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Economia na produção de cevados
(Por Gerwin de Koning)*

Para uma estratégia de alimentação ótima é necessário definir claramente seus objetivos e decidir, em cada situação, qual o critério mais importante para o mercado, quais as possibilidades técnicas e os benefícios financeiros. Diferentes técnicas de manejo e alimentação produzem diferentes efeitos econômicos. Confira:

· Quando os custos de alimentação são altos se comparados ao custo de mão-de-obra e alojamento, a conversão alimentar é o item mais importante.
· Quando os custos de mão-de-obra e alojamento são altos, o ganho de peso diário deve ser focalizado.
· Quando o percentual de carne magra influencia o preço da carcaça, este deve ser o alvo.

     Definidos quais são os resultados finais que se espera, é hora de planejar a ração e o esquema de alimentação, entendendo as necessidades do cevado.

Necessidade do Cevado - A ração (entendida basicamente como energia e aminoácidos) fornecida aos animais deve atender três funções: manutenção, atividade ambiental e crescimento.
 
Atividade ambiental une todas as atividades do animal relacionado ao movimento físico, brigas, transferências, variações de temperatura ambiental, doenças e estresse.
 
Crescimento pode ser visto como a somatória do ganho de carne (proteína + água), ganho de gordura e ganho de resíduos (+/-30 gramas por dia). É interessante saber que o ganho de gordura custa quatro vezes mais (Kcal ME) que o ganho de carne.
 
O ganho de carne é limitado e depende do potencial genético do cevado. Independente da idade, a deposição de carne diária varia de menos que 200 gramas por dia, em certas raças caipiras, até 800 gramas por dia, no caso de cevados de empresas de alta tecnologia genética. Além disso, o cevado ganha uma quantidade mínima de gordura.
 
O ganho de gordura não tem limite e aumenta com a idade e o sexo, mas também com a quantidade de ração fornecida. Um leitão de 25 kg ganha no mínimo 50 gramas de gordura por dia. Um cevado de 100 kg ganha no mínimo 300 gramas diárias de gordura. A nossa empresa* pesquisou durante quatro anos o potencial de ganho de carne (pdmax) e a relação entre o ganho de carne e de gordura (ratio marginal) de sua genética.

Combinando as necessidades - Em geral, o leitão de nossa empresa*, com 25 kg, gasta 45% da energia consumida para ganhar carne, 25% para ganhar gordura e 35% para manutenção. Para um cevado de 100 kg, estas proporções são, respectivamente, 20%, 45% e 35%. A quantidade de nutrientes que um cevado comer acima de suas necessidades será depositado como gordura, resultando em um maior crescimento, mas uma pior eficiência e qualidade de carcaça.
 
Dessa forma, pode-se oferecer uma qualidade e quantidade da ração bem equilibrada e a mais econômica dentro do seu objetivo. Nós desenvolvemos um programa de computador (PIGMODEL) para calcular a estratégia ideal de alimentação de nossos cevados de acordo com certos objetivos.
 
A tabela 1 demonstra os parâmetros para calcular a margem bruta anual para 1000 cevados alojados nas fases de recria/terminação. Os cevados crescem de 20 até 100 kg, comendo as mesmas rações inicial e recria, mas rações terminação diferentes (2900, 3100 ou 3300 Kcal ME/kg). A troca para ração terminação acontece com 110 dias de idade. São aplicados vários níveis de restrição (2,6; 2,8 ou 3,0 kg a partir do dia notado) e ração à vontade.

(Tabela 1)
Parâmetros para calcular a margem bruta anual para 1000 cevados alojados de recria/terminação.

REGIAO

SP/MG/RJ

RS/SC/PR

Preço / kg

R$ 1,15

R$ 1,00

Bonificação

Não

Sim

Inicial 1

R$ 0,25

R$ 0,22

Recria

R$ 0,23

R$ 0,20

Terminação 2.900 kcal/kg

R$ 0,19

R$ 0,16

Terminação 3.100 kcal/kg

R$ 0,21

R$ 0,18

Terminação 3.300 kcal/kg

R$ 0,23

R$ 0,20

     Nesta simulação considera-se somente o custo de ração e o preço de venda dos cevados (margem bruta), ou seja, não foram considerados demais custos e/ou receitas. Como os preços e condições variam, foi feita uma simulação para os estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. E outra para os estados do Sul do país.

Conclusões – A margem bruta aumenta quando a ração é fornecida mais à vontade: o crescimento aumenta e o produtor consegue completar mais ciclos por ano ou entregar cevados com um maior peso.
 
No caso de restrição, as rações mais energéticas darão um lucro maior. Mas se tiver optado por ração à vontade, com o uso de produtos mais energéticas, os cevados vão crescer mais rápido, porém, usando a sobra de ração rica e cara para depositar mais gordura. Como resultado, vai se obter um crescimento menos eficiente e mais caro.
 
Como se nota a vantagem das rações de baixa energia ficará maior, em situações de menor preço do produto final (R$1,15 -> R$1,00) ou tipificação da carcaça (Sul do país). Um aumento do preço da ração terá o mesmo efeito.
 
Isso nos permite oferecer alguns conselhos práticos:

· Resumindo os resultados acima, recomendamos fornecer rações de terminação para cevados produzidos por nossa empresa, com baixo nível de energia (3000 a 3150 Kcal ME/kg), à vontade.
· Prevenir o desperdício de ração. O desperdício pode aumentar a C.A. em 5 até 10%.
· Manter uma boa condição de saúde. Cevados com condição elevada de saúde são 10 - 15% mais eficientes na digestão.
· Evitar que os animais apresentem atividade desnecessária.
· Proporcionar o ambiente certo, especialmente quanto à temperatura.
· Separar os machos castrados das fêmeas. A alimentação restrita aos machos castrados proporciona uma melhoria na qualidade de carcaça. O crescimento de animais de engorda é mais fácil de se entender do que muita gente pensa. É a combinação de ração, genética e elementos da granja (manejo, funcionários e gerente) que faz a diferença nos resultados. Por isso, para fornecer uma ração adequada é importante conhecer a capacidade de deposição de carne e gordura (pdmax e ratio marginal) da genética utilizada.

A qualidade de ração e o esquema de alimentação não deve ser somente adequado à qualidade requerida no produto final e aos alvos econômicos a ser alcançados. Mas também devem adaptar-se às circunstâncias locais, oportunidades e fatores de limitação como por exemplo, as matérias-primas. Recomenda-se, assim, consultar seu nutricionista para verificar qual formulação proporcionará a maior margem bruta, tendo em vista as necessidades da sua genética.

* Geneticista da Dalland do Brasil

FONTE:
Revista Suinocultura Industrial - Número 140 – Ago/Set/1999
Gessulli Agribusiness
Pça Sergipe, 156 – CEP 18540-000 – Porto Feliz-SP
Tel: (15) 262-3133 / 262-3919
E-mail: gessulli@gessulli.com.br

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