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Como
saber qual será a capacidade de produção de um rebanho a partir do ganho
de peso diário de cada animal e de sua conversão alimentar ao longo
do tempo de criação? Nos programas de seleção e avaliação genética,
produtores buscam melhorar as características herdáveis de seus animais
superiores, otimizando os resultados econômicos de sua atividade.
Auxiliares indiscutíveis nessa avaliação, as provas de ganho de peso
(PGPs), apesar de sua importância, ainda são sub-aproveitadas no Brasil.
Para alguns criadores e associações, o problema está no custo. Considerando
o potencial de venda destes touros no mercado, o custo pode não ser
tão alto assim. Nas duas instituições onde são feitas as provas mais
importantes – o Instituto de Zootecnia de Sertãozinho (SP) e a Associação
Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) – as despesas compensam o investimento
do produtor na melhoria de seu plantel.
Na PGP de Sertãozinho o preço varia de R$350 a R$375/animal e o IZ fica
com a responsabilidade de executar o manejo alimentar e sanitário da
tourada. Na prova da ABCZ, o custo final gira a R$340 por animal e é
realizada na propriedade do criador, que fica responsável direto pelo
programa alimentar e controle sanitário. Neste valor estão incluídos
os preços por animal (veja tabela), as diárias do técnico para pesagem
(R$60/cada – mínimo de duas) mais sua hospedagem e o custo da quilometragem
(35% do valor da gasolina/km rodado).
Validade
– Para o superintendente técnico da ABCZ, Luiz Antonio Josahkian,
as provas de ganho de peso não só avaliam o mérito genético de caracteres
herdáveis como ganho de peso, peso final e tipo mas também identificam
nos grupos de animais aqueles de melhor desempenho no peso final padronizado,
fornecendo subsídios para sua seleção com base na informação individual
de melhor ganho em peso diário.
"A PGP serve como instrumento de seleção entre rebanhos, pelo processo
de pré-seleção até o desmame e avaliação posterior da fase pós-desmame.
É um teste que orienta os criadores quanto a utilização dos animais
classificados", explica Josahkian. Para ele, as PGPs auxiliam na
avaliação e teste de progênies de reprodutores, "particularmente
dos animais que não dispõem de informações anteriores em testes de desempenho
individual". Isso possibilita avaliar as mudanças genéticas ocorridas
nestas populações, "nas características selecionadas, mediante
o acúmulo das informações zootécnicas".
Detalhe importante: as provas de ganho de peso não comparam o desempenho
entre raças – elas avaliam as qualidades entre animais contemporâneos
da mesma raça.
Segundo Leopoldo Andrade de Figueiredo, pesquisador do IZ de Sertãozinho,
alguns fatores afetam o ganho de peso do animal. Os resultados podem
ser medidos segundo a variedade nutricional e manejo alimentar, ou seja,
o tipo de volumoso, teores energéticos, relação entre concentrado e
volumoso, palatabilidade, uniformidade, processamento e freqüência de
alimentação. Figueiredo lembra que o tipo de manejo também influencia
a avaliação: se o sistema é a pasto ou em confinamento, se há uniformidade
do lote, uso de anabolizantes, disponibilidade de cocho e controle sanitário.
Fatores climáticos como umidade do ar, temperatura e luminosidade também
alteram os números. "A PGP deve se realizar em um ambiente mais
próximo possível daquele onde que o animal nasceu e foi criado até chegar
ao local da prova", comenta.
Adaptação
- Por essa razão, desde o início das PGPs em Sertãozinho ficou estabelecido
um prazo de adaptação do animal ao ambiente de prova. Hoje, eles são
pesados em jejum alimentar e de água, com pesos nivelados aos 210 dias
(P210) e ficam confinados por 56 dias (período de adaptação) à base
de dieta formada por feno (45%) de Braquiária ou Jaraguá, quirera de
milho (33%) e farelo de algodão ou outra fonte protéica (22%) e sal
mineral.
Tanto as provas de Sertãozinho quanto as da ABCZ determinam um número
mínimo de animais participantes de um mesmo grupo racial ou genético.
O IZ exige 20 animais e participação de dois criatórios. A formação
do grupo é de responsabilidade da associação de criadores, todos pré-selecionados
ao desmame. A ABCZ exige pelo menos 8 animais da mesma raça para as
provas de confinamento e dupla aptidão e 20 para as provas de pasto.
A alimentação dos animais que participarem das provas em confinamento
e de dupla aptidão, na ABCZ, deve conter dieta total calculada para
ganho de peso em tomo de 1 kg/dia. Para a prova a pasto - base alimentar
do teste - é permitida a suplementação dos animais, se necessário.
A duração de prova de Sertãozinho é de 168 dias, com 56 dias de adaptação
e ll2 dias de prova, com uma pesagem intermediária aos 56 dias. O peso
final padronizado acontece aos 378 dias. Os animais são classificados
pelo IPGP (Índice de Desempenho na Prova de Ganho de Peso) em seis categorias:
Elite, Superior, Superior Mediano, Regular, Comum e Inferior. Os animais
da categoria Elite ainda recebem uma subclassificação (Ouro, Prata e
Bronze).
Segundo Josahkian, as provas da ABCZ são divididas em três modalidades,
a fim de atender todos os criadores interessados em testar seus animais.
A primeira delas é a PGP a pasto com duração de 294 dias, sendo 70 para
adaptação e 224 de prova efetiva. A idade estabelecida para os animais
participantes é de 213 a 303 dias na entrada, com peso final calculado
aos 550 dias.
As provas em confinamento e de dupla aptidão tem duração menor (168
dias – como em Sertãozinho), com 56 dias de adaptação e ll2 dias de
prova efetiva, variando a idade na entrada da prova (em confinamento,
213 a 303 dias; e dupla aptidão, 305 a 395 dias) e no peso final calculado:
aos 426 dias, para confinados, e 517 dias, para dupla aptidão. Neste
tipo de prova, a mãe do produto deve estar participando ou ter participado
do controle leiteiro oficial.
Resultados
- Embora a PGP tenha como referência a avaliação das características
do animal, a dieta fornecida tem "peso" importante nos resultados.
Os animais são submetidos ao tratamento escolhido pelo pesquisador que
se pode definir por uma mistura de feno de capim mais concentrado (com
uréia ou farinha de carne, por exemplo) ou na dosagem oferecida ao animal.
Exemplo: um grupo no pasto mais 1 kg de concentrado; outro grupo no
pasto mais 2 kg de concentrado.
Vários resultados de PGPs demonstraram que o ganho de peso dos animais
suplementados foi maior, mesmo que algumas características não tenham
alteração significativa com a suplementação.
Tanto Figueiredo como Josahkian concordam que a prioridade da PGP é
selecionar características produtivas zelando para que o produtor possa
tirar proveito econômico dos resultados, com base nas informações obtidas
(peso a desmama, conformação, ganho médio diário, carcaça e conversão
alimentar), facilitando a seleção dos animais seja para crescimento
"dentro do rebanho para pesos nas várias idades", segundo
Figueiredo, "como para pesos finais depois do desmame e até a idade
adulta", de acordo com Josahkian.
| TABELA
DE PREÇOS PARA PGP DA ABCZ |
%
de animais inscritos
em relação aos aptos |
Valor
por animal/Prova
(R$) |
<
60%
de 61 a 70%
de 71 a 80%
de 81 a 90%
de 91 a 100%
Oficialização
Atestado por animal |
4,32
2,88
1,92
1,44
1,20
24,00
1,20 |
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