|
Segundo
os beduínos o Cavalo Árabe deve ter:
* características amplas - olhos, peito, garupa
e jarretes;
* características compridas - pescoço, ventre,
ancas e pernas;
* características pequenas - orelhas, focinho, canelas
e lombo;
* características que o diferenciam de todas
as outras raças - o olhar de águia, a coragem do leão, a velocidade
da pantera e a elegância da gazela;
* virtudes - a memória do falcão, a resistência
do camelo, o faro do lobo e a fidelidade do cão.
Muitas das atuais características do Cavalo Árabe resultam de sua adaptação
ao deserto. São, com certeza, aspectos de sua conformação primitiva
que foram privilegiados, selecionados e desenvolvidos com grande sabedoria
pelos beduínos. Isso foi realizado com tal maestria através de conceitos
e ensinamentos passados de geração para geração durante milênios, que
nenhum hipólogo ou compêndio sobre equinos se recusa ou mesmo titubeia
em afirmar que o Puro Sangue Árabe é o mais perfeito animal e o verdadeiro
protótipo do cavalo de sela.
OS
OLHOS
Os
olhos do Cavalo Árabe são típicos de muitas espécimes de animais do
deserto. Grandes e salientes, eles são responsáveis por prover o animal
de uma excelente visão, a qual alertava os primitivos Cavalos Árabes
dos ataques de seus predadores.
NARINAS
As
narinas do Cavalo Árabe que se dilatam quando ele corre ou está excitado,
proporcionam uma grande captação de ar. Normalmente as narinas se encontram
semi-cerradas reduzindo a poeira proveniente da respiração nos climas
mais secos como no deserto.
MAXILARES
O
tamanho e a grande separação entre os maxilares ou ganachas no Cavalo
Árabe proporcionam um bom espaço para a passagem de sua desenvolvida
traquéia - provavelmente esse é um outro fator de adaptação para aumentar
a captação de ar.
CARREGAMENTO
DE CABEÇA
O
carregamento natural de cabeça do Cavalo Árabe é muito mais alto do
que qualquer outra raça, especialmente ao galope. O alto carregamento
da cabeça facilita a passagem de ar, abrindo as flexíveis narinas e
alongando a traquéia.
É
comprovado que os Cavalos Árabes possuem maior número de células vermelhas
do que outras raças, o que pode indicar que o Cavalo Árabe usa o oxigênio
mais eficientemente.
PELE
A
pele negra, por debaixo dos pêlos do Cavalo Árabe é visível devido a
delicadeza ou ausência de pelos em torno dos olhos e focinho. Essa pele
escura em torno dos olhos reduz o reflexo da luz do sol e também protege
contra a queimadura. A fina pele do Cavalo Árabe proporciona a rápida
evaporação do suor resfriando o cavalo mais rapidamente.
IRRIGAÇÃO
SANGUÍNEA
As
veias que se tornam visíveis por saltarem à flor da pele quando o Cavalo
Árabe enfrenta um grande esforço físico em contato com o ar resfriam
rapidamente a circulação sanguínea, proporcionando maior conforto em
longas jornadas.
CRINA
Os
pêlos da crina são normalmente finos e longos, protegendo a cabeça e
o pescoço da ação direta do sol. O longo topete na testa também protege
os olhos do reflexo e da poeira.
FOCINHO
O
pequeno e cônico focinho também deve ser creditado a sua herança do
deserto. A escassez de alimentos devem ter reduzido o focinho para o
admirado tamanho e formato de hoje. Os finos e ágeis lábios provavelmente
são resultados de ralos pastos do deserto. Os cavalos dos beduínos pastoreavam
apenas esporádicamente comendo poucos chumaços de grama aqui e ali,
enquanto seguiam em suas longas jornadas. Lábios ágeis podem rapidamente
se prover de pequenas porções de ralas gramas e ervas.
ESTRUTURA
ÓSSEA
É
fato que muitos Cavalos Árabes possuem apenas cinco vértebras lambares,
diferentes das seis comuns em outras raças. Essa vértebra a menos explica
o pequeno lombo e a resultante habilidade em carregar grandes pesos
proporcionalmente ao seu tamanho. No entanto, modernas autoridades do
Cavalo Árabe como Gladys Brown Edwards, afirmam que não são todos que
possuem cinco vértebras, muitos possuem o padrão de seis vértebras.
Até hoje não é sabido qual o número mais comum de vértebras no Cavalo
Árabe e não há evidência de que o Árabe que possui cinco seja mais puro
ou mais desejável do que o que possui seis.
CARREGAMENTO
DE CAUDA
O
alto e natural carregamento de cauda é resultado da singular estrutura
óssea do Cavalo Árabe. A primeira vértebra da cauda, que se liga à parte
interna da garupa é levemente inclinada para cima, ao contrário de outras
raças que se inclina para baixo.
A
CABEÇA
A
distinta beleza da cabeça do Cavalo Árabe é uma das principais marcas
do tipo da raça. O clássico perfil é marcado por duas características:
jibbah e afnas, muito admiradas pelos beduínos.
JIBBAH
é a protuberância acima dos olhos. Nem todos os Cavalos Árabes maduros
o possuem, mas ele é óbvio nos potros. O Jibbah aumenta o tamanho da
cavidade nasal proporcionando maior capacidade respiratória.
AFNAS
é a chamada "cabeça chanfrada". O chanfro é a depressão no
osso frontal da cabeça entre os olhos e o focinho, ela apresenta uma
curva côncava no perfil da cabeça. Embora o Afnas fosse admirado pelos
beduínos como um aspecto de beleza, nem todos os seus cavalos possuíam
o chanfro pronunciado, da mesma forma que hoje nem todos os modernos
Cavalos Árabes possuem esse perfil. Mas uma cabeça é considerada boa
e típica quando possui:
- olhos grandes, salientes, bem separados e situados logo abaixo
da testa;
- testa larga;
- narinas grandes e flexíveis;
- cabeça descarnada e seca;
- a expressão geral é alerta, inteligente e vivaz.
Os
chamados "olhos humanos" ou "branco nos olhos" no
qual é visível a esclerótica branca em torno da íris é um ponto polêmico
na criação do Cavalo Árabe. Margaret Greeley em seu livro "Arabian
Exudus" cita Wilfrid Blunt afirmando que o branco nos olhos não
era uma característica desejada pelos beduínos. Muitos juizes e criadores
modernos no entanto, desgostam e penalizam os cavalos que possuem essa
característica a despeito do fato dela aparecer em certas antigas e
valiosas linhagens.
|