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Lavagem ótica como procedimento terapêutico das otites
(Por: Cibele Rossi Nahas)

Dentre as otopatias que mais frequentemente acometem cães e gatos, destacam-se as otites externas. Podem ser classificadas, segundo a etiologia, em: bacterianas, parasitárias, micóticas, ceruminosas e eczematosas.
 
As otites média e interna são, normalmente, de    evolução crônica e decorrentes de otites externas não tratadas, ou medicadas sem sucesso. Nestes casos, evidenciam-se um exusdato purulento e/ou sanguinolento, alterações da integridade membranal e, nas otites internas, sintomas neurológicos, como ataxia, latero-deambulação, andar em círculo e nistagmo (LARSSON, 1988).

 
A terapia médica das otites consiste, primeiramente, na identificação e combate do agente etiológico (ácaros, fungos ou bactérias). Contudo, é fundamental que sejam identificados e controlados os possíveis fatores predisponentes e as causas de base envolvidos (dermatite alérgica à picadas de pulgas, alergia alimentar, atopia, dermatite de contacto alérgica, corpos estranhos, erros de manejo, endocrinopatias, etc.), sem o que podem ocorrer recidivas frequentes.

 
Deve-se lembrar que 80% dos cães e gatos com hipersensibilidade alimentar apresentam otite, e que esta manifestação clínica pode ser o único sintoma presente em cerca de l0% dos animais atópicos (SCOTT et al., 1989).

 
A lavagem ótica ocupa um papel de destaque no tratamento médico das otites, quer sejam bacterianas, micóticas, parasitárias ou ceruminosas, em que há abundante deposição exsudato ou cerume. Tal procedimento consiste na irrigação do meato acústico externo com solucões aquosas específicas (Irgasan, PVP-Iodo, ácido acético), através de aparelhos de jato pulsátil, sob pressão controlada e mediante anestesia geral. Em seguida, procede-se a aspiração e secagem meatal, bem como cauterização de possíveis exulcerações.

 
Caso se evidencie, após a lavagem, ruptura de membrana timpânica, procede-se o enxagüe com solução fisiológica estéril amornada, a fim de remover resíduos da solução utilizada para a lavagem, potencialmente tóxicos às estruturas da orelha média e interna.
 
Através deste método consegue-se uma perfeita limpeza meatal, permitindo uma melhor ação da terapia tópica posteriormente empregada (principalmente no tocante a antibióticos tópicos, muitos dos quais são inativados pela presença de secreção purulenta).
 
Preconiza-se que o animal receba entubação traqueal durante o procedimento anestésico, a fim de se evitar, nos casos de otites médias e internas, o refluxo da solução utilizada durante a lavagem para as vias aéreas inferiores, o que pode ocasionar quadros pulmonares severos.

FONTE:
Assoc Clínicas Veterinárias Pequenos Animais do Estado de São Paulo – ANCLIVEPA-SP
Av. Brig. Faria Lima, 1620 10a cj 1106 – CEP 01451-001 – São Paulo-SP
Fone: (11) 3813-6568 Fax: 3032-5379
Publicado no boletim Anclivepa, edição Jul/Ago/Set-1998.
Serviço Dermato-Diagnóstico Vetimagem Centro de Diagnóstico Veterinário

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