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Postura oferta x procura

O consumo de ovos no Brasil continua em declínio. Há 10 anos atrás, a média anual de consumo por ís era de 103 unidades. Hoje é estimada em 80 ovos per capita para uma produção de 13,3 bilhões de unidades em 1998. "Mesmo com esse desempenho, acredito que este ano foi melhor do que 1997", avalia o presidente da Associação dos Produtores de Ovos do Estado de São Paulo (Apoesp), Edmir Donine. "Mas essa melhora não foi suficiente para repor o que os produtores perderam lá atrás".
 
Donine explica que a produção de ovos no País tem excedido à demanda. "Toda vez que o alojamento de pintinhos ultrapassa 4,8 milhões cabeças/mês temos problemas de excesso de produção". A lógica ingrata é a seguinte: cresce o alojamento mas o consumo per capita continua o mesmo. 
 
Traçando um paralelo em relação ao consumo de ovos em outros países, verifica-se que a média registrada no Brasil é muito baixa. No Japão, por exemplo, existem 1,23 poedeira por habitante, e o consumo anual per capita é de 324 ovos. No México, 0,91 poedeira por habitante, para um consumo per capita de 289 unidades.
 
No Brasil, a média de poedeira por habitante é calculada em 0,32 e o consumo per capita está na casa de 80 unidades. Para Donine esta equação, num primeiro momento, tende a piorar devido ao processo de modernização das granjas de postura. "A automatização vai implicar em aumento de produção, a princípio, tornando ainda mais defasada a relação entre oferta e demanda", esclarece.
 
O presidente da Associação Paulista de Avicultura (APA), Célio Terra, comenta que faltou em 1998 uma sólida campanha de marketing para aumentar o consumo de ovo. Além disso, não houve estímulo econômico ao setor por parte do governo, que continuou empurrando com a barriga a reforma tributária. "No Brasil existem 58 tipos de impostos. Trata-se de uma parafernália infernal para as empresas", desabafa.
 
O alto índice de desemprego – cujas estatísticas já apontam estar no patamar de 13% - também contribui para reduzir o consumo, avalia o dirigente. A conseqüência não podia ser outra. "Nestes últimos dez anos a produção de ovos decresceu 10%", contabiliza. "O plantel de poedeiras, por sua vez, sofreu uma queda de 10,5%", completa.
 
De acordo com o presidente da APA, uma campanha que divulgasse seriamente a importância da proteína, em especial entre a camada mais pobre da população, aliada a um programa que incluísse o ovo nas merendas escolares, poderia fazer o consumo brasileira crescer em torno de 15% a 16%.
 
A industrialização de ovos em escala intensa, como ovo líquido e em pó, também poderia alavancar o consumo. "Nós fizemos uma experiência em São Paulo", conta Terra. "Utilizamos ovo em pó na merenda escolar e comprovamos que seu custo é muito baixo e o valor protéico enorme. Isso deveria ser implantado pelas prefeitura já no próximo ano".
 
Os preços dos ovos no atacado em São Paulo, durante grande parte de 1998, estiveram abaixo dos preços exercidos em 1997. O grande volume de produção impediu a estabilidade dos preços e ajudou a diminuir a rentabilidade plena da atividade. É bem verdade que no decorrer deste ano o descarte de lotes em postura, notadamente de aves que haviam passado pelo processo de muda forçada, foi expressivo. Entretanto, além da reposição normal destas aves, o alojamento foi crescendo com firmeza, gerando preços fracos, principalmente no segundo semestre.
 
Segundo as estatísticas levantadas por Oto Xavier, da Jox Assessoria Agropecuária, o plantel médio de poedeiras no Brasil, calculado até novembro, era de 56,2 milhões de aves. Isto significa um número 8% superior à média obtida em mesmo período de 1997. "A média atual é semelhante à verificada em 1996 (56,0), mas bastante inferior a de 1995, quando havia 58,2 milhões de poedeiras em produção".
 
Por sua vez, o alojamento de pintos comerciais de um dia para reposição de poedeiras, em outubro, atingiu a marca de 5,4 milhões de cabeças. Em janeiro, esse alojamento registrava 4,3 milhões e, após um recuo em fevereiro, quando o número caiu para 3,7 milhões, o alojamento só fez crescer. 
 
"Diante desses números, os preços dos ovos devem seguir relativamente achatados, pelo menos durante o primeiro semestre de 1999", estima Oto. Para que isso não ocorra é preciso aquecer o consumo, o que parece pouco provável diante do possível cenário de recessão esperado para o próximo ano.
 
Outra saída seria adequar a produção à demanda, acelerando os descartes. Porém, como o plantel é relativamente jovem, deve haver muita hesitação por parte dos avicultores em eliminar lotes que estão dentro de uma faixa considerada boa para produção. "Contudo, não parece haver outro caminho para garantir preços remuneradores", afirma Oto.

Alojamento de matrizes de postura ovos vermelhos

Ano

Interno

Exportação

1989

274.014

62.600

1990

247.290

64.350

1991

231.142

39.568

1992

205.278

---

1993

201.870

42.868

1994

230.495

24.520

1995

335.512

44.900

1996

188.971

79.240

1997

241.480

60.400

1998*

255.000

90.000

Fonte: UBA/APA.   *Previsão

Alojamento de matrizes de postura ovos brancos

Ano

Interno

Externo

1989

698.105

31.000

1990

661.107

27.260

1991

555.561

18.200

1992

484.463

15.760

1993

507.825

15.650

1994

659.518

852

1995

503.883

8.000

1996

438.744

26.040

1997

470.835

32.040

1998*

580.000

10.000

Fonte: UBA/APA.   *Previsão

Comercialização de pintos de postura
(ovos brancos e ovos vermelhos)

Ano

Número de cabeças

1989

52.276.174

1990

52.640.951

1991

47.771.011

1992

48.038.634

1993

51.592.934

1994

53.473.773

1995

48.930.560

1996

48.958.488

1997

52.845.569

1998*

58.000.000*

Fonte: UBA/APA.   *Previsão

Média mensal do plantel de poedeiras*

Ano

Número de cabeças

1989

50.673

1990

55.472

1991

66.500

1992

58.280

1993

52.696

1994

55.603

1995

58.250

1996

58.002

1997

52.074

1998*

50.513**

Fonte: UBA/APA.     *Milhares de cabeças.     **Previsão

Produção de ovos brancos e vermelhos
(milhares de caixas com 30 dúzias)

Ano

Produção

% sobre ano anterior

1989

33.817

-18,12

1990

37.370

10,51

1991

37.930

1,51

1992

39.411

3,90

1993

35.183

-10,73

1994

37.369

6,21

1995

44.628

19,43

1996

44.255

-0,84

1997

35.404

-20,00

1998*

36.850

4,08

Fonte: UBA/APA.   *Previsão

FONTE:
Revista Avicultura Industrial
Gessulli Agribusiness
Pça Sergipe, 156 – CEP 18540-000 – Porto Feliz-SP
Tel: (15) 262-3133 / 262-3919
E-mail: gessulli@gessulli.com.br

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