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Acupuntura
veterinária
(Por: Carlos Augusto Torro)* |
| Chamar
a acupuntura veterinária de novidade é um engano. Na China, desde a Dinastia
Chang (1765 a 1123 a.c.), os cavalos de batalha já eram tratados com as
agulhas. Quanto aos pequenos animais, vivemos, há algumas poucas décadas,
um renascimento desta linha terapêutica, tendo como berço principalmente
a Europa. A acupuntura consiste na estimulação mecânica de determinados e precisos pontos da superfície corpórea, através de finíssimas agulhas metálicas. Um ponto de acupuntura não ultrapassa a área de um milímetro quadrado. A moxabustão utiliza um bastão formado por uma erva prensada (como um charuto), a Artemísia vulgaris que, quando queimada, fornece um estímulo térmico para os pontos de acupuntura. Já a fitoterapia emprega o uso oral de compostos a base de plantas, substâncias minerais e animais, geralmente preparadas em forma de comprimidos ou gotas. O tratamento de um paciente pela MTC baseia-se em um diagnóstico energético que estabelece a etiofisiopatogenia do desequilíbrio apresentado. Sempre tem em vista o animal como um todo. Dois animais com doenças iguais, podem normalmente receber tratamentos diferentes, pois a mesma doença foi a forma de exprimir um desequilíbrio nem sempre semelhante. Um animal com uma doença renal não tem somente o seu rim doente, mas sim todo seu indivíduo. Com isso podemos tratar praticamente qualquer doença. Porém, em um consultório de MTC Veterinária, 75% dos casos são músculo-esqueléticos, como as espondilopatias degenerativas , artrites, artroses, traumas e claudicações sem causa bem definida. As enfermidades nervosas, como as seqüelas de cinomose ou AVC, além das convulsões, também são comuns. Doenças cárdio-respiratórias (ICC), urogenitais (insuficiência renal / metrorragia / anestros / cistites), digestivas (diarréias / constipações / insuficiência pancreática) dermatológicas, imunomediadas, desequilíbrios hormonais e metabólicos e processos neoplásicos também podem ser curados ou amenizados. É certo que muitas doenças são tidas como incuráveis, às vezes com lesões mecânicas graves e irreversíveis, mas podemos alcançar resultados na melhora de vida do paciente, superiores aos da alopatia sozinha. Isto porque podemos empregar, sem problema algum, a MTC aliada à alopatia ou homeopatia, por exemplo. Para os quadros agudos as sessões de acupuntura podem ser diárias ou até mais freqüentes. Já para os processos mais crônicos, maioria esmagadora na veterinária, as sessões geralmente são semanais, sendo, nestes casos, fundamental o uso da fitoterapia. A evolução pode ser notada em um mês ou mais dependendo de quanto tempo a doença está estabelecida. Cada sessão dura em média quarenta minutos. O estresse causado por uma contenção física exagerada pode diminuir em muito os efeitos terapêuticos da sessão de acupuntura. A sedação química, no meu ponto de vista, praticamente anula as chances de êxito da terapia. Portanto, infelizmente, somos obrigados a realizar uma seleção daqueles animais que poderiam ser tratados. A grande maioria permite tanto a inserção das agulhas como a moxabustão. Quando os animais não permitem tais técnicas, nos atemos mais à fitoterapia, com excelentes resultados. O maior cuidado, acredito eu, no uso da MTC, é como o de qualquer medicina que esteja "em moda". Caso, maus profissionais em MTC, por ingenuidade ou ganância, prometerem cura para tudo, não se preocupando com o lado filosófico da terapia energética, não encarando seu paciente como parte de um todo, ou seja, realmente não praticarem uma medicina digna, em pouco tempo, o que poderia mostrar-se muito útil como linha terapêutica, cairá em descrédito. |
| FONTE: Assoc Clínicas Veterinárias Pequenos Animais Estado de São Paulo ANCLIVEPA-SP Av. Brig. Faria Lima, 1620 10a cj 1106 CEP 01451-001 São Paulo-SP Fone: (11) 3813-6568 Fax: 3032-5379 Publicado no boletim Anclivepa, edição Jul/Ago/Set-1998. *Carlos Augusto Torro CRMV-SP 6027 |
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