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A
onda do corpo malhado está em alta com a chegada do verão. Em especial
na suinocultura, onde prevalecem cada vez mais animais com baixo percentual
de gordura e grande quantidade de carne magra. Essa ótima notícia para
os consumidores pode se transformar facilmente em fartos lucros para
os criadores.
É que o corpo enxuto dos suínos favorece a comercialização de sua carne
em forma de cortes, segmento bastante lucrativo. Mesmo assim, os derivados
industrializados (salsicha, lingüiça, presunto, mortadela, salame, fiambre,
entre outros) ainda correspondem a 70% da produção.
Quem atesta é o secretário-executivo da Associação Brasileira da Indústria
Processadora de Carne Suína (Abipos), Clóvis Puperi. Segundo ele, o
brasileiro ainda não se apaixonou pela carne suína, fato comprovado
pela queda de estimados 8% da produção em 1997. Com as campanhas de
incentivo ao consumo, prevista para este ano, Puperi espera que os índices
neste ano voltem aos números de 1996, em que a produção atingiu 1,64
milhão tonelada.
A grande vantagem de se comprar peças de suínos em açougue, para Puperi,
é a grande possibilidade de escolha. "Eu, por exemplo, gosto de
lombo. Mas há opções para todos os gostos", revela. Por outro lado,
ao contrário do frango, que pode ser transportado sem maiores problemas,
a carcaça suína é muito pesada (média de 35 a 40 quilos). Mas isso não
é nenhum empecilho intransponível, dado a grande versatilidade da carne
suína.
São oito seus cortes principais - pernil, paleta, lombo, carré, costela,
copa, filé mignon e barriga -, mas existem cerca de 50 cortes possíveis.
Nessa perspectiva, só o pernil - com ou sem osso, com ou sem gordura
- pode originar diversos cortes: coxão mole ou duro, alcatra, lagarto,
patinho e músculo.
As contas de dividir não se limitam ao pernil. Há dois tipos de lombo,
o inteiro e o refilado. A barriga pode ser vendida com ou sem costela
e a paleta possui outras quatro versões: com ou sem couro, com ou sem
osso. Também tem carré inteiro ou fatiado e carcaça com pele ou carioca
(sem pele).
Mas mesmo magrinho e com boa formação genética, o suíno detém alguns
depósitos de gordura na barriga e no lombo, que são fonte, respectivamente,
do bacon e do toucinho. "Trata-se de um suíno bem manejado, alimentado
com ração balanceada, mas que não possui gordura marmorizada, alojada
no meio da carne. Quase todo suíno criado na região Sul já é meio enxuto",
avalia Puperi.
EXPORTAÇÃO
A carne suína brasileira ainda não é a mais popular do País, mas faz
sucesso em Hong Kong e na Argentina. De acordo com o secretário da Abipos,
juntos esses dois países são responsáveis por cerca de 90% da compra
de carne suína brasileira para exportação. Na culinária chinesa o suíno
é ingrediente indispensável. Sua carne é utilizada em forma de cortes
para dar sabor a pratos como o "porco ao molho agridoce",
por exemplo.
Em estimativa da Associação Brasileira dos Exportadores de Carne Suína
(Abecs), feita em 1997, a ex-colônia britânica ficou com 44% das exportações
brasileiras no setor. Em seguida vem a Argentina, que comprou 40%, a
maior parte sem osso, para suprir sua indústria de embutidos. Logo atrás
aparece o Uruguai, com 7%, que também usa carne suína para produção
de industrializados.
Para Puperi, a tendência positiva para exportação de suínos depende
muito da abertura da Comunidade Econômica Européia para o produto. Se
a carne suína brasileira cair no gosto dos europeus, o aumento dos embarques
dependerá exclusivamente da habilidade de negociação de cada empresa.
Mas a conversa vai ter de ser boa, pois a Europa tem tradição na criação
de suínos. Isso acontece por causa de sua limitação de espaço, que se
torna um obstáculo à cultura de bovinos, geralmente criados em pasto.
Lá, o consumo médio anual de carne suína é de 43 quilos por habitante,
em 1997. No Brasil, o número é bem mais tímido: 9,97 quilos por habitante
ao ano. Em termos de produtividade, uma matriz suína é muito eficiente.
Com duas gestações (de cinco meses e meio) ao ano, uma fêmea pode gerar
21 leitões (média de 12 ou 13 em cada parto) - que podem ser abatidos
aos seis meses de idade ao atingirem 100 quilos.
Nessa perspectiva, cada matriz rende mais de duas toneladas anuais de
carne. Por isso, o setor de carne suína tem condições de atender a todos,
desde que a demanda mantenha níveis de crescimento entre 10% e 20%.
"A escolha vai ser proporcional ao poder aquisitivo da população",
opina Puperi. "Temos ainda o frango, um enorme concorrente, que
está muito barato."
A industrialização dos derivados de carne suína começou principalmente
na região Sul do Brasil, com os descendentes de alemães e italianos,
que fabricavam produtos semelhantes aos comercializados na Europa. Os
alemães trouxeram as técnicas de se fabricar a salsicha e os lingüições
e os italianos desenvolveram a produção de outras variedades como a
mortadela, o salame e o fiambre. Seus produtos caíram no gosto do brasileiro.
"Em São Paulo, na década de 60, havia o Frigorífico Éder, líder
estadual em salsichas do tipo alemão", recorda Puperi.
CAMPANHA
O diretor da Prenda, Rogério Jacob Kerber, também espera que o consumo
de carne suína, em corte, aumente em 1998. "Na Prenda, porém, a
produção de embutidos deve ficar com 70% do total", comenta. "Os
derivados industrializados de suínos continuam na frente, mas deve haver
avanço nos produtos em forma de cortes", garante.
Kerber lembra que os produtores vão fazer uma campanha em nível estadual
e federal para estimular o consumo de carne suína no Brasil. Desde 1º
de janeiro deste ano, são descontados R$ 0,10 por suíno abatido. O dinheiro
é repassado às associações de criadores de suínos nos estados. Da quantia,
30% fica para a campanha no estado. Os 70% são utilizados no País.
O costume de o brasileiro não comer carne suína, segundo Kerber, é cultural.
Portanto, basta estimular o consumo e acabar com mitos relacionados
aos suínos. "A carne de porco tem menos colesterol que a do peru,
por exemplo, segundo estudos do professor Nelcindo Nascimento Terra,
da Universidade Federal de Santa Maria", diz. Ele recorda que até
o final dos anos 60 e início dos 70, o comum era criar o suíno para
a produção de gordura. Mas com o "boom" dos óleos de origem
vegetal, naquela época, os suínos tiveram que ser adaptados. E mudaram
de perfil.
No passado, prossegue o diretor da Prenda, a criação de suínos era rudimentar,
com "instalações que deixavam muito a desejar". A produção
era principalmente de subsistência, diferente de hoje, em que é tida
como atividade de cunho econômico industrial propriamente dito. Os suínos,
para se adaptarem às novas exigências do mercado, foram obrigados a
perderem alguns quilinhos. A produção brasileira, defende, é da mais
alta qualidade. "Houve uma evolução desde o manejo ao material
genético. O suíno de hoje não pode ser comparado ao da década de 60",
argumenta.
Como matéria-prima da empresa, são selecionadas exemplares da Embrapa,
Agroceres, JSR, Dalland e da própria Prenda, que tem criação própria
de suínos, em parceria com produtores. Tudo isso com a finalidade de
se obter o maior teor possível de carne magra, que no Brasil representa
de 53% a 54% do animal. As peças em corte mais vendidas da Prenda são
o pernil, o lombo e o carré (bisteca). "Há, porém, uma expansão
gradual de mercado, com novos pontos de oferta de carne suína no exterior",
conta Kerber.
INSPEÇÃO
SANITÁRIA
Na Perdigão, os industrializados de carne suína ganham de lavada dos
cortes in natura. Representam 95% do total da produção, deixando 5%
para os em forma de corte, conforme o médico veterinário Dirceu Renato
da Silva Santos, do setor de produção da empresa. Na Perdigão, são utilizadas
genéticas da Agroceres, com carcaças mais magras, que facilitam o feitio
dos cortes, barateando os custos.
Dos 6 mil suínos (cerca de 630 toneladas) abatidos por dia, para atender
as necessidades da empresa, pelo menos 10% são destinados à produção
in natura. No mercado interno, seus principais produtos in natura são
o filezinho e o carré. Para exportação, o mais requisitado é o pernil.
Os suínos do rebanho da Perdigão, até o começo de 1991, tinham 47,8%
de carne magra por carcaça. A gordura foi deixada ainda mais de lado
e hoje a carcaça, naquela empresa, tem a média de 52% de carne magra.
Seguindo os passos do países do hemisfério norte, cuja produção é extremamente
especializada, foi implantado um sistema de tipificação de carcaças
em Santa Catarina, em 1991. "Abrangeu principalmente os produtores
da Perdigão. Significa que quanto mais carne e qualidade encontrada
na carcaça, maior será sua remuneração", esclarece.
Santos faz um alerta: consumir carnes oriunda de matadouros clandestinos
é um perigo. "São veículos para doenças graves que podem atingir
a todos. Tem até ministro que pegou cisticercose", conta, sem revelar
nomes. Para ele, isso ajuda a reforçar os mitos que existem sobre a
carne suína. Dos 19 milhões de suínos abatidos em 1996, só 12 milhões
foram sob inspeção federal. Por causa disso, ele prega uma inspeção
A sanitária mais rigorosa no setor de produção e abate de carne suína.
"Ainda existem muitos abatedouros clandestinos por aí."
Por sua vez, os produtos suínos da Sadia ganharam outra linha em 1997:
a dos temperados. Cortes como lombo, pernil, bife de pernil fatiado,
carré fatiado e filé mignon já saem com gostinho e embalados em porções.
"A iniciativa foi feita para facilitar o consumo de carne suína
no cotidiano. Já estão prontos para serem preparados, proporcionando
maior margem de lucros", diz Alfredo Felipe da Luz Sobrinho, diretor
de relações institucionais da empresa.
Embora tenha novidades na área de cortes suínos, o enfoque de 70% da
produção ainda será nos industrializados neste ano. Em 1995, a Sadia
reformulou seus produtos suínos. Além de nova embalagem, padronizou
suas mercadorias de carne suína em cortes (lombo, carré, pernil e costela)
e entrou com uma novidade: o filé mignon suíno.
A Aurora também aposta na tática de conquistar o consumidor por meio
da carne suína in natura preparada em porções, temperada ou não, segundo
seu diretor industrial, Vincenzo F. Mastrogiacomo. Só nessa área de
carnes suínas a empresa teve um faturamento de R$ 280 milhões, em 1997.
"Os industrializados terão aumento gradativo", comenta.
"Acreditamos no aumento do consumo na área de cortes suínos como
costela, carré, lombo, bisteca, pernil e todos utilizados para fazer
uma feijoada, mas não vão superar os embutidos." Comodidade também
é outra palavra chave na batalha pelo cliente. "Nossos produtos
in natura são embalados em peças inteiras ou em cortes em bandejas para
melhor manejo dos consumidores."
ULTRALIGHT
Na busca do maior teor de carne magra, a Agroceres PIC trouxe para o
Brasil o suíno ultralight - resultado de dez anos de estudos e desenvolvimento
genético de seleção feitos pela Pig Improvement Company (PIC) da Alemanha.
De acordo com o diretor de Negócios Suínos da empresa, Fernando Pereira,
todo o processo foi conduzido de modo a proporcionar maior rendimento
de cortes nobres como o lombo e o pernil. É o chamado suíno "tipo
carne", com mínima camada de toucinho e gordura. "O aperfeiçoamento
do animal continua. Não vamos parar por aí", anuncia Pereira.
A Agroceres possui mais de 35% da produção de carne suína no Brasil,
sob inspeção federal. "O suíno ultralight é o mais vendido para
a suinocultura brasileira. Sua participação é crescente e já é líder
de mercado, respondendo por 60% da participação de machos da Agroceres
PIC", conta o diretor. No caso do suíno ultralight, o animal ideal
é o macho, cujos filhos são destinados ao abate. As fêmeas desse tipo
não são tão eficientes no processo reprodutivo, então procura-se fertilizar
matrizes adequadas a cada caso.
O suíno ultralight difere do convencional por ter menos apetite, o que
obriga o produtor a ter maiores cuidados com relação à alimentação,
que deve ser mais enriquecida. Devido à sua eficiência, seus custos
de produção são inferiores aos do convencional já que tem melhor conversão
alimentar. Quando o frigorífico paga por tipificação de carcaça, diz
Pereira, os rendimentos aumentam para o produtor. "Esse animal
tem menos gordura e reflete diretamente em algumas recomendações de
se consumir pouca gordura animal."
ASPECTOS
NUTRICIONAIS
A carne suína é detentora de proteínas de qualidade, vitaminas do complexo
B e de elementos traços, assegura o professor Renato Barufaldi, da Universidade
de São Paulo (USP). Desde a década de 60, os produtores e cientistas
desenvolveram mudanças na carcaça do suíno, favorecendo o aumento do
teor protéico. "Isso levou às revisões conceituais dos valores
nutricionais de carne suína e outros tipos", diz Barufaldi. Ela
apresenta 19,5% de proteína, 7% de gordura, 72,3% de água e 1,2% de
cinza. Cada grama de carne fornece, em média, 150 quilocalorias. E os
diferentes tipos de corte possuem composições similares.
O método de cozimento determina a quantidade de perda de água e gordura,
diminuindo os teores de lipídios e umidade. A carne suína é rica em
fósforo, potássio, ferro, magnésio e zinco. Mas é carente em cálcio
e sódio. Uma porção de 100 gramas do alimento supre 70% das necessidades
diárias de tiamina no ser humano. Dois ácidos graxos poli-insaturados
- linolênico e araquidônico - correspondem de 1 a 5% do total. Os ácidos
linolênico e linoleico representam, cada um, de 8% a 13% dos ácidos
graxos na gordura suína.
Barufaldi afirma que o teor de colesterol na carne suína é menor que
na manteiga e ovos, sendo semelhante à bovina, de aves e peixes. Os
cortes magros - paleta, pernil e lombo - respondem por 39% do peso da
carcaça e 73%, em termos comerciais. A gordura fica com 21% do peso
do animal, que constituem apenas 5% do valor comercial. Para ele, a
carne suína deve ser firme, vermelha e seca na superfície, pois a palidez
e a exudação espantam os clientes. "O nível de aceitação da carne
suína pode ser melhorado conforme procedimentos corretos de abate, conservação,
comercialização e distribuição", argumenta.
O animal, como outras espécies, não está livre de doenças infecciosas
e não-infecciosas. "As pessoas e os pequenos produtores devem ser
avisados dessas enfermidades e receber informações para superá-las",
comenta. Se o suíno for corretamente manipulado, há poucas possibilidades
de contaminação de sua carne. Para eliminar de vez eventuais riscos,
o cozimento a uma temperatura interna de 70º C ou o congelamento, a
-15º C, por 20 dias, aniquilam os parasitas.
CONSERVAÇÃO
A fim de prolongar o tempo de shelf life (vida em prateleira) de produtos
perecíveis como as carnes vermelhas, a rede de hipermercados Cândia
foi uma das pioneiras na aquisição de um sistema de embalagens com atmosfera
modificada. É uma maneira de conservar o alimento fresco, em temperatura
ideal de 0º a 6º C, por muito mais tempo.
Uma peça de carne em uma embalagem normal dura de um a dois dias no
máximo. "Em atmosfera modificada, prolongamos a vida útil em até
sete dias. É uma alternativa ao congelamento que chega a ser um empecilho,
por causa da demora do degelo", diz a engenheira de alimentos Helen
Lara Martins, gerente do Cândia.
Os principais componentes da embalagem de carnes são o gás carbônico,
que impede o desenvolvimento da flora bacteriana, e o oxigênio, que
mantém a coloração vermelha. "A cor é derivada de um pigmento que
só é vermelho na presença do oxigênio. Por isso que carne embalada a
vácuo é escura", explica. Só nessa idéia foi investido aproximadamente
R$ 1,5 milhão, subsídio para colocar a estrutura do sistema em pé em
um mês.
E a brincadeira não sai caro: são R$ 0,17 por embalagem - inclusos o
gás, a etiqueta, o invólucro e a bandeja plástica. "Mas o que foi
gasto é ganho em vida útil. Então, perde-se menos mercadoria."
Mesmo em menor proporção - de 1% a 3% do total de 150 toneladas embaladas
por mês - a carne suína também recebe o mesmo tratamento que as demais.
O hipermercado recebe os cortes prontos, que são "trabalhados"
pelos seus açougueiros.
Os chamados "cortes especiais" do Cândia são o pernil - com
ou sem osso -, paleta, escalopinho, lombo fatiado ou em pedaços, cubos
de porco, bisteca e costelinha. Os mais cobiçados são o pernil e o lombo.
A maior parte da matéria-prima suína vem do Frigorífico Irmãos Gaspar,
duas vezes por semana.
No começo foi difícil encontrar fornecedores que possuíssem todos os
requisitos do Cândia. "Estamos sempre mudando de fornecedores.
Avaliamos a temperatura (ideal abaixo de 5º C), a data de validade e
pH (que deve estar entre 5,2 e 5,8). Se não atender às nossas especificações,
mandamos de volta", afirma Helen.
Para a engenheira, o novo sistema de embalagens utilizado pelo Cândia
facilita a vida do cliente que vai comprar carne suína mas tem dúvidas
quanto à procedência do produto. "Só de ver, o consumidor percebe
que a nossa carne é bonita e boa", diz Helen. "A de açougue
é mais barata. Mas nós garantimos qualidade". São poucos os que
trabalham com este tipo de alimento resfriado.
"A maioria prefere trabalhar com suínos congelados, pois sabem
que vão ter poucos problemas." Apesar de todo o cuidado com as
carnes in natura, o Cândia também vende muito mais embutidos de industrializados
suínos. "Em São Paulo, o consumo de carne suína em forma de cortes
é muito pequeno. Suas vendas só aumentarão se houver maior procura por
todos tipos de carnes", finaliza.
SABOR
SUI GENERIS
Sabor único e maciez são os atrativos "sui generis" para novos
consumidores de carne suína. Além do paladar característico, ela é uma
fonte de vitaminas do complexo B (tiamina, riboflavina, B6 e B12) e
minerais. Ao comer 100 gramas deste produto, o sujeito supre suas necessidades
cotidianas de tiamina (39%), niacina (22%), zinco (20%), vitamina B6
(18%), B12 (12%), ferro (20%) e fósforo (100%). O ser humano atual necessita
de 2 mil quilocalorias diárias - em 100 gramas de carne suína, consome
350 quilocalorias, que correspondem a um quinto de suas necessidades
diárias.
Hoje em dia, o consumidor está mais preocupado com a saúde e visual.
Faz dietas, às vezes rigorosas, e elimina parte do consumo de gorduras
de sua dieta. O "inimigo" está diretamente relacionado aos
problemas cardiovasculares, que ceifam milhares nos países de primeiro
mundo. Mas também deve-se enxergar o outro lado da moeda: as gorduras
são indispensáveis à vida. Um homem medianamente ativo necessita de
pouco menos de 100 gramas de gordura diárias. O suíno moderno é mais
magro e o nível de colesterol em sua carne é semelhante ao de outras
carnes.
Um dos crustáceos prediletos na culinária mundial, o camarão, possui
menos gordura que o suíno. Porém, seu nível de colesterol é muito maior,
tem de 97 a 174 miligramas a cada 100 gramas, enquanto seu colega terrestre
tem de 56 a 97 miligramas por 100 gramas. Ingerindo 100 gramas de carne
suína, consome-se 75 miligramas de colesterol - cerca de 25% do total
necessário por dia (300 miligramas). Se o preconceito contra a carne
suína for derrubado, eis aí uma boa sugestão para o lanchinho das crianças.
TIPIFICAÇÃO
PAULISTA
O Estado de São Paulo já está caminhando rumo ao processo de implantação
do sistema de tipificação objetiva de carcaças suínas, que serve para
determinar o tipo de carne ou sua variação às mesas de seu respectivo
público consumidor. O projeto foi iniciativa da Câmara Setorial de Suínos,
presidida por Valdomiro Ferreira Júnior, no segundo semestre do ano
passado.
Os estudos estão sendo feitos em conjunto pelo Instituto de Tecnologia
de Alimentos (Ital) e pela Didai Tecnologia, que conseguiram uma verba
inicial de R$ 50 mil, mais R$ 200 mil (em uma segunda etapa, em junho
ou julho), junto à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo
(Fapesp), para dar corpo ao projeto.
Segundo o sócio-diretor da Didai, Carlos Tadashi Akimoto, a tipificação
objetiva é muito importante, pois com ela os frigoríficos passam a pagar
o produtor por quantidade e qualidade de carne. "Ela é obrigatória
em diversos países. No Brasil, as grande empresas já a adotaram, mas
foi uma atitude particular, não foi uma medida em termos legais",
conta. A facilidade de implantar o sistema em São Paulo, para Akimoto,
é o fato de os frigoríficos do estado serem pequenos se comparados aos
da região Sul do País.
A atividade em terreno nacional começou no final de 1991, com quatro
empresas: Perdigão, Sadia, Ceval e Chapecó. "Hoje em dia, a carne
suína tem que ser magra", afirma Akimoto. A América Latina em geral
está acordando para a qualidade de carne, já que produção de produtos
suínos tende a crescer, opina. "Comissões da Rússia e da Itália
visitaram o País no final do ano passado e já estão de olho na produção
do Sul. Se essa tendência de exportação aumentar, os outros estados
brasileiros terão que suprir a demanda nacional de carne suína",
observa.
SONDA
A empresa de Akimoto é representante para a América Latina da Hennessy
Ltd., natural da Nova Zelândia. Ela fabrica um assessório semelhante
a uma pistola, que calcula a quantidade e a qualidade da carne na carcaça
suína. É a chamada sonda GP4/BP4 Hennessy, detentora de 90% do mercado
nacional, que avalia a qualidade da carne por meio de três parâmetros:
coloração do músculo, pH (acidez) e capacidade de retenção de água.
A extremidade do equipamento é inserida entre a terceira e a quarta
vértebra da carcaça para verificar as espessuras de toucinho e músculos,
por meio de um sensor ótico.
O
DIAGNÓSTICO É IMEDIATO
A gordura é clara e o músculo é escuro. A precisão é quase absoluta.
A margem de erro, na medição de espessura, é de apenas 0,4 milímetros.
A porcentagem de carne magra é calculada por meio de uma fórmula matemática
(regressão linear múltipla), a partir de duas ou mais variáveis, cujo
ponto de referência é o músculo Longíssimus dorsi.
Os principais compradores do produto são os grandes frigoríficos. A
sonda, de acordo com Akimoto, vale US$ 18 mil - direto da fábrica, isso
sem os custos de importação e frete (Free On Bold - FOB). O aparelho
é portátil e altamente eficiente: basta um para cada unidade de empresa
com quatro frigoríficos, por exemplo.
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