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Assim
como nas demais atividades zootécnicas,
no setor aqüícola, a genética representa uma ferramenta essencial ao
incremento de produtividade e lucratividade. No Brasil, entretanto,
onde a produção de pescado cultivado passou, na última década, de 10
mil para 100 mil toneladas produzidas por ano, não se pode atribuir
grande responsabilidade deste sucesso a trabalhos de melhoramento genético.
“Infelizmente
nossa aqüicultura ainda está, na sua maioria, em estágio amador e consequentemente
não utiliza a genética em larga escala em sua produção”, explica
o zootecnista Flávio Figueiredo Lindemberg, de Cananéia/SP. “Podemos
verificar este fato na ocasião da compra de alevinos quando muitos produtores
se preocupam principalmente com os preços dos alevinos que adquirem,
comprando de associações ou intermediários sem ficar sabendo sequer
da origem dos mesmos”. Lindemberg
observa, por outro lado, que se um produtor quiser adquirir alevinos
geneticamente superiores provavelmente não lhe serão oferecidos subsídios
para tal.
De
um modo geral, no Brasil os trabalhos de melhoramento genético em peixes
são realizados por alguns produtores de alevinos através de seleção
massal dos indivíduos mais bem conformados morfológicamente ou que se
destacaram na engorda. Paralelamente algumas importações de linhagens
também têm sido realizadas introduzindo novos materiais genéticos de
espécies exóticas melhoradas no exterior.
“Com
o crescimento da competitividade na produção de alevinos juntamente
com a profissionalização
dos compradores, teremos em breve a identificação e valorização dos
alevinos de maior capacidade produtiva advinda de melhoramentos genéticos
que estejam sendo realizados”, avalia o zootecnista.
Segundo
Lindemberg, o caminho mais evidente para acelerar tal processo é realizar
pesquisas nas fazendas produtoras comprando alevinos de diferentes procedências
em iguais condições de cultivo. Quanto às espécies exóticas, o material
genético brasileiro ainda está inferior àqueles com maior tradição no
exterior. Mas, tratando-se de espécies nativas, o Brasil ainda está
na frente. Pouco tempo e anos recentes de cultivo e práticas de seleção
levaram o país a possuir linhagens mais domesticadas, resistentes ao
manejo e climas específicos, bem como com maiores velocidades de ganho
de peso a cada safra.
No
caso do pacu, lembra Lindemberg, através da seleção reduziu-se o tempo
para se atingir 1 kg – peso em que este peixe começa a se tornar comercial.
No início da década passada, o cultivo demorava até 18 meses. O normal,
hoje, é atingir o peso mínimo com ao menos 10 meses. Segundo o técnico,
o mercado está buscando diminuir ainda mais este tempo, para obter duas
safras em um ano.
Grande
parte desta conquista também deve ser compartilhada com melhorias na
qualidade das rações e aprimoramentos nas técnicas de cultivo. “Estudos
precisam ser realizados comparando os índices zootécnicos de alevinos
provenientes de matrizes selvagens e linhagens melhoradas para se mensurar
com maior precisão o estado atual de ganho genético”, alerta o zootecnista.
Novos
resultados
Vale
lembrar que para muitos problemas de deformidades causadas por deficiências
nutricionais apresentadas em peixes cultivados, suspeitou-se estar havendo
consanguinidade nos plantéis de matrizes. Isto levou produtores
e instituições de pesquisas a reintroduzirem
erroneamente espécies nativos em seus plantéis, utilizando tal
fato até como slogan (“alevinos
produzidos de matrizes selvagens”).
“Temos
hoje materiais genéticos muito bons e provavelmente os melhores em se
tratando de espécies nativas, porém teríamos que estar investindo muito
para não nos tornarmos dependentes da compra de genes no exterior como
é o caso da avicultura brasileira”, avalia Flavio Figueiredo Lindemberg.
“A simples seleção massal pode não nos proporcionar bons resultados
genéticos”.
O
zootecnista sugere, entre outras ações no segmento, quantificar as herdabilidades
das caracteristícas selecionadas na espécie, os ganhos genéticos obtidos,
elaborar projetos de melhoramento, retrocruzar, hibridizar, aplicar
técnicas de engenharia genética e manipulação gênica.
“Infelizmente
os investimentos para custear estes trabalhos são altos e demandam anos
de dedicação e estudos, que em nosso país estão a cargo dos produtores
de alevinos”, afirma lamentando o fato de
que caberia ao governo custear ou pelo menos disponibilizar linhas
de crédito específicas para o desenvolvimento da genética na aqüicultura.
| Experiências
no país |
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A
principal preocupação dos trabalhos sobre genética e melhoramento
de peixes desenvolvidos no Brasil, está reservada à identificação
dos bancos genéticos selvagens. Como em outros países, os
primeiros levantamentos realizados buscaram caracterizar os
estoques e populações, com o uso de metologias tradicionais,
baseadas em parâmetros merísticos. Ato seguinte, introduziu-se
técnicas de marcação, soltura e recaptura dos indivíduos,
auxiliando na detecção das áreas de distribuição das populações
e de migração das espécies.
“O
emprego da eletroforese, a partir dos anos sessenta, permitiu
a detecção de marcadores genético-bioquímicos na área citológica,
dando grande impulso e segurança na caracterização de bancos
genéticos selvagens. Mais
recentemente, um novo surto de novas metodologias tem possibilitado
a detecção e caracterização de bancos selvagens e cultivados,
com o auxílio de marcadores genético-moleculares, tendo por
base a análise de padrões de DNA mitocondrial e DNA nuclear”,
lembra
o professor Fausto Foresti, do Instituto de Biociências da
Unesp (Botucatu/SP). Estudos
realizados com o tambaqui (Piaractus
mesopotamicus), o pacu
(Colossoma macropomum) e o curimbatá (Prochilodus
lineatus), entre outros,
têm fornecido as bases para o estabelecimento de bancos genéticos
destas espécies.
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Manipulação
genética
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A
aplicação de metodologia de manipulação cromossômica em peixes
também é objeto de pesquisa. Em alguns casos, tem possibilitado
a utilização destes métodos em programas visando o aumento
de produção. A intenção é obter linhagens triplóides, linhagens
purificadas através da ginogênese ou da alteração da proporção
de sexos nos estoques.
Exemplo
de aplicação dessa metodologia é a grande produção de linhagens
monossexuais de tilápia, rotina em todo o mundo e também no
Brasil, através do tratamento hormonal dos indivíduos nas
primeiras fases de vida. Isto possibilita o crescimento exuberante
da produção e da comercialização da espécie. “O fato de que
a poliploidia e a monossexagem foram rapidamente repassadas
para a prática do cultivo, mostram a relativa simplicidade
e eficácia destas biotecnologias nas mãos dos piscicultores,
permitindo-lhes
estruturar plantéis contendo animais férteis ou estéreis,
ou ainda contendo animais somente de um ou de ambos os sexos”,
esclarece Fausto Foresti, do Instituto de Biociências – Unesp
(Botucatu/SP).
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Tanques-rede
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Cresce
a importância de trabalhos, considerados clássicos, na área
da Genética de Peixes, que envolvem a aplicação de métodos
de seleção, cruzamentos e hibridação. Modificações e inovações
constantes ocorrem em função dos requisitos de pesquisa.
Cada
vez mais são exigidas condições de manejo adequadas, com estrutura
física apropriada e grande número de tanques, envolvendo cruzamentos
dirigidos e controle das progênies, que devem ser mantidas
separadas.
O
uso de tanques-rede e de sistemas de identificação individual,
realizada com “tags” magnéticos ou com
outros marcadores efetivos, tem diminuído as dificuldades
técnicas da aplicação destas metodologias. O professor Fausto
Foresti (Unesp/Botucatu/SP) cita um exemplo recente: a aplicação
de métodos de comparação do crescimento entre grupos genéticos
de piauçu, (Leporinus
macrocephalus), desenvolvida experimentalmente em tanques-rede.
“Além de comparações de cunho metodológico, a pesquisa visou
a obtenção de linhagens melhoradas desta espécie, de crescente
utilização na piscicultura nacional”.
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