Site de Busca - Cadastro GRATUITO

Fatores nutricionais que afetam a viscosidade intestinal

Apesar de poucas informações de pesquisa sobre a viscosidade intestinal em leitões, sabe-se que fatores nutricionais afetam seu rendimento, assim como outros problemas digestivos, que são também complexos. A ingestão de certos alimentos (ingredientes – nutrientes) modificam consideravelmente a capacidade de solubilidade e digestibilidade do organismo animal. Verifica-se, por exemplo, a dificuldade de “quebrar” os carboidratos de origem não amilácea, além do que existem diferenças na composição de carboidratos dos principais grãos usados na alimentação de leitões que afetam o desempenho do animal, aumentando a viscosidade.

O amido dos cereais está normalmente localizado dentro do endosperma e das células que o compõe. As paredes dessas células é composta de uma complexa formação de carboidratos solúveis e insolúveis. A maior parte desses carboidratos são representados por fração de hemi-celulose, integrada basicamente de pentosanas solúveis e também de uma parcela de b-glucanos. O teor de pentosanas e b-glucanos dos grãos cereais é muito variável. Na cevada por exemplo, existe o predomínio dos b-glucanos, enquanto que no trigo, arroz e triticale, os arabinoxilanos são predominantes (Tabela 1).

Segundo o professor Antônio Gilberto Bertechini, da Universidade Federal de Lavras (MG), o amido é o principal carboidrato solúvel altamente digestível no trato digestivo dos suínos. “A principal enzima que desdobra o amido é a a-amilase pancreática. Esta enzima tem especificidade de ação sobre as ligações glicosídicas do tipo a 1,4.  Os carboidratos não amiláceos possuem ligações do tipo b 1,3 e 1,4, não sendo digeridos pela enzima endógena desses animais”, explica.

“As pentosanas e os b-glucanos a nível intestinal, aumentam a viscosidade da digesta, afetando o valor nutricional dos cereais, seja por falta de enzimas endógenas para sua digestão ou mesmo, criando barreiras de ação das enzimas digestivas”.

O verdadeiro efeito do aumento da viscosidade sobre a digestão dos nutrientes ainda não está bem estabelecido, mas parece que o caso das barreiras de ação das enzimas endógenas impedindo uma melhor difusão das mesmas, seja a teoria mais aceita atualmente.

Tabela 1 - Composição de polissacarídeos não amiláceos (PNA) em alguns ingredientes de rações
Ingredientes Tipo de PNA % Autor

Milho

PNA totais

Arabinoxilanos

B-glucanos

8,0

4,2

0,1

Schutte (1991)

Annison (1991)

Anisson (1991)

Sorgo

Arabinoxilanos

B-glucanos

2,8

0,1

Annison (1991)

Annison (1991)

Trigo

PNA totais

Arabinoxilanos

B-glucanos

8,0

6,05

0,5

Schutte (1991)

Annison (1991)

Annison (1991)

Cevada

B-glucanos

Arabinoxilanos

7,6

3,3

Annison (1991)

Annison (1991)

Triticale

Arabinoxilanos

B-glucanos

7,0

0,7

Annison (1991)

Annison (1991)

Arroz

Arabinoxilanos

B-glucanos

8,9

1,2

Annison (1991)

Annison (1991)

Farelo de Soja

PNA totais

Polímeros complexos

27,0

13,9

Schutte (1991)

Carré (1992)

Glúten de milho

PNA totais

42,0

Carré (1992)

Farelo de trigo

PNA

44,0

Schutte (1991)

 

Reduzir a viscosidade

Os suínos não possuem enzimas que desdobram as pentosanas e os b- glucanos. A utilização de enzimas exógenas, parece ser a saída para redução da viscosidade intestinal provocada pela ação desses carboidratos solúveis não amídicos. Bertechini explica: “Apesar desses polissacarídeos não amiláceos  constituírem pequena fração dos carboidratos totais, eles possuem  efeito bastante significativo na viscosidade da digesta”.

Assim, conforme o pesquisador, a utilização de enzimas exógenas teria duas finalidades básicas. A primeira, reduzindo as barreiras de ação enzimática sobre a digesta e a segunda, aumentando a produção de glicose intestinal, que em última análise, resultaria em aumento do aproveitamento energético da dieta. “Resultados de pesquisas realizadas com frangos de corte, por exemplo, tem evidenciado melhorias da ordem média de 10% sobre a digestibilidade de aminoácidos”, assegura.

A utilização dessas carboidrases  exógenas  tem  papel importante na hidrólise de fatores antinutricionais e polissacarídeos não amiláceos dos alimentos. Existem relatos de que estas enzimas reduzem a viscosidade da digesta no intestino delgado distal, causada pela fibra solúvel (xilanas) e pelas ligações b- glucosídicas, tendo ação na parede celular, na qual encontra-se contidos os nutrientes protegidos contra o processo de digestão.

“Estudos realizados com frangos de corte evidenciam grande efeito inibidor da ação da lipase pancreática, devido ao aumento de viscosidade provocada pela ação dos PNA”, completa.

FONTE:
Revista Alimentação Animal – Número 19 - Jul/Set/2000
Sindicato Nacional da Indústria Alimentação Animal – SINDIRAÇÕES
R Cláudio Soares, 160 – CEP 05422-030 – São Paulo-SP
Tel: (11) 3031-3933 / Fax: 3032-9216
E-mail: sindiracoes@uol.com.br

Subir