que a ave consumiria "ad libtum", 60% no segundo dia, 90% no terceiro e apenas no quarto dia as aves devem receber ração completa - condição que deverá ser mantida até o vigésimo oitavo dia do processo. A partir dos 29 dias do início da muda, as aves devem receber ração de produção e reiniciar um programa de luz crescente semelhante ao utilizado para frangas em início de produção. "Nesse método não se utiliza jejum hídrico. As aves atingem 50% de postura cerca de 8 semanas após o início da muda", completa Garcia. No processo de muda rápida, que na verdade é uma variante do método convencional de muda, o produtor fixa um rápido período de jejum (reduzido para 4 a 6 dias) e elimina o período de repouso: este manejo leva as aves a alcançar 50% de produção 5 a 6 semanas após o início da muda.

Resultados esperados – No método de muda forçada convencional a taxa de mortalidade máxima fica em 1,25% desde o início do programa até a oitava semana. A partir daí, a mortalidade deve ser idêntica a do primeiro ciclo de produção.
 
Há também uma tendência da produção de ovos repetir o tamanho daqueles produzidos antes da muda. Como durante o primeiro ciclo de produção ocorre aumento do tamanho dos ovos com a idade das aves, no 2 ciclo os ovos são, em média, maiores que os do primeiro ciclo. Garcia explica que, com o jejum ocorrido durante o início do processo de muda, a produção cai rapidamente podendo chegar a zero no 4 ou 6 dia. "À medida que as aves passam a se alimentar com ração de postura e a receber estímulos luminosos, reiniciam rapidamente a produção", confere. O perfil da curva de produção do 2 ciclo é semelhante à do l ciclo; entretanto, com índices de produtividade 5 a 10% menores. Estas curvas declinam também a um grau maior.
 
"Nos EUA, muitos compradores não embalam para consumo ovos provenientes de lotes com mais de 70 semanas de idade, no l ciclo, ou mais de 30 semanas, no 2 ciclo", cita o pesquisador. Esse comportamento é fácil de entender já que a muda forçada feita sem um razoável período de descanso (jejum + repouso) pode remover grande parte das características de qualidade dos ovos. Um trabalho bem feito torna estes ovos equivalentes aos de uma galinha de 12 meses de idade de l ciclo. "A operação permite melhorar a qualidade de casca, a qualidade interna de clara e a classificação geral dos ovos, em relação ao final do primeiro ciclo".
 
A decisão de praticar ou não a muda forçada irá depender de vários fatores e o principal é fazer uma criteriosa análise econômica. Edivaldo Garcia sugere que o produtor leve em consideração o custo das frangas de reposição, o valor das aves velhas destinadas ao descarte, a produção, peso e qualidade dos ovos esperados durante o segundo ciclo de produção, o custo da muda forçada, a taxa de ocupação dos aviários e o cronograma de entrada e saída de lotes na granja. "Só assim ele saberá decidir melhor pela prática da muda forçada".

FONTE:
Revista Alimentação Animal - Número 17 - Jan/Mar/2000
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