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Quando
se pensa em alimentar um filhote de cão ou gato ou um animal em período
reprodutivo, a primeira preocupação quase sempre é com o cálcio (Ca)
e a vitamina D. A suplementação destes nutrientes talvez seja uma das
práticas terapêuticas mais utilizadas por médicos veterinários para
animais que estejam nestas fases.
Esta suplementação, contudo, vem sendo feita sem considerar o enorme
volume de informações científicas produzidas sobre o metabolismo e as
implicações destes nutrientes à saúde de cães e gatos.
Muitos proprietários de cães, principalmente aqueles de filhotes de
raças grandes e gigantes, desejam suplementar a dieta de seus animais
com cálcio e vitamina D - lembra João Guilherme Padilha Filho, professor
de Clínica Cirúrgica de Pequenos Animais, da Unesp, campus de Jaboticabal
(SP). Isto não só é desnecessário, mas potencialmente perigoso, se a
ração já contém níveis adequados desses elementos. "O máximo cuidado
deve ser tomado para evitar a supersuplementação, uma vez que
problemas esqueléticos gravíssimos, até irreversíveis, já foram relatados
em cães que receberam apenas três vezes as necessidades mínimas, ou
seja, a partir de 3% de Ca na dieta", ressalta.
Primeiro,
o Cálcio - Aulus Cavalieri Carciofi, professor do Departamento de
Clínica e Cirurgia Veterinária da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias
de Jaboticabal - UNESP (SP) ensina que o cálcio apresenta duas funções
importantes no organismo: estrutura óssea e como íon mensageiro ou de
regulação. "Assim, além de conferir rigidez aos ossos ele é necessário
para a contração dos músculos, coagulação do sangue, excitação nervosa,
e outros. O organismo controla rigidamente sua concentração do sangue,
por meio de dois hormônios", orienta.
Quando falta cálcio, numa dieta pobre no nutriente, atua o paratormônio,
que vai promover a retirada de cálcio dos ossos para o sangue. Quando
a dieta é rica em cálcio, para evitar que seu nível sanguíneo se eleve,
entra em ação a calcitonina, bloqueando a retirada de cálcio dos ossos.
"A necessidade nutricional de cálcio, tanto para cães como para
gatos, foi estabelecida como sendo 1,0% da ração para crescimento e
reprodução e 0,6% da ração para a manutenção de adultos", esclarece
o pesquisador. "Considerando-se as necessidades em relação ao peso
vivo do animal, cães necessitam de 320 mg de cálcio por kg de peso por
dia para crescer e 119 mg por kg por dia quando adultos (conforme
dados do NRC)".
A
vez da vitamina D - No caso da vitamina D, suas funções são aumentar
os níveis de cálcio e fósforo no sangue e permitir a mineralização adequada
dos ossos. No organismo ela aumenta a eficiência de absorção de cálcio
pelo intestino e participa da formação do tecido ósseo. "A necessidade
nutricional de vitamina D para gatos é de 750 U.I. por kg de ração para
crescimento e reprodução e 500 U.I. por kg de ração para a manutenção
de adultos. Para cães, a necessidade, tanto para crescimento como reprodução,
é de 500 U.I. por kg de ração". Segundo Aulus, considerando as
necessidades em relação ao peso vivo do animal, cães necessitam de 22
U.I. de vitamina D por kg de peso por dia para crescer e 8 U.I. por
kg de peso por dia quando adultos. Desta forma, a absorção de cálcio
pelo intestino depende da quantidade de cálcio ingerido e da presença
de vitamina D. Já a entrada de cálcio nos ossos depende da presença
de vitamina D e do sangue possuir uma concentração adequada tanto de
cálcio como fósforo. E, por fim, a saída de cálcio dos ossos para o
sangue depende da presença de vitamina D, sendo controlada pelo paratormônio
e pela calcitonina. "Note que não existe nenhum hormônio, ou nutriente,
que promova o depósito de cálcio nos ossos, tornando o esqueleto maior
ou mais forte. Este é um mecanismo controlado pelo próprio osso e determinado
geneticamente", completa Aulus.
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Algumas
situações dietéticas práticas:
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1-
Cálcio baixo - o organismo ativa a vitamina D para aumentar
a absorção intestinal de cálcio. Há liberação de paratormônio
que retira cálcio dos ossos para manter seu nível no sangue,
pois se o cálcio sangüíneo abaixar o animal terá problemas na
contração muscular e excitação nervosa. Isto leva ao enfraquecimento
dos ossos, com entortamento das pernas e fraturas, em uma doença
chamada hiperparatireoidismo secundário nutricional.
Quando isto ocorre? Quando os filhotes são alimentados
com comida caseira pois os grãos e as carnes contêm muito pouco
cálcio. Note, observando seus rótulos, que as rações industrializadas
apresentam quantidade de cálcio bem acima da mínima exigida.
2- Cálcio elevado - ocorre uma grande absorção passiva
de cálcio, de modo que o controle sobre a entrada via intestinal
ser· quebrado. Com isto existir uma tendência a elevação
do cálcio sangüíneo. O organismo tenta contornar a situação
liberando calcitonina, diminuindo a saída de cálcio dos ossos.
Com o tempo isto causa aumento da densidade óssea, interferindo
nos processos de crescimento e modelamento normal da forma dos
ossos, em um quadro que se chama osteopetrose. Nesta situação
estão sob risco grave as raças grandes e gigantes, que apresentam
predisposição genética à problemas ósseos, como labrador, rotweiller,
pastor-alemão, weimaraner, dog-alemão, e outros. O excesso de
Ca, principalmente quando aliado a obesidade, pode provocar
grande variedade de patologias. As mais conhecidas são o retardo
no crescimento e alterações do desenvolvimento esquelético,
alterações articulares como a osteocondrose, além da osteodistrofia
hipertrófica, Síndrome de Wobbler, Síndrome do Rádio Curvo,
etc.
Quando isto ocorre? Quando uma ração balanceada
é suplementada com mais cálcio, desbalanceando a dieta do cão,
ou quando as rações apresentam nível exagerado de cálcio em
sua composição. Mas e a suplementação durante a gestação e lactação?
Cálcio deve ser suplementado apenas se a fêmea é alimentada
com comida caseira, mas não se alimentada com ração industrializada.
Observando as necessidades de cálcio para reprodução - 1% da
ração - veremos que todas as rações já apresentam cálcio suficiente.
Ao contrário do que se pensa, a suplementação é ainda contra-indicada
durante a gestação, não devendo ser praticada. O excesso de
cálcio na gestação torna os mecanismos hormonais da fêmea "preguiçosos".
Assim, quando ela inicia a produção de leite seu organismo não
consegue se equilibrar e o cálcio sangüíneo abaixa, desencadeando
problemas de contração dos músculos e excitação nervosa, doença
denominada eclâmpsia.
3. Vitamina D baixa - a deficiência de vitamina D
interfere com a absorção de cálcio pelo intestino, levando a
uma absorção insuficiente, e com a deposição de cálcio nos ossos,
diminuindo a mineralização óssea. Isto irá provocar um aumento
de volume das articulações, dor e enfraquecimento com entortamento
dos ossos, em uma doença denominada raquitismo.
Quando isto ocorre? Quando os filhotes são
alimentados com comida caseira a base de cereais. Checando o
rótulo das rações industrializadas, vê-se que elas apresentam
níveis de vitamina D acima do mínimo exigido, não sendo necessária
a suplementação.
4. Vitamina D elevada - o organismo perde o controle
sobre a absorção de cálcio no intestino, ocorrendo uma absorção
excessiva. Para evitar que o cálcio sangüíneo se eleve o organismo
libera a calcitonina, que diminui a retirada de cálcio dos
ossos. Isto acarreta aos animais os mesmos problemas encontrados
em dietas com cálcio elevado, predispondo-os a vários problemas
ósseos. A associação de excesso de cálcio e vitamina D sangüíneos
faz com que o cálcio se deposite em locais inadequados, como
rins, coração, artérias, músculos e nas articulações, em um
processo doloroso, irreversível e que pode levar a sérias
complicações à saúde do animal, como insuficiência renal e
morte.
Quando isto ocorre? Quando uma ração
industrializada é suplementada com grandes quantidades de
vitamina D (acima de 10 vezes a necessidade do animal).
5. Hipervitaminose D - È de ocorrência freqüente
em nosso meio, principalmente em raças grandes e gigantes.
Ocorre em geral induzida por desconhecimento do assunto por
parte de criadores, que no afã de produzir filhotes fortes,
vigorosos e campeões, indicam aos proprietários, notadamente
àqueles que adquirem um filhote pela primeira vez, variados
suplementos, muitos deles altamente concentrados em vitamina
D. Essa vitamina, por ser lipossolúvel, é armazenada no organismo
animal, ao contrário das hidrossolúveis (como as vitaminas
B e C) que são eliminadas pela urina quando em excesso.
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Verdades
e Mentiras
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| Cães
de raças grandes necessitam de mais cálcio do que cães de raças
pequenas |
mentira
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Cães
de raças grandes toleram menos o excesso de cálcio que cães
de raças pequenas. O cálcio de suas dietas deve estar entre
1 e 1,4% da ração. |
| Cães
de raças grandes devem crescer magros, sem excesso de peso ou
gordura |
verdade
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Uma
taxa muito acelerada de crescimento e o excesso de gordura e
peso corporal predispõe estes animais a problemas de desenvolvimento
ósseo. |
| Durante
a gestação as necessidades de cálcio e vitamina D são maiores
|
mentira
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No
final da gestação as fêmeas apresentam um aumento do apetite.
Este maior consumo de ração já garante uma maior ingestão destes
nutrientes. |
| Cães
sintetizam toda a vitamina D que necessitam se tomarem sol
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mentira
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Em
um trabalho publicado em 1994 se comprovou que estes animais,
mesmo tomando sol, necessitam de vitamina D em suas dietas
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| Uma
supernutrição pode fazer com que meu animal consiga uma maior
estatura quando adulto |
mentira
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A
estatura final do animal é determinada geneticamente. Se recebe
alimentação insuficiente ele acabará menor pois não conseguirá
crescer, mas o inverso não ocorre. Se superalimentado durante
o crescimento ele estará mais predisposto a ter vários problemas
de saúde |
| Durante
a lactação as necessidades de cálcio da fêmea são maiores
|
verdade
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O
leite é rico em cálcio, de modo que a fêmea deve receber durante
a lactação uma ração com pelo menos 1,4% de cálcio |
| Frente
a uma alimentação caseira, posso suplementar o cálcio necessário
com medicamentos injetáveis ou produtos líquidos via oral
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mentira
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Suplementos
de cálcio e vitamina D líquidos (injetáveis ou via oral) são
boas fontes de vitamina D mas não de cálcio. O cálcio é necessário
em grandes quantidades ao organismo e a única maneira de fornecê-lo
é com suplementos em pó, que são misturados ao alimento
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| Suplementar
as rações com cálcio e vitamina D garante melhor nutrição aos
animais |
mentira
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Boas
rações apresentam estes nutrientes já com ampla margem de segurança
para o animal. Além disso, eles são baratos, não pesando no
custo final do produto. Os desafios da qualidade das rações
estão nos ingredientes, nível energético e protéico e em sua
digestibilidade. Se desconfia do produto, ao invés de suplementá-lo
com isto ou aquilo, é melhor mudar para uma marca de confiança.
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