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Eficiência e satisfação
(Por: Rodrigo Fonseca de Almeida) 

Os avanços biotecnológicos no setor de produção animal nunca param. Na área de nutrição, a busca pela redução dos custos faz com que a pesquisa de hoje tenha reflexos na produção a curto prazo. Com a proibição do uso de antibióticos promotores de crescimento pelos países membros da União Européia (UE) – veja matéria nessa edição – , o grande desafio passou a ser o crescimento dos animais de forma balanceada. Para isso, três fatores se fazem importantes, segundo Simon M. Shane, da Universidade do Estado da Louisiana (EUA): eficiência produtiva, eficiência ambiental e satisfação do consumidor.

Durante a palestra O futuro da indústria avícola: oportunidades e soluções através da biotecnologia, Shane diz que o uso da maioria dos promotores de crescimento já está proibida na UE e os que restaram estão "com os dias contados". Para ele, até julho de 2000 todos antibióticos desta natureza estarão banidos do mercado europeu. A palestra aconteceu durante a conferência Exportação de frangos: as imposições e oportunidades de mercado, promovida pela Alltech do Brasil, no último mês de dezembro, em São Paulo (SP).
 
O Brasil, no quadro descrito por Shane, tem de se adaptar rapidamente. "O Brasil é exportador de proteína animal. A única alternativa cabível é o banimento dos antibióticos promotores de crescimento", defende. Várias propostas estão sendo discutidas entre os produtores para encontrar alternativas de aditivos para suprimir as necessidades do plantel e garantir os mesmos níveis de lucratividade. Segundo Shane, muitos países estão buscando solucionar estas questões por meio do uso de novas drogas. "Mas o uso inadequado delas pode causar inúmeros problemas", alerta.
 
Shane chama a atenção dos criadores para o fato de que, no futuro, a garantia para o sucesso está relacionada à satisfação dos clientes. Mas, no ramo de carnes, ela está ligada à falta de promotores de crescimento no alimento ingerido, sem contar as discussões e argumentações científicas que provam o benefício destes produtos. Ele atenta também para os antibióticos terapêuticos, afirmando que os produtores devem esquecê-los. "Para minimizar os prejuízos é mais importante evitar doenças do que tratá-las". Mas não é só isso. As questões ambientais ligadas à nutrição do plantel fazem parte das preocupações dos consumidores mais exigentes. "Deve-se prestar atenção ao uso de nitrogênio, nitrato e amônia", diz.

Posicionamento no mercado – Em populações com alto poder aquisitivo há um grande consumo per capita de proteína animal. Se o poder aquisitivo das pessoas não for aumentado a produção corre sérios riscos de ficar estagnada. Por isso, os especialistas separaram os países entre importadores e exportadores, confirmando uma tendência prevista no passado. "A separação é inevitável", diz Shane. Como conseqüência, as medidas protecionistas neste mercado "caem por terra". A proteção passa a ser somente para os consumidores, evidenciando ainda mais a eficiência competitiva entre as empresas do ramo. "Grandes empresas dominam porque têm mais capacidade de investir em gerenciamento e conquistar mercado", comenta.
 
Os fatores determinantes da rentabilidade, portanto, passam a fazer parte do vocabulário dos empresários da área. Shane cita alguns deles, como o custo dos ingredientes, expansão do mercado, eficiência operacional e escala de produção. Além disso, os produtores devem estar atentos ao fato de que o Brasil, mesmo sendo um dos maiores exportadores mundiais, comercializa somente 13% da sua produção de frangos no mercado externo, devendo se concentrar ainda em atender bem os outros 87%, que são os consumidores internos. As estratégias, então, passam a tomar conta do caminho da produção animal, sofrendo influência de fatores como clima, infraestrutura, fatores de mercado, recursos de capital e questões ambientais.

FONTE:
Revista Avicultura Industrial - Número 1076 - Março/2000
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