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pleuropneumonia em suínos, causada pelo Actinobacillus pleuropneumoniae
(App), foi descoberta pela primeira vez na Inglaterra por Pattison c.s
em 1957. Naquela época, o microrganismo casual era conhecido como Haemophilus
pleuropneumoniae. Desde então, a presença de App já foi relatada em
todo mundo (Nicolet, 1992). App é um bastonete gram-negativo pertencente
à família Pasteurellaceae que inclui os gêneros Haemophillus, Actinobacillus
e Pasteurella.
Quando Nicolet (1971) introduziu a sorotipagem, o sistema envolvia apenas
três sorotipos. Em 15 anos o número de sorotipos aumentou para 12 (Nielsen,
1986). O sorotipo 5 foi dividido nos subtipos A e B (Nielsen, 1986).
Estes 13 sorotipos pertencem ao biovar 1, sendo que existe ainda o grupo
do biovar 2.
O conhecimento de haver prevalência de sorotipos diferentes em uma região
é necessário para que haja qualquer programa de controle baseado na
diagnose sorológica ou vacinação (Mittal et al., 1992).
Cada área ou país tem seu(s) próprio(s) sorotipo(s) predominante(s),
tais como: Japão: sorotipo 2 (1noue et al., 1984); Canadá: na área de
Quebec, sorotipo l, enquanto na parte oeste do país principalmente o
sorotipo 5 (Mittel et el., 1986); Espanha: principalmente os sorotipos
4 e 5 (Espuna et al., l986); Nova Zelândia: principalmente o sorotipo
7 (Hilbink et al., 1992); Brasil: os sorotipos l, 3, 5, 7 e 9 (Piffer
et al., 1995).
A prevalência do(s) sorotipo(s) predominante(s) pode até ser alterada
com o tempo (Cromwijk et al., 1982). Em algumas granjas ocorrem até
mesmo infecções mistas (Hunneman et al., 1990).
Fatores de virulência - Tem sido freqüentemente
observadas diferenças em virulência entre os sorotipos ou mesmo dentro
do mesmo sorotipo. De modo geral, considera-se que as cepas dos sorotipos
l, 5, 9, 10 e 11 são mais virulentas do que aquelas de outros sorotipos
(Nicolet, 1992). Cepas do biovar de 2 de App raras vezes tem sido isoladas
em surtos graves de pleuropneumonia. Por este motivo, são consideradas
menos virulentas (Dom et al., 1992). Durante a última década, foram
identificadas diversas exotoxinas da App em um grande número de centros
de pesquisa. Todas tinham massas moleculares aparentes entre 103 kDa
a 120 kDa. Dependendo de suas atividades biológicas foram chamadas de
hemolisina (I, II), citolisina (I, II, III), pleurotoxina ou toxinamacrofágica.
Recentemente, os 16 centros de pesquisa envolvidos concordaram com uma
designação uniforme dessas exotoxinas e de seus genes. Essas exotoxinas
pertencem ao grupo de toxinas RTX que formam esporos (RTX = repete toxina)
e foi proposto, portanto, chamar-se as exotoxinas de App de Apx I, II
e III (Frey et al., 1993).
Na membrana externa da parede celular da bactéria App estão presentes
várias proteínas. Algumas proteínas são grandes e importantes (antigênicas),
enquanto outras são menos importantes. A massa molecular das principais
proteínas da membrana externa (OMP) é de 39 – 44 kDa. Anticorpos do
soro de porcos convalescentes infectados em um certo sorotipo reagem
às OMPs de todos os sorotipos (Dom et al., 1992).
Os 13 sorotipos de App expressam uma ou duas das três exotoxinas diferentes
e todos tem uma proteína de membrana externa (OMP) de 42 kDa. Com base
nos perfis de toxina Apx, todos os 13 sorotipos podem ser agrupados
em 4 padrões de toxinas (Van den Bosch, 1994). De modo geral, as cepas
mais virulentas pertencem aos padrões de toxina l e 4 (Nicolet, 1992).
Sintomas clínicos e lesões - App tem uma
alta especificidade de hospedeiros para suínos. O organismo é localizado
no trato respiratório, em lesões necróticas dos pulmões, nas amígdalas
e, com menor freqüência, na cavidade nasal. Em infecções muito agudas
e agudas ele pode ser encontrado em grande quantidade nas descargas
nasais. A infecção pode se espalhar espalhada através de contato direto
de suíno a suíno, gotículas em distâncias curtas, transmissão indireta
de exsudato contaminado a partir do pessoal da granja. A sobrevivência
do organismo no ambiente é tida como de duração curta (Nicolet, 1992).
Embora todas as categorias de idade (faixa etária) sejam suscetíveis,
o pico da mortalidade ocorre em animais de aproximadamente três meses
de idade (Hunneman, 1983). Isto ocorre devido ao fato de a imunidade
maternal chegar a zero em cerca de 10 semanas após o nascimento do leitão
(Hunneman et al., 1989). O período de incubação pode variar consideravelmente
(Nicolet, 1992). Infecções experimentais, no entanto, demonstram que
a alta exposição a cepas virulentas leva a morte dentro de algumas horas.
Os sintomas clínicos variam com o estado da imunidade de condições dos
animais, estresse de condições ambientais adversas, o grau de exposição
ao agente infeccioso e a virulência da(s) cepa(s) envolvida(s). O curso
da doença pode ser muito agudo ou crônico. Hunneman (1993) realizou
estudos pós-morte em 3,5 mil animais de 60 granjas com problemas de
App comprovados. Desses, 2305 (66%) morreram sem previamente apresentar
os sintomas típicos. A maioria dos animais morreu no período de seis
semanas após o início do período de engorda (mais ou menos 20 kg em
mais ou menos 10 semanas de idade).
Os sintomas típicos do estágio muito agudo são aparecimento repentino
de animais gravemente doentes em uma ou mais baias, febre alta (41,5
C), sintomas respiratórios distintos, dispnéia, respiração pela boca,
posição sentada, descargas espumosas manchadas com sangue através da
boca e das narinas e pele cianótica. A forma crônica desenvolve após
o desaparecimento dos sintomas agudos. Os animais tem tosse espontânea
ou intermitente, perda de apetite e queda na taxa de crescimento. Em
rebanhos com infecções crônicas muitas vezes há animais que estão doentes
subclinicamente, cujos únicos sintomas observados são tosse, perda de
crescimento e pleurite na linha de abate.
Lesões e fatores de risco - No estágio
muito agudo é observada no exame pós-morte uma pneumonia hemorrágica
necrotizante grave unilateral ou bilateral bem demarcado. Os brônquios
e as traquéias ficam repletos com exsudato mucoso tingido de sangue.
A pleurite fibrinosa é manifestada e a cavidade do tórax contém um fluído
tingido de sangue. Em casos crônicos, são encontrados nódulos de tamanhos
diferentes, principalmente nos lóbulos diafragmáticos. Esses nódulos
são cercados por uma grossa cápsula de tecido conjuntivo. Há algumas
áreas de pleurisia.
Em muitos casos, lesões dos pulmões curam e fica presente apenas uma
pleurisia focal adesiva. A presença de uma alta incidência de pleurisia
crônica no momento do abate é altamente sugestiva de pleuropneumonia
(Nicolet, 1992). São conhecidos muitos fatores de risco que tem um efeito
negativo em doenças respiratórias suínas (Straw, 1992). Hunneman (1983)
observou grandes variações na gravidade de infecções por App entre diferentes
granjas bem como entre diferentes compartimentos de uma mesma granja.
A probabilidade da ocorrência de surtos clínicos de App (Hunneman, 1983,
Elbers, 1991) é significativamente mais alta em granjas com rebanhos
grandes, com movimentação de porcos durante o período de engorda, sem
um sistema all em – all out (todos dentro, todos fora), onde leitões
de engorda são comprados, em particular se forem comprados de mais de
um fornecedor, com grande diferença de temperatura diurna e noturna,
onde as condições de higiene são inadequadas, piso ripado na área total
da baia, onde são permitidos visitantes, onde há infecção da doença
de Aujeszky, onde há suínos com rinite atrófica clínica.
As diferenças entre compartimentos de uma mesma granja podem resultar
do tamanho do compartimento (> 100 animais/compartimento), entradas
de ar / sistemas de ventilação, separação entre compartimentos, densidade
de animais (< 0,7 a 1 m/animal).
Perdas econômicas - Perdas financeiras
derivadas de infecções com App podem ser conseqüência de um aumento
da taxa de mortalidade, custos de medicação (antibióticos e vacinas),
redução da taxa de crescimento e perda de valor das carcaças (devido
principalmente a pleurite). A mortalidade na fase de engorda nas granjas
com surtos agudos de infecção de App pode variar de 1 a 9% (com uma
média de 3,1%). De acordo com Dijkhuizen et al. (1989), uma mortalidade
de 1% significa uma perda de NLG. 2,50 (mais ou menos 1,5 dólar) por
suíno abatido.
Em diversos países a incidência de pleurisia no momento do abate está
aumentando. Em uma população de mais de 100 mil suínos, Elbers (1991)
observou uma incidência média de 14,3% (1,5% – 26,5%). Animais com pleurisia
no momento do abate engordam 44g/dia menos do que os animais que não
apresentam qualquer lesão. No estado de Santa Catarina, por exemplo,
no ano de 1993 foram condenados ou tiveram aproveitamento condicionado
6,07% dos animais abatidos. (Aincandesc, 1993 em Piffer. I.A. Abraves
1995). Isto significa então uma perda muito grande no valor destas carcaças,
sem contar o crescimento que todos estes suínos perderam. (4.061.479
[abatidos em 1993] x 6,07% = 246.531 suínos x 44g/dia = 10847398g x
100 dias [engorda] = 1.084.739 kg). Ou seja um atraso de crescimento
de mais ou menos 1 milhão de quilos para o estado de Santa Catarina.
Tratamento e prevenção - A pleuropneumonia
decorrente de infecções por App em suínos é amplamente distribuída.
Dependendo da virulência da(s) cepa(s) envolvidas e das condições encontradas
nas granjas, as perdas econômicas (mortalidade, uso de medicamentos
e retardo no crescimento) podem variar. Seus sintomas clínicos combinados
às lesões patológicas são bastante típicos, tornando o diagnóstico relativamente
fácil. É essencial diminuir os fatores de risco mencionados acima. Alguns
são difíceis em granjas existentes, porém outras são possíveis como
diminuir a densidade, diminuir tamanhos de compartimentos, controlar
a rinite atrófica, etc.
De acordo com Straw (1992), o uso de antibióticos e vacinas para o controle
de problemas respiratórios muitas vezes gera resultados insatisfatórios.
Por isso quando se faz uso de um destes métodos deve-se fazê-lo com
uma antibiograma prévio, ou a sorotipagem da bactéria para saber se
o antibiótico ou a vacina vai funcionar. O uso de antibióticos para
o tratamento é indicado quando aparecem os primeiros sintomas típicos,
momento na qual ainda consegue-se reduzir a mortalidade (Nicolet, Leman,
7a ed.).
O uso de antibióticos apresentam os riscos de resistências, resíduos
e/ou reações locais. O isolamento da bactéria é necessário para estabelecer
a sensibilidade. Já existe resistência à ampicilina, estreptomicina,
sulfonamidas, tetraciclinas e cloranfenicol, principalmente nos sorotipos
1, 3, 5 e 7. Para alguns antibióticos já é recomendado uma dosagem maior,
como a estreptomicina, canamicina, espectinomicina, espiramicina e lincomicina
(Nicolet e Schifferli 1982; Gilbride e Rosendal 1984, Nadeu et al.,
1988, Inoue et al., 1984 em Leman, 7a ed.).
Pijpers et al. relatam que mesmo com 800 ppm de oxitetraciclina na ração
não se teve níveis sangüíneos e proteção suficientes contra a bactéria
App, este porém foi alcançado com 1600 ppm. Em outras palavras, para
uma boa proteção contra a App deve-se fazer uso de antibióticos para
os quais a bactéria ainda não apresente resistência e/ou dosagem maior.
Para animais que já estão doentes é indicado tratá-los parenteralmente,
pois estes terão um apetite diminuído (e as vezes também bebem menos),
consumindo menos ou nenhum antibiótico pela ração. Em casos muito agudos
o leitão pode morrer antes mesmo de iniciar o tratamento. Neste caso
é necessário realizar uma profilaxia antibiótica nos outros animais.
Outra forma de diminuir o prejuízo e/ou prevenir a doença é com o uso
de vacinas. No caso de bacterinas (vacinas feitas de bactérias inteiras)
é necessário que se saiba qual o sorotipo presente em sua granja. Também
é necessário que se tenha um monitoramento periódico para evitar que,
devido a vacinação (ou entrada de animais de fora), um outro sorotipo
venha a predominar em sua granja, para a qual a vacina não proteja.
Embora Straw (1992) demonstre que a vacinação é de valor limitado, cerca
de 13% das granjas nos Estados Unidos vacinam os animais recém desmamados
contra App (Fedorka-Cray, 1994). Na Europa porém a vacinação com bacterinas
é muito baixo.
*Médico veterinário
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