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Suplementação nutricional para eqüinos

Se o leitor observar o eqüino como um "atleta", verá que a suplementação nutricional é de ferramenta de extrema importância: estes animais serão exigidos por longos períodos de treinamento e de intensidade variada (treinamentos de pequeno e de grande esforço físico), com pequenos intervalos de descanso sem contar com as provas onde estes cavalos serão exigidos ao máximo para se obter os melhores resultados possíveis.
 
Olegário Felix de Souza, médico veterinário e diretor da BH Clínica de Eqüinos – Belo Horizonte (MG), explica que existem várias formas de suplementação, tais como a energética (gordura animal ou vegetal), a vitamínica, a probiótica, e a eletrolítica. Algumas destas formas de suplementação não devem ser de uso constante na dieta do cavalo, mas sim usadas nos períodos necessários, dependendo da fase de treinamento e das provas a que este animal está ou vai ser submetido; outras se bem aplicadas (dosagens corretas com alguns períodos de diminuição da suplementação e outros de não suplementação ) podem ter uso por períodos prolongados.
 
"Toda suplementação bem feita leva o animal a uma melhora na sua performance. Particularmente tenho usado com bons resultados várias formas de suplementação. A maior preocupação é que ela não deve, e em alguns casos não pode, ser excessiva, pois isso pode acarretar problemas como cólicas, inapetência, baixa de performance, baixa imunidade, problemas metabólicos, cálculos renais e etc", adverte Olegário.
 
Uma das formas de suplementação mais difundida no mercado é a preventiva. Nela podemos incluir a suplementação vitamínica (uma delas é a vitamina C) que, além de ser antioxidante, estimula o sistema imune ajudando a otimizar a saúde do animal durante todo o período de treinamento e de provas. Este tipo de suplemento tem atuação estimulante sobre o metabolismo muscular, o que em cavalos de grande esforço é muito importante.
 
A suplementação com vitamina E além de sua ação antioxidante, é responsável pela integridade de eritrócitos e das células musculares, assim como estimula o sistema imune; já aquelas do complexo B são fundamentais ao trabalho muscular, metabolização do ácido lático e ganho de peso.

Reidratação e mais energia - Olegário explica que os eletrólitos devem ser utilizados regularmente após os treinos, onde o animal apresenta um grau de desidratação acentuado. "Nas provas, dependendo da modalidade, há um esquema apropriado para esta suplementação de eletrólitos; a desidratação provoca fadiga muscular, inapetência, e pode ser a causadora de cólicas", além disso, outros minerais que já constam no sal mineral, mas que não oferece dosagens satisfatorias para um animal submetido a estresse (treinos e provas), "devem ser suplementados de acordo com suas necessidades (exemplo: ferro, cobre, cobalto, zinco, selênio, magnésio)", reforça o veterinário.
 
Para o profissional, o animal submetido a treinamentos intensos que precisa de mais energia, pode incluir gorduras em sua dieta, tanto de origem animal quanto vegetal. "Estas também agem na queda de incidência de miopatias de esforço, na diminuição da produção de calor pelo trabalho metabólico, e facilita a absorção de vitaminas lipossolúveis bem como a absorção de cálcio".

Novidades no setor - Um dos avanços tecnológicos para obtenção da melhora de performance dos animais são os probióticos. "Com eles conseguimos otimizar a absorção dos nutrientes ingeridos pelos cavalos, podendo assim alimentá-los bem, com um menor volume de concentrado, conseguindo mantê-los bem nutridos com peso ótimo para um cavalo-atleta", avalia Olegário. Outro fator importante, segundo o diretor da BH Clínica, é a manutenção do funcionamento do trato digestivo em provas longas com adição de probióticos a pequenas porções de alimentos.
 
O mercado oferece também a suplementação feita com precursores de outras substâncias dentre as quais estão os glicosaminoglicanos polessulfatados - utilizados em quase todo o mundo para manutenção de articulações, ligamentos e tendões. Outra novidade para eqüinos é o uso de produtos para casco com base na Biotina, Lisina e Metionina.
 
"O mais importante na suplementação nutricional é saber o que o cavalo precisa e quando ele precisa, sempre lembrando que o excesso em muitos casos podem trazer graves conseqüências e que a dieta de um animal não deve sofrer alterações bruscas a toda hora", recomenda Olegário Félix de Souza.

Nutricionista no criatório é essencial

     O médico veterinário José de Souza Meirelles, há 23 respondendo pelo Setor de Assistência Veterinária do Jockey Club de Campinas, é cauteloso quando o assunto é suplementação nutricional e manda o seu recado: "a primeira coisa que os criadores pensam são nos suplementos que são amplamente divulgados na mídia, e geralmente o de melhor marketing vai ser o mais vendido. Na realidade o criador costuma esquecer de consultar um profissional realmente familiarizado com nutrição animal".
     Meirelles explica que é comum este profissional informar que a suplementação alimentar só será necessária caso o alimento fornecido não corresponda às necessidades diárias determinadas pelas várias entidades de pesquisa, como o NRC (National Research Council) ou Kentucky RC. Este mesmo profissional também poderá determinar se há necessidade de suplementar uma ração "que provavelmente já vem balanceada de uma fabrica idônea". Existem diferenciais na alimentação, ou seja, se o animal é recem nascido, ou de ano e sobreano em crescimento ou adulto em treinamento ou fêmea em reprodução ou lactação. "Não se pode esquecer que a análise do terreno e foliácea são informações básicas em uma fazenda de criação. Para cada fase da vida do animal tem-se necessidades específicas e uma alimentação realmente balanceada é aquela que respeita estas necessidades", alerta Meirelles.
     "Uma vez tendo ração realmente balanceada com mais volumoso completando-a, não será necessária nenhuma suplementação", esclarece Meirelles. Caso contrário, a primeira atitute do nutricionista será a determinação de qual ou quais nutrientes estão faltando e suplementar-se apenas com o essencial, equilibrando o alimento fornecido. "No mercado encontra-se várias marcas e formulações. Pode-se se recorrer a elas uma vez constatada a sua confiabilidade. Mas o que geralmente acontece é que muitos dos nutrientes presentes nestas formulações são desnecessários. Aconselho, como mais racional, solicitar um profissional para formular a suplementação especifica para cada caso e mandar manipular. Assim você vai estar utilizando somente o que seu animal necessita e, acredito eu, por um preço mais acessível", recomenda Meirelles.

 

FONTE:
Revista Alimentação Animal – Número 18 - Abr/Jun/2000
Sindicato Nacional da Indústria Alimentação Animal – SINDIRAÇÕES
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