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Através
de programas de biossegurança, objetiva-se reduzir os riscos de infecções
em uma população específica, aumentar o controle sanitário dos plantéis,
minimizar a contaminação do ecossistema e resguardar a saúde do consumidor.
Para tal, faz-se necessário desenvolver e implementar normas e procedimentos
rígidos em todos os segmentos da produção.
Na avicultura, o controle das enfermidades é feito através do uso
correto de medidas sanitárias e programas de imunoprofilaxia cuidadosamente
elaborados, que visam prevenir a instalação de doenças nos plantéis
e proteger o consumidor, usuário final do produto avícola.
Existe grande interdependência entre as etapas do controle sanitário,
uma vez que os programas de vacinação e de biossegurança por si só,
não asseguram 100% de eficácia. Cabe ressaltar que o homem é um dos
fatores importantes na disseminação e transmissão de doenças para as
aves.
A implementação de um programa de biossegurança, implica no cumprimento
de normas e procedimentos que devem contar com a colaboração e participação
de todos, devendo ser ressaltado que o constante aperfeiçoamento do
programa é de vital importância.
É necessário conscientização e treinamento de todos os funcionários
(com qualquer grau de responsabilidade na produção) quanto a necessidade
de isolamento das instalações e implantação rigorosa das medidas que
reduzam a probabilidade de introdução de doenças na granja.
Existem importantes aspectos que devem ser considerados em um programa
de biossegurança, como:
Isolamento das instalações
O isolamento das instalações compreende aspectos macro e micro.
O Macroisolamento refere-se à localização geográfica da granja e
à presença de barreiras sanitárias como reflorestamento e matas naturais
de árvores não frutíferas, entre as unidades avícolas, que funcionam
como filtro natural.
É necessário estabelecer os limites da granja e dos núcleos, através
de barreiras físicas como cercas de tela para evitar o livre acesso.
Compreende-se por núcleo a unidade com área física adequadamente isolada,
de manejo comum, constituída de um ou mais aviários.
Todas as aberturas de acesso, como portões e portas, devem ser mantidas
fechadas, adotando-se critérios rígidos para o controle do trânsito.
Devem ser respeitadas as distâncias mínimas entre a granja e outros
estabelecimentos avícolas com objetivos de produtividades diferentes
(Tabela 1).
Tabela
1. Distâncias mínimas a serem mantidas entre estabelecimentos avícolas
|
Estabelecimentos
|
Distância
mínima (m)
|
|
Entre
granja e abatedouro
|
5.000
|
|
Entre
bisavozeiro e avozeiro
|
5.000
|
|
Entre
matrizeiros
|
3.000
|
|
Entre
núcleos e limites periféricos da propriedade
|
100
|
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Entre
núcleo e estrada vicinal
|
500
|
|
Entre
núcleos de diferentes idades
|
500
|
|
Entre
recria e produção
|
500
|
Fonte:
Instrução Normativa nº 4/1998, Ministério da Agricultura e Abastecimento.
As
distâncias mínimas a serem consideradas entre os aviários do núcleo
devem ser, no mínimo, o dobro da largura dos aviários. Em função da
existência de barreiras naturais como reflorestamento, matas naturais
e da topografia do local, essas distâncias podem sofrer modificações
a critério do médico veterinário oficial responsável pelo estabelecimento
avícola. As proximidades dos aviários devem ser mantidas limpas e com
gramados aparados.
O Microisolamento abrange os cuidados dentro da granja.
É de fundamental importância restringir e monitorar visitas, entrada
de veículos e equipamentos nas áreas internas do estabelecimento avícola.
Quando for inevitável, deverão ser cumpridas rigorosamente as medidas
previstas no programa de biossegurança. Os visitantes devem seguir as
mesmas normas adotadas para o pessoal interno. A determinação desses
limites delimita áreas distintas na granja, considerando os graus de
contaminação, como:
- a área limpa que é constituída pelo acesso aos núcleos, vestiários
e portões, por onde se faz o transporte de ração, aves e equipamentos;
- a área suja, que compreende a região externa da granja e o
acesso de saída dos núcleos, pela qual se procede a retirada
de camas e aves de cada núcleo.
Instalações
Em um programa de biossegurança também se define as áreas principais
de atuação nas instalações da granja, como:
- área de apoio central: é o local onde inicia o acesso à granja.
Nela estão localizados rodolúvio, rampa de lavagem e desinfecção de
veículos, fumigadores, banheiros, sala de ovos, lavanderia, sala de
armazenagem de maravalha e local de transferência das aves;
- área de apoio de núcleos: é formada pela construção que deve
existir em cada núcleo, com os respectivos vestiários, sala de ovos
(que deve manter-se em temperatura média de 20° C e umidade de 70%),
fumigadores e silos.
Acesso
à granja de matrizes
- funcionários e visitantes: como já mencionado, visitas
devem ser restringidas.
. as pessoas que pretenderem entrar na granja deverão evitar contato
com outros plantéis, pelo menos três dias antes da visita;
. os funcionários e visitantes podem entrar somente em um núcleo
por dia;
. funcionários, visitantes ou técnicos, só poderão ter acesso à área
limpa da granja, após tomarem banho completo e trocarem roupas e calçados
previamente desinfectados e fornecidos pelo estabelecimento, na entrada
de cada núcleo da granja;
. as pessoas devem se dirigir aos aviários pelo acesso limpo da granja.
Ao saírem deverão fazê-lo pelo corredor da área suja, após novo banho
e troca de roupas e calçados;
-
veículos: carros particulares não poderão entrar na granja.
. veículos da granja para adentrarem à área limpa devem ser lavados
com água sob-pressão, (inclusive a cabine) e desinfectados. A passagem
pelo rodolúvio é obrigatória;
. o rodolúvio consiste em uma caixa com desinfetante em quantidade suficiente
para atingir toda a roda do veículo, localizado na entrada da granja.
Deve estar protegido da chuva. A solução desinfetante deve ser trocada
semanalmente;
- equipamentos: rigorosos cuidados de limpeza e desinfecção
devem anteceder a introdução de todos e quaisquer materiais e equipamentos
na granja. Da mesma forma, todos os materiais ao saírem dos núcleos
devem ser fumigados. Trocas de equipamentos entre granjas devem ser
evitadas;
-
trânsito interno: o fluxo de acesso aos aviários deve
ser rigorosamente observado, considerando a idade e a situação sanitária
das aves (visitar primeiro as mais jovens). Havendo suspeita de enfermidade
em um lote, somente o funcionário do aviário e o veterinário responsável
pela granja, poderão ter acesso a ele;
. todos os procedimentos utilizando veículos, como a entrega da ração,
transporte de pintos e retirada das aves, esterco e cama, devem ser
realizados após tomadas as respectivas medidas de limpeza e desinfecção,
respeitando o fluxo entre a área limpa e suja.
. a entrega de ração deve ser feita no silo localizado na entrada da
granja de onde será levada para os respectivos núcleos por graneleiros
internos da granja.
. o carregamento das aves para descarte deve ser realizado por caminhões
internos da granja até a área de transferência, localizada a pelo menos
um quilômetro da área de apoio central da granja. Nesse local procede-se
a transferência das aves para outro caminhão que as levará para o abatedouro.
. a retirada de esterco e maravalha deve ser realizada pelo corredor
externo. Todo o material utilizado para o carregamento deve ser fornecido
pela granja. Após efetuado o carregamento, a carga deve ser lonada.
. certamente existirão diversas situações no dia a dia de trabalho na
granja, cuja tomada de decisão necessitará do uso de coerência e bom
senso, visando sempre proteger o plantel dos riscos de contaminação.
-
limpeza de desinfecção: esse item abrange os cuidados de limpeza
e desinfecção extensivos a todas as construções da granja (banheiros,
sala de ovos, aviários), bem como os equipamentos existentes nos respectivos
locais. Os procedimentos de limpeza e desinfecção devem ser realizados
diariamente.
. nos banheiros, lavar e desinfectar após a entrada (pela manhã) e após
a saída dos funcionário (à tarde) e na sala de ovos, após a saída dos
ovos do dia. Recomenda-se fazer inicialmente uma limpeza a seco para
facilitar a posterior lavagem e desinfecção;
. nos aviários com aves alojadas, a poeira de locais como telas, ninhos
e lâmpadas, deve ser removida pelo menos uma vez por semana;
. bebedouros devem ser limpos e desinfectados diariamente.
. após a saída do lote, os aviários deverão ser imediatamente
limpos, fazendo-se a desmontagem dos equipamentos e retirada da cama.
Aconselha-se umedecer a cama antes de retirá-la para diminuir a formação
de poeira;
. comedouros e silos deverão ser esvaziados e as sobras de ração eliminadas;
. todos os equipamentos móveis deverão ser retirados, lavados e desinfectados;
. varrer o aviário, limpar ventiladores, painéis, motores e demais equipamentos
para a retirada de pó. Após essa limpeza, é recomendado a passagem de
lança chamas no piso e muretas, para queimar as penas restantes no aviário;
. a vegetação e o gramado próximo ao aviário devem ser aparados;
. na seqüência, proceder à lavagem do piso, paredes, teto, vigas e cortinas,
com água sob pressão e detergente. Nesse momento também devem ser feitas
limpeza e desinfecção das calçadas externas, do silo, da caixa d¢ água
e das tubulações;
. após a secagem, proceder à desinfecção do aviário e recolocação dos
equipamentos e cama. Para finalizar, proceder à fumigação, deixando
o aviário fechado com as cortinas levantadas por 24 horas.
Mesmo após a avaliação laboratorial comprovando
a eficácia da desinfecção, recomenda-se fazer um vazio sanitário de,
pelo menos, 15 dias, antes de alojar outro lote. Os desinfetantes mais
utilizados no processo de desinfecção são: formol, iodo, amônia quaternária,
fenóis, cresóis e cloro (Tabela 2). Recomenda-se fazer o rodízio periódico
do princípio ativo do desinfetante utilizado.
Tabela
2. Desinfetantes e seu uso.
|
Locais
de uso
|
Formol
|
Iodo
|
Amônia
Quaternária
|
Fenóis
e
Cresóis
|
Cloro
|
|
Caixa
de água
|
-
|
+
|
+
|
-
|
++
|
|
Encanamentos
|
-
|
+
|
+
|
-
|
++
|
|
Piso
|
+
|
+
|
+
|
+
|
-
|
|
Paredes
|
+
|
+
|
+
|
+
|
-
|
|
Telhados
|
+
|
+
|
+
|
+
|
-
|
|
Telas
|
+
|
-
|
+
|
+
|
-
|
|
Equipamentos
|
+
|
-
|
+
|
-
|
+
|
|
Pedilúvios
e Rodolúvios
|
-
|
+
|
+
|
+
|
-
|
|
Matéria
Orgânica
|
-
|
-
|
-
|
+
|
-
|
Recomendado
(+); Muito recomendado (++); Não recomendado (-).
Manejo sanitário
A implantação de uma política de idade única no mesmo núcleo é fundamental,
para o êxito das medidas de biossegurança.
- respeitados os procedimentos de banho, troca de roupa e calçados e
do fluxo de acesso aos núcleos, o funcionário deverá imergir os calçados
no pedilúvio (recipiente com desinfetante para a desinfecção dos calçados),
colocado na porta de todos os aviários, antes de entrar no aviário;
- noções básicas de higiene pessoal devem ser estimuladas entre os funcionários;
- a rotina diária dentro do aviário deve contemplar a limpeza dos bebedouros,
retirada de aves mortas ou machucadas e coleta de ovos.
- a coleta dos ovos no aviário deve ser feita com bastante freqüência
(no mínimo 7 vezes ao dia), utilizando-se bandejas de plástico que são
mais higiênicas. Quanto antes forem colhidos e fumigados os ovos após
a postura, menores as chances de contaminação;
- a desinfecção dos ovos visa eliminar microorganismos na casca e, com
esse procedimento, manter a população de microorganismos tão baixa quanto
possível;
- o processo de fumigação com formol e permanganato de potássio, ou
com paraformoldeído, ainda é o método úmido de higienização de ovos
mais utilizado. Ambos devem ser executados observando-se o tempo de
exposição e correta temperatura (de 25° C a 35° C) e umidade relativa
do ar (acima de 75%);
- o funcionário deve providenciar sistematicamente o destino dos resíduos
da produção (aves mortas, estercos, restos de ovos e embalagens). As
aves mortas deverão ser incineradas, enterradas em fossa séptica revestida
e coberta com laje de concreto ou utilizar a compostagem;
- a monitoria, quanto à presença de parasitas no plantel, deve ser um
procedimento contínuo. Os vermes intestinais (helmintos) devem ser controlados
através da administração de vermífugos. O controle da coccidiose pode
ser feito através da adição de quimioterápicos na ração, durante o período
de cria e recria;
- os aviários e os locais para armazenagem de alimentos ou ovos, devem
ser mantidos isentos de insetos e roedores, não sendo permitido o acesso
de animais silvestres ou outros animais domésticos;
- as instalações avícolas devem possuir proteção de tela para evitar
acesso de pássaros. Essas aves podem ser "reservatório" de
diversas enfermidades;
- o controle de roedores deve ser constante. Quanto mais limpo e organizado
o setor, menor a possibilidade de proliferação dos ratos. Esse controle
pode ser feito pelo método mecânico, através do uso de armadilhas e
pelo método químico, administrando-se raticidas;
- o controle de insetos, especialmente de moscas, devem merecer um cuidado
especial: para se reduzir a proliferação de moscas, deve-se manter o
esterco seco. Para tanto, o funcionário do aviário deve estar atento,
corrigindo imediatamente possíveis vazamentos de bebedouros ou de encanamentos.
A administração de produtos químicos, como os larvicidas na ração,
deve ser racionalizada para evitar o desenvolvimento de resistência
à droga. O uso de adulticidas (produtos para combater moscas adultas),
deve ser limitado à locais com excessiva presença de mosca, mas não
deve ser aplicado sobre a cama.
Outros procedimentos
- cuidados com a água: a água fornecida na granja, deve ser abundante,
limpa, fresca, isenta de microorganismos patogênicos. Captada em uma
caixa d¢ água central para posterior distribuição. Para controlar o
nível microbiológico da água, faz-se necessário monitorá-la freqüentemente
e proceder à administração de um desinfetante que usualmente é o hipoclorito
de sódio. A cloração da água é feita pela adição de um a três ppm de
cloro à água de bebida. A avaliação dos níveis de cloro deve ser feita
semanalmente, com o uso de clorímetro da água obtida nos bebedouros.
Importante ressaltar que a água usada para vacinação das aves, não pode
ser clorada;
- cuidados com a maravalha: é importante conhecer as condições
de fabricação, armazenagem e transporte da maravalha adquirida de terceiros.
Amostras da maravalha acondicionados em sacos plásticos e identificadas
devem ser remetidas para exame microbiológico a cada nova carga;
- cuidados com a ração: cuidados com a qualidade das rações fornecidas
às aves são imprescindíveis, tanto da qualidade nutricional quanto das
características microbiológicas. No programa de biossegurança, a grande
preocupação é evitar fontes de contaminação da ração. Para tanto, recomenda-se
a não utilização de rações com adição de produtos de origem animal como
farinhas de carne, vísceras, penas, ossos e peixes. Esses ingredientes
têm apresentado alta freqüência de contaminação com agentes patogênico,
principalmente os causadores de salmoneloses e clostridioses.
É necessário que a matéria-prima que irá compor a ração seja monitorada
sistematicamente. As rações fornecidas às aves devem ser submetidas
a um efetivo processo de descontaminação. Esse processo pode ser através
da mistura de ácidos orgânicos (propiônico, fórmico ou acético) na ração,
ou pelo tratamento térmico (peletização da ração). Independente do método
utilizado, deve-se avaliar em cada partida de ração os níveis de contaminação
por fungos e bactérias.
Vacinação
As técnicas para imunização das matrizes devem ser estabelecidas
com base nos resultados do monitoramento sorológico do plantel e resultados
da avaliação da própria performance do desempenho da sua progênie. O
êxito de um programa de vacinação depende de fatores como estado sanitário
e nutricional das aves, condições ambientais e de manejo do plantel.
Cabe ao médico veterinário responsável pela granja a elaboração do programa
de vacinação, que seja compatível com as condições locais (desafios
regionais a campo), baseado nos resultados laboratoriais e técnicos.
. diversos fatores podem interferir na eficácia das vacinas tais como,
tempo necessário para imunização, duração da imunidade, exposição às
enfermidades, títulos vacinais entre outros. Avaliação dos resultados
do programa de vacinação deve ser feito através de exames laboratoriais
e monitoria sorológica dos lotes;
. o esquema de vacinação deve atender às condições reais de cada empresa,
de acordo com o desafio sanitário da região, portanto deve ser específico
para cada situação e flexível para atender às demandas que se apresentarem
durante o período de produção. Dessa forma, é impossível definir um
programa único de vacina que atenda genericamente às diferentes situações;
. seja qual for a situação, o programa de vacinação deve dar condições
imunológicas às reprodutoras de transmitirem suficiente imunidade materna
para sua progênie, contra doenças como Gumboro, bronquite infecciosa
e Newcastle. A vacinação para essas enfermidades devem ser realizadas
nas fases de cria e recria com vacinas vivas, mas na fase de produção
a vacina deve ser inativada. A vacinação para encefalomielite aviária,
deve ser feita antes do início da postura. Dependendo do desafio regional,
as matrizes devem ser vacinadas contra coriza infecciosa;
. é conveniente lembrar que todas as aves devem ser vacinadas contra
a doença de Marek no primeiro dia de vida;
. além de um bom esquema de vacinação, é necessário observar certos
cuidados no manejo de vacina. A vacinação incorreta ou inadequada pode
ser tão prejudicial quanto não vacinar. Para que seja realizada com
sucesso são necessários certos cuidados, tais como: planejar a vacinação
com antecedência, seguir corretamente o cronograma de vacinação, observar
o prazo de validade das vacinas, manejar a vacina corretamente quanto
à via de aplicação, diluição, conservação (conserva-las a 4 ºC), evitar
incidência direta do sol e evitar estressar excessivamente as aves.
Recomenda-se vacinar em horários com temperaturas amenas. Aves doentes
não devem ser vacinadas;
. todos os aviários devem ter uma ficha de controle com o histórico
do lote onde devem constar informações sobre as vacinações;
Monitoramento Sorológico
O controle sorológico de um plantel tem por objetivo determinar
os níveis de imunidade materna, determinar imunocompetência, avaliar
e reajustar o programa de vacinação, diagnosticar surtos de doença e
avaliar a biossegurança na granja. Deve-se ressaltar que para a comercialização
nacional e para exportação de produtos avícolas faz-se necessário o
monitoramento oficial dos plantéis avícolas (realizado em laboratórios
credenciados pelo Ministério da Agricultura) para salmoneloses, micoplasmoses
e Newcastle.
A rotina do monitoramento sorológico deve considerar:
- os exames laboratoriais para o monitoramento do plantel são basicamente
sorológicos e bacteriológicos. Isolamentos virais, exames histológicos
e outros devem ser realizados sempre que se julgar necessário;
- recomenda-se não usar vacina preparadas com adjuvante oleoso,
durante as quatro semanas que antecedam o teste sorológico e verificar
a validade dos antígenos e soros controle;
- o responsável técnico pela granja deve estabelecer um cronograma da
coleta de materiais para os exames. Esse cronograma deverá seguir a
ordem cronológica do plantel de acordo com o exame requisitado. O número
de amostras a serem colhidas deverá ser determinado pela prevalência
da doença;
- na primeira semana de idade é recomendado o exame bacteriológico para
Salmonella sp nas aves mortas e suabe de cama do aviário.
A partir da quinta semana, proceder sistematicamente exames bacteriológicos
(suabes cloacais, suabes de arrasto no aviário e pool de fezes frescas);
- os exames sorológicos para Salmonella sp compreendem
aglutinação rápida ( SAR. Caso ocorra reação positiva, deverá ser complementada
com soro aglutinação lenta em tubo. Persistindo a positividade sorológica,
realizar isolamento bacteriológico. No incubatório, fazer o diagnóstico
bacteriológico de ovos bicados e mecônio;
- exames sorológicos das principais doenças virais como Newcatle, Gumboro,
bronquite Infecciosa, entre outras, devem ser realizados sistematicamente;
- o monitoramento das micoplamoses nos plantéis de matrizes consiste
em exames sorológicos através de soro aglutinação rápida (SAR) e inibição
da hemoaglutinação (HI) e Elisa. O isolamento do agente pode ser realizado
a partir de suabes de traquéia ou da fenda palatina e dos sacos aéreos
e articulações.
Considerações
finais
Conforme apresentado, o Programa de Biossegurança é constituído
por diversas ações interdependentes, cujo sucesso depende da realização
consciente e rigorosa de cada detalhe, devendo contar com a colaboração
e o comprometimento de todos.
Entendemos que sendo o Brasil grande produtor e exportador de aves,
é cada vez maior a necessidade da implementação de medidas de biossegurança
no setor produtivo, não só visando a obtenção de melhores resultados
de produção, mas principalmente para agregar valor ao produto, uma vez
que problemas sanitários graves podem comprometer a exportação dos produtos
avícolas.
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