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Em
humanos, a idade cronológica não é para todos, um indicador do processo
de envelhecimento. Para a American Quarter Horse Assocation, um cavalo
com mais de 16 anos é considerado “maduro”’. Nos estudos realizados
pela Dra. Sarah Ralston (1988-1989), mais de 70% dos cavalos acima de
20 anos de idade mantém boas condições mas, requerem tratamento especial
porque foram desgastados de várias formas. Muitos destes cavalos foram
extenuados no esporte ou, no caso de éguas e garanhões, muito usados
na criação.
Estes
animais, então, necessitam de tratamento especial? “A idade, sozinha,
não pode ser usada como critério para aposentadoria ou tratamento especial”,
explica o professor Alexandre Augusto de Oliveira Gobesso, do Departamento
de Nutrição e Produção Animal, da Faculdade de Medicina Veterinária
e Zootecnia – USP (Pirassununga/SP). “O cavalo não deve ser tratado
de maneira diferente somente porque atingiu uma certa idade. Entretanto,
vários problemas relacionados com o envelhecimento (vide tabela 1) podem
estar presentes e trocas no manejo, alimentação e alguns medicamentos,
podem ser necessários para manter os equinos mais velhos de maneira
confortável”, avalia o técnico.
Alexandre
Gobesso relaciona alguns manejos para as mudanças e problemas associados
com envelhecimento em cavalos.
Artrites:
Como
em atletas humanos, anos de stress, lesões, e desgaste e rupturas podem
terminar em lesões do aparelho locomotor. Artrite é a combinação de
degeneração e inflamação dos tecidos associados com uma articulação,
com redução da capacidade de flexionamento ou de suporte de peso. Esparavão
ou aumentos de volume são exemplos de problemas de artrite facilmente
observados em cavalos idosos. Entretanto, um pequeno “endurecimento”
que um cavalo idoso mostrar quando sair da baia, não é motivo para alarme
ou aposentadoria.
Para
tratar os cavalos com artrite mais facilmente, é preciso consultar um
ferrador ou veterinário, para identificar qual a melhor maneira de ferrar
ou casquear este animal. Mantenha o cavalo estabulado com cama bem fofa,
porém não alta. O uso de drogas anti-inflamatórias pode ser recomendado
pelo veterinário nos casos crônicos. Não deixe o cavalo ficar obeso
pois o excesso de peso pode aumentar o stress sobre as patas.
O
confinamento exagerado não é absolutamente necessário para o tratamento
médico, é possível encontrar um ponto de equilíbrio, que seja menos
desgastante. O ideal é que o cavalo tenha livre acesso ao ambiente externo,
de preferência com outro cavalo para companhia.
Emagrecimento:
Cavalos
com mais de 20 anos tem reduzida a sua capacidade de digerir fibras,
proteínas e absorver fósforo, quando comparados com cavalos jovens alimentados
com a mesma dieta. Entretanto, muitos dos cavalos idosos são capazes
de manter boas condições corpóreas com feno de boa qualidade na dieta
e a absorção ruim de nutrientes, pode ser conseqüência de parasitoses
crônicas no intestino ou alterações nos processos digestivos.
A
dieta dos cavalos com mais de 20 anos deve ter ao redor de 10% de proteína
e 0,3% de fósforo com cálcio maior ou igual a quantidade de fósforo
mas, menos do que 1% da matéria sêca. A digestibilidade do concentrado
precisa ser maximizada através de processamento do alimento (extrusão
ou peletização). Uma ração ideal consiste de feno de alta qualidade
(preferentemente mistura gramínea/alfafa, exceto para os animais com
problemas renais ou hepáticos), pellets de alta densidade ou produtos
extrusados, produzidos para potros desmamados ou cavalos idosos, além
de água e sal mineral a vontade.
Dentição
inadequada ou perda de dentes:
Perdas
de dentes, especialmente molares ou pré-molares, podem reduzir a capacidade
para apreensão e trituraração do alimento. Além disso, a dentição inadequada
predispõe o cavalo a perda de peso. Quando a mastigação é dificultada,
o uso de alimentos peletizados umedecidos pode ser indicado, mas somente
no momento de seu fornecimento.
O
feno não tem se mostrado como bom componente para ser fornecido misturado
com água, melhor seria uma pastagem de boa qualidade. Por outro lado,
quando ocorre a perda dos incisivos ou alinhamento inadequado,
não é indicado o uso de pastagem. Estes cavalos podem ser alimentados
com dietas peletizadas ou feno inteiro ou em cubos, desde que, não precisem
arrancar o alimento.
Tumores
de hipófise ou tireóide:
Estudos
realizados, indicam que dietas peletizadas ou extrusadas, formuladas
para serem completas (fração volumoso + fração concentrado), resultam
em modificações na resposta plasmática de insulina e glicose depois
da ingestão e podem ajudar no controle deste problema.
Existem
cuidados especiais no manejo dos cavalos que apresentam problemas clínicos
relativos a estes tumores. É essencial que sejam mantidos em um rigoroso
programa de vacinação; podem receber uma reposição de vitamina C (5
a 10 mg de ácido ascórbico na dieta/dia); se a ingestão de água e micção
aumentarem, o fornecimento de água limpa e fresca deve ser recomendado;
nos casos crônicos , o acesso a pastagem e grãos deve ser restrito e
a composição de uma dieta especial pode ser indicada; e, para concluir,
a tosquia, no verão e o uso de capas no inverno, podem ajudar na regulação
da temperatura e conforto.
Alterações
na função hepática e renal:
Falência
renal e hepática não são tão comuns nos cavalos como nos cães e gatos,
mas, podem ocorrer. As degenerações da habilidade renal e hepática é
progressiva e irreversível mas pode ser reduzida e os sinais clínicos
estabilizados com uma dieta adequada.
Cavalos
com falência renal precisam ser tratados com dietas com pouco cálcio
(<0,45% de cálcio na matéria sêca). Baseados nos dados de outras
espécies, proteína e fósforo precisam ser restringidos para menos de
10% e 0,30%, respectivamente. Feno de gramínea, de
boa qualidade e uma ração peletizada, formulada para equinos
adultos em manutenção são uma boa opção. Por outro lado, leguminosas
(alfafa), que contém altas quantidade de cácio e farelo de trigo, que
possue grande quantidade de fósforo, devem se evitados.
A
falência hepática resulta em perda de peso, letargia, icterícia, perda
do apetite e intolerância para proteína e gordura na dieta. Os cavalos
afetados necessitam de um aumento no açúcar da dieta. Leguminosas não
são bem aceitas por terem muita proteína. Uma dieta que contenha bons
níveis de amido (grãos) somada a uma boa fonte de fibra (gramínea) pode
prevenir disfunções gastrointestinais. Feno de gramínea, alimentos doces
com baixa proteína, milho, e milheto são componentes recomendados para
formular uma ração. Farelo de trigo e polpa de beterraba são suplementos
aceitáveis neste caso.
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Tabela
1
Condições
que requerem atenção especial nos cavalos idosos.
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| CONDIÇÃO |
Sinais
Clínicos
|
Considerações
de Manejo
|
| Artrite |
Claudicação
crônica
Deformidades
osteo-articulares
Anquilose
(dificuldade flexão art.)
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Ferrageamento
e casqueamento
Forração
adequada da baia
Evitar
obesidade
Terapia
anti-inflamatória
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| Perda
de Peso |
Incapacidade
para manter peso
Desgaste
irregular dos dentes
Ração
inadequada para cavalos idosos
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Dentes
Dieta
Ambiente
(baia apropriada)
Falência
renal ou hepática
Tumores
Mal
absorção
|
| Dentição
inadequada |
Pontas
de dentes nos molares
Perda
de dentes
Incapacidade
para mastigação
|
Manutenção
dentária regular
Dieta
|
| Tumor
Hipófise /tireóide |
Incapacidade
para suportar verão/inverno
Infeções
virais recorrentes
Laminite
Aumento
ingestão de água e micção
Perda
de peso excessiva (pituitária)
Ganho
de peso excessivo (tireóide)
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Manejo
Dieta
Vacinação
Acesso
a água
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| Falência
Renal/Hepática |
Perda
de peso
Letargia
Perda
de apetite
Micção
freqüente ou dificultada
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Dieta
Suplementos
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