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Definindo a estação de monta

Organização, controle e administração dos componentes de produção são aspectos prioritários em uma fazenda de bovinos de corte que tem como principal objetivo a produção de bezerros. Em função disso, é imprescindível que o produtor tenha visão empresarial; ou seja, que tenha controle sobre os eventos dentro de seu sistema de produção.

Antonio Bento Mancio, professor Adjunto da Universidade Federal de Viçosa (MG) lembra que o principal deles é o controle do rebanho, como primeiro passo para organizar as informações e planejar os manejos da fazenda. “O mais adequado é que todos os animais adultos tenham marcas (com números e letras). Os animais jovens devem ser identificados com números tatuados na orelha. Ou seja cada animal tem seu histórico registrado nas marcações (data de nascimento e época da 1a. fecundação para as fêmeas,etc)”, esclarece.

Ele compara a importância do real controle do rebanho na pecuária de corte como ocorre na indústria em geral. “Este é o exemplo de visão empresarial. É necessário ter o controle de todos os eventos, para dar base ao custo/benefício dos diferentes componentes em relação a condições de lucro do produto final”.

Produzindo bezerros

Na pecuária de corte para rebanhos de cria, o produto final são os bezerros. Como então formular as margens de lucratividade?, pergunta Mancio. Em sua opinião, o pecuarista precisa ter dados estatísticos de produção, tais como quantidade de vacas e novilhas existentes no rebanho, de bezerros nascidos no ano e de bezerros desmamados no ano, assim como qual o peso do bezerro ao desmame e qual a possível filiação paterna dos bezerros.

São informações básicas, segundo o técnico, para estabelecer um controle mínimo do rebanho, sendo então, descartados os animais improdutivos e classificados os de melhores desempenho, com o objetivo de maior lucratividade. “É ideal que todas as vacas produzam um bezerro a cada 12 meses e que todos os bezerros nascidos desmamem com peso superior a 150 Kg”, argumenta Mancio, como forma de maximizar o lucro e minimizar os custos, buscando máxima eficiência bio-econômica da produção.

No rebanho de cria, busca-se aumento da eficiência reprodutiva, isto é, estratégias para aumento do número de bezerros desmamados na criação extensiva – o que implica na definição de uma estação de monta, momento em que se dá o início da produção anual. A nutrição adequada é um dos fatores que mais contribui para o aumento da eficiência reprodutiva.

“É fundamental, porém, o estabelecimento de uma estação de monta de curta duração, afim de que o período de maior requerimento nutricional (lactação) coincida com o de maior oferta de alimentos”, alerta.  Dessa maneira, as atividades de manejo serão disciplinadas em períodos adequados, tais como: período de desmame, de vacinação, vermifugação, castração, descarte, etc.  Mancio menciona que com a estação também é facilitado a identificação dos animais de menor potencial produtivo, pois os lotes serão mais homogêneos nos diferentes períodos, com nítida diminuição dos custos de produção. “Principalmente em pessoal, suplementos de alimentação e medicação para prevenção de doenças de bezerros nascidos em épocas de alta umidade”.

Como o Brasil é um país continental, com diferentes condições ambientais, deve-se adequar a Estação de Monta em relação ao melhor período de condições de alimentação em pastagens, em quantidade e qualidade do alimento forrageiro e ao  período de maior incidências de cios para as vacas. Lembrando que não existe receita pronta, pois cada propriedade tem suas particularidades e objetivos.

Visão sistêmica

O ponto central, para Mancio, é a visão empresarial sistêmica do processo produtivo, onde cada componente tem inter-relações com os demais, resultando em “produtos” que vão gerar lucros. Para ele, o mais importante é a adequação do fator humano, que provoca as  modificações das condições edafo-climáticas (alterações no solo e clima), dos animais, condições culturais e meios para o controle e manejo dos animais. Ou seja, todas as pessoas envolvidas devem estar motivadas para o aumento da produtividade.

Para definir o melhor período de monta, o produtor deve estabelecer, qual o melhor período para o desmame e possível comercialização dos bezerros. Antonio Bento Mancio entende que no Brasil, tropical, a monta natural tende a se concentrar durante a estação chuvosa, na qual há maior disponibilidade de pastagens de melhor qualidade. “Os nascimentos ocorrem durante a estação seca, época na qual são baixas as incidências de doenças respiratórias e endo e ectoparasitas”. O desmame se dá no inicio do período seco, o descarte no início da seca, de vacas vazias e animais de baixa eficiência produtiva, liberando pastagens para as demais categorias de animais; e a castração e a marcação são feitas na idade correta e na época de baixa incidência de bicheiras.

Nos rebanhos de corte no Brasil em geral, os touros são mantidos com as vacas durante 365 dias por ano, porém a grande concentração de nascimentos ocorre de outubro a dezembro, que correspondem às coberturas férteis de janeiro a março. “Sendo assim, se o melhor período for entre janeiro e março, recomenda-se a redução do período de monta gradualmente, eliminando-se, a cada ano de 1 a 2 meses até atingir o período e duração ideal”, conclui o professor de Viçosa.

Fica no ar uma pergunta constante dos produtores: “É vantajoso o estabelecimento de duas estações de monta durante o ano?”. Amancio acredita que não. “Considerando que o manejo e a alimentação são semelhantes para  todas as vacas, estaríamos premiando os animais de baixa eficiência reprodutiva, que não conceberam durante o período desejado. Apesar de se reduzir o intervalo entre partos, estaríamos fazendo uma seleção negativa para fertilidade”. Os nascimentos resultantes do período de monta complementar ocorreriam durante a época das águas, período que são altas as incidências de  doenças. “A ocorrência de nascimentos durante um longo período do ano dificulta o manejo dos animais nas épocas e idades mais adequados”, completa.

Segundo Amancio, com a implementação da Estação de Monta, após 12 meses pode-se obter crescimento de até 30% na eficiência bio-econômica da produção de bezerros. Ou seja, uma tecnologia de baixo custo, com alta resposta de lucratividade.

Vantagens de fazer a Estação de Monta

1. Solucionar o manejo nutricional do rebanho com a produção quantitativa e qualitativa das forragens;

2. É a estratégia mais segura de se avaliar um rebanho de corte. Os animais com variação máxima de 120 dias de idade estarão sob condições de meio  semelhantes. O descarte terá estrutura objetiva de melhor resposta produtiva;

3. Existe simplificação da mão de obra na fazenda com condições de elaborar calendário de atividades e objetivos; e

4. Compra de insumos com menor freqüência e em maiores quantidades obtendo melhores preços.

 

FONTE:
Revista Alimentação Animal – Número 19 - Jul/Set/2000
Sindicato Nacional da Indústria Alimentação Animal – SINDIRAÇÕES
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