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Alimentação
líquida: a revolução na alimentação
de suínos
(Por: John Gadd) |
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Há
trinta e cinco anos entrei na Taymix, pioneira na alimentação líquida
de suínos e, mais tarde, a maior granja de suínos da Grã-Bretanha, com
1.200 fêmeas produzindo 23.400 animais por ano (peso vivo 105 kg) e
exigindo o equivalente a duas mil toneladas de alimento a serem distribuídas,
a cada 16 semanas, por dois hectares (aproximadamente 5 acres) de construções
para animais em terminação.
Ninguém volta – O mais impressionante talvez seja que não consigo
recordar de nenhum produtor que tenha voltado a ração seca para seus
animais em terminação acima de 30 kg. Alguns poderão ter suspendido
a produção de suínos, mas é verdadeiro afirmar que dificilmente alguém
volta à ração seca após ter optado pela líquida. Assim, independentemente
do que penso ou digo, há várias centenas de produtores que não devem
estar errados.
Ano 2015 – Fazer previsões é um jogo perigoso, mas gostaria de
apostar que 80% dos animais em crescimento/terminação, no mundo todo
estarão recebendo alimentação líquida em 2015, e, além disso, possivelmente
40% das fêmeas, embora no caso delas provavelmente seja por cautela,
considerando a importância que deverá ter o apetite/consumo alimentar
das fêmeas hiperprolíficas do futuro.
Razões tradicionais (passadas) para a utilização da alimentação líquida
– Já existe uma grande quantidade de evidências para confirmar que a
alimentação exclusivamente líquida por meio de tubulação é distinta
da alimentação úmida com ração farelada ou peletizada. Um aspecto incomum
numa ruptura tecnológica radical desta natureza é que já dispomos de
condições para oferecer o elevado grau de eficiência e complexidade
que as futuras estratégias nutricionais da alimentação de suínos deverão
exigir.
A
ração pode ser desperdiçada de forma direta (pelas frestas do piso,
pisoteada, pó) ou indireta (relações nutricionais incorretas, etc.).
O alimento desperdiçado de cochos de alimentação líquida não é significativamente
diferente do desperdício nos cochos de alimentação úmida. 3-) Os animais consomem mais alimento. O
apetite dos animais tende a diminuir, à medida que a carcaça é mais
magra. Com genótipos de altas deposições de carne magra, o consumo voluntário
de alimentos torna-se crítico. Os suínos alimentados com ração líquida
consomem mais matéria seca, mesmo com a diminuição do apetite geneticamente
influenciado – de 5% a 8% a mais (Lee 1995). 4-) Ambiente mais saudável.
O
ambiente é mais saudável para os animais e para as pessoas, porque a
alimentação líquida reduz consideravelmente a formação de poeira – um
risco para a saúde de ambos.
·
"Há três vezes mais microrganismos transportados pelo ar nas baias
de suínos alimentados com ração seca". (Carpenter, 1986) 5-) Os alimentos podem ser mais baratos.
A
alimentação líquida permite o uso simples e seguro de subprodutos de
baixo custo. 6-) Melhor aproveitamento do trabalho. O
aproveitamento é melhor, especialmente em unidades maiores, ou quando
os prédios são distantes uns dos outros. O produtor movimenta aproximadamente
três vezes mais alimento do desmame até o abate que no rebanho de reprodução. 7-) Adição de medicamentos rápida e exata.
Quantidades pequenas como 250g ou ml/tonelada podem ser adicionadas. De acordo com Taylor (1976), com a alimentação líquida se consegue uma qualidade de mistura muito superior. 8-) Animais mais satisfeitos. Os
estudos têm demonstrado que os suínos alimentados com ração líquida
descansam mais e são menos agressivos. As pesquisas mais recentes mostram
que as fêmeas sossegam mais rapidamente e são mais calmas com o sistema
de alimentação líquida. 9-) Maior facilidade em recrutar bons funcionários. As
pesquisas referentes ao pessoal empregado nas granjas de criação de
animais revelaram que a granja progressista tem maior probabilidade
de atrair bons funcionários. Razões futuras para utilizar a alimentação líquida
A
Parte I apresenta algumas das evidências porque um grande número de
produtores de suínos já passaram a utilizar a alimentação líquida. No
entanto, a nutrição dos suínos, no futuro, trará ainda mais alterações,
e já está mudando muito rapidamente.
Quais são os avanços futuros?
1-) Alimentação "desafio" ou "teste". Resolve
o problema das grandes diferenças nas curvas de deposição de proteína
entre suínos do mesmo genótipo em diferentes granjas, causadas principalmente
por diferenças no status sanitário e também por variações no ambiente
de granja para granja. Uma pequena mostra de animais em crescimento/terminação
é testada com uma dieta não limitadora nutricionalmente e monitorada
cuidadosamente. Os resultados são processados por computador e uma dieta
específica para aquela granja é formulada, a preços mínimos, para todo
o rebanho. 2-) Alimentação por mistura de duas rações. O
problema óbvio criado por dietas específicas para cada granja é a multiplicidade
de dietas que o fabricante de rações deverá fornecer. Inicialmente poderão
ser feitos alguns acordos, por exemplo, oferecendo uma série de dietas
com densidades nutricionais aproximando-se ao máximo das curvas mais
comuns de deposição de proteína, ou fornecendo dietas diferentes de
acordo com o status sanitário. 3-) Alimentação para baias múltiplas.
Em
curto prazo (5-10 anos), a maioria das granjas de suínos continuarão
a conter até nove faixas diferentes de peso para animais em crescimento/terminação
em um único galpão. 4-) Alimentação multifásica.
Atualmente
a alimentação está sendo feita em etapas (três dietas e apenas
três relações nutricionais para as fases de animal iniciador, em crescimento
e em terminação), o que é bastante ineficiente. A alimentação por
fases (cerca de cinco passos iniciais e três mais avançados) é melhor,
mas ainda não é ideal. A alimentação multifásica, com 30-50 alterações
na relação nutritiva, significa um desempenho levemente aprimorado da
alimentação por fases, com reduções sensíveis na poluição por N2+P. 5-) Alimentação por escolha. Até
o presente momento, todos estes desenvolvimentos envolvem uma decisão
do nutricionista sobre quando os níveis dietéticos e os valores nutricionais
devem ser alterados. A alimentação por escolha permite que o animal
em crescimento faça ele mesmo as alterações na dieta – de forma bastante
correta, ao que parece, no que se refere ao consumo importantíssimo
de proteína. 6-) Alimentação por menu.
Fornece
dois tipos de alimento de densidades nutricionais levemente diferentes,
oferecidos a qualquer momento durante todo o período de creche (6 a
25 ou 30 kg), ao final do qual um total de seis dietas terá sido oferecido.
A cada sete a nove dias, a dieta mais velha é substituída, mantendo-se
a mais nova e assim sucessivamente. As dietas também variam em seus
sabores para estimular o apetite, já que os leitões podem enjoar facilmente
de um sabor só. Aumentos importantes no consumo alimentar (24%) e no
ganho de peso diário (23%) podem ser obtidos durante este período. No
entanto, os melhoramentos na conversão alimentar normalmente são modestos
(1%–2%). 7-) Alimentação líquida de leitões de creche.
Este
tipo de alimentação ainda está em desenvolvimento, mas os sinais são
todos favoráveis. Está comprovado que a superfície intestinal do animal
recém-desmamado é bem menos prejudicada se a transferência for para
uma sopa de ração grossa e líquida e não para a ração seca ou mesmo
o alimento úmido. 8-) Inoculação com bactérias probióticas.
A
inoculação de alimento líquido com bactérias fermentativas em animais
desmamados aumenta consideravelmente os níveis inofensivos. A ração
é mantida em água com o inoculo durante várias horas antes de ser oferecida;
assim, tanto o amolecimento físico quanto a formação de enzimas auxiliam
a pré-digestão do alimento no trato digestivo relativamente pouco desenvolvido
do animal desmamado, que já está sob estresse tentando habituar-se ao
alimento sólido em lugar de leite. 9-) Biotecnologia nutricional. Esta
área está crescendo e, futuramente, deverá crescer ainda mais. Freqüentemente,
como é o caso de nutrientes como o selênio orgânico (0,3 ppm) e cromo
orgânico (200 ppb), apenas quantidades muito pequenas estão envolvidas
– mas elas são muito benéficas. Bem mais do que seus níveis de inclusão
sugeririam. 10-) Alimentos líquidos.
Aminoácidos
cristalinos suplementares levam muito tempo e demandam muita energia
para secar em forma de pó, como são comercializados. Adicioná-los líquido
é muito mais econômico. As dificuldades e obstáculos da alimentação líquida
É
claro que há desvantagens. Lembre-se que temos uma longa experiência
de 40 anos e que a maioria destas desvantagens atualmente já pode ser
excluída durante o estágio de fabricação ou, especialmente, durante
a instalação. O segredo em remover 90% dos problemas verificados no
passado é:
Dificuldades reais – A instalação de um sistema de alimentação
líquida é dispendiosa e requer capital, especialmente se considerarmos
a conversão de uma granja existente com sistema seco/úmido. A experiência
com 137 granjas ao longo de 30 anos demonstra o aumento dos custos de
alojamento, normalmente de 9% a 11% por animal, para 11% a 13% durante
um período de amortização de dez anos. Em retorno, você terá:
·
Um aprimoramento na conversão alimentar de no mínimo 0,1% em cada animal
vendido. Às vezes até mais.
Com base nestes dados, pode-se observar que o sistema se paga com facilidade. Os dados de granjas coletados na década de 90 apresentam um retorno ao investimento entre 2:l e 6:1 (média = 4.1:1). A maior dificuldade, muitas vezes, é definir a prioridade de aplicação do capital, entre outras necessidades urgentes.
Ventilação – A alimentação líquida é um processo úmido! Freqüentemente será necessário que o engenheiro verifique a ventilação para remover o excesso de umidade, especialmente no inverno. Não esqueça deste aspecto.
Timpanismo – Os animais (mais velhos) tendem a apresentar timpanismo com alimento líquido, especialmente com soro de leite. É possível conseguir uma formulação contra o timpanismo, mas isto ainda é um problema. Você perderá 1% a mais dos animais em terminação devido a este problema.
Animais jovens, menores que 25 kg – Em geral não é aconselhável, até agora, mas pesquisas recentes (Brooks & Geary, Reino Unido; também Denmark, D.S.) sugerem que haverá boas novas dentro em breve.
Dificuldades percebidas e aparentes – Todas as dificuldades abaixo são normalmente verificadas e preocupam muito os que aderem à alimentação líquida. Na verdade, elas ocorrem muito raramente em sistemas bem instalados:
·
Congelamento normalmente não é problema. De qualquer modo, o layout
para evitar o congelamento e o esfriamento pelo vento deve ser projetado
adequadamente. Poderá
ocorrer entupimento, mas muito raramente. O problema deverá ser evitado
desde a instalação, para que um eventual entupimento possa ser facilmente
eliminado.
Desempenho – Tenho arquivado mais de 40 exemplos de resultados
comerciais recentes "antes e depois" (1989-1997), recebidos
de suinocultores que utilizam a alimentação líquida. |
| FONTE: Revista Suinocultura Industrial - Número 135 – Out/Nov/1999 Gessulli Agribusiness Pça Sergipe, 156 – CEP 18540-000 – Porto Feliz-SP Tel: (15) 262-3133 / 262-3919 E-mail: gessulli@gessulli.com.br |
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