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Os
suínos apareceram na Terra há cerca de 40 milhões de anos e há 10 mil
anos foram domesticados nas aldeias do leste da Turquia. Assim que domesticou
o suíno, o homem teve que se preocupar com sua nutrição, que primeiramente
foi a base de alimentos naturais como raízes, folhas, grãos e outros
animais. Com o processo de seleção natural – diferenciação necessária
para se adaptar aos diversas ambientes, climas, alimentos disponíveis
e práticas de manejo utilizadas - aliado ao melhoramento genético, temos
hoje como resultado os suínos modernos.
Nesse contexto, a nutrição é vista como um conjunto de processos que
inclui a ingestão de alimento, sua digestão e assimilação pelas células
dos diferentes tecidos, órgãos ou sistemas, e eliminação dos metabólicos
ou resíduos resultantes. Ela deve ser bem equilibrada e isso só é possível
por meio de uma alimentação correta e bem balanceada.
Para os animais que são explorados comercialmente é necessário a existência
de instalações adequadas e manejo racional da alimentação, que deve
ser verificada diariamente, registrando seu consumo e a constância de
fornecimento. Dessa forma, a nutrição do suíno moderno deve seguir um
programa composto por rações para as diversas fases produtivas: inicial,
desmame, crescimento, acabamento, reprodução e lactação. A obediência
às boas práticas de manejo geral e dos alimentos contribui para que
a nutrição correta do suíno resulte em altos índices de produtividade
em todas as fases de produção.
Em 1947, na Alemanha, deu-se o primeiro passo da moderna nutrição dos
suínos. Era o início da produção industrial dos aminoácidos, componentes
básicos da proteína, que suplementados às rações faz o animal produzir
mais carne. Isso foi possível graças aos avanços tecnológicos que propiciaram
a síntese de metionina, assegurando aos nutricionistas o balanço nutricional
das dietas animais e promovendo o uso econômico das valiosas fontes
de proteína. Através do uso da fórmula baseada em aminoácidos pode-se
diminuir o conteúdo de proteína total das rações, resultando em uma
menor excreção de nitrogênio, contribuindo também para preservação do
meio ambiente.
Mas a grande revolução ocorreu em 1975. Através de pesquisas e desenvolvimento
tecnológico, o produtor de suíno pode fazer sua ração de maneira mais
simples, na própria fazenda, usando produtos de origem vegetal. "Até
essa data, o criador só tinha duas opções: a compra da ração pronta
da indústria ou de um concentrado protéico-mineral vitamínico",
lembra Laurindo Hackenhaar, gerente de mercado de suíno da Tortuga Cia.
Zootécnica Agrária. Sua empresa trouxe para o Brasil, em 1977, a tecnologia
de um composto mineral, com vitaminas e aminoácidos – Suigold, que o
criador passou a misturar diretamente ao milho e ao farelo de soja.
"Isso ajudou a suinocultura a me1horar seus índices de produtividade
e também a rentabilidade", garante. A partir daí, as criações com
bom nível sanitário conseguiam terminar seus animais entre 140 a 150
dias, com 100kg. Em termos econômicos, o novo processo com premix também
trouxe vantagens. Representa na composição da ração um volume de 2,5%
a 4%, enquanto que os antigos concentrados representavam em média 27%
do volume. Com a preocupação de evitar problemas no plantel como desempenho
ruim, problemas sanitários e alimentação não ajustada às necessidades
foi trazida em 1996, dos Estados Unidos, uma nova técnica de manejo:
o Desmame Precoce Segregado. Ela consiste em desmamar o leitão entre
9 e 14 dias de vida, antes de perder a imunidade passiva adquirida da
mãe via colostro, já que só irá produzir seus próprios anticorpos após
os 20 dias de vida. "Essa técnica vem demonstrando eficácia no
controle sanitário das granjas, minimizando as conseqüências de doença
e contaminação no plantel", explica Luiz Vitagliano e Flávio Hinose,
técnicos da Multimix Produtos e Serviços Agropecuários, lembrando que
nessa fase os suínos tem necessidades nutricionais especiais e precisam
de rações adequadas que supram suas exigências.
Para os leitões, após o desmame, a alimentação é ainda mais importante.
É essa fase que vai ditar o desenvolvimento de toda vida adulta. A nutrição
dos leitões tem de ser altamente sofisticada, com derivados lácteos
e algumas proteínas especiais para formular as rações. Ocorre que, durante
os primeiros dez dias, os suínos possuem momentos fisiológicos diferentes
e necessitam de até seis tipos de rações pré-iniciais e iniciais.
Papel fundamental – A nutrição é de total
importância na criação do suíno. É ela quem participa decisivamente
na formação do custo de produção, podendo representar até 70% na composição
econômica. Seu papel é tão fundamental no desenvolvimento do animal
como na relação custo/benefício. Utilizando melhores técnicas de nutrição
consegue-se um animal mais saudável, com melhores índices de reprodução
e conversão alimentar. Em contrapartida, oferece-se carne de maior qualidade
ao consumidor.
O balanceamento energético e protéico no manejo da alimentação, item
fundamental na composição nutricional, é uma das grandes preocupações
dos nutricionistas. Os profissionais da área quebram a cabeça no sentido
de fazer com que a nutrição contribua sempre mais na produção de um
produto final de melhor qualidade.
Menos gordura e mais carne magra. Dois itens extremamente presentes
no desenvolvimento dos programas genéticos, que juntamente com a nutrição
caminham de mãos dadas para o benefício da suinocultura. Hoje o grande
princípio é produzir um animal com gordura apenas o suficiente para
conferir à carne bom paladar, ou seja, gordura intramuscular. Trata-se
da chamada marmorização. "Mas isso só é possível a partir da alimentação,
pois é ela que vai determinar a qualidade da carcaça", explica
Elizabeth de Oliveira, do departamento de tecnologia aplicada da Degussa
S.A., sobre a relação direta entre o alimento que o suíno ingere e o
percentual de carne magra que ele produz.
Avanços - A necessidade cada vez maior
de os produtores melhorarem o desempenho de seus animais, fez a nutrição,
assim como a genética, buscar novas tecnologias. A saída encontrada
foi particularizar os programas nutricionais para cada uma das fases
produtivas dos animais. O grande destaque, segundo especialistas do
setor, com a implantação da técnica do desmame precoce segregado, foram
as rações pré-inicias complexas, com ingredientes protéicos de alta
digestibilidade.
Na área reprodutiva, o grande avanço é registrado na interação da nutrição
com os processos de reprodução, de produção de leite e vida útil reprodutiva,
com inclusão na alimentação de vários níveis de vitaminas, minerais
e novos aditivos. Para tanto foram desenvolvidos um grande número de
ingredientes para a composição de dietas para leitões, a partir de exigências
protéicas e energéticas, como o plasma, sangue, proteína do ovo, proteína
de batata, farinha de peixe e ingrediente extrusados.
No campo das vitaminas e minerais, passou-se a usar óxido de zinco para
controlar os processos entéricos. É o caso dos promotores de crescimento.
Como aditivos alimentares, temos os acidificantes, palatabilizantes,
flavorizantes, probióticos, eletrólitos e promotores de crescimento.
"Na realidade, grandes pesquisas estão ocorrendo sobre exigências
nutricionais e o emprego de macro e microelementos", diz Walter
de Albuquerque, diretor técnico das rações Fri-Ribe. Ele destaca o desenvolvimento
de novos equipamentos, como por exemplo os NIR-Infrared, que permite
agilizar a identificação e quantificação rápida de micotoxinas. Outra
novidade é a informatização dos processos de pesagens, mistura de rações
e formulação por meio de uma programação linear, para o cálculo de rações
de mínimo custo e máxima qualidade nutricional.
Na fase de crescimento e terminação, houve grande interação entre nutrição
e melhora no ganho de peso, que propiciou as granjas com altos índices
genéticos e sanitários, melhoras significativas no desenvolvimento dos
animais, que ao nascer tem peso médio de 1,5 kg e aos 150 dias chegam
aos 105 kg.
Em linha direta, os avanços vem permitindo que se utilize rações de
forma mais racional. Mais não é tão simples assim. Para isso, recursos
estratégicos e avançados estão sendo utilizados. O plasma desidratado,
por exemplo, que possui alto valor nutritivo, alta digestibilidade e
fácil assimilação, foi desenvolvido para ser acrescentado às rações
quando é utilizada a técnica do desmame superprecoce. Assim também apareceram
os minerais orgânicos, como cromo, selênio e zinco, que utilizados com
a proteção dos aminoácidos, melhoram a produção dos animais. Sem falar
no uso de probiótico e enzimas. "Isso foi possível através de investimentos
em tecnologia de ponta", assinala Albuquerque. O objetivo, mais
uma vez, é propiciar o aumento da produtividade e qualidade dos produtos
suinícolas.
Futuro – A carne suína ainda não é a preferida
dos brasileiros. "Existem inúmeros tabus que precisam ser derrubados,
como o fato de acharem que a carne de porco faz mal e é gordurosa. O
consumidor quer qualidade e carne magra", diz Hackenhaar. O especialista
comenta que os avanços na área nutricional visam justamente ampliar
o mercado para carne suína, num futuro bem próximo. É o caso do plasma
– uma fração do sangue um avanço significativo", concorda Márcio
Ceccantini, nutricionista da empresa M.Cassab. Ele também lembra a importância
do sistema de rações formuladas sob o conceito de energia líquida e
aminoácidos digestíveis.
Outro passo importante da nutrição, segundo José Augusto Santos, gerente
de vendas da Alltech do Brasil, foi o desenvolvimento do conceito de
proteína ideal, uma fonte protéica capaz de fornecer todos os aminoácidos
essenciais em suas corretas proporções. Opinião reiterada por Elizabeth
da Degussa. "O aminoácido é o elemento mais importante na nutrição.
Sua viabilização, a partir do conceito de proteína ideal, é o que de
melhor aconteceu na nutrição dos suínos nos últimos anos".
A evolução não pára por aí. Muitas substâncias vem sendo utilizados
para o melhoramento da suinocultura. O uso de cromo, leveduras está
se disseminando. Sempre pensando nas exigências do consumidor, essas
soluções aparecem com o objetivo de produzir um suíno mais enxuto. Como
é o caso do uso das enzimas. "Elas merecem ser destacadas porque
melhoram a digestão dos nutrientes, repartindo os componentes da fibra
alimentar, diminuindo a retenção de água", explica Carlos Fijiwara,
gerente de negócios da Finnfeeds.
É importante ressaltar que em alguns países da Europa, como na Áustria,
já se comercializa a chamada "carne biológica". Trata-se de
um produto sem resíduos de antibióticos, micotoxinas, ou outras drogas
detectáveis. "Este é um novo mercado que se abre para o futuro
dos probióticos, ácidos orgânicos, absorventes naturais de micotoxinas,
enzimas, minerais quelatados e outros produtos naturais", salienta
José Nunes Filho, médico veterinário e sócio-gerente da Sanphar Chemocil.
A única questão que faz o setor ficar apreensivo são as dificuldades
enfrentadas com o comportamento dos preços do milho e do farelo de soja,
principais ingredientes da dieta dos suínos. "Com o aumento do
custo de produção os produtores não terão condições de investir em sistemas
modernos, prejudicando o produto final", lamenta Albuquerque.
No mercado de nutrição para suínos são encontrados diversos itens e
com os mais variados nomes. No entanto, cada empresa do setor, em sintonia
com as transformações tecnológicas, procuram cada vez mais aprimorar
seus produtos. A intenção é buscar alternativas que supram com eficácia
as deficiências como baixo teor de ferro e cobre do leite materno. Neste
mix, são desenvolvidos e introduzidos no mercado uma série de
novos itens todos os anos.
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