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No
Brasil, porém, as estimativas são menores. Alguns cálculos apontam para
um faturamento anual de US$ 1,5 bilhão. Mas, na verdade, informações
divergentes criam um verdadeiro enigma quanto ao real faturamento do
setor.
O ser humano encontra remédio contra a solidão não só na companhia de
outros de sua espécie. Mesmo sem códigos de comunicação verbal inteligíveis
ao Homo sapiens sapiens, exceto as manifestações de afeto, os animais
de estimação (ou pets) conquistam lugar na sociedade de consumo de massas
só pelo fato de necessitarem e exigirem cuidados especiais.
No mundo globalizado, o mercado dos bichos de companhia também é sinônimo
de lucros, representando uma movimentação de até então estimados US$
18 bilhões por ano. E o segmento pode oferecer inúmeras opções, tanto
em cuidados veterinários quanto em alimentação, produtos estéticos,
roupas, educação, transporte, hospedagem e, até mesmo, serviços funerários.
No entanto, os números mundiais podem ser bem maiores. Pois somente
os norte-americanos, segundo estudo da Business Communications Company,
Inc. (BCC), gastaram US$ 22,7 bilhões com seus pequenos amigos, em 1996.
A previsão para 2001 é que a quantia atinja US$ 28,5 bilhões, representando
uma taxa anual de crescimento de 3,9%. Nesse montante, as rações ficariam
com 47% e os serviços veterinários com 26%.
Conforme estimativa, os pets brasileiros - no ano passado - foram motivo
do giro de US$ 1,5 bilhão, praticamente três vezes mais que em 1993,
segundo reportagem publicada pela revista Veja. Essa diferença nas cifras,
entre Brasil e Estados Unidos, é ainda mais gritante quando analisada
de perto. Apenas na cidade de Nova York (EUA) há pelo menos 100 mil
pessoas que gastam cerca de US$ 1 mil com seus protegidos anualmente.
No Brasil esse número é bem mais modesto. Segundo a mesma matéria da
Veja, os brasileiros desembolsam, em média, US$ 62,00 por ano com seus
bichos de estimação.
Mas os valores podem ser bem maiores. Para se ter uma idéia do potencial
do mercado pet no País, só no setor de rações o faturamento é de US$
300 milhões por ano. Conforme dados do Sindicato Nacional da Indústria
de Alimentação Animal (Sindirações), o segmento pet representa apenas
2% do bolo total da produção de rações (28,7 milhões de toneladas),
apesar de seu crescimento de 31% em 1997. Foram produzidas 420 mil toneladas
de rações para pets, em 1996, e 550 mil toneladas no ano passado.
Em 1998, o sindicato, que congrega 200 fabricantes de rações do Brasil,
prevê que a oferta total suba para 640 mil toneladas.
O mercado de alimentação pet pode ser mais bem trabalhado. De acordo
com estimativa do Sindirações há 20 milhões de cães e gatos no País
(alguns levantamentos apontam para 24 milhões), sendo que apenas 20%
são alimentados com rações industrializadas.
O vice-presidente do sindicato, Stephen Wei, diz que a indústria de
rações pet tende a estabilizar seu nível de produção. Antes, o crescimento
era de 15% ao ano. A previsão para este ano é de 5 a 6%. O desenvolvimento
do setor vai depender também do progresso da renda per capita do brasileiro.
"O incremento da indústria de rações para animais de estimação
é a longo prazo", analisa.
PRÊMIO
ANFAR
Dentro de todo o mercado pet as rações representam de 70 a 80% do total
de produtos. O Sindirações também aposta nas campanhas de publicidade
para conscientizar o brasileiro a dar ração balanceada ao seu animal,
em vez de restos de comida. O presidente acredita que o mercado nos
países desenvolvidos será menor que no terceiro mundo, cuja possibilidade
de aumento será gradativa. O setor de rações, que cresceu muito nos
últimos cinco anos, sofre com as alterações de mercado, assim como as
outras indústrias. "Como falta dinheiro para o povão, o consumo
de rações é menor."
Wei, que também é proprietário da Braswey - fabricante das rações Anhangüera
-, afirma que os produtos nacionais devem ser cada vez mais qualificados
para poderem competir com as multinacionais. "A indústria nacional
tem de investir bastante, apostar nas inovações tecnológicas e procurar
novas fontes de matéria-prima. Nessa área pet, ainda temos muito espaço
para crescer."
A ração pet é mais cara que outros alimentos destinados a animais porque
é semicozida. O processo é feito por uma máquina extrusora, de porte
médio, que pode produzir cerca de duas mil toneladas por mês. Apenas
com equipamento e adequação das instalações Wei calcula que são necessários
investimentos de pelo menos R$ 600 mil.
O secretário-executivo do Sindirações, João Prior, afirma: "Com
o perdão da palavra, este é um mercado para empresas de porte."
Uma pequena empresa não tem condições de elaborar uma ração com a mesma
qualidade. "Com o processo de globalização, se não tivermos qualidade
competitiva, vamos perder para os europeus e norte-americanos."
Então, os brasileiros podem ficar tranqüilos, pois não há perigo de
haver uma invasão estrangeira no setor. No ano passado, por exemplo,
a novidade importada era as rações da linha premium.
Hoje, as empresas nacionais já têm suas linhas premium. Para este ano,
o setor aposta na vaidade dos animais e seus donos. A fim de evitar
quilinhos extras, a moda é o diet, isso também na pet food.
Prior conta que as atividades da Associação Nacional dos Fabricantes
de Ração (Anfar) têm contribuído muito ao elaborar campanhas de incentivo
ao consumo de ração balanceada. Uma das ferramentas é o Prêmio Anfar
de Incentivo ao Estudante de Veterinária.
A intenção é incentivar a pesquisa sobre doenças relacionadas à alimentação
inadequada, por parte de estudantes de veterinária. "O prêmio é
voltado em especial para os estudantes do quinto ano, que vão ser os
donos de clínicas de pequenos animais e pet shops, os formadores de
opinião dos proprietários", enfatiza Prior. "E isso tem dado
resultado."
PESQUISAS
DE MERCADO
Segundo levantamento da AC Nielsen do Brasil, empresa especializada
em pesquisa e análise de mercado, só nos primeiros cinco meses de 1997
foram investidos US$ 9,1 milhões em publicidade pelos fabricantes de
ração pet. Dessa quantia, 95% foram destinados à televisão. Os números
quase batem com os de 1995 inteiro, cujos gastos nessa área foram de
US$ 9,5 milhões. Porém, houve um salto em 1996, quando foram destinados
US$ 12,2 milhões em divulgação de alimentos pet.
Os supermercados são responsáveis por 40% das vendas de ração para cães
e 39% dos alimentos de gatos, aponta a AC Nielsen. Pequenos estabelecimentos,
como as lojas self-service, ficam com 19%, nos dois tipos de ração.
O alimento para cães é mais consumida no interior de São Paulo (21%)
e na região Sul (20%), em comparação com outras áreas do País. Nessas
áreas o consumo de alimentos para gatos é, respectivamente, de 24 e
28%.
Minas Gerais, Espírito Santo e interior do rio de Janeiro constituem
um mercado que ganha importância no setor. Abocanham 20%, em rações
de cães, e 7%, na de gatos. No Nordeste (4% em rações para cães e 6%,
para gatos) e no Centro-oeste (4 e 2%, respectivamente) ainda é pouca
a procura.
Também no relatório da Nielsen, com dados de abril a maio de 1997, consta
que o maior fabricante na área é a Éffem, líder nas duas categorias,
com cerca de 60% do mercado para rações felinas e 45% em alimentos caninos.
Em seguida, vem a Purina (26% para gatos e 21% para cães), Mogiana (7
e 10%) e Cargill (5% em ambas). A concorrência esquentou ainda mais
devido à recente entrada da Nestlé no mercado, com a marca Friskies.
Só em marketing a Nestlé investiu ano passado R$ 10 milhões, mais R$
20 milhões para a construção de uma fábrica no Estado de São Paulo,
segundo a gerente de produtos da marca, Sônia Háfez. No início, a ração
vai ser importada dos Estados Unidos. A companhia comprou uma fábrica
no Rio Grande do Sul, para também utilizar na empreitada, e espera abocanhar
pelo menos 25% do mercado, em três anos.
No setor de defensivos animais em geral, o faturamento mundial em 1997
foi de US$ 17,8 bilhões, conforme a companhia inglesa Vivash-Jones International.
O estudo aponta um crescimento de 2,2% sobre os US$ 17,4 bilhões do
ano anterior. Nesse contexto, o Brasil está em terceiro lugar, com US$
850 milhões, ficando atrás dos EUA (US$ 3,3 bilhões) e do Japão (US$
950 milhões). Em quarto lugar vem a França, com US$ 700 milhões, seguida
da Alemanha, com US$ 550 milhões. Mas com relação aos pets, ainda não
foram divulgados números ou estimativas oficiais.
PET
SHOPS
Em busca de produtos e serviços mais específicos, os donos de animais
podem recorrer a um pet shop. São oito mil no Brasil, cinco mil deles
só no Estado de São Paulo. Apesar dos números, o empresário Francisco
Venturi Régis, do Pet Shop Alvorada, salienta que somente os estabelecimentos
mais qualificados e profissionais vão permanecer. O faturamento bruto
estimado de um pet shop fica entre R$ 10 mil e R$ 120 mil, ao mês, dependendo
do tamanho e localização. "A maior parte tem um faturamento médio
de R$ 20 mil", avalia.
Seguindo esse raciocínio, o total de pet shops no Brasil chega a arrecadar
R$ 160 milhões mensais (R$ 1,92 bilhões ao ano), em média. Calculando
por baixo, faturariam R$ 80 milhões por mês (R$ 960 milhões por ano).
Como se vê, não há realmente números muito confiáveis, obrigando o setor
a fazer um verdadeiro exercício de numerologia.
As rações devem representar 30% do total de produtos vendidos em um
pet shop bem administrado, informa Venturi. Os serviços (veterinário,
banho, tosa, hospedagem e transporte) empatam nas porcentagens, enquanto
os acessórios, complementos alimentares e medicamentos ficam com 40%.
Mesmo com números expressivos a rentabilidade das rações para uma pet
shop é muito pouca. "Elas podem ser vendidas em qualquer supermercado."
Portanto há possibilidade de as mais específicas serem comercializadas
pelos pet shops, que possuem estrutura e informações adequadas.
Quem quiser uma franquia da rede Alvorada deve dispor ao menos de 120
metros quadrados construídos. Os estabelecimentos, com até 50 metros
quadrados, ficam com o segmento Express, mais utilizados para prestação
de serviços, como estrutura de apoio ou em bairros. A loja laboratório
em Moema, inicialmente com 125 metros quadrados, atendia 410 pequenos
animais ao mês, para banho e tosa. Em um ano ficou pequena. Atualmente,
possui 220 metros quadrados com capacidade para atender 800 animais.
O retorno financeiro de um pet shop demora de 1,5 a dois anos para acontecer.
Mesmo com o incremento do setor na área de acessórios, as vendas de
animais têm sido muito boas, comenta o empresário. "Os mais procurados
ainda são os cães. Mas vendas de outros tipos menos comuns, como chinchilas,
hamsters, esquilos da Mongólia e furões também estão aquecidas. Por
sua vez, o comércio de aves de estimação sempre foi muito bom e continua
crescendo." Os pet shops vêm com tamanha potência que em dois anos
devem organizar-se numa associação, revela Régis.
Na linha de acessórios para cães, o empresário Valter Gomes Silva diz
que o máximo de crescimento deve ficar em torno de 5%, baseando-se no
comportamento de sua firma, a Indústria de Artigos de Couro São Benedito.
São cerca de 800 itens, fabricados ou revendidos, pela empresa de 30
anos de tradição, em nível nacional. Apesar do susto da crise econômica
na Ásia, que gerou o pacote fiscal no final de 1997, a indústria não
chegou a operar no vermelho. "Mas não deu para fazer muita coisa
ano passado", salienta, sem revelar números.
Há quatro anos Silva vem construindo uma nova fábrica, em Arujá (SP),
para onde deve mudar-se completamente até o final de maio. Ela dispõe
de sete mil metros quadrados de área construída. Quando for inaugurada,
a capacidade de produção deve dobrar, aumentando o quadro de funcionários
para 100 pessoas. A antiga unidade tem 1,8 mil metros quadrados, em
Vila Formosa, na capital paulista, e conta com 70 trabalhadores. "A
nossa produção tem que dobrar", sentencia Silva. Para tal, adquiriu
equipamentos importados para também incrementar a qualidade dos produtos.
SERVIÇOS
Do seu lado, o setor de serviços pet não está parado. Há espaço até
mesmo para quem trabalha como motorista de pequenos animais. É o caso
de João Carlos Chiles, proprietário do Taxi Animal, um serviço de transporte
pet. Chiles aventurou-se no ramo um ano atrás, utilizando um veículo
Towner, da marca Asia. Os animais não ficam circulando pelo furgão,
ficam bem comportados dentro de cestas específicas. Seus passeios compreendem
uma simples ida ao banho e tosa até a locomoção a uma cirurgia no Hospital
Veterinário da Universidade de São Paulo (USP), por exemplo.
Para atender ao chamado, Chiles cobra uma taxa de R$ 15,00. Mas ele
é camarada e colabora nos preços. Se o local for muito longe, o quilômetro
rodado custa R$ 1,00. Sendo perto, a distância fica por R$ 1,50. Nas
viagens para o interior combina antes o valor com o cliente. O animal
transportado deve, de preferência, estar junto ao dono.
Só em fevereiro deste ano, Chiles fez 55 transportes. Fechou o mês com
R$ 1.650,00. "Mas esse tipo de serviço precisa ser mais divulgado",
prega. Nos Estados Unidos o negócio chegou a um ponto considerado por
muitos como extremo. Já existe um serviço de limusine para pets, com
direito a assentos especiais e, por US$ 20,00 extra, oferece-se inclusive
uma exibição privê de vídeos específicos para a bicharada.
Os proprietários mais cuidadosos têm à sua disposição planos veterinários
de saúde. Um deles é o Vet Saúde. Implantada há quatro anos em São Paulo,
oferece facilidades no pagamento e bastante mobilidade nos serviços.
Para se ter uma idéia, pode compreender de um simples banho e tosa a
uma cirurgia complicada. Já chega a 600 o número de associados, gerando
uma renda média de R$ 15 mil ao mês (R$ 180 mil por ano), conforme a
sócia-proprietária Thaís Helena Felisbino.
Também nesse caso o pacote fiscal trouxe 6% de inadimplência só em novembro,
afugentando alguns clientes, pois em caso de não-pagamento da mensalidade
no prazo de 45 dias o contrato é automaticamente cancelado.
Dos animais atendidos, 67% são cães de pequeno porte; 11%, gatos; e
22%, cães grandes e gigantes. No plano Vet Saúde estão credenciados
nove laboratórios, 79 lojas especializadas e 183 clínicas, na Grande
São Paulo e parte do litoral. A mensalidade do plano integral para um
cão pequeno sai por R$ 40,00 mensais. Por R$ 8,00 a mais, o cliente
tem direito ao plano VIP, que inclui exames complementares. O plano
especial tem as vantagens do integral, mais o tíquete beleza (para trocar
por serviços estéticos em um pet shop credenciado). "Pretendemos
dobrar o quadro de associados em 1998", aposta.
CONTRA
A SOLIDÃO
O presidente da Sociedade de Medicina Veterinária do Rio de Janeiro,
Jorge Pinto Lima, acredita na franca expansão do mercado pet. Para ele,
os pequenos animais suprem a carência de companhia das pessoas que vivem
ilhadas em si mesmas nos centros urbanos. Na "Cidade Maravilhosa",
fala, o veto da entrada de bichos em apartamentos, pelos síndicos, é
"letra morta". "Não adianta mais proibir, nem nada. É
um desejo do povo", defende.
Com o envelhecimento da população humana há muita gente solitária, especialmente
acima da faixa etária de 60 anos. "Em Copacabana, local onde há
maior concentração de idosos, todos têm um animal ou mais."
A proliferação de clínicas de pequenos animais e a especialização de
veterinários, de acordo com Pinto Lima, têm relação com os maiores cuidados
inspirados pelos pets, assistidos como se fossem uma criança. "Proporcionou
e está proporcionando maiores alternativas no mercado de trabalho para
os veterinários." Mesmo quem não tem tanto poder aquisitivo pode
recorrer, como em casos humanos, a uma clínica pública. "No Rio,
temos o Instituto de Medicina Veterinária Jorge Vaistman, da prefeitura,
que atende mediante uma módica quantia."
Mas quem deveria acabar com a solidão humana também pode ter problemas.
Cães e gatos deitam-se no divã e são atendidos por veterinários psicólogos,
por sessões de uma hora, ao custo que varia entre R$ 80,00 e R$ 100,00.
É um tipo de terapia familiar, mas só que com o animal e o dono. Nos
Estados Unidos os cuidados são bem mais sofisticados. Um psiquiatra
diz solucionar qualquer problema no cão por R$ 300,00, a hora. Se isso
não funcionar, pode recorrer-se a um "pet psychic", que revela
o pensamento do animalzinho por R$ 30,00.
E quem é amigo é amigo até na hora - e depois - da morte. Com essa idéia,
a italiana Adriana Sandonati abriu seu primeiro cemitério de animais,
16 anos atrás, no bairro Martinez, em Buenos Aires, Argentina. Em abril
de 1994, colocou em funcionamento o Cemitério Parque de Animais Jardim
do Amigo, em Itapevi (SP). A área escolhida foi a Estância São Francisco,
com 20 mil metros quadrados, coberta de árvores e banhada por uma cachoeira.
"Não existe estabelecimento com esse tipo de qualidade no mundo",
assegura.
O atendimento é 24 horas. Conta com dois veículos que podem buscar o
animal falecido em qualquer parte do Estado de São Paulo. Os jazigos
são alugados, mediante contratos de três a cinco anos, podendo ser renovados
mediante uma taxa mínima. Com um contrato funerário de antecedência,
o serviço pode ser pago em até 24 parcelas. "Quando o animal morre,
só é paga a taxa de enterro, de R$ 150,00." São quatro setores:
o Colinas (popular), o Palmeiras e o Pinho, mais elegantes, e o de pequenos
animais.
O ambiente é cuidado por dez funcionários. No local estão enterrados
desde uma capivara a seres delicados, como a tartaruga Baughoo e o canário
Dunga. Nos setores mais nobres, há placas nos jazigos de cada animal.
O Jardim do Amigo também possui uma área de velório e pode construir
um crematório, no futuro. "Cada animal tem uma história. Ele acompanha
a nossa vida e a de nossos filhos. Por isso merece ter um final decente.
Não pode simplesmente ser jogado ao lixo, ou num aterro sanitário",
explica Adriana.
LADO
NEGRO
O mercado pet também tem seu lado negro. A cada ano o Brasil perde 12
milhões de animais silvestres no mercado negro, girando uma bolada que
vai de US$ 1 bilhão a US$ 1,5 bilhão, praticamente a mesma quantia gasta
na legalidade. Segundo entidades ambientalistas internacionais, o País
participa com 10 a 15% da comercialização de animais silvestres, que
no mundo movimenta US$ 10 bilhões anuais.
De todos os animais, 30% são destinados ao exterior. A maioria fica
reclusa em criações clandestinas, com colecionadores e feiras. Ambientalistas
do mundo inteiro acusam o Rio de Janeiro de ser a "capital internacional
do tráfico de animais". Só naquele estado existem mais de 100 feiras
distribuídas em diversos municípios. A maior delas, em Duque de Caxias,
é famosa no exterior.
O contato com os clientes, geralmente, é feito por um menor. As encomendas
são feitas com caçadores, que percorrem as matas em busca das espécies.
Infelizmente, 90% dos animais caçados morrem durante o caminho ao mercado.
Os que vão para o exterior ganham documentação falsa. Ficam supervalorizados
e ganham novamente outra nacionalidade. O mais vendido é o papagaio.
De seu habitat ao exterior o preço sobe de US$ 50,00 a US$ 2 mil a unidade.
Nos Estados Unidos e Europa, a jaguatirica chega a custar até US$ 5
mil, embora saia da Amazônia por US$ 100,00.
Um dos mais raros, o mico-leão-dourado, uma espécie em extinção, pula
da cifra de US$ 250,00 a US$ 15 mil, ao ser vendido lá fora.
Estimativa
média do faturamento bruto mensal de um pet shop
|
em
%
|
em
R$
|
| Rações |
30
|
6
mil
|
| Serviços |
30
|
6
mil
|
| Acessórios,
aditivos e medicação |
40
|
8
mil
|
| Total |
100
|
20
mil
|
Fonte:
Rede Alvorada de pet shop, fornecido por Francisco Venturi Régis
Maiores
empresas do mundo de defensivos animais
|
Empresa
|
Total
em 1997
|
| 1º |
Merial |
US$
1,48 bilhões |
| 2º |
Pfizer |
US$
1,3 bilhões |
| 3º |
Bayer |
US$
900 milhões |
| 4º |
Fort
Dodge |
US$
750 milhões |
| 5º |
Basf |
US$
685 milhões |
| 6º |
Schering-Plough |
US$
655 milhões |
| 7º |
Novartis |
US$
645 milhões |
| 8º |
Elanco |
US$
580 milhões |
| 9º |
Hoecht |
US$
497 milhões |
| 10º |
Pharmacia
& Upjohn |
US$
421 milhões |
Fonte:
Vivash-Jones International
Segmento
de consumo de Rações em 1997
|
Por
setor
|
em
%
|
| Avicultura |
56
|
| Suínos |
31
|
| Bovinos |
6
|
| Outros |
3,8
|
| Pet
Food |
2
|
| Eqüinos |
1
|
| Peixes |
0,2
|
Fonte:
Sindirações e Anfar
Produção
Nacional de Rações (Em
milhões de toneladas por espécie)
|
1996
|
1997
|
1998*
|
| Avicultura |
15.252
|
16.340
|
17.288
|
| Corte |
12.622
|
13.889
|
14.713
|
| Postura |
2.630
|
2.452
|
2.575
|
| Suínos |
8.493
|
8.950
|
9.400
|
| Bovinos |
1.239
|
1.780
|
1.958
|
| Pet
Food |
420
|
550
|
640
|
| Eqüinos |
222
|
250
|
260
|
| Aqüicultura |
-
|
60
|
80
|
| Outros |
386,9
|
745
|
780
|
| Totais |
26.012,9
|
28.676
|
30.406
|
*Previsão
Fonte: Sindirações e Anfar
Maiores
produtores nacionais de ração para cães
|
Empresa
|
em
%
|
| Éffem |
44
|
| Purina |
21
|
| Mogiana |
10
|
| Cargill |
5
|
Fonte:
AC Nielsen Brasil (1997)
Maiores
produtores nacionais de ração para gatos
|
Empresa
|
em
%
|
| Éffem |
60
|
| Purina |
26
|
| Mogiana |
7
|
| Cargill |
5
|
Fonte:
AC Nielsen Brasil (1997)
|