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A
evolução no desempenho de linhagens de frango de corte e postura comerciais
tem sido acentuada nas últimas décadas (Tabela 1). Os conhecimentos
da genética quantitativa, aliados ao uso de técnicas computacionais
e estatística, têm assegurado um progresso genético contínuo de todas
as características de produção. Estudos demonstram que 80% das melhorias
obtidas nas linhagens de aves de corte e postura foram decorrentes do
processo de seleção, sendo estas acompanhadas pelo aprimoramento em
instalações, manejo, nutrição, ambiente e sanidade.
A maioria do progresso genético obtido nas características quantitativas
(características de produção) tem sido decorrente da seleção baseada
no fenótipo do animal ou na estimativa do valor genético derivado do
fenótipo. Essa seleção é realizada sem o conhecimento do número de genes
que atuam na característica de interesse nem do efeito de cada gene.
Por isso, a arquitetura genética das características tem sido considerada
como uma caixa preta, quando se utiliza a genética quantitativa no melhoramento
animal. Apesar disto, as taxas de ganho genético que foram e ainda estão
sendo obtidas em programas de melhoramento demonstram claramente o poder
do uso da genética quantitativa na seleção.
O desenvolvimento de técnicas moleculares tem permitido o conhecimento
de como determinados genes atuam na determinação de características
de interesse econômico. Nos últimos anos, essa nova dimensão tornou
mais acessível a análise genética de animais através da habilidade de
clonagem dos genes responsáveis pela expressão de características de
produção e pelo reconhecimento de que polimorfismos de DNA podem ser
utilizados como marcadores genéticos. Novas biotecnologias têm permitido
a identificação e manipulação direta de seqüências de DNA. Nas próximas
décadas, o conhecimento sobre o controle genético de características
econômicas irá aumentar drasticamente, possibilitando a complementação
dos métodos tradicionais de melhoramento, visando ganhos genéticos adicionais.
Para tal, há a necessidade de otimizar a integração entre a genética
molecular e quantitativa no melhoramento animal. Conhecimentos de genética
quantitativa e melhoramento animal deverão ser utilizados no desenvolvimento
de estratégias de melhoramento e seleção, visando incorporar tecnologias
moleculares em programas de melhoramento para obter o máximo de benefício
possível da informação gerada pela genética molecular. Esse desafio
está apenas começando. A análise da relação custo/benefício deverá também
ser considerada, pois pequenos diferenciais em termos de ganho genético,
utilizando técnicas sofisticadas e caras, podem não ser economicamente
viáveis.
Técnicas moleculares - Existem várias técnicas da genética molecular
com potencial para aplicação no melhoramento genético de aves, entre
elas a clonagem, inserção e reparo de genes e marcadores moleculares
ou genéticos.
Clonagem: esta pode ser considerada em termos de animal ou gene.
Atualmente, os métodos de clonagem de animais não são moleculares, mas
sim baseados na manipulação do embrião (célula ou organela). Esta técnica
não terá grande utilidade em aves devido a alta prolificidade, que possibilita
maior produção de animais geneticamente superiores e devido aos benefícios
serem somente a curto prazo. Já, a clonagem de genes é, necessariamente,
o primeiro passo no desenvolvimento de métodos moleculares eficientes,
resultando em aumento do poder destas técnicas, pois permite o uso direto
do gene de interesse, ao invés de marcadores ligados a esse gene.
Inserção e Reparo de genes: a preocupação atual está diretamente ligada
às melhorias das técnicas de inserção de genes. Estas técnicas estão
evoluindo rapidamente, embora os problemas técnicos, na maioria das
espécies de aves, sejam maiores que as verificadas em outras espécies.
A grande pergunta é: qual gene teria potencial suficiente para justificar
a inserção? Não existe dúvida que, dado um gene com mérito econômico
suficiente, a inserção poderia valer a pena. Existe também a questão
da estabilidade de genes inseridos na população. Em uma população de
camundongos contendo a inserção do gene para hormônio de crescimento,
mesmo com a pressão de seleção favorável, a freqüência do gene diminuiu
a cada geração, devido a redução de animais nascidos vivos contendo
o gene, causada pelo efeito pleiotrópico negativo do mesmo com a fertilidade.
A técnica de reparo de genes tem recebido pouca atenção na avicultura
e sua utilização depende basicamente da relação custo/benefício. Porém,
devido ao baixo custo de cada indivíduo, fica difícil vislumbrar seu
uso em aves.
Marcadores ou genes: as tecnologias de marcadores moleculares ou genes
são vistas como as de maior promessa para uso no melhoramento genético.
Dentre as aplicações de marcadores genéticos em aves estão: mapeamento
genômico, estabelecimento de grau de parentesco, predição de heterose,
seleção genômica e uso direto na seleção. A seleção assistida por genes
(CGS) e a seleção assistida por marcadores (MAS) estão sendo consideradas
como os melhores métodos para incorporação da genética molecular em
programas de melhoramento para aumentar a eficiência da seleção. A CGS
depende do conhecimento de genes de efeito maior envolvidos em características
de interesse econômico e a MAS depende de genes ligados a frações do
DNA que afetam características relevantes.
Genética molecular - A indústria avícola tem um programa de melhoramento
genético efetivo e bem sucedido, impulsionado pelos conhecimentos em
genética quantitativa, recursos computacionais e modelos estatísticos.
As principais mudanças na teoria da genética quantitativa na última
década determinaram grande impacto no melhoramento de aves, entre elas:
1) modelo infinitesimal; 2) Melhor Predição Linear não Viesada (BLUP);
3) seleção em grupo e 4) novos índices de seleção. Porém, dois outros
avanços na tecnologia poderão afetar consideravelmente o melhoramento
animal nas próximas décadas: 1) seleção com decisões baseadas no exame
direto do DNA e 2) avaliação precoce e precisa das características.
A falta de conhecimento de genes úteis para a manipulação tem demonstrado
ser um problema persistente na nova direção assumida pela pesquisa genética.
Existe poucos genes importantes realmente isolados e para muitas funções
biológicas os mesmos ainda não foram identificados. Entretanto, nos
últimos cinco anos têm sido acumulada uma quantidade significativa de
informações sobre genes e marcadores genéticos em humanos, muarinos
e espécies animais de produção. O primeiro passo tem sido o desenvolvimento
de mapas genéticos, que contém a localização de regiões específicas
ao longo dos cromossomos. Os mesmos são úteis na organização da busca
sistemática de regiões cromossômicas que contém genes de importância
econômica. Uma vez que tais regiões tenham sido devidamente identificadas,
marcadores adicionais podem ser utilizados para identificação do locus
de interesse. Com o intuito de identificar estas regiões, pode-se analisar
por completo o genoma, utilizando-se aproximadamente 200 marcadores
igualmente espaçados. Tais regiões poderiam ser aquelas associadas a
genes que controlam características quantitativas de importância comercial.
Este esforço abrirá portas para a aplicação da técnica de seleção assistida
por marcadores (MAS), de maneira a melhorar a acurácia da avaliação
genética. Além disto, a utilização de marcadores polimórficos tem tornado
o processo de identificação de parentesco mais compreensivo e acurado,
além de permitir a rápida eliminação de genes recessivos deletérios
de populações.
Quando se compara aves com suínos ou bovinos, verifica-se que o custo
relativo por ave de reposição é baixo, a capacidade reprodutiva é alta.
Porém, o tamanho das famílias de meios irmãos é relativamente pequeno.
Em poedeiras, a característica principal a ser selecionada é limitada
ao sexo. Tanto a herdabilidade da característica como o tamanho das
famílias são fatores importantes na determinação de quando utilizar
técnicas moleculares na seleção. O que se busca no melhoramento animal
é maximizar a resposta à seleção a curto e longo prazo para todas as
características de importância econômica. Isso depende de quatro fatores:
1. intensidade de seleção, 2. acurácia da seleção, 3. variação genética
para a característica em questão, e 4. sistema de acasalamento. A genética
molecular pode ser utilizada para a obtenção de ganhos provenientes
de cada um desses fatores da seguinte maneira: a intensidade de seleção
é uma função da capacidade reprodutiva da espécie. Muitas vezes o número
de animais para avaliação é limitado devido ao seu custo de manutenção.
Se houver um marcador ligado a um loci de características quantitativas
(QTL) importante pode-se selecionar animais em idade precoce a partir
de uma população maior, mantendo um número menor de indivíduos para
as avaliações posteriores. Isso aumentaria o diferencial de seleção.
As características favorecidas com o aumento da intensidade de seleção
seriam aquelas medidas num período mais adiantado da vida do animal
(produção de ovos) ou as de custo elevado para obtenção (eficiência
alimentar). Outro exemplo seria a seleção dentro de famílias de meio-irmãos
para características limitadas pelo sexo.
A acurácia da seleção pode ser melhorada com o uso de técnicas moleculares
de duas maneiras: melhorando a acurácia das informações de pedigree
através da prevenção ou correção de erros, utilizando a tecnologia de
DNA fingerprint, e aumentando a herdabilidade da característica. A genética
molecular permite a obtenção do genótipo sem a interferência do ambiente.
Se a informação molecular disponível for combinada com as informações
fenotípicas num índice, pode-se aumentar o valor da herdabilidade da
característica em questão, melhorando a acurácia da seleção. Todas as
características de interesse seriam beneficiadas pelo aumento da acurácia
da seleção originada por correções de erros de pedigree. Entretanto,
seleção mais efetiva traria vantagens principalmente para características
de baixa herdabilidade, como produção de ovos e resistência a doenças
e características que são medidas indiretamente em um ou ambos os sexos,
como, por exemplo, produção de ovos, qualidade de carcaça e bem-estar
animal.
Variação genética para a característica de interesse pode ser obtida
através de introgressão, utilizada quando se quer introduzir um gene
de efeito favorável de maneira rápida e econômica dentro de uma população,
mantendo o valor comercial da mesma. Os genes indesejáveis do genoma
do doador devem ser excluídos o mais rápido possível do genoma do receptor.
Teoricamente, marcadores baseados em DNA podem melhorar a eficiência
da introgressão. A situação ideal para introgressão seria a existência
de marcadores simetricamente distantes no genoma receptor e marcadores
estreitamente ligados de ambos os lados do gene de interesse no doador.
Neste caso, o genoma receptor poderia ser recuperado rapidamente. Estudos
de simulação têm demonstrado que marcadores baseados em DNA são mais
eficientes para introgressão que os métodos convencionais. O uso de
MAS para transferir genes entre populações parece ter maior potencial.
O problema aparente é identificar uma população doadora apropriada.
Uma alternativa poderia ser o uso de linhas elite ou endogâmicas com
alelo favorável fixado. As raças ancestrais das linhas comerciais são
reservatórios de genes benéficos que, no futuro, poderão ser incorporados
aos genomas comerciais. Além disso, o monitoramento do grau de endogamia,
baseado na similaridade das bandas de DNA fingerprint, é mais eficiente
do que aqueles estimados através de modelos quantitativos e pode ser
utilizado para preservar a variação genética da população. Todas as
características de importância econômica podem ser beneficiadas com
a existência de variação genética na população.
A determinação da distância genética, obtida
através de DNA fingerprint, entre populações mantidas em programas de
melhoramento pode orientar na eliminação ou agrupamento de populações
com alta similaridade do ponto de vista genético, quando os níveis de
desempenho forem próximos. Além disso, o produto final, frango ou poedeira,
é um híbrido originado do cruzamento de linhas parentais específicas,
submetidas à seleção direcionada, com o objetivo de utilizar a complementariedade
e a heterose. Dessa forma, outra vantagem do uso da genética molecular
no melhoramento é que o sistema de acasalamento pode ser orientado através
da predição da heterose. Linhagens seriam selecionadas com base nas
suas distâncias genéticas e posteriormente cruzadas para a exploração
da máxima heterose, tão importante para características como fertilidade,
produção de ovos e viabilidade.
Aplicação - A aplicação da genética molecular em programas de
melhoramento depende do desenvolvimento de quatro áreas distintas:
-
Genética
molecular: identificação e mapeamento de genes, bem como polimorfismo
genético.
-
Detecção
de QTL: detecção e estimação de associações de genes identificados
e marcadores genéticos com características econômicas.
-
Avaliação
genética: integração de dados fenotípicos e genotípicos em métodos
estatísticos para estimar o valor genético de cada indivíduo na
população elite.
-
Seleção
assistida por marcadores: desenvolvimento de estratégias de melhoramento
e programas para o uso da informação oriunda da genética molecular
na seleção e programas de acasalamento.
O
sucesso da implementação de estratégias para a seleção assistida por
genes (CGS - seleção baseada num gene conhecido), ou seleção assistida
por marcadores (MAS - seleção baseada em marcadores ligados a um QTL),
é dependente da ação conjunta dessas áreas.
Mapeamento Genômico - O conhecimento do mapa genômico representa
o primeiro passo necessário para fazer uso prático das tecnologias baseadas
em DNA. O objetivo é a criação de diagramas descritivos dos cromossomos
com uma resolução cada vez mais apurada, descrevendo de maneira ordenada
a constituição genética de espécies animais e vegetais, proporcionando
um entendimento mais detalhado das funções biológicas dos organismos.
O desenvolvimento de mapas genéticos foi acelerado pela introdução das
técnicas de PCR (Polymerase Chain Reaction) para analisar os polimorfismos
de seqüências de DNA.
O mapeamento genético em aves vem sendo rapidamente desenvolvido, o
que contribuirá para o melhor entendimento da genética e fisiologia,
podendo prover o geneticista de fundamentos para fortalecer as técnicas
de melhoramento, possibilitando maior progresso genético. Existem vários
problemas e fragilidades em todas as estratégias de mapeamento. Os modelos
atuais consideram apenas os efeitos genéticos aditivos, embora os não
aditivos sejam importantes para muitas características, principalmente
àquelas ligadas à sobrevivência ("Fitness"). Por outro lado,
a composição genética da população e a interação entre genes podem afetar
a estimativa do valor genético do gene ou loci, invalidando completamente
algumas estimativas. Somente loci de efeito maior estão sendo detectados
e estes, provavelmente, não serão responsáveis por grandes benefícios
em populações submetidas a altas intensidades de seleção, pois a variabilidade
genética irá reduzir rapidamente. Apesar da existência de alguns problemas
e ineficiências, os alelos serão detectados fácil e economicamente e
os genes que afetam as características quantitativas serão clonados
e suas variantes classificadas.
Mapeamento de QTL - O uso da genética molecular no melhoramento
animal tem enfocado principalmente a detecção de genes que afetam características
de importância econômica (QTL). Há duas maneiras de se proceder. Uma
delas por meio da utilização de genes candidatos e, a outra, pelo mapeamento
do genoma.
Genes candidatos para uma determinada característica são genes seqüenciados,
de ação biológica conhecida, que estão envolvidos com o desenvolvimento
ou fisiologia da característica em espécies ricas em informações genotípicas,
como em humanos e camundongos. Os genes candidatos são, então, identificados
na espécie de interesse e os polimorfismos detectados. Os polimorfismos
são associados com a característica de interesse através de análise
estatística apropriada, utilizando-se dados provenientes de uma amostra
de população comercial. Exemplos bem sucedidos da utilização de genes
candidatos são o gene receptor de estrogênio que afeta o tamanho da
ninhada em suínos e o gene receptor do hormônio de crescimento. Este
procedimento é, entretanto, limitado ao conjunto de genes conhecidos.
Em aves somente cerca de 300 genes foram mapeados até hoje.
O mapeamento do genoma para detecção de QTL utiliza marcadores genéticos
espalhados por todo genoma para identificar genes que afetam as características
quantitativas. Para tal, é necessário estabelecer uma população com
delineamento apropriado para esse fim. Um exemplo é o cruzamento entre
duas linhagens divergentes para taxa de crescimento. Com a utilização
de métodos estatísticos mais sofisticados é possível identificar o QTL,
bem como estimar sua posição e efeito através da associação entre marcadores
e as características econômicas. A precisão com que essas estimativas
são obtidas depende, entretanto, de populações de grande tamanho. Utilizando-se
esse procedimento em aves, QTLs foram localizados para várias características,
tais como: percentagem de carcaça, coloração da carne, consumo de alimento,
peso corporal e susceptibilidade à doença de Marek.
Embora ambos procedimentos possam ser usados de forma alternativa na
detecção de genes de interesse, eles também podem ser utilizados de
forma complementar, identificando regiões do genoma que contém possíveis
QTLs através do mapeamento de todo genoma e pesquisando os genes localizados
naquela região através de genes candidatos. Na avicultura, estudos de
mapeamento ainda não resultaram em genes ou marcadores que já estejam
sendo utilizados em larga escala em programas de melhoramento de aves.
Estratégia
usada no mapeamento de QTL através de marcadores.
Três componentes essenciais devem ser considerados em experimentos de
QTL com animais:
-
Uma
grande população experimental deve ser utilizada, a qual esteja
segregando tanto para o marcador genético como para os alelos
do QTL que controlam a característica de interesse.
-
Há
a necessidade do conhecimento de vários marcadores moleculares
já mapeados em todo genoma para que a procura por QTLs cubra todas
as regiões de todos os cromossomos.
-
Métodos
estatísticos apropriados devem ser utilizados para a obtenção
de estimativas precisas do número de QTLs, localização, efeito
e ação do gene. Esses métodos devem combinar a análise de dados
categóricos (informação provinda dos marcadores moleculares, como
por exemplo: 1, 2, 3) e contínuos (dados de produção, que são
expressos em unidades, como o quilograma).
Como
incorporar a genética molecular nos programas de seleção.
Uso de marcadores ou genes na avaliação genética - A identificação de
genes de interesse através de estudos de mapeamento é apenas um dos
primeiros passos necessários para a implementação de técnicas moleculares
em programas de melhoramento. Para tal, será necessária a estimação
dos efeitos do QTL em populações comercias, estimação dos efeitos do
marcador e QTL dentro de família, bem como a reestimação desses efeitos
periodicamente. Mesmo quando o próprio gene for identificado, haverá
a necessidade de reestimar seus efeitos regularmente para evitar possíveis
associações negativas com outras características, com efeitos ambientais
e com a própria composição genética do indivíduo. Outro passo importante
que vem sendo pesquisado é qual a melhor maneira de incorporar essa
informação nas avaliações genéticas para a obtenção do melhor preditor
linear não viesado (BLUP) para o valor genético do QTL identificado
e do efeito coletivo dos outros genes de um indivíduo.
Uso de marcadores ou genes na seleção dentro de linhagem - Estudos têm
sido realizados para verificar o ganho genético que pode ser obtido
com a incorporação de informações de marcadores ou genes nas avaliações
genéticas. O ganho adicional obtido com a MAS depende da quantidade
de variação genética explicada pelo QTL, da taxa de recombinação entre
marcador e QTL e da eficiência da seleção sem a informação molecular.
A MAS tem sido superior à seleção fenotípica em caso de seleção para
características de baixa herdabilidade, características que são expressas
em somente um sexo, como produção de ovos e características difíceis
de se medir ou com custo elevado de avaliação.
A maioria dos resultados de pesquisa mostraram que a MAS e CGS proporcionaram
melhores respostas a curto prazo, enquanto a seleção fenotípica teve
melhores resultados a longo prazo. A seleção convencional poderia ser
superior a MAS e CGS a longo prazo porque aloca menos diferencial de
seleção para fixação de genes maiores e mais diferencial de seleção
para os vários genes com efeito menor. A CGS, por exemplo, fixa o QTL
rapidamente nas gerações iniciais levando a perda da resposta poligênica,
que dificilmente será recuperada nas gerações futuras.
Como a maioria dos estudos demonstrou que a vantagem da MAS sobre a
seleção tradicional diminuía com o passar das gerações, pesquisas passaram
a ser direcionadas no sentido a otimizar a MAS e CGS em várias gerações
de seleção. Recentemente, foi desenvolvida a seleção otimizada, a qual
tenta combinar, da melhor maneira possível, as informações dos genes
ou marcadores com as dos demais genes presentes no genoma, visando maiores
ganhos genéticos tanto a curto como a longo prazo. Os resultados têm
demonstrado que, se a informação a respeito do QTL é usada adequadamente,
balanceando as perdas em resposta poligênica com o aumento da freqüência
do QTL, a CGS leva a uma maior resposta a seleção a longo prazo do que
a seleção fenotípica. Esses resultados indicam que se o valor genético
do QTL for simplesmente somado ao valor genético do restante dos genes
não haverá maximização da resposta a seleção. É preciso, então, pesar
apropriadamente essas informações de acordo com o objetivo da seleção.
Uma das limitações da MAS na seleção dentro de família é o grande número
de descendentes necessários para cada acasalamento. A variância dentro
de família, que pode ser explicada por marcadores, é fator crítico.
Para predizer 10% da variância dentro de família na população elite
são necessárias informações genotípicas de 500 filhas por macho. Neste
caso, incremento anual de 20% no ganho genético é esperado em bovinos
de leite, enquanto que somente 2% a 4% de incremento é esperado em aves
devido ao menor tamanho das famílias.
Em contraste, a CGS pode ser aplicada em populações com pequenos tamanhos
de família. Contudo, a CGS assume a existência de QTL’s com efeito maior
segregando na população e que os mesmos podem ser localizados. De maneira
geral, a CGS é mais promissora que a MAS e pode ser considerada como
limite superior do que é possível com a MAS. Pesquisas indicam que quando
um gene candidato é identificado, o programa ótimo seria aquele que
não fixe o gene rapidamente, pois, neste caso, muitos animais portadores
de alelos favoráveis seriam descartados. Um índice ótimo a ser usado
seria aquele onde o peso dos genes candidatos seria proporcional ao
valor genético do gene e sua correlação com o valor genético total do
indivíduo. O peso dado ao gene candidato deveria considerar a proporção
da variação genética determinada pelo QTL. Contudo, este peso deverá
ser aproximado, uma vez que os parâmetros genéticos associados com o
gene candidato mudam rapidamente com a mudança da freqüência gênica.
Cabe, entretanto, salientar que a maioria desses resultados de pesquisa
estão sendo obtidos através de simulações, com modelos genéticos e estruturas
de acasalamento simplificados. Muitas das pressuposições estabelecidas
para realização dessas simulações não ocorrem na prática. Por isso,
pesquisas visando otimizar o uso de informação oriunda da genética molecular
na seleção em situações mais realistas ainda se fazem necessárias. Com
o aumento de informações sobre o efeito e modo de ação de genes identificados,
bem como suas interações com outros genes, a obtenção de maiores respostas
a seleção com a utilização da seleção otimizada é bastante promissora.
Custos - A maior limitação no uso da genética molecular na produção
animal atualmente é o custo das análises, bem como a rapidez com que
estas são requeridas. Entretanto, isto é somente uma questão de tempo,
pois os avanços tecnológicos permitirão a redução desses custos. Pesquisas
demonstraram que se os custos de genotipagem fossem considerados na
comparação entre a seleção tradicional e a que incluem a MAS, as vantagens
da MAS seriam reduzidas ou até mesmo negativas no caso de características
de herdabilidade alta. Hoje, em termos econômicos, marcadores poderiam
ser estabelecidos somente para animais do núcleo elite de melhoramento
e cada indivíduo selecionado deveria gerar um número suficiente de progênie,
a fim de justificar o custo extra da genotipagem.
Considerações gerais - Nos dias de hoje, o custo para realização de
seleção assistida por marcadores é consideravelmente alto em relação
aos seus benefícios. Há também a necessidade de validação de muitos
dos resultados de pesquisa evidenciando a vantagem da utilização da
MAS, antes de sua aplicação no melhoramento genético.
A genética molecular traz grandes oportunidades para o melhoramento
animal, desde que incorporada adequadamente nos programas de seleção.
A má utilização da informação molecular poderá levar a ganhos genéticos
sub-ótimos a curto prazo, bem como reduzir a resposta da seleção a longo
prazo. A genética molecular deve ser integrada aos programas de melhoramento
de forma apropriada após estudos detalhados de esquemas e otimização
de programas de melhoramento, sempre em conjunto com o aprimoramento
dos programas de manejo, alimentação e sanidade. A tendência, com o
aprimoramento genético dos animais, bem como das outras áreas afins,
é de que os efeitos da interação entre o genótipo e o ambiente se tornem
cada vez mais importantes, direcionando a seleção, o manejo e a nutrição
dos animais para localidades ou mercados específicos.
Tabela
1
Evolução no desempenho de linhagens de frango de corte e postura.
|
Ano
|
Peso
frango (g)
|
CA
|
Idade
|
|
1930
|
1.500
|
3,50
|
15
semanas
|
|
1960
|
1.600
|
2,25
|
8
semanas
|
|
1970
|
1.800
|
2,00
|
7
semanas
|
|
1984
|
1.860
|
1,98
|
45
dias
|
|
1989
|
1.940
|
1,96
|
45
dias
|
|
2001*
|
2.240
|
1,78
|
41
dias
|
|
Ovos/Ano
|
Peso
ovo (g)
|
CA
(kg/dz)
|
|
1930
|
120
|
54
|
3,25
|
|
1960
|
237
|
56
|
1,92
|
|
1970
|
255
|
57
|
1,77
|
|
1980
|
292
|
58
|
1,58
|
|
1990
|
304
|
57
|
1,50
|
|
2001*
|
318
|
57
|
1,40
|
Fonte:
APA (1998). *Estimativa.
|