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RESUMO
Para isso, foram verificados o tempo do desenvolvimento e quantidade
de açúcar solúvel do néctar das flores; freqüência das visitações dos
insetos, no decorrer do dia, por meio de contagem do número de insetos
visitando as flores, a cada 60 minutos, das 8 às 17 horas, 10 minutos
em cada horário, com 4 repetições; tempo (em segundos) e tipo de coleta
(néctar e/ou pólen); perda de botões florais; porcentagem de flores
que se transformaram em frutos; tempo de formação e contagem dos grãos
de café, observando-se a porcentagem de frutificação em flores visitadas
ou não pelos insetos. Também foram realizados testes por pulverização
utilizando-se o produto Bee-HereR , diluído em xarope e em água, em
diferentes horários. A flor durou, em média, cerca de 3 dias desde sua
abertura até o murchamento. A quantidade de açúcares do néctar apresentou
diferença significativa entre os horários, sendo maior às 8 horas (em
média, 102,18 ± 8,75 mg de carboidratos totais por flor). A abelha A.
mellifera foi o inseto mais freqüente nas flores de café, coletando,
principalmente, néctar no decorrer do dia. A perda de botões florais
causada pelas chuvas foi, em média, 26,5 ± 11,7%. O tempo para a formação
do fruto foi 6 meses e o número de frutos decorrentes do tratamento
descoberto foi maior (38,79% e 168,38%, em 1993 e 1994, respectivamente)
que do tratamento coberto. O produto Bee-HereR foi diferente na atratividade
para as abelhas A. mellifera, nos três anos estudados, podendo ser usado
para atrair essas abelhas na cultura.
Palavras-chave:
atrativos, Coffea arabica, polinização, Apis mellifera
Introdução
Existem culturas que dependem ou se beneficiam com a polinização cruzada
para a produção de frutos e sementes e que são pouco visitadas pelas
abelhas. Nesses casos, seria interessante a aplicação de substâncias
atrativas.
As abelhas A. mellifera possuem uma glândula, chamada Glândula de Nasanov,
a qual emite um feromônio que comunica fontes de alimento e água para
as outras abelhas da mesma espécie. Essa glândula possui 7 componentes
ativos, sendo que o básico é o geraniol, usado tanto para enxameagem
quanto para forrageamento (BOCH & SHEARER, 1962).
Têm sido feitos estudos para aumentar a visitação das culturas usando
feromônios sintéticos semelhantes aos produzidos pela glândula de Nasanov.
WALLER (1970) pulverizou canteiros de alfafa (Medicago sativa) com geraniol
e citral, diluídos em xarope e em água e observou que o citral exerceu
maior atração na ausência de xarope e geraniol na presença de xarope.
WOYKE (1981) observou aumento no número de abelhas, na cebola, utilizando
citral e geraniol. OHE & PRAAGH (1983) também obtiveram sucesso
na maçã, com esses feromônios.
MAYER et al. (1989) aplicando BeeScentR e BeeScent PlusR, em plantações
de pêra, ameixa, maçã e cereja, observaram aumento no número de forrageiras
e na produção de frutos. Entretanto, AMBROSE et al. (1995) estudando
o efeito da pulverização com BeeLineR e BeeScentR, não observaram aumento
na atividade das abelhas e na produção de pepinos e melancia.
CURRIE et al. (1992) aplicaram o feromônio da glândula mandibular da
rainha em plantações de maçã e pêra e encontraram aumento no número
de forrageiras. Entretanto, não aumentou a produção, nem a qualidade
dos frutos, nas macieiras. Na pêra, o diâmetro do fruto aumentou com
o aumento da visitação, resultando num aumento estimado de US$1,055/hectare.
NAUMANN et al. (1994) mostrou que a aplicação do feromônio da glândula
mandibular da rainha pode aumentar a polinização em pêra mas não em
cereja.
Na cultura de café (Coffea arabica L.), AMARAL (1952, 1960) obteve aumentos
de 13% e 39% na produção de grãos, em arbustos descobertos comparados
a arbustos cobertos, onde se evitava a presença de insetos polinizadores.
SEIN (1959) obteve um aumento de 10%, nas mesmas condições. AMARAL (1972)
encontrou, em Piracicaba (SP), médias de produção de café cereja de
9,24 Kg e 15,89 Kg por cova, na ausência e na presença de insetos polinizadores,
respectivamente. Estes dados mostram a importância do emprego de colméias
de A. mellifera em cafezais na época da florada, para se obter melhores
safras de café, principalmente, se o número de insetos polinizadores
nas imediações for pequeno.
O presente ensaio teve como objetivos estudar a polinização em café
(Coffea arabica, var Mundo Novo) com a utilização de substância atrativa
para as abelhas.
Material e Métodos
O presente experimento foi conduzido na Faculdade de Ciências Agrárias
e Veterinárias, Câmpus de Jaboticabal/UNESP. A altitude é de 595 metros,
com as seguintes coordenadas geográficas: 21°15'22" de latitude
sul e 48°18'68" de longitude oeste, com clima subtropical temperado
e temperatura média anual ao redor de 21°C. A média anual de precipitação
pluviométrica é de 1.451,2 mm3 (Depto de Ciências Exatas da FCAVJ/UNESP).
Foram realizados ensaios, nos anos de 1992, 1993 e 1994, em uma cultura
de café (Coffea arabica L.), var. Mundo Novo.
A cultura ficou em observação durante o período de florescimento e frutificação,
onde procurou-se estabelecer:
- tempo do desenvolvimento desde botão até o murchamento de 100 flores
marcadas, com 3 repetições;
- quantidade de açúcar solúvel do néctar produzido pela flor, segundo
método de ROBERTS (1977), em flores da mesma idade, coletadas, às 8,
10, 12, 14 e 16 horas, com 4 repetições;
- identificação dos insetos mais freqüentes;
- a freqüência das visitações do inseto mais freqüentes, no decorrer
do dia, por meio de contagem do número de insetos visitando as flores,
a cada 60 minutos, das 8 às 17 horas, 10 minutos em cada horário com
4 repetições;
- tempo e tipo de coleta (néctar e/ou pólen) do inseto mais freqüente,
com 30 repetições;
- perda de botões florais causados pela chuva, marcando-se galhos, antes
e após chuvas, com 3 repetições;
- tempo de formação dos grãos de café, desde botão até a formação final
do fruto;
- contagem dos grãos de café, observando-se a porcentagem de frutificação,
marcando 10 pés de café, em 1993, sendo que 5 pés permaneceram descobertos
e 5 cobertos com armações feitas com estacas revestidas com tela, para
impedir a visita dos insetos. Em 1994, 6 galhos permaneceram descobertos
e 6 foram cobertos, com armações de arame revestidas com tecido de náilon.
Foram realizados testes por pulverização utilizando-se o produto Bee-HereR
(Hoescht Shering Agrevo do Brasil Ltda).
Em 1992 e 1993, foi aplicado Bee-HereR, diluído em xarope, às 8, 10,
12 e 14 horas, com 3 repetições. Em 1994, foi pulverizado o Bee-HereR,
diluído em água, às 8 e 10 horas, com 3 repetições.
Para se observar a atratividade do produto, foram utilizados os tratamentos:
T1=planta não pulverizada e T2=planta pulverizada com o atrativo diluído
em água ou xarope.
Foi pulverizada uma planta para cada tratamento, sendo cada repetição
escolhida aleatoriamente e com uma distância de, pelo menos, 10 metros
uma planta da outra, evitando a interferência entre os tratamentos.
O atrativo foi pulverizado com borrifadores manuais de jardinagem, sendo
feitas contagens do número de abelhas presente em cada tratamento, a
cada 60 minutos, 5 minutos em cada horário, das 8 às 17 horas, tanto
antes como após a aplicação do produto. A diluição foi de 0,2% (2 ml
do atrativo para 1 litro de água ou xarope).
O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente casualizado
(D.I.C.). Todas as análises de variância foram feitas no programa estatístico
ESTAT para comparação das médias de todas as variáveis. Além disso,
foram feitas análises de regressão por polinômios ortogonais nos programas
estatísticos ESTAT e REGPOL para testar cada variável (produtos atrativos
pulverizados na cultura e freqüência dos insetos) no tempo. Os dados
foram considerados ao nível de 5% de significância e utilizou-se o teste
de Tukey para comparação das médias.
Resultados e Discussão
As floradas estudadas ocorreram no período de 15 a 18 de setembro
de 1992, de 14 a 19 de agosto de 1993 e 24 a 28 de setembro de 1994.
Em 1994, a plantação se encontrava debilitada decorrente de geadas e
posterior seca.
A flor durou, em média, cerca de 3 dias desde sua abertura até o murchamento.
No final do 3º dia, as flores se encontravam murchas, amareladas e em
início de queda.
A quantidade de açúcares do néctar apresentou diferença significativa
entre os horários, sendo maior às 8 horas (em média, 102,18 ± 8,75 mg
de carboidratos totais por flor) diminuindo no decorrer do dia até às
16 horas (em média, 46,78 ± 7,61mg de carboidratos totais por flor).
Às 10, 12 e 14 horas, a quantidade de açúcares do néctar foi 54,10 ±
9,02 mg, 50,75 ± 6,15 mg e 54,41 ± 30,86 mg, respectivamente.
Em todos os 3 anos estudados, a abelha A. mellifera foi o inseto mais
freqüente nas flores do cafeeiro (88,9%), seguida das Chloralictus sp
(3,0%), T. spinipes (2,7%), Xylocopa sp (2,7%), Tetragonisca angustula
(1,9%) e moscas, vespas e borboletas (0,8%).
A freqüência das abelhas A. mellifera, coletando néctar, aumentou até
às 10 horas, diminuiu até às 15 horas, aumentando em seguida até às
17 horas, quando as abelhas deixavam de visitar as flores, obedecendo
a seguinte equação de 3º grau: Y = 2,25 + 1,36X - 0,20X2 + 0,07X3, onde
Y é o número de abelhas e X é a hora do dia. Essas abelhas visitaram
as flores, para coleta de pólen, somente até às 9 horas.
No geral, as abelhas A. mellifera preferiram coletar néctar (98,2%)
que pólen (1,8%). Tanto para coleta de néctar como de pólen, essas abelhas
demoravam de 1 a 3 segundos na flor.
A perda de botões florais causada pelas chuvas foi, em média, 26,5 ±
11,7%.
Em 1993, o tempo para a formação do fruto foi 6 meses e o número médio
de grãos procedentes dos pés de café do tratamento descoberto foi 38,79%
maior (45,8 grãos por pé) que no coberto (33,0 grãos por pé). Apesar
dos pés de café serem novos e pequenos, este número de grãos, em ambos
os tratamentos, foi considerado baixo. Em 1994, quando foram marcados
galhos, observou-se que o número médio de grãos de café foi 168,38%
maior no tratamento descoberto (59,5 grãos de café por galho) que no
coberto (22,17 grãos de café por galho). AMARAL (1972) obteve aumentos
de 72% na produção de café cereja com a presença de insetos polinizadores.
A cultura de café estava localizada ao lado de uma cultura de laranja
(Citrus sinensis), que floresceu no mesmo período. Também, nessa região,
ocorre o corte de cana-de-açúcar (Sacharum officcinarum), no período
de maio a novembro, onde as abelhas se direcionam para coletar o melaço
que extravasa das soqueiras, no momento do corte. Estas duas culturas
estavam atraindo as abelhas, com muita intensidade e poucas abelhas
Apis estavam visitando as flores do café. Sendo assim, o atrativo Bee-HereR
foi testado no café, em diferentes horários (8, 10, 12 e 14 horas).
As médias dos 3 anos de estudo, para cada tratamento usado, estão representadas
nas Figuras 1 e 2. Através da Fig. 1, pode-se observar que, logo após
a pulverização do atrativo, em todos os horários, houve um aumento acentuado
no número de abelhas nas flores do café, entretanto, logo em seguida
houve uma queda, mostrando que o produto não teve efeito prolongado.
Em 1992 e 1993, o atrativo Bee-HereR diluído
em xarope atraiu maior número de abelhas que o atrativo diluído em água,
em qualquer horário. Entretanto, a pulverização com o xarope foi considerada
prejudicial pois direcionavam as abelhas para as folhas, pétalas e ponteiros.
Estes dados confirmam os obtidos por STEPHEN (1958) que pulverizando
com xarope árvores de pêras e legumes e FREE (1965) pulverizando plantações
de maçã e feijão de que ocorre aumento no número de forrageiras no local,
mas nas folhas, pétalas e ponteiros. Isto reduz as visitas às flores,
com redução na produção de frutos.
Em 1994, quando foi aplicado o atrativo diluído em água, observou-se
que o tratamento que atraiu maior número de abelhas foi a testemunha,
onde não tinha sido pulverizado o produto, sendo significativamente
maior que os tratamentos onde foi aplicado o atrativo diluído em água,
às 8 e às 10 horas, respectivamente, por meio de Teste de Tukey (Fig.
2).
Entretanto, quando os dados de 1992, 1993 e 1994, foram analisados juntos
não apresentaram diferença significativa, por meio de Teste de Tukey.
Isto mostra que nesta cultura, a aplicação do atrativo Bee-HereR não
apresentou o mesmo efeito observado em cultura de laranja (MALERBO-SOUZA,
1996), onde foi efetivo em atrair abelhas A. mellifera para o pomar,
principalmente quando diluído em água.
Observou-se que o único tratamento que aumentou o número de abelhas,
significativamente, no decorrer do dia, foi quando o atrativo foi aplicado
às 10 horas, diluído em xarope. Por meio de Regressão Polinomial no
tempo, observou-se que o número de abelhas A. mellifera aumentou até
às 12 horas, diminuindo em seguida, obedecendo a seguinte equação de
2º grau : Y = 0,06 + 2,91X - 0,30X2, onde Y é o número de abelhas e
X é a hora do dia.
Conclusões
A partir dos resultados obtidos neste trabalho, pode-se concluir
que a abelha Apis mellifera foi o inseto mais freqüente nas flores do
cafeeiro, nos 3 anos estudados, preferindo coletar néctar no decorrer
do dia.
A
polinização realizada pelas abelhas A. mellifera provocou aumento quantitativo
(38,79%, em 1993 e 168,38%, em 1994) na produção de grãos de café, var.
Mundo Novo.
Apesar dos resultados não serem significativos, observou-se que as abelhas
que estavam na laranja e na cana-de-açúcar e não visitavam as flores
de café, após a pulverização do atrativo começaram a visitá-las, mostrando
que estudos devem ser realizados utilizando novas substâncias e formas
para prolongar o efeito do produto.
O produto Bee-HereR pode ser usado como atrativo para as abelhas A.
mellifera, nessa cultura.
Agradecimentos
Agradecemos à FAPESP, CNPq e CAPES pelo apoio financeiro e ao Depto
de Irrigação da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias/UNESP,
pela concessão da área do experimento.
ABSTRACT:
The present experiment was carried out at the Faculdade de Ciências
Agrárias e Veterinárias, Campus de Jaboticabal, UNESP, to study the
frequency and behaviour of insects on coffee (Coffea arabica L., var.
Mundo Novo) flowers, the effect these insects on fruit production besides
measurements of the collection type of more frequent bees and the effectiveness
of Bee-HereR (Hoescht Shering Agrevo do Brasil Ltda) attractant on honeybee
visits. In coffee the more frequent insect to visit the flower was honeybees
(africanized) collected mainly nectar during the day. The number of
fruits in uncovered treatment was 38,79% and 168,38% higher in 1993
and 1994, respectively, than covered ones. The attractant was different
in attractiveness by honeybees in the three years (1992, 1993 e 1994).
The Bee-HereR can be used for attract honeybees in coffee orchards.
Referências
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FIGURA 1 - Número médio de abelhas Apis mellifera,
coletando néctar, no decorrer do dia, em flores pulverizadas
com o produto Bee-HereR diluído em xarope (Xar) às 8, 10,
12 e 14 horas, em cultura de café (Coffea arabica), com 3
repetições, em 1992 e 1993.
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FIGURA 2 - Número médio de abelhas Apis mellifera,
coletando néctar, no decorrer do dia, em flores pulverizadas
com xarope às 8 horas e com água acrescida do produto Bee-HereR,
às 8 e 10 horas, em cultura de café (Coffea arabica), com
3 repetições, em 1994.
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