Site de Busca - Cadastro GRATUITO

Como escolher a genética de seu plantel?

O poder exercido pelo consumidor sobre a cadeia produtiva, qualquer que seja ela, inclusive sobre a produção de carnes de aves, obriga as companhias de genética avícola estarem atentas às demandas, oferecendo pacotes genéticos cada vez mais especializados. Por isso, pelo menos uma vez por ano observa-se alguma mudança nas características produtivas das linhagens comerciais de frangos de corte.
 
A pergunta é: a cada reverberação do mercado, o produtor deve manter ou trocar a linhagem do plantel? "Não se pode mudar de uma hora para outra o plantel avícola de uma empresa. Toda a estrutura de produção se amolda às condições que a linhagem trabalhada exige, desde instalações, equipamentos, manejo, densidade de criação, nutrição, programa de biossegurança até as condições de abate e de processamento da carne", assegura a médica veterinária Elisabeth Gonzales, pesquisadora do Departamento de Ornitopatologia da Unesp/Botucatu (SP). A tomada de decisão de manter ou mudar a linhagem do plantel avícola da empresa é muito complexa e deve envolver mudanças de estratégias de produção.
 
Se por um lado o sistema de produção exige muita cautela nas mudanças, as oportunidades de comercialização dos produtos de prateleira podem impulsionar as empresas a mudarem rapidamente, num mercado altamente segmentado, seja por região, por tipo de produto (processado ou não), se voltado para exportação ou para venda de carcaças inteiras (pequenas ou grandes).

Como escolher - As empresas de genética avícola oferecem pacotes genéticos diferenciados. Não só para atender a exigência de produtos finais específicos, mas também para a obtenção de um frango mais produtivo, porque a sua constituição genética permite uma adaptação mais adequada às condições do meio ambiente em que será criado. "Ao lado dos objetivos comerciais da empresa deve-se considerar a produtividade da ave, reprodutora ou frango de corte, de tal modo que a rentabilidade seja a maior possível", explica Elisabeth.
 
A decisão sobre qual linhagem o produtor irá criar deve basear-se no pacote genético que resulte em melhor rentabilidade, mostrando um equilíbrio entre os diferentes setores da cadeia produtiva. O efeito da seleção de uma determinada linhagem comercial deve ser sentido sobre o conjunto matriz-frango, os segmentos finais da cadeia de produção de carne. O balanceamento entre boa produtividade da matriz e do produto comercial - frango vivo ou os produtos obtidos no abatedouro - È muito importante. "Não é econômico dispor de uma matriz de última produtividade e um produto comercial ruim ou vice-versa", revela a veterinária.

O que avaliar?

     Elisabeth Gonzales explica que a ênfase de seleção das linhas paternas para a produção de frangos de corte recai sobre as características de ganho de peso, conversão alimentar, conformação e rendimento de carcaça, viabilidade, empenamento precoce, capacidade de acasalamento, fertilidade, produção e eclodibilidade de ovos, vigor e adaptação ao manejo. Na linha materna, procura-se boa produção de ovos, fertilidade e eclodibilidade dos ovos, tamanho e qualidade do ovos, viabilidade, taxa de ganho de peso, conversão alimentar, conformação e rendimento de carcaça e rusticidade. Esses são, pois, os aspectos produtivos que devem ser analisados pelo produtor.
     Análise criteriosa - Cada linhagem possui determinado potencial genético, cujo grau de manifestação depende da herdabilidade de cada característica quantitativa e do ambiente fornecido aos indivíduos. Por isso, ensina Elisabeth, lotes de mesma origem, mesma idade e sadios podem apresentar resultados de desempenho diferentes, dependendo de fatores ambientais diferentes: instalações, equipamentos, manejo, alimentação, desafios sanitários, variações de temperatura e as interações destes fatores.
     Segundo a veterinária, para que a avaliação seja criteriosa, os resultados produtivos têm que ser obtidos em condições de campo e não somente nas granjas experimentais das empresas de genéticas. Além disso, têm que ser constantes e repetitíveis, manifestando-se similarmente nas diversas situações de meio ambiente.  "É importante que vários resultados, obtidos sob condições diferentes, sejam analisados. Não se descarta, ainda, a análise do estado sanitário dos lotes reprodutores e o sistema de biossegurança do fornecedor de pintainhos, matriz ou comercial", sintetiza Elisabeth.

 

ExigÍncia do mercado

     Para uma empresa pequena, com o objetivo de vender frango inteiro, a linhagem de sua escolha será distinta daquela usada na grande empresa, cujo produto final é, prioritariamente, a carne processada do frango. Mas, se o mercado exigir uma carcaça inteira e pesada ou suas partes, o melhor é trabalhar com uma linhagem que produz frango para ser abatido com mais de 45 dias, sem aumento exagerado de mortalidade, principalmente dos machos. Nesse caso, as linhagens mais tardias são preferíveis às mais precoces. Se é para atender ao mercado de carcaça pequenas, o ideal é a linhagem cuja curva de crescimento demonstra um ganho de peso muito rápido nas primeiras semanas pós-eclosão.


Matrizeiro próximo -
Ter um matrizeiro na mesma região das unidades produtoras tem as suas vantagens. A mais importante, com certeza refere-se ao aspecto sanitário. Os desafios de doença são similares e, portanto, os programas vacinais da granja reprodutora são mais apropriados para a região. Outro fator importante é o tempo de entrega do pintainho.
 
"O frango de corte moderno foi selecionado geneticamente para ter uma taxa de crescimento elevada, em grande parte decorrente da avidez por alimento que a ave tem desde o seu nascimento", avalia a veterinária. Quanto maior for a distância do incubatório à granja de criação do frango de corte, maior será o tempo que o avicultor leva para receber o pintainho e, por conseqüência, maior será o tempo que o neonato permanecerá sem receber alimento.
 
Em pesquisa recente feita na Unesp, a veterinária Elisabeth Gonzales verificou que há uma relação inversamente proporcional do tempo de jejum do neonato com o peso do frango de corte aos 42 dias de idade, indicando que quanto maior for o tempo que o pintainho permanece sem alimento após o nascimento menor será o seu peso à idade de abate.
 
"O período máximo que o pinto de corte pode ficar sem alimento, sem causar prejuízo significativo sobre o peso e ganho de peso ao final do período de criação do frango, foi de 24 horas após a sua retirada do nascedouro", concluiu. Isto significa que a proximidade da granja de criação do incubatório permite ao produtor diminuir o intervalo de tempo que ocorre entre o nascimento e a alimentação dos pintos de corte de linhagens altamente produtivas.

FONTE:
Revista Alimentação Animal - Número 18 - Abr/Jun/2000
Sindicato Nacional da Indústria Alimentação Animal – SINDIRAÇÕES
R Claudio Soares, 160 – CEP 05422-030 – São Paulo-SP
Tel: (11) 3031-3933 / Fax: 3032-9216
E-mail: sindiracoes@uol.com.br

Subir