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Especialistas
em nutrição fazem um alerta importante aos donos de cães e gatos: além
de cuidar da beleza da pelagem de seus animais, devem tomar providências
para manter saudável também a pele. Para cães e gatos, a pele desempenha
funções metabólicas importantes como sensação (tato) e proteção física
e contra agentes infecciosos, como bactérias e fungos. A pele exerce
ainda a função de termorregulação (controle da temperatura interna do
animal), imunorregulação, reserva de nutrientes e síntese de vitamina
D.
Deficiências
ou desbalanços nutricionais são distúrbios que interferem com a saúde
da pele. As mais freqüentes são as deficiências de proteína, de ácidos
graxos essenciais, de zinco, e das vitaminas A e E. Processos alérgicos
como a atopia e a hipersensibilidade alimentar, também diminuem a possibilidade
de uma pele saudável, assim como desordens metabólicas ou funcionais
que interferem com a digestão, absorção ou utilização dos nutrientes.
Exemplo: as alterações na absorção e metabolismo de zinco encontradas
no Bull Terrier, Husk Siberiano e Doberman Pincher.
Deficiência Protéica
A
pele é um tecido em constante renovação e crescimento. Mais de 90% da
composição dos pêlos é constituída basicamente por proteína. Qualquer
deficiência reflete rapidamente sobre sua aparência e saúde. Cães filhotes
exigem 22% de proteínas na ração; cães adultos, 18%. Já a necessidade
protéica de gatos filhotes é de 30% e adultos, 26%.
Para
o professor Aulus Cavalieri Carciofi, do Departamento de Clínica e Cirurgia
Veterinária da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp
de Jaboticabal/SP –, dois pontos são importantes na proteína da dieta:
quantidade e qualidade. “Deficiência de proteína pode ocorrer ou quando
sua quantidade é menor do que as exigidas pelo animal, ou quando, apesar
da quantidade total ser adequada, a proteína apresenta baixa digestibilidade
ou baixa quantidade de aminoácidos essenciais”.
É
fácil perceber os sintomas da deficiência protéica. Observa-se a formação
(queratinização) anormal da pele e dos pelos. Os pêlos tornam-se quebradiços,
destacam-se com facilidade e apresentam-se com crescimento lento. Outros
sintomas: despigmentação (perda da coloração) e diminuição do diâmetro
dos pêlos; aumento da incidência de infecções bacterianas (piodermites);
e seborréia (descamação e aumento da oleosidade).
Deficiência
de Zinco
“O
zinco é fundamental para o funcionamento de mais de 200 enzimas, envolvidas
no metabolismo de carboidratos, gorduras e proteínas”, lembra Aulus
Carciofi. “É importante ainda para um adequado funcionamento do sistema
imunológico, para a estrutura e funcionamento da pele e para que o animal
mantenha os sentidos do olfato e do paladar”. A necessidade de zinco
para cães é de 120 mg/kg de ração. Para gatos, 75 mg/kg de ração.
Segundo
Aulus, além de sua quantidade absoluta na dieta, é importante considerar
outros elementos que interferem com sua absorção. Altos níveis de fitato
ou rações com excesso de cálcio podem prejudicar a absorção de zinco
pelo animal. Outra situação importante para cães são as raças que apresentam
anormalidades genéticas que resultam em deficiência de zinco.
“Husk
Siberiano, Malamute do Alasca e Doberman Pincher podem apresentar baixa
absorção de zinco, problema resolvido com a suplementação via oral,
mas o Bull Terrier pode apresentar uma alteração fatal no metabolismo
do zinco”, exemplifica.
Os
sintomas da deficiência de zinco, tanto na carência dietética como nas
anormalidades genéticas, são iguais: retardo no crescimento, emagrecimento,
conjuntivite e falta de apetite. Completam o quadro: aumento da susceptibilidade
a infecções e lesões de pele.
“Na
pele ocorre perda de pelos, avermelhamento (erimetema) e inflamação.
Formam-se, ainda, crostas e freqüentemente inflamações bacterianas secundárias”,
cita Aulus. Estas lesões iniciam-se nos pontos de pressão, como coxim
plantar e palmar – as solas da mão e do pé -, ao redor dos olhos e da
boca, nas patas, orelhas e região ventral.
Deficiências
de Ácidos Graxos Essenciais
Retardo
no crescimento, infertilidade e descoloração dos pelos são alguns dos
sintomas da deficiência de ácidos graxos essenciais. Descamação, eritemas
e hematomas, edema cutâneo e otite também são causados pela deficiência
de ácidos graxos. Em alguns casos surgem ainda aumento da oleosidade,
seborréia e exudação - perda de água pela pele.
Os
ácidos graxos comprovadamente essenciais são os da família ômega 6:
para o cão, o ácido linoleico: e para o gato, os ácidos linoleico e
aracdônico. Estes ácidos são componentes básicos da membrana das células
(fosfolípides) e precursores de moléculas chaves para o processo inflamatório
e imunológico.
“Mais
recentemente, tanto na alimentação humana como animal, tem-se falado
muito sobre os ácidos graxos da família ômega 3”, explica Aulus. Estes
apresentam importantes funções, mas estão direcionadas ao controle das
reações alérgicas (ex.: prurido associado à atopia canina). “Até hoje
não se definiu uma exigência mínima destes nutrientes para animais sadios,
sem disfunções inflamatórias”, completa.
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Necessidade
de ácidos graxos
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Cão
- ácido linoléico = 1% da ração
Gato
- ácido linoléico = 0,5% da ração e ácido aracdônico - 0,02%
da ração.
Como
eles fazem parte da gordura da ração, a alimentação para cães
deve apresentar pelo menos 6% de extrato etéreo. Para gatos,
9%. Além da quantidade de extrato etéreo, sua qualidade é importante.
A gordura de frango e os óleos vegetais e de peixe são fontes
mais ricas que o sebo bovino.
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Outros
nutrientes envolvidos com problemas de pele:
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Ferro |
má
condição dos pêlos |
| -
Cobre |
alopecoa,
acromotriquia (sinal precoce) |
| -
Riboflavina (B2) |
atrofia
dérmica, conjutivites, estomatite angular, lesões dérmicas,
alopécia |
| -
Ácido Pantotênico |
descamação,
crostas, pelagem ruim, acromotriquia |
| -
Niacina |
má
condição dos pêlos, dermatite descamativa |
| -
Piridoxina (B6) |
lesões
de pele (face, patas e orelhas), atrofia de folículos pilosos |
| - Biotina |
descamação, alopecia, pêlos ásperos e sem brilho,
hiperqueratose, dermatose, seborréia. |
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