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A
experiência de criar aves em ambiente controlado sob sistema de restrição
de luz durante todo período de recria não é nova. Porém, com o passar
dos anos e o avanço das genéticas em busca de aves cada vez mais pesadas,
já era de se esperar que houvesse uma alteração quanto ao comportamento
produtivo das reprodutoras. Os ganhos em nível de frango de corte são
progressivos, consistentes e altamente representativos, ano a ano. Por
outro lado, observa-se também que, a cada geração, as reprodutoras tornam-se
mais sensíveis e exigentes quanto a manejos específicos. Dessa forma,
cabe a todos que estão diretamente em contato com elas observar e fazer
as alterações necessárias para adaptação delas ao nosso meio.
É evidente que a evolução da genética no tocante à conversão alimentar,
todos os anos obtêm-se aves que convertem mais facilmente o alimento.
E isto, numa razão inversa, logicamente torna os plantéis de reprodutoras:
mais e mais susceptíveis à falta de uniformidade. Com a tendência de
o mercado buscar linhagens que operam cada vez mais com alta conformação,
tem sido observado também que uma das principais características destas
aves é serem muito mais sensíveis e exigentes quanto à falta de uniformidade
de luz para produção. Logo, o sistema de recria ideal para elas é um
sistema de ambiente controlado ou semicontrolado.
Neste ponto, cabe chamar a atenção que aqui, quando se fala em sistema
controlado ou semicontrolado, a referência recai somente sobre a limitação
de luz, seja na intensidade e/ou na quantidade de luz diária. Quando
se trata de ambiente controlado quanto à temperatura, ventilação e umidade
para recria de reprodutoras pesadas, não vemos nenhuma vantagem que
não seja a limitação de luz, que certamente está presente nestes casos.
Ou seja, os benefícios dos galpões de ambiente controlado estão relacionados
com a limitação de luz, e não com o controle de temperatura.
Abaixo
são enumerados os benefícios do sistema:
1)
Melhor uniformidade de peso.
2) Melhor conversão alimentar > menos 0,5–1 quilo/ave alojada em
recria.
3) Melhor uniformidade sexual.
4) Maior sensibilidade ao programa de fotoestimulação (sincronidade
sexual).
5) Maior viabilidade de recria > 1–2% melhor.
6) Constância e regularidade de início de produção (não há atraso
de produção).
7) Melhores piques de produção.
8) Melhor adaptação ao calor para fase de produção.
9) Mais ovos por ave > 3–5 ovos/ave/alojada.
Semana chave - O principal objetivo dos sistemas de ambiente controlado
(dark house) ou semicontrolado (sombrite) para recria de reprodutoras
é não permitir a sobreposição do hormônio do crescimento com a liberação
dos hormônios sexuais (18–22 semanas de idade). Já se sabe que estes
hormônios são antagônicos. Sabe-se ainda que a plenitude de ação do
hormônio do crescimento ocorre até a 22a semana de idade.
Assim, em galpões abertos, a partir da 16a semana de idade,
as aves mais pesadas do plantel já começam a responder aos estímulos
luminosos de luz natural e a liberar os hormônios sexuais. Isto, além
de desuniformizar o plantel, vai interferir na formação corporal final
da ave. Tudo isso em um período de suma importância, que é a fase de
formação do "fleshing" (carne de peito) e do aparelho reprodutor
da ave.
Em aves de conformação, no período entre a 16a e 22a
semanas de idade, ocorre a formação do fleshing, que tem relação direta
com a persistência de produção do plantel. Pelo fato de as aves estarem
em ambiente de escuro ou semiescuro até o final da semana 21, não vai
haver liberação dos hormônios sexuais. Dessa forma, alcança-se a plenitude
da formação corporal.
A seguir, alguns pontos importantes que merecem ser observados:
·
Intensidade de luz durante toda recria = 5–8 lux. É muito importante
manter abaixo de 10 lux, uma vez que de acordo com Mack North 3a
edição, "a partir de 10 lux as aves já começam a responder sexualmente
à luz". Tal fato é notório no campo, uma vez que se pode observar
que lotes que são recriados com intensidade de luz acima de 10 lux,
a partir de 14-16 semanas, apresentam desenvolvimento de crista (geralmente
as aves mais pesadas). Com isto se perde o principal fundamento do
sistema de recria em escuro, que é manter a uniformidade sexual do
lote.
· Usar 23 horas de luz nas duas primeiras semanas de idade para forçar
o consumo e o ganho de peso inicial.
· Manter 8 horas de luz constante por dia (5– 8 lux) entre 3 – 21
semanas completas (baixar a lona interna às 9 da manhã e subir às
5 da tarde).
· Utilizar alimento iniciador de alta densidade (3000 Kcal x 20% P.B.),
até cinco semanas completas, para dar uma boa composição de carcaça
para as aves.
· Buscar como meta um consumo mínimo acumulado de 180 gramas de proteína
para aves médias e pesadas e 200 gramas para aves leves até a quarta
semana de idade (28 dias).
· Cuidar do peso médio das aves nos períodos de 0 – 6 semanas e 14
– 22 semanas de idade, procurando trabalhar sempre dentro da tabela
de peso recomendada para as linhagens. Isto vai servir para garantir
uma boa reserva de glicogênio muscular e hepático, assim também como
fonte de cálcio, fósforo e potássio que são minerais altamente essenciais
ao metabolismo básico dos animais, além de estarem diretamente relacionados
à mortalidade na fase de produção. Além disso, o arranque de produção
dos lotes criados neste sistema é muito rápido e uniforme, causando
um desgaste físico acentuado das aves, devido a forte fotoestimulação
e até mesmo devido a alta competitividade alimentar que ocorre entre
as aves, por estarem muito uniformes sexualmente.
· Como sugestão, se o lote não estiver excessivamente pesado no período
de 18 – 20 semanas de idade, pode-se utilizar 1 – 2 semanas de alimento
iniciador como aporte de proteína e aminoácidos na constituição do
aparelho reprodutor e do fleshing das aves.
Programa de luz - Como os lotes criados em dark house ou semiescuro
têm uma excelente uniformidade sexual, e a subida de produção destes
lotes é muito, rápida, é permitido adotar um programa de luz mais tardio,
na intenção de dar condições de o maior número de aves possíveis atingir
o peso mínimo ideal para se fotoestimularem.
É importante chamar a atenção que o programa proposto oferece a impressão
de que o programa para fora de estação é mais lento do que em estação.
Tal fato não é real. Uma vez que em casos de recria em Dark – House
ou em Semiescuro, o que vai dar o "start" inicial (fotoestimulação)
é a saída do plantel de um sistema com oito horas constantes de luz
com baixa intensidade (menos de 10 lux), para no mínimo 12 horas de
luz com alta intensidade (acima de 500 lux). O resultado é dois programas,
independente da época do ano.
Não é possível esquecer que o que fotoestimula a ave são os tamanhos
dos incrementos semanais de luz, e não a quantidade total de luz do
dia. E, no caso do programa de luz para fora de estação, temos três
incrementos fortes de luz (o 1o de 4 horas, o 2o
e 3o de 2 horas). Outro detalhe importante que diz respeito
a parte conceitual do programa de luz, é que sempre que ele é realizado,
a cada incremento que se faz, estimula uma classe de aves. Ou seja,
o primeiro incremento estimula as aves mais pesadas do plantel, o segundo
incremento estimula as aves médias. Assim, é necessário um ou dois incrementos
a mais para estimular as aves leves e superleves.
Em caso de semiescuro ou dark house, muitas vezes com 2 ou 3 incrementos,
alcança-se bons resultados devido ao fato de o plantel alcançar melhor
uniformidade. Pensando nisso, deve-se tomar o cuidado de fazer os incrementos
de luz escalonados a cada 14 dias, para poder deixar o plantel como
um todo assimilar cada incremento. Neste período recomenda-se o preparo
de uma nova classe de aves para responder ao próximo incremento. Confira
outros pontos importantes:
·
Os machos podem ser recriados também em sistema escuro ou semiescuro
para melhorar a uniformidade. Mas devem ser transferidos para o galpão
de produção 5 – 7 dias antes das fêmeas, ou serem fotoestimulados
dentro do galpão de recria com 12 horas de luz artificial, no prazo
de 7 – 14 dias antes da transferência.
Confira
outras dicas para se instalar o sistema semiescuro:
·
Instalar uma lona de sombrite 80% do lado de fora do galpão. A lona
deve sair desde o beiral do galpão, baixando em angulação de 40 graus,
até mais ou menos 40 – 50 cm do piso.
· Colar ou costurar uma lona plástica negra por dentro da lona amarela
tradicional do galpão (esta vai ser a lona que vai manter às oito
horas de luz natural constante no galpão). Quando ela estiver aberta,
vai-se ter a proteção do sombrite por fora, mantendo uma intensidade
de 3 – 8 lux internamente.
· Somente para regiões muito quentes, é possível instalar alguns ventiladores
dentro do galpão, a fim de poder baixar um pouco a sensação térmica
das aves.
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