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O
trigo é uma gramínea do genêro Triticum com tradição milenar
de cultivo e consumo humano pelo seu valor nutricional como alimento.
Esse cereal se adaptou a uma grande variedade de solos e condições adversas
de clima, podendo ser produzido de forma extensiva na maior parte das
regiões do mundo, motivos pelo qual foi adotado como um alimento básico
para consumo humano.
Existem numerosas espécies. Mas apenas três apresentam importância econômica:
o trigo duro (Triticum durum), o trigo comum (Triticum aestivum)
e o trigo compacto (Triticum compactum).
O trigo vem sendo utilizado como fonte principal de energia nas dietas
de aves de vários países, especialmente na Europa. No Brasil, até recentemente,
não era utilizado em rações para animais pelo alto custo de produção
e, também, pela disponibilidade de outros ingredientes alternativos.
Normalmente, o grão integral só é destinado ao consumo animal quando
possui classificação inferior. Mas devido aos altos preços do milho,
principalmente em épocas de entressafra, o trigo passou a ser uma opção
em potencial como alternativa ao milho na alimentação animal.
Nas regiões produtoras de trigo do Brasil (Estados do Sul), durante
o período da colheita, é comum a ocorrência de chuvas. Isso poderá levar
a uma alta incidência de grãos germinados que são classificados como
de qualidade inferior para a indústria panificadora, depreciando seu
valor ao redor de 50%. Considerando-se que a cada ano cerca de 20% da
safra de trigo (que foi de 2,188 milhões de toneladas em 1998) é de
grãos germinados, teríamos cerca de 437 mil toneladas de trigo germinado,
que poderiam ser utilizados na alimentação animal.
O trigo apresenta boa qualidade nutricional e grande potencial de utilização
nas dietas para monogástricos e ruminantes. Por outro lado, quando utilizado
em rações peletizadas, apresenta capacidade aglutinante, melhorando
a qualidade do pelete. Contudo as cultivares de trigo apresentam grande
variação na composição química e valor nutricional. Considerando os
trigos cultivados no mundo, os valores de proteína bruta variam entre
6% e 22%, com maior freqüência de valores entre 13% e 14%.
Nos resultados da determinação da composição química e energética de
amostras de trigos, obtidos pela Embrapa Suínos e Aves, verificou-se
que a proteína bruta variou de 11,03% a 16,42% com média de 13,49% e
a energia metabolizável aparente corrigida para nitrogênio de 2887 a
3292 kcal/kg com média de 3040 kcal/kg.
Experimentos conduzidos pela Embrapa Suínos e Aves demonstraram que
o trigo germinado é uma excelente fonte de nutrientes para aves e suínos,
podendo substituir o milho sem prejuízo no desempenho. Esses resultados
são importantes para as cadeias produtivas de trigo e aves que dispõem
de nova alternativa de comercialização e utilização.
Um destes experimentos teve por objetivo gerar informações sobre o melhor
uso do trigo com alto grau de grãos germinados em rações fareladas,
trituradas e peletizadas para frangos de corte, quando foram testadas
cinco dietas: D1 - Dieta à base de milho e farelo de soja (FS); D2 -
Substituição de 50% do milho da dieta D1 por trigo com 0% de grãos germinados;
D3 - Dieta a base de trigo com 0% de grãos germinados e FS; D4 - Substituição
de 50% do milho da dieta 1 por trigo com 9% de grãos germinados; D5
- Dieta a base de trigo com 9% de grãos germinados e FS.
As dietas foram isocalóricas e isoprotéicas, fornecidas à vontade, bem
como a água. O trigo utilizado foi da cultivar EMBRAPA-16, com zero
e 9% de grãos germinados, tendo peso hectolitro de 67,15 e 76,55 kg/hl,
respectivamente. Na fase inicial (0 a 21 dias de idade) todas as rações
foram fareladas. Nas fases de crescimento (21 a 35 dias de idade) e
final (35 a 42 dias de idade), seis repetições, de cada tratamento,
continuaram com ração farelada. As outras seis receberam ração triturada
na fase de crescimento e peletizada na fase final. As dietas tinham
seqüencialmente 21,0%, 19,5% e 18,5% de proteína bruta e 3010, 3100
e 3150 kcal/kg de EM nas fases inicial, crescimento e final, respectivamente.
Para comparar os tratamentos, foi considerado o período total de 0 a
42 dias de idade.
Observa-se (Tabela 1) que as dietas com trigo determinaram melhor peso
corporal e ganho de peso em relação à dieta sem trigo, entretanto não
houve efeito no consumo de ração e conversão alimentar. Com base nesses
resultados, conclui-se que as dietas com trigo apresentaram melhores
resultados em relação à dieta a base de milho e farelo de soja.
Considerando-se os níveis de substituição (50% e 100%) do trigo pelo
milho não se verificou efeitos no peso corporal, ganho de peso, consumo
de ração e conversão alimentar. Já o contraste entre as porcentagens
de grãos germinados (0% e 9%) foi significativo, sendo que a utilização
de dietas com trigo com 0% de grãos germinados determinou melhores peso
corporal, ganho de peso e maior consumo de ração em relação à dietas
com 9% de grãos germinados. Mas, não houve efeito da porcentagem de
grãos germinados na conversão alimentar. Esses resultados mostram, ao
comparar-se dietas a base de milho e farelo de soja com dietas contendo
trigo, que é possível usar qualquer nível de substituição do milho pelo
trigo. Entretanto quando se compara dietas contendo trigo, aquelas com
0% de grãos germinados determinam melhor peso corporal e ganho de peso
em relação às com o trigo contendo 9% de grãos germinados.
Foi verificado efeito significativo (Tabela 2) da forma física da ração
no peso corporal, ganho de peso, consumo de ração e conversão alimentar
no período de 22 a 35 dias, sendo que a utilização de rações trituradas
determinou maior peso corporal, ganho de peso, consumo de ração e melhor
conversão alimentar que as rações fareladas. No período de 35 a 42 dias
de idade dos frangos, as rações peletizadas resultaram em maiores peso
corporal, ganho de peso e consumo de ração em relação às fareladas,
porém não houve efeito na conversão alimentar. Concluiu-se que a utilização
de rações trituradas nos períodos de 21 a 35 dias e peletizadas de 36
a 42 dias de idade, respectivamente, proporcionou melhor desempenho
dos frangos de corte em relação às fareladas.
Tabela
1. Comparações no desempenho dos frangos no período de 0 a 42
dias de idade considerando dietas contendo ou não trigo, níveis
de substituição do milho pelo trigo e da porcentagem de grãos germinados
do trigo.
|
Variáveis
|
Tipos
de dietas
|
Porcentagem
de substituição
|
Porcentagem
de
grãos germinados
|
| |
s/trigo
|
c/trigo
|
50
|
100
|
0
|
9
|
|
Peso
inicial(g)
|
46,91
|
47,04
|
47,07
|
47,01
|
47,12
|
46,96
|
|
Peso
corporal (g)
|
2370b
|
2412a
|
2430
|
2413
|
2440a
|
2402b
|
|
Ganho
de peso (g)
|
2323b
|
2374a
|
2383
|
2366
|
2393a
|
2355b
|
|
Consumo
de ração (g)
|
4207
|
4259
|
4272
|
4246
|
4290a
|
4229b
|
|
Conversão
alimentar (kg/kg)
|
1,81
|
1,80
|
1,80
|
1,80
|
1,79
|
1,80
|
Tabela
2 – Efeito da forma física das rações nas médias de ganho de
peso, consumo de ração e conversão alimentar dos frangos de corte
nos períodos de 21 a 35 e 36 a 42 dias de idade.
|
Variáveis
|
Formas
físicas das rações
|
| |
Farelada
|
Triturada
|
|
Período
de 21 a 35 dias de idade
|
|
Ganho
de peso (g)
|
1064b
|
1167a
|
|
Consumo
de ração (g)
|
1908b
|
1983a
|
|
Conversão
alimentar (kg/kg)
|
1,79a
|
1,70b
|
|
Peso
corporal (g)
|
1834b
|
1934a
|
|
Variáveis
|
Formas
físicas das rações
|
| |
Farelada
|
Peletizada
|
|
Período
de 35 a42 dias de idade
|
|
Ganho
de peso (g)
|
515b
|
538a
|
|
Consumo
de ração (g)
|
1176b
|
1271a
|
|
Conversão
alimentar (kg/kg)
|
2,30
|
2,37
|
|
Peso
corporal (g)
|
2349b
|
2473a
|
|