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Os
avanços biotecnológicos no setor de produção animal nunca param. Na
área de nutrição, a busca pela redução dos custos faz com que a pesquisa
de hoje tenha reflexos na produção a curto prazo. Com a proibição do
uso de antibióticos promotores de crescimento pelos países membros da
União Européia (UE) – veja matéria nessa edição – , o grande desafio
passou a ser o crescimento dos animais de forma balanceada. Para isso,
três fatores se fazem importantes, segundo Simon M. Shane, da Universidade
do Estado da Louisiana (EUA): eficiência produtiva, eficiência ambiental
e satisfação do consumidor.
Durante
a palestra O futuro da indústria avícola: oportunidades e soluções
através da biotecnologia, Shane diz que o uso da maioria dos promotores
de crescimento já está proibida na UE e os que restaram estão "com
os dias contados". Para ele, até julho de 2000 todos antibióticos
desta natureza estarão banidos do mercado europeu. A palestra aconteceu
durante a conferência Exportação de frangos: as imposições e oportunidades
de mercado, promovida pela Alltech do Brasil, no último mês de dezembro,
em São Paulo (SP).
O Brasil, no quadro descrito por Shane, tem de se adaptar rapidamente.
"O Brasil é exportador de proteína animal. A única alternativa
cabível é o banimento dos antibióticos promotores de crescimento",
defende. Várias propostas estão sendo discutidas entre os produtores
para encontrar alternativas de aditivos para suprimir as necessidades
do plantel e garantir os mesmos níveis de lucratividade. Segundo Shane,
muitos países estão buscando solucionar estas questões por meio do uso
de novas drogas. "Mas o uso inadequado delas pode causar inúmeros
problemas", alerta.
Shane chama a atenção dos criadores para o fato de que, no futuro, a
garantia para o sucesso está relacionada à satisfação dos clientes.
Mas, no ramo de carnes, ela está ligada à falta de promotores de crescimento
no alimento ingerido, sem contar as discussões e argumentações científicas
que provam o benefício destes produtos. Ele atenta também para os antibióticos
terapêuticos, afirmando que os produtores devem esquecê-los. "Para
minimizar os prejuízos é mais importante evitar doenças do que tratá-las".
Mas não é só isso. As questões ambientais ligadas à nutrição do plantel
fazem parte das preocupações dos consumidores mais exigentes. "Deve-se
prestar atenção ao uso de nitrogênio, nitrato e amônia", diz.
Posicionamento
no mercado – Em populações com alto poder aquisitivo há um grande
consumo per capita de proteína animal. Se o poder aquisitivo
das pessoas não for aumentado a produção corre sérios riscos de ficar
estagnada. Por isso, os especialistas separaram os países entre importadores
e exportadores, confirmando uma tendência prevista no passado. "A
separação é inevitável", diz Shane. Como conseqüência, as medidas
protecionistas neste mercado "caem por terra". A proteção
passa a ser somente para os consumidores, evidenciando ainda mais a
eficiência competitiva entre as empresas do ramo. "Grandes empresas
dominam porque têm mais capacidade de investir em gerenciamento e conquistar
mercado", comenta.
Os fatores determinantes da rentabilidade, portanto, passam a fazer
parte do vocabulário dos empresários da área. Shane cita alguns deles,
como o custo dos ingredientes, expansão do mercado, eficiência operacional
e escala de produção. Além disso, os produtores devem estar atentos
ao fato de que o Brasil, mesmo sendo um dos maiores exportadores mundiais,
comercializa somente 13% da sua produção de frangos no mercado externo,
devendo se concentrar ainda em atender bem os outros 87%, que são os
consumidores internos. As estratégias, então, passam a tomar conta do
caminho da produção animal, sofrendo influência de fatores como clima,
infraestrutura, fatores de mercado, recursos de capital e questões ambientais.
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