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Alternativas de produção de suínos
(Por: Cláudio Bellaver)*

Ciclicamente a suinocultura se depara com o alto preço dos ingredientes para rações. Sabe-se que o milho de qualidade e o farelo de soja são os ingredientes preferenciais para uma boa dieta de suínos. Também conhece-se historicamente que o custo de produção de suínos tem na ração o principal peso (60% a 70%) e o milho sozinho equivale a 40% do custo de produção. Então, desnecessário é falar da importância econômica do milho para a produção suína.
  
Na avicultura, esses dois ingredientes também são igualmente importantes. Se isso fosse mais considerado em planejamento agrícola, os Estados com produção animal intensiva deveriam ter milho em quantidade e qualidade suficientes para sua produção. Os Estados do Sul apresentam déficit de milho. A solução em geral tem sido a importação de grãos, mas no ano que passou vimos que a modificação cambial, desfavorável ao real, dificultou as importações de cereais e, além disso, a estiagem recente diminuiu a expectativa de oferta interna de grãos, fazendo uma elevação de preços no mercado (R$ 0,14/kg em maio/99 para R$ 0,26/kg em dezembro/99). Não temos estoques reguladores para suprir deficiências de mercado, ou, às vezes, esses estoques apresentam ingredientes com qualidade ruim, fato que traz grande incerteza e prejuízos na produção animal.
 
Esse panorama motiva as velhas e conhecidas choradeiras e a busca por culpados. Na verdade a indústria mais organizada não está enfrentando problema de escassez de milho, pois estão com estoques próprios até a próxima safra nacional, quando então, novamente, comprarão tudo precocemente para o ciclo seguinte. Também as indústrias organizadas já disputaram os cereais de inverno (trigo, triguilho e triticale) e açúcar cristal (R$ 0,28/kg), que estiveram muito baratos há três meses e bastante disponíveis no mercado.
 
E o que podem os pequenos produtores fazer? Bem, não há uma única resposta mas certamente reduzir plantel ou abater com menor peso os animais são soluções imediatas, antigas e cíclicas. Porém, não são as melhores. Vimos antes que o custo de produção é altamente dependente da alimentação e a solução está em otimizá-la. Como fazer isso? Os serviços de extensão rural oficiais devem estar preparados para informar sobre culturas alternativas de inverno (trigo, triticale, cevada), de verão (sorgo e milho) e contínuas (tubérculos de mandioca). Não imaginem que abóboras sirvam para suinocultura.
 
Alguns poderiam perguntar: a mandioca é uma boa alternativa? Sim, mas deve se ter alguns cuidados especiais e naturalmente a resposta animal pode não ser igual a do milho. Por outro lado, os milhos sofrem ação de micotoxinas por não serem em geral ensilados convenientemente, o que não é comum com a mandioca cujo silo é a própria terra. Além disso, a produtividade por hectare favorece a mandioca. Então se formos analisar economicamente, a mandioca tem grandes chances na produção de suínos das pequenas propriedades. Foi deixada de lado por várias razões cujo espaço não permite discuti-las. Em resumo o pequeno produtor tem que produzir e armazenar com qualidade grande parte dos cereais e (ou) tubérculos que precisa usar na sua produção; se não, não há alternativa...

FONTE:
* PhD em nutrição, pesquisador da Embrapa Suínos e Aves
EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Centro Nacional de Pesquisa de Suínos e Aves
Ministério da Agricultura e do Abastecimento
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