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Ciclicamente
a suinocultura se depara com o alto preço dos ingredientes para rações.
Sabe-se que o milho de qualidade e o farelo de soja são os ingredientes
preferenciais para uma boa dieta de suínos. Também conhece-se historicamente
que o custo de produção de suínos tem na ração o principal peso (60%
a 70%) e o milho sozinho equivale a 40% do custo de produção. Então,
desnecessário é falar da importância econômica do milho para a produção
suína.
Na avicultura, esses dois ingredientes também são igualmente importantes.
Se isso fosse mais considerado em planejamento agrícola, os Estados
com produção animal intensiva deveriam ter milho em quantidade e qualidade
suficientes para sua produção. Os Estados do Sul apresentam déficit
de milho. A solução em geral tem sido a importação de grãos, mas no
ano que passou vimos que a modificação cambial, desfavorável ao real,
dificultou as importações de cereais e, além disso, a estiagem recente
diminuiu a expectativa de oferta interna de grãos, fazendo uma elevação
de preços no mercado (R$ 0,14/kg em maio/99 para R$ 0,26/kg em dezembro/99).
Não temos estoques reguladores para suprir deficiências de mercado,
ou, às vezes, esses estoques apresentam ingredientes com qualidade ruim,
fato que traz grande incerteza e prejuízos na produção animal.
Esse panorama motiva as velhas e conhecidas choradeiras e a busca por
culpados. Na verdade a indústria mais organizada não está enfrentando
problema de escassez de milho, pois estão com estoques próprios até
a próxima safra nacional, quando então, novamente, comprarão tudo precocemente
para o ciclo seguinte. Também as indústrias organizadas já disputaram
os cereais de inverno (trigo, triguilho e triticale) e açúcar cristal
(R$ 0,28/kg), que estiveram muito baratos há três meses e bastante disponíveis
no mercado.
E o que podem os pequenos produtores fazer? Bem, não há uma única resposta
mas certamente reduzir plantel ou abater com menor peso os animais são
soluções imediatas, antigas e cíclicas. Porém, não são as melhores.
Vimos antes que o custo de produção é altamente dependente da alimentação
e a solução está em otimizá-la. Como fazer isso? Os serviços de extensão
rural oficiais devem estar preparados para informar sobre culturas alternativas
de inverno (trigo, triticale, cevada), de verão (sorgo e milho) e contínuas
(tubérculos de mandioca). Não imaginem que abóboras sirvam para suinocultura.
Alguns poderiam perguntar: a mandioca é uma boa alternativa? Sim, mas
deve se ter alguns cuidados especiais e naturalmente a resposta animal
pode não ser igual a do milho. Por outro lado, os milhos sofrem ação
de micotoxinas por não serem em geral ensilados convenientemente, o
que não é comum com a mandioca cujo silo é a própria terra. Além disso,
a produtividade por hectare favorece a mandioca. Então se formos analisar
economicamente, a mandioca tem grandes chances na produção de suínos
das pequenas propriedades. Foi deixada de lado por várias razões cujo
espaço não permite discuti-las. Em resumo o pequeno produtor tem que
produzir e armazenar com qualidade grande parte dos cereais e (ou) tubérculos
que precisa usar na sua produção; se não, não há alternativa...
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