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Alimentação líquida: a revolução na alimentação de suínos
(Por: John Gadd)

Há trinta e cinco anos entrei na Taymix, pioneira na alimentação líquida de suínos e, mais tarde, a maior granja de suínos da Grã-Bretanha, com 1.200 fêmeas produzindo 23.400 animais por ano (peso vivo 105 kg) e exigindo o equivalente a duas mil toneladas de alimento a serem distribuídas, a cada 16 semanas, por dois hectares (aproximadamente 5 acres) de construções para animais em terminação.
 
Entrei na empresa como pós-graduado especializando-me em gado leiteiro e suíno porque estava convencido de que a maioria dos suínos passaria a receber este tipo de alimentação com o passar do tempo e que apenas com a alimentação líquida seria possível movimentar esta grande quantidade de ração sem esforço e com higiene, não só evitando as enormes despesas do transporte similar de ração seca, que estava sendo utilizado na indústria avícola, mas também sendo bem mais saudável e flexível.
 
Parece que eu não estava errado. Durante estes 35 anos supervisionei pessoalmente a instalação de mais de 70 circuitos de alimentação líquida em 65 granjas e fui chamado para aconselhar e, às vezes, corrigir erros em outras 70, perfazendo um total de 135 granjas em 11 países. Atualmente há milhares de suinocultores utilizando este tipo de alimentação. Vinte por cento dos criadores aqui na Grã-Bretanha alimentam os animais em crescimento/terminação com alimentação líquida e mais de 70% das fêmeas na Dinamarca também recebem ração líquida.
 
Alguns destes circuitos duraram 27 anos, sofrendo apenas pequenas alterações e, pelo menos 40 deles, ainda estão em uso atualmente, talvez modernizados com operação computadorizada.

Ninguém volta – O mais impressionante talvez seja que não consigo recordar de nenhum produtor que tenha voltado a ração seca para seus animais em terminação acima de 30 kg. Alguns poderão ter suspendido a produção de suínos, mas é verdadeiro afirmar que dificilmente alguém volta à ração seca após ter optado pela líquida. Assim, independentemente do que penso ou digo, há várias centenas de produtores que não devem estar errados.
 
Há exemplares do "Pig Pen" que vão para empresas fabricantes de ração, para grandes granjas corporativas que preparam as suas próprias rações e para as granjas de suínos. Até agora, todas elas têm-se inclinado a ignorar as vantagens oferecidas pela alimentação exclusivamente líquida para suínos. No entanto, não poderão se dar ao luxo de continuar a fazê-lo.
 
É mais econômico produzir a alimentação líquida que os pelets ou prensados e as melhorias no desempenho com alimento líquido são similares às obtidas com a peletização. Em climas quentes e úmidos, os resultados são consideravelmente melhores.
 
Os desenvolvimentos futuros em nutrição, pelo que se pode observar, apenas poderão ser realizados de forma simples e econômica através da alimentação totalmente líquida.
 
Pressupondo uma vida útil de no mínimo 10 anos, as construções já deverão ser projetadas para incorporar o sistema para alimentação líquida, caso necessário. E esta necessidade certamente deverá chegar nos próximos 10 anos.

Ano 2015 – Fazer previsões é um jogo perigoso, mas gostaria de apostar que 80% dos animais em crescimento/terminação, no mundo todo estarão recebendo alimentação líquida em 2015, e, além disso, possivelmente 40% das fêmeas, embora no caso delas provavelmente seja por cautela, considerando a importância que deverá ter o apetite/consumo alimentar das fêmeas hiperprolíficas do futuro.
 
Esta edição especial traz as evidências sobre este assunto. Está na hora de discutí-lo em profundidade e, além disso, mencionar as dificuldades envolvidas. Nesta matéria serão abordados os seguintes tópicos:

· Uso tradicional da alimentação líquida.
· Razões futuras para o uso da alimentação líquida.
· Dificuldades e obstáculos.

Razões tradicionais (passadas) para a utilização da alimentação líquida – Já existe uma grande quantidade de evidências para confirmar que a alimentação exclusivamente líquida por meio de tubulação é distinta da alimentação úmida com ração farelada ou peletizada. Um aspecto incomum numa ruptura tecnológica radical desta natureza é que já dispomos de condições para oferecer o elevado grau de eficiência e complexidade que as futuras estratégias nutricionais da alimentação de suínos deverão exigir.
 
A tecnologia computadorizada já está no mercado, através de uma série de empresas de maquinário com bom registro de desempenho. Vejamos as razões tradicionais para o uso de alimentação líquida para suínos:
  1-) Os animais são melhores.
  2-) Os animais desperdiçam menos ração.

A ração pode ser desperdiçada de forma direta (pelas frestas do piso, pisoteada, pó) ou indireta (relações nutricionais incorretas, etc.). O alimento desperdiçado de cochos de alimentação líquida não é significativamente diferente do desperdício nos cochos de alimentação úmida.
    Desperdiçar alimento é, literalmente, jogar dinheiro na sarjeta. A maioria dos produtores que utilizam ração seca desperdiça 6%; alguns chegam a 15%.

  3-) Os animais consomem mais alimento.

O apetite dos animais tende a diminuir, à medida que a carcaça é mais magra. Com genótipos de altas deposições de carne magra, o consumo voluntário de alimentos torna-se crítico. Os suínos alimentados com ração líquida consomem mais matéria seca, mesmo com a diminuição do apetite geneticamente influenciado – de 5% a 8% a mais (Lee 1995).
 
O mesmo vale para as fêmeas. Consumindo mais alimento durante a amamentação, elas têm a sua condição corporal menos prejudicada, a fertilidade é maior e a vida fértil mais longa. As fêmeas alimentadas com ração líquida consomem mais alimentos, melhorando a condição corporal e o desempenho.

  4-) Ambiente mais saudável.

O ambiente é mais saudável para os animais e para as pessoas, porque a alimentação líquida reduz consideravelmente a formação de poeira – um risco para a saúde de ambos.
 
Estes fatos também são confirmados por uma pesquisa da NPPC (EUA), 1997. Especialmente quando a ração é preparada pelo próprio criador, Robertson (1991) verificou que moendo (ou misturando) a própria ração seca, as concentrações de pó aumentam. Sua pesquisa demonstrou que "mais de 45% das medições ultrapassavam 10 mg/m3 (o limite operacional de exposição conforme os regulamentos da COSHH do Reino Unido) durante as operações de moagem e mistura.
 
Uma revisão da literatura revela o mesmo, na comparação com suínos alimentados com ração líquida:

· "Há três vezes mais microrganismos transportados pelo ar nas baias de suínos alimentados com ração seca". (Carpenter, 1986)
· "A porcentagem de suínos (alimentados com ração seca) abatidos por motivos de saúde foi duas vezes maior que a de suínos com alimentação líquida". (Richter, 1964)
· A alimentação líquida "representa mais 40 pennies/suíno apenas pela redução de pó". (Robertson 1990) "Quando pneumonia crônica está presente, representa 1,20 Libra/suíno".* (Pig Vet Conference, 1991). (* Nota do tradutor: Unidade monetária britânica, 100 pennies = 1 Libra Esterlina. Em 05/08/98, 1 Libra Esterlina era igual a R$ 1,91).

  5-) Os alimentos podem ser mais baratos.

A alimentação líquida permite o uso simples e seguro de subprodutos de baixo custo.
 
De acordo com Palmer (1998), "produtos como líquidos da indústria de amido (e soro de leite) equivalem a comprar cereais 30-35% mais baratos".

  6-) Melhor aproveitamento do trabalho.

O aproveitamento é melhor, especialmente em unidades maiores, ou quando os prédios são distantes uns dos outros. O produtor movimenta aproximadamente três vezes mais alimento do desmame até o abate que no rebanho de reprodução.
  
A alimentação líquida economiza horas/homem, reduz os custos do trabalho e as horas perdidas por doenças ou absenteísmo. Também pode atrair funcionários melhores e reduzir a rotatividade do pessoal.

  7-) Adição de medicamentos rápida e exata.

Quantidades pequenas como 250g ou ml/tonelada podem ser adicionadas. De acordo com Taylor (1976), com a alimentação líquida se consegue uma qualidade de mistura muito superior.

  8-) Animais mais satisfeitos.

Os estudos têm demonstrado que os suínos alimentados com ração líquida descansam mais e são menos agressivos. As pesquisas mais recentes mostram que as fêmeas sossegam mais rapidamente e são mais calmas com o sistema de alimentação líquida.
 
Fêmeas em alimentação líquida produzem menos dejetos, mesmo mantidas em pisos vazados. As fêmeas entediadas, não saciadas, bebem mais, aumentando o volume dos dejetos.

  9-) Maior facilidade em recrutar bons funcionários.

As pesquisas referentes ao pessoal empregado nas granjas de criação de animais revelaram que a granja progressista tem maior probabilidade de atrair bons funcionários.
 
Assim, há nove razões práticas reais a favor da alimentação líquida. Mas o futuro reserva ainda mais promessas. Por que? Porque a alimentação líquida adequa-se ao modo como a nutrição vem-se desenvolvendo na década de 90 e rumo ao próximo século.

Razões futuras para utilizar a alimentação líquida

A Parte I apresenta algumas das evidências porque um grande número de produtores de suínos já passaram a utilizar a alimentação líquida. No entanto, a nutrição dos suínos, no futuro, trará ainda mais alterações, e já está mudando muito rapidamente.
 
A alimentação líquida adequa-se muito bem a estes desenvolvimentos, distinguindo-se da alimentação seca, ou mesmo da úmida, nos seguintes aspectos:

· É muito flexível e adaptável.
· A tecnologia de informática necessária já está disponível.
· O equipamento está pronto e disponível em vários países junto a distribuidores ou serviços de manutenção e reposição de peças.
· O domínio tecnológico e registro do desempenho das empresas nesta área são consideráveis. Assim, temos um sistema comprovado de distribuição de ração, que pode acomodar estes novos avanços da nutrição, com a vantagem de não ter sido projetado as pressas para colocá-los em prática nas granjas.

Quais são os avanços futuros?

  1-) Alimentação "desafio" ou "teste".

Resolve o problema das grandes diferenças nas curvas de deposição de proteína entre suínos do mesmo genótipo em diferentes granjas, causadas principalmente por diferenças no status sanitário e também por variações no ambiente de granja para granja. Uma pequena mostra de animais em crescimento/terminação é testada com uma dieta não limitadora nutricionalmente e monitorada cuidadosamente. Os resultados são processados por computador e uma dieta específica para aquela granja é formulada, a preços mínimos, para todo o rebanho.
 
Valor: 20 a 40 kg a mais de carne vendável por tonelada de alimento. Custo/tonelada do alimento aumenta 6% a 8%, mas a margem bruta tem um aumento de 10%-13%. Margem líquida até 20%.
 
A alimentação líquida é a mais adequada a este conceito.

  2-) Alimentação por mistura de duas rações.

O problema óbvio criado por dietas específicas para cada granja é a multiplicidade de dietas que o fabricante de rações deverá fornecer. Inicialmente poderão ser feitos alguns acordos, por exemplo, oferecendo uma série de dietas com densidades nutricionais aproximando-se ao máximo das curvas mais comuns de deposição de proteína, ou fornecendo dietas diferentes de acordo com o status sanitário.
 
No futuro, no entanto, haverá dietas completas específicas disponíveis para as granjas – uma para cada granja analisada regularmente – e, para evitar a multiplicidade de formulações, todas elas poderão ser feitas a partir de apenas duas dietas fornecidas à granja e colocadas em depósitos separados. Uma com elevada densidade nutricional e outra com baixa densidade nutricional.
 
Misturando quantidades variáveis das duas alimentações básicas em um misturador para líquidos, qualquer variante específica poderá ser preparada na própria granja e a linha de produtos vendidos pelo fabricante de rações poderá ser bastante reduzida. A formulação e a mistura serão totalmente computadorizadas.
 
Apenas a alimentação líquida poderá acomodar este processo de forma econômica.

  3-) Alimentação para baias múltiplas.

Em curto prazo (5-10 anos), a maioria das granjas de suínos continuarão a conter até nove faixas diferentes de peso para animais em crescimento/terminação em um único galpão.
 
Apenas a alimentação líquida computadorizada poderá alimentar animais em nove categorias de peso com mais de 14 dietas, de forma simples, econômica e eficiente.

  4-) Alimentação multifásica.

Atualmente a alimentação está sendo feita em etapas (três dietas e apenas três relações nutricionais para as fases de animal iniciador, em crescimento e em terminação), o que é bastante ineficiente. A alimentação por fases (cerca de cinco passos iniciais e três mais avançados) é melhor, mas ainda não é ideal. A alimentação multifásica, com 30-50 alterações na relação nutritiva, significa um desempenho levemente aprimorado da alimentação por fases, com reduções sensíveis na poluição por N2+P.
 
A alimentação multifásica e as dietas específicas para cada granja (ainda sendo pesquisadas) provavelmente acrescentem um desempenho muito aprimorado e representem melhoramentos modestos na redução de poluentes, mas um volume consideravelmente menor de dejetos, já que a quantidade de água necessária para metabolizar o uso mais eficiente da proteína é bem menor.
 
Apenas a alimentação líquida estará a altura deste grau de sofisticação, com simplicidade e eficiência.

  5-) Alimentação por escolha.

Até o presente momento, todos estes desenvolvimentos envolvem uma decisão do nutricionista sobre quando os níveis dietéticos e os valores nutricionais devem ser alterados. A alimentação por escolha permite que o animal em crescimento faça ele mesmo as alterações na dieta – de forma bastante correta, ao que parece, no que se refere ao consumo importantíssimo de proteína.
 
A alimentação por escolha para animais mais velhos ainda está sendo estudada, enquanto que uma evolução da mesma, a alimentação "por menu", está funcionando bem com animais de creche.

  6-) Alimentação por menu.

Fornece dois tipos de alimento de densidades nutricionais levemente diferentes, oferecidos a qualquer momento durante todo o período de creche (6 a 25 ou 30 kg), ao final do qual um total de seis dietas terá sido oferecido. A cada sete a nove dias, a dieta mais velha é substituída, mantendo-se a mais nova e assim sucessivamente. As dietas também variam em seus sabores para estimular o apetite, já que os leitões podem enjoar facilmente de um sabor só. Aumentos importantes no consumo alimentar (24%) e no ganho de peso diário (23%) podem ser obtidos durante este período. No entanto, os melhoramentos na conversão alimentar normalmente são modestos (1%–2%).
 
O real benefício ocorre ao final do período de terminação, mesmo quando os suínos são alimentados de forma convencional de 25/30 kg até o abate. A alimentação por menu pode diminuir entre 7 e 21 dias o tempo até o abate e representar mais 20-40 kg de carne magra vendável/tonelada de alimento.
 
Embora as diferentes dietas possam ser adicionadas secas, manualmente, é mais fácil e econômico adicioná-las em forma líquida, para evitar confusões e erros.

  7-) Alimentação líquida de leitões de creche.

Este tipo de alimentação ainda está em desenvolvimento, mas os sinais são todos favoráveis. Está comprovado que a superfície intestinal do animal recém-desmamado é bem menos prejudicada se a transferência for para uma sopa de ração grossa e líquida e não para a ração seca ou mesmo o alimento úmido.
 
Assim, os animais desmamados desenvolvem-se mais rapidamente e chegam ao abate bem mais cedo.
 
O sistema de alimentação líquida é essencial para obter o grau de umidade necessário.

  8-) Inoculação com bactérias probióticas.

A inoculação de alimento líquido com bactérias fermentativas em animais desmamados aumenta consideravelmente os níveis inofensivos. A ração é mantida em água com o inoculo durante várias horas antes de ser oferecida; assim, tanto o amolecimento físico quanto a formação de enzimas auxiliam a pré-digestão do alimento no trato digestivo relativamente pouco desenvolvido do animal desmamado, que já está sob estresse tentando habituar-se ao alimento sólido em lugar de leite.
 
Isto será possível apenas com um sistema de alimentação líquida.
 
A fitase é mais ativa, liberando mais fósforo, quando incluída no alimento líquido.

  9-) Biotecnologia nutricional.

Esta área está crescendo e, futuramente, deverá crescer ainda mais. Freqüentemente, como é o caso de nutrientes como o selênio orgânico (0,3 ppm) e cromo orgânico (200 ppb), apenas quantidades muito pequenas estão envolvidas – mas elas são muito benéficas. Bem mais do que seus níveis de inclusão sugeririam.
 
Somente misturadores para alimentação líquida podem processar quantidades pequenas eficientemente, dispensando os custos de incorporar elementos de baixa inclusão em carreadores.

  10-) Alimentos líquidos.

Aminoácidos cristalinos suplementares levam muito tempo e demandam muita energia para secar em forma de pó, como são comercializados. Adicioná-los líquido é muito mais econômico.
 
A tecnologia de enzimas, no futuro, permitirá que usemos alimentos "líquidos" que atualmente não são digeríveis pelos suínos, como gramíneas, silagem de gramíneas, extremidades de bracicáceas, folhas de bananeira, caules de batata e até folhagens florestais.
 
Diversos subprodutos da indústria petroquímica e da indústria de conservas, açúcar e doces poderão ser utilizados para os suínos, adicionados aos produtos da indústria de laticínios usados atualmente.
 
Apenas um sistema de alimentação líquida poderá utilizar todos estes materiais e outros mais.
 
Assim, há 10 razões futuras (algumas já prontas para uso, outras ainda em desenvolvimento) para justificar por que a alimentação líquida é essencial para fornecer a tecnologia que está por vir. Mas, voltando ao presente. Todo e qualquer sistema tem os seus problemas – quais são eles?

As dificuldades e obstáculos da alimentação líquida

É claro que há desvantagens. Lembre-se que temos uma longa experiência de 40 anos e que a maioria destas desvantagens atualmente já pode ser excluída durante o estágio de fabricação ou, especialmente, durante a instalação. O segredo em remover 90% dos problemas verificados no passado é:
1-) Escolher um fabricante confiável com um passado comprovado de bom desempenho. Questioná-lo constantemente na base do "mas e se...?" e estudar as respostas, especialmente verificando se ele pode indicar-1he um cliente que conheça o assunto ou tenha tido este problema em particular.
2-) Assegure-se de que a equipe que vai instalar o equipamento tem qualificação e experiência. Por melhor que seja o equipamento, se for mal instalado, trará problemas.
3-) Assegure-se de que há assessoria, peças de reposição e pronto serviço de atendimento ao cliente disponíveis. Você e os seus animais ficarão completamente dependentes do sistema, portanto é essencial que haja um pronto serviço de reparo e atendimento.
 
Quais são as dificuldades? Classifica-se em duas categorias: as dificuldades reais e as dificuldades aparentes. As dificuldades percebidas ou aparentes são aquelas que preocupam os novatos (com razão), mas que podem ser evitadas com conhecimento e prevenção.

Dificuldades reais – A instalação de um sistema de alimentação líquida é dispendiosa e requer capital, especialmente se considerarmos a conversão de uma granja existente com sistema seco/úmido. A experiência com 137 granjas ao longo de 30 anos demonstra o aumento dos custos de alojamento, normalmente de 9% a 11% por animal, para 11% a 13% durante um período de amortização de dez anos.
 
Além disso, a atualização do sistema de ventilação acrescentará mais 1,5% sobre este valor.

Em retorno, você terá:

· Um aprimoramento na conversão alimentar de no mínimo 0,1% em cada animal vendido. Às vezes até mais.
· Ou 20kg de carne vendável a mais/tonelada de ração de terminação.
· Redução dos custos veterinários/médicos em até 33%.
· Funcionários mais satisfeitos e saudáveis, permanecendo por mais tempo e mais fáceis de serem recrutados.
· Entre 4% e 6% de redução nos custos do trabalho ou um aproveitamento muito melhor do trabalho.
· Entre 5% a 9% de redução nos custos de manutenção dos galpões (ventiladores, estruturas).
· Um custo mínimo para o preparo do alimento na própria granja, que representa uma economia de 18% no custo do alimento/tonelada (25% com subprodutos).

Com base nestes dados, pode-se observar que o sistema se paga com facilidade. Os dados de granjas coletados na década de 90 apresentam um retorno ao investimento entre 2:l e 6:1 (média = 4.1:1). A maior dificuldade, muitas vezes, é definir a prioridade de aplicação do capital, entre outras necessidades urgentes.

Ventilação – A alimentação líquida é um processo úmido! Freqüentemente será necessário que o engenheiro verifique a ventilação para remover o excesso de umidade, especialmente no inverno. Não esqueça deste aspecto.

Timpanismo – Os animais (mais velhos) tendem a apresentar timpanismo com alimento líquido, especialmente com soro de leite. É possível conseguir uma formulação contra o timpanismo, mas isto ainda é um problema. Você perderá 1% a mais dos animais em terminação devido a este problema.

Animais jovens, menores que 25 kg – Em geral não é aconselhável, até agora, mas pesquisas recentes (Brooks & Geary, Reino Unido; também Denmark, D.S.) sugerem que haverá boas novas dentro em breve.

Dificuldades percebidas e aparentes – Todas as dificuldades abaixo são normalmente verificadas e preocupam muito os que aderem à alimentação líquida. Na verdade, elas ocorrem muito raramente em sistemas bem instalados:

· Congelamento normalmente não é problema. De qualquer modo, o layout para evitar o congelamento e o esfriamento pelo vento deve ser projetado adequadamente.
· Fermentações na tubulação são raras, se o equipamento for utilizado diariamente. Prefira sistemas com autolimpeza. De qualquer modo a limpeza é sempre possível (com os animais presentes ou ausentes).

Poderá ocorrer entupimento, mas muito raramente. O problema deverá ser evitado desde a instalação, para que um eventual entupimento possa ser facilmente eliminado.
 
Animais muito gordos freqüentemente resultam do período de mudança de alimentação, pois as dietas não são alteradas de forma a evitar que os animais consumam alimento demais devido ao aumento de palatabilidade na alimentação líquida. Consulte seu nutricionista. O mesmo fenômeno ocorre quando se muda do alimento seco para o úmido, e a solução também é a mesma – ajustar a dieta.

Desempenho – Tenho arquivado mais de 40 exemplos de resultados comerciais recentes "antes e depois" (1989-1997), recebidos de suinocultores que utilizam a alimentação líquida.
 
Típico para hoje em dia seria o desempenho aprimorado de três projetos de alimentação líquida bem feitos, bem instalados e bem administrados.
 
Os protagonistas da alimentação líquida dizem que isto se deve ao fato de o alimento ser mais bem digerido. Talvez seja, mas na realidade acho que o desempenho é principalmente devido à redução do desperdício e, possivelmente, a maior satisfação dos animais, "gastando menos energia" e apresentando pulmões mais saudáveis pela redução da poeira. O argumento da melhor digestão só começará a ter real efeito quando a alimentação líquida for deliberadamente "semeada" com bactérias e enzimas e mantida sob impregnação durante oito horas, no mínimo, talvez mais.
 
A acomodação desta evolução exigirá alterações pequenas em circuitos de alimentação líquida já existentes, com custo adicional por animal em terminação muito reduzido.
 
Acredito que a alimentação líquida seja um caso irrefutável. Já era no passado, continua sendo no presente e certamente será ainda mais no futuro.

FONTE:
Revista Suinocultura Industrial - Número 135 – Out/Nov/1999
Gessulli Agribusiness
Pça Sergipe, 156 – CEP 18540-000 – Porto Feliz-SP
Tel: (15) 262-3133 / 262-3919
E-mail: gessulli@gessulli.com.br

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