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Mercado Internacional: podia ser pior...

A crise financeira na Ásia, que ano passado já havia atrapalhado os planos dos exportadores de frango de atingir a marca de US$ 1 bilhão em divisas cambiais, prosseguiu causando danos ao setor em 1998. Como se não bastasse, em setembro, depois de a crise atingir a Rússia, o Brasil ficou na mira dos bancos internacionais. De imediato, eles podaram a oferta de crédito fácil aos exportadores brasileiros.
 
De uma hora para outra, a partir das turbulências na economia brasileira, as taxas cobradas pelas linhas internacionais de crédito saltaram de 1% para 4% ao ano, mais a Libor - para as empresas de médio e pequeno porte os abalos foram ainda maiores. O resultado não poderia ser outro. A receita esperada com as exportações de carne de frango tende a ser 18% inferior a do ano passado, ou seja, não vai ultrapassar a casa de US$ 750 milhões. Ao todo, devem ser exportadas 620 mil toneladas - queda de 5% sobre 1997.
 
O balanço negativo foi apresentado ao ministro da Agricultura, Francisco Turra, durante reunião com cerca de 30 empresários do setor na sede da União Brasileira de Avicultura (UBA), em São Paulo, em 12 de novembro. Na oportunidade, encaminharam a Francisco Turra uma séria de reivindicações que visam criar mecanismos de apoio às exportações (veja quadro). Mas mesmo com um desempenho negativo, os empresários se mostravam de certa forma animados.
 
Não era sem motivo. Segundo o diretor-executivo da Associação Brasileira dos Exportadores de Frango (Abef), Claudio Martins, o balanço poderia ser ainda pior. "Até o final do primeiro semestre a estimativa da era de uma queda entre 20% e 25% na receita e de cerca de 11% nos volumes". A saída encontrada para evitar a catástrofe foi buscar novos mercados, como República Dominicana, Cuba, Irã, Antilhas Holandesas e Egito.
 
As exportações para Mercosul e África também expandiram, 50% e 20% respectivamente. Por outro lado, os embarques para Ásia foram 35% menores em 1997. Para citar o caso do Japão, as exportações decresceram 29%. O país que mais reduziu seus pedidos, no entanto, foi a Rússia, que comprou 42% menos carne de frango do Brasil.
 
Assim, até setembro, haviam sido embarcadas 447,1 mil toneladas, correspondendo a uma receita cambial de US$ 535,4 milhões (FOB). "A comparação com idêntico período do ano anterior mostra redução de 8,4% em volume e de 19,8% em receita", calcula Martins. O preço médio da tonelada registra um recuo de 12,5%, caindo de US$ 1,369 para US$ 1,198. Do total exportado até setembro, 265,5 mil toneladas foram na forma de frango inteiro e 181,6 mil toneladas em cortes.
 
Na audiência com o ministro, os empresários demonstravam preocupação com a falta de técnicos para tocar o programa de defesa sanitária. Pelas contas do setor há uma carência de 900 profissionais em todo o País. Para corrigir a situação foi anunciado no primeiro semestre um concurso público para contratação de veterinários e zootécnicos.
 
Mas como reflexo dos cortes no orçamento de 1998, calculados em R$ 132 milhões, o concurso acabou sendo suspenso. Por enquanto, a ausência de quadros vem sendo aplacada por uma contratação emergencial de cerca de 350 profissionais. Mas a medida é temporária, só tem validade para esse ano. "Como não houve o concurso, porém, já estamos pleiteando a manutenção desses técnicos", informa Turra.
 
O corte de 17% no orçamento do Ministério da Agricultura anunciado para o próximo ano não vai afetar, "em hipótese alguma, a defesa sanitária", afirma Turra. "Não podemos quebrar o programa de defesa sanitária, que é fundamental para a política de exportações". A redução dos gastos no setor virá de cortes em atividades meio, como informática, veículos e administração. Para mostrar sua boa vontade, o Ministério anuncia que até junho de 1999 será criada a Escola Nacional de Defesa Agropecuária - veja seção o que há de n’ovo.
 
Além disso, com o surgimento do Conselho Nacional do Agronegócio, em setembro, o Ministério da Agricultura ganhou agilidade no trato das questões relativas ao comércio externo. "Éramos pouco agressivos nessa área", reconhece o ministro. Entre as iniciativas que estão sendo adotadas, Turra cita que o governo vai lançar mão de produtos agrícolas como moeda de troca na hora de liberar importações como, por exemplo, de trigo norte-americano. "Antes tínhamos por hábito beneficiar segmentos como o siderúrgico".
 
A retomada da oferta de linhas comerciais de crédito pelos bancos internacionais é outro indício de que as perspectivas são mais favoráveis para 1999. "Os telefones já voltaram a tocar", disse à Gazeta Mercantil Luiz Fernando Furlan, presidente da Abef. E, segundo ele, não só a disposição dos bancos em financiar empresas brasileiras melhorou como os juros já dão sinais de retração.
 
"Houve uma pequena queda, de 0,5%, trazendo as taxas de volta ao patamar de 3,5%". Recém-chegado de Nova York, em meados de novembro, Furlan voltou otimista com a reação do mercado internacional ao País. "Quem quiser apostar hoje contra o Brasil precisa ter cacife", afirma. Diante do cassino globalizado que se tornou a economia mundial não poderia haver constatação mais animadora. 

MECANISMOS DE APOIO À EXPORTAÇÃO
 
Confira algumas das reivindicações apresentadas ao ministro Francisco Turra:

  • Acesso aos mercados internacionais: o Ministério da Agricultura (MA) deve ter agilidade para conquistar mercados, cumprindo com presteza os aspectos técnicos, burocráticos e fito-sanitários exigidos pelos mercados-alvo.
  • Uruguai/Chile: falta pressão política do MA junto aos dois países para abrir seus mercados ao Brasil. Não existe base científica, como reza os princípios da OMC, para boicotar o País devido à doença de Newcastle.
  • Coréia do Sul: falta preencher questionário enviado pelas autoridades coreanas em março desde ano.
  • Retorno de informações: falta o retorno de informações requeridas sobre como exportar para China, Indonésia, Paquistão, Venezuela, etc.
  • Cascata tributária: somando-se os impostos que incidem na cadeia produtiva brasileira, incluído a "aberração" do CPMF, verifica-se que o Brasil é o único País do mundo que exporta tributos. A isenção de impostos na cadeia produtiva de exportação representaria uma redução de custos na ordem de 6,5% sobre o preço das mercadorias. Isso significa algo em torno de US$ 71,50/tonelada. Pode parecer pouco, mas pode estar aí a diferença entre vender ou não uma tonelada de frango.
  • Redução de subsídios: na conclusão da Rodada Uruguai ficou estabelecido que alguns países - Brasil, EUA, União Européia, etc. - poderiam lançar mão de subsídios para reforçar suas vendas externas. A estratégia, no entanto, deveria sofrer uma redução anual até 2002. Na área de frangos, o Brasil poderia utilizar US$ 5,7 milhões em subsídios para exportar cerca de 90 mil toneladas. EUA têm direito a US$ 22 milhões e UE a US$ 176,4 milhões. EUA e UE utilizam seus limites. O Brasil não. Sendo assim, por que o País negociou tais limites?
  • Financiamento às exportações: estabelecimento pelo Banco do Brasil e BNDES de linhas de crédito para financiar às exportações, a juros sintonizados com o mercado internacional. As empresas interessadas apresentariam a instituição financeira um programa de exportação com duração mínima de um ano. Cada produto exportável teria uma alíquota específica a ser financiada. Exemplo: para um programa de exportação de US$ 1 milhão de carne de frango, o valor do financiamento seria de US$ 200 mil (20%). Na década de 80, um programa similiar, administrado pela ex-Cacex, serviu para alavancar as exportações brasileiras.

Receita Cambial gerada pelas exportações (em US$ mil)

Ano

Exportação

1989

263.065

1990

319.765

1991

392.859

1992

430.110

1993

478.815

1994

588.407

1995

633.615

1996

840.000

1997

875.838

1998

750.000*

Fonte: Abef. *Previsão

Exportação de carne de frango (em toneladas)

Ano

Exportação

1989

243.891

1990

299.218

1991

321.700

1992

371.719

1993

433.498

1994

481.029

1995

428.988

1996

569.000

1997

649.356

1998

620.000*

Fonte: Abef. *Previsão

As 10 maiores empresas exportadoras de frango janeiro/98 a setembro/98 (US$ FOB)

Empresa

Inteiro

Partes

Total

Sadia Concórdia

107.007.005

38.614.106

145.621.111

Perdigão Agroindustrial

58.206.011

74.459.572

132.665.583

Ceval Alimentos

31.425.373

82.826.897

114.252.270

Frangosul

47.988.199

12.017.393

60.005.592

Cia Minuano de Alimentos

8.847.358

8.080.383

16.927.741

Perdigão S/A

5.266.557

6.527.080

11.793.637

Aurora

4.115.095

7.553.997

11.669.092

Chapecó

5.773.816

1.442.783

7.216.599

DaGranja

732.300

5.683.275

6.415.575

Coop. Agríc. Consolata

6.539

5.368.823

5.375.362

Fonte: MICT/Secex

Exportação de carne de frango por destinos selecionados Jan/Set 1998 (Kg líquido)

Destino

Inteiro

Cortes

Total

Mercosul

37.337.720

5.241.361

42.579.081

Argentina

37.189.916

5.169.644

42.359.560

Paraguai

147.804

71.717

219.521

Europa

4.740.300

46.576.507

51.316.807

Alemanha

674.087

11.286.734

11.960.821

Bélgica

62.024

0

62.024

Espanha

1.041.788

15.705.840

16.747.628

França

0

3.072.507

3.072.507

Grécia

268.248

358.996

627.244

Irlanda

0

463.800

463.800

Itália

836.980

2.198.851

3.035.831

Países Baixos

1.832.146

5.269.263

7.101.409

Portugal

25.027

1.955.438

1.980.465

Reino Unido

0

6.265.078

6.265.078

Oriente Médio

172.784.388

12.534.596

185.318.984

Arábia Saudita

116.811.012

5.585.440

122.396.452

Bahrein

5.106.225

925.584

6.031.809

Catar

9.578.132

1.171.015

10.749.147

Coveite

14.988.579

1.798.083

16.786.662

Egito

4.449.998

0

4.449.998

Emirados Árabes

16.735.258

2.430.240

19.165.498

Omã

3.115.893

624.234

3.740.127

Irã

1.999.291

0

1.999.291

África

6.754.557

3.768.618

10.523.175

África do Sul

135.045

3.679.623

3.814.668

Angola

6.619.512

88.995

6.708.507

Ásia

11.118.929

110.559.905

121.678.834

Cingapura

5.433.595

9.855.970

15.289.565

Hong Kong

2.855.366

50.647.321

53.502.687

Japão

2.829.968

50.056.614

52.886.582

Ant. Holandesas

1.649.823

38.130

1.687.953

Cuba

1.156.611

0

1.156.611

Rep. Dominicana

10.839.171

0

10.839.171

Rússia

15.877.390

483.372

16.360.762

Outros

3.218.910

2.425.587

5.644.497

Total

265.477.799

181.628.076

447.105.875

Fonte: Abef

Exportação de carne de frango por destinos selecionados Jan/Set 1998 (US$ FOB)

Destino

Inteiro

Cortes

Total

Mercosul

33.731.203

10.546.148

44.277.351

Argentina

33.586.371

10.432.425

44.018.796

Paraguai

144.832

113.723

258.555

Europa

4.823.842

84.173.356

88.997.198

Alemanha

672.568

21.400.677

22.073.245

Bélgica

58.460

0

58.460

Espanha

1.043.128

27.480.594

28.523.722

França

0

1.365.528

1.365.528

Grécia

290.924

808.616

1.099.540

Irlanda

0

997.085

997.085

Itália

918.739

4.777.830

5.696.569

Países Baixos

1.814.996

10.992.915

12.807.911

Portugal

25.027

2.091.428

2.116.455

Reino Unido

0

14.258.683

14.258.683

Oriente Médio

187.628.663

22.728.753

210.357.416

Arábia Saudita

124.424.522

10.241.198

134.665.720

Bahrein

5.808.781

1.608.158

7.416.939

Catar

11.197.410

2.069.788

13.267.198

Coveite

17.025.777

3.311.891

20.337.668

Egito

4.629.998

0

4.629.998

Emirados Árabes

18.820.462

4.408.856

23.229.318

Omã

3.542.486

1.088.862

4.631.348

Irã

2.179.227

0

2.179.227

África

6.748.837

1.826.950

8.575.787

África do Sul

118.770

1.672.291

1.791.061

Angola

6.630.067

154.659

6.784.726

Ásia

11.836.219

133.774.035

145.610.254

Cingapura

5.379.824

11.434.791

16.814.615

Hong Kong

2.838.219

36.227.062

39.065.281

Japão

3.618.176

86.112.182

89.730.358

Ant. Holandesas

1.530.458

64.614

1.595.072

Cuba

1.169.249

0

1.169.249

Rep. Dominicana

11.722.045

0

11.722.045

Rússia

15.738.487

374.529

16.113.016

Outros

3.289.638

3.775.791

7.065.429

Total

278.218.641

257.264.176

535.482.817

FONTE:
Revista Avicultura Industrial
Gessulli Agribusiness
Pça Sergipe, 156 – CEP 18540-000 – Porto Feliz-SP
Tel: (15) 262-3133 / 262-3919
E-mail: gessulli@gessulli.com.br

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