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Novidade no tratamento de parvovirose canina
(Por: Mitika K. Hagiwara)*

Avaliação clínica do paciente que se apresenta com um quadro abrupto de vômito e diarréia permite a triagem daqueles que deverão permanecer hospitalizados, daqueles que podem ser medicados em seu próprio domicílio.
 
Aqueles que se apresentam com febre, dor abdominal intensa, desidratação (moderada a grave), hematoquezia ou hematemese ou, ainda, depressão profunda, indicando eminente estado de choque, devem ser hospitalizados e submetidos à terapia intensiva. A fluidoterapia intravenosa, com solução salina balanceada, é mandatória em pacientes severamente desidratados.

 
A desidratação deve ser corrigida num período de 18 a 24 horas, além de se suprir a necessidade hídrica diária de manutenção (70ml/kg PV). Perda hídrica contínua através da diarréia ou emese requer infusão de 2 a 3 vezes superior àquela necessidade normal de manutenção.
 
Antibioticoterapia é recomendada nos casos mais graves, devido à ruptura da mucosa intestinal tornando o paciente suscetível à invasão da corrente sanguínea por bactérias da microbiota intestinal normal e à frequência com que se observa septicemia secundária. A combinação de ampicilina (10 - 20 mg/kg) e gentamicina (2,0 mg/kg) cada 8 horas, constitui-se em procedimento eficaz de custo relativamente baixo.
 
Outras associações de antibióticos que sejam eficientes contra bactérias aeróbias e anaeróbicas, gram-negativas e gram-positivas, podem ser indicadas. Recomenda-se o uso de anti-eméticos como metoclopramida (0,2 a 0,4 mg/kg,) IM ou SC, a cada 8 horas, nos casos em que a emese frequente dificulta a manutenção do equilíbrio hídrico e eletrolítico.

 
Nos casos mais severos, pode-se proceder à infusão intravenosa contínua, na dose de l a 2 mg/kg, por período de 24 horas. Nos casos refratários, pode-se recorrer ao uso de antieméticos fenotiazínicos, que atuam sobre o centro do vômito (clorpromazina 0,5 mg/kg/IM ou SC a cada 6 ou 8 horas). Possui um discreto efeito sedativo e não deve ser utilizado em animais severamente desidratados. Não se recomenda o uso de antidiarreicos.

 
Outras medidas terapêuticas podem ser adotadas, cujos benefícios são difíceis de serem avaliados, como por exemplo a reposição sanguínea, nos casos de hemorragia intestinal profusa, o uso de soro ou plasma hiperimune, principalmente na fase inicial da doença (nas primeiras 24 horas) ou alfa-interferon (de uso humano, na fase prodrômias da doença). A profilaxia adequada constitui-se ainda na melhor maneira de proteger os cães jovens contra o efeito deletério da infecção pelo parvovirus canino.

FONTE:
Assoc Clínicas Veterinárias Pequenos Animais do Estado de São Paulo – ANCLIVEPA-SP
Av. Brig. Faria Lima, 1620 10a cj 1106 – CEP 01451-001 – São Paulo-SP
Fone: (11) 3813-6568 Fax: 3032-5379
Publicado no Boletim Informativo, edição Jul/Ago/Set-1998.
* Dep. Clínica Médica - FMVZ (USP)

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