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A finalidade da nutrição animal (Por: Jorge Vítor Ludke) |
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Até
os dias atuais, a principal finalidade da nutrição animal é a produção,
a um mínimo custo atrelado (atendendo ao princípio da economia), primordialmente,
a princípios estabelecidos que não venham prejudicar a sociedade. Pois,
cada vez mais é consenso de que a aplicação da nutrição animal deve
obedecer a regras bem definidas e baseadas em pressupostos que são:
a ecologia (sustentabilidade ambiental), a qualidade (aceitabilidade
e segurança alimentar) e a responsabilidade (proteção humana, animal
e ética). A
associação entre os cinco fatores que coordenam a ação dos profissionais
da nutrição depende do grau de importância que a produção de alimentos
de origem animal assume em determinado pais ou região. Em paises onde
existe grande escassez de alimentos, os fatores ecológicos, de qualidade
e responsabilidade assumem de forma nítida um papel secundário. Um
componente importante na produção animal, que não deve ser ignorado,
é o grau de competição nutricional que as diversas espécies apresentam
relativamente ao ser humano (Quadro 1). Nota-se que a produção de carne
suína, atualmente, tem um elevado grau de competição nutricional com
o ser humano. Por esse motivo, a máxima eficiência na produção da carne
suína é um dos requisitos indispensáveis.
No
Brasil, a produção de suínos assume importância econômica e social porque
é fundamentada na pequena e media propriedade familiar com a complementariedade
das atividades agrícolas - milho, soja, suíno - e das diversas partes
componentes de uma cadeia produtiva em transformação continua (suinocultor,
agroindústrias e cooperativas, entre outras) que dão uma dimensão da
importância e da urgência de soluções tecnológicas necessárias para
a sobrevivência do maior número possível de produtores no setor. É quase
um consenso, entre os nutricionistas, que algumas das soluções tecnológicas
necessárias na área da nutrição de suínos são as que dizem respeito
aos problemas da qualidade intrínseca da carne e ao desconhecimento
das curvas de crescimento dos genótipos modernos, largamente introduzidos
nos últimos anos. Hoje, tornaram-se fundamentais a identificação de
fatores locais de manejo (na produção e no pré-abate) e o desenvolvimento
de metodologia para elaboração de curvas de crescimento de tecidos em
função da idade, peso, genética e nutrição. Os avanços dos conhecimentos
nessas áreas são críticos para aumentar a produção e a qualidade da
carne suína, otimizar o custo de produção, o retorno econômico dos suinocultores,
indiretamente atuando na redução da poluição por excesso de nitrogênio
nos dejetos e, por conseqüência, aumentar a competitividade dos sistemas
de produção de suínos. Um
dos cinco fundamentos da moderna nutrição animal, a qualidade através
da segurança alimentar, esta entre os assuntos recentes mais preocupantes
no Brasil e no mundo. Os casos de infecções alimentares causadas por
produtos de origem animal estão se tornando cada vez mais conhecidos,
sendo amplamente divulgados pelos meios de comunicação. Questões importantes
à saúde publica, à imagem do setor produtivo e à confiança dos consumidores
nos alimentos de origem animal. A carne suína é a carne mais consumida
em quase todos os paises do mundo (exceto naqueles que professam a religião
muçulmana e na América do Sul). Aqui, esse fato deve-se, em parte, a
cultura e a desconfiança que o consumidor ainda mantém em relação ao
produto. Como conseqüência, tem-se a intranqüilidade da população, bem
como o potencial descrédito dos produtores, das industrias e das autoridades
governamentais, por não estarem sendo capazes de solucionar, em certos
segmentos, o problema de segurança alimentar. Desta forma, a nutrição
tem como meta interagir de modo eficaz com a área de sanidade, visando
a máxima segurança na produção animal no campo, ausência de resíduos
e ausência de patógenos nocivos ao homem. Os profissionais da nutrição
animal têm a responsabilidade de empregar de modo adequado as ferramentas
de que dispõem para atingir esse objetivo. Porem,
o problema é amplo e não só restrito à área de produção e industrialização
de produtos de origem animal. Menos de 1% das 30 mil industrias, sem
Inspeção Federal e que produzem alimentos no Brasil, adotam sistemas
de controle para garantir a produção de alimentos seguros. Somente esse
fato mostra que os perigos para a saúde dos consumidores veiculados
por alimentos sem inspeção adequada podem não ser controlados de forma
conveniente em nosso país. Nas regiões de maior concentração de produção de suínos, independente da nacionalidade, a excessiva produção de dejetos tem afetado a sustentabilidade ambiental. E, em alguns paises, tem gerado soluções técnicas controvertidas que abalam os requisitos de qualidade (aceitabilidade e segurança alimentar) e de responsabilidade (proteção humana, animal e ética). Uma destas soluções é a recomendação de uso de dejetos de suínos para a alimentação do próprio suíno. Somente a aplicação simultânea dos cinco fatores que norteiam a nutrição animal pode atender às exigências da sociedade como um todo, contemplando as necessidades dos produtores, das industrias e dos consumidores. |
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| FONTE: EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Centro Nacional de Pesquisa de Suínos e Aves Ministério da Agricultura e do Abastecimento Caixa Postal 21 - CEP 89700-000 - Concórdia-SC Tel: (49) 442-8555 Fax: 442-8559 E-mail: sac@cnpsa.embrapa.br |
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